{"id":10262,"date":"2012-07-04T12:00:22","date_gmt":"2012-07-04T12:00:22","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=10262"},"modified":"2012-07-04T12:00:22","modified_gmt":"2012-07-04T12:00:22","slug":"permafrost-derrete-e-ameaa-aldeias-suas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/07\/economia\/permafrost-derrete-e-ameaa-aldeias-suas\/","title":{"rendered":"Permafrost derrete e amea&ccedil;a aldeias su&iacute;&ccedil;as"},"content":{"rendered":"<p>Guttannen, Su&iacute;&ccedil;a, 04\/07\/2012 &ndash; O derretimento das geleiras &eacute; o efeito mais vis&iacute;vel do aquecimento global nos Alpes su&iacute;&ccedil;os. <!--more--> J&aacute; o permafrost n&atilde;o se v&ecirc;, mas tamb&eacute;m derrete, causando avalanches de escombros e pedras que colocam em perigo as aldeias da regi&atilde;o. O permafrost (solo permanentemente congelado) &eacute; uma camada do subsolo, rochoso ou n&atilde;o, que sempre mant&eacute;m temperatura de zero grau ou menor. O gelo &eacute; um ingrediente poss&iacute;vel, mas n&atilde;o necess&aacute;rio.<\/p>\n<p>Guttannen, de 310 habitantes, &eacute; uma pequena aldeia nos Alpes de Berna, a &uacute;ltima por onde passam os viajantes a caminho da passagem de Grimsel. Na primavera, a neve desaparece das empinadas ladeiras. Como a passagem continua fechada, reina a calma no pitoresco centro da aldeia. Apenas os chocalhos no pesco&ccedil;o das vacas e o som do rio Aar, que fica pr&oacute;ximo, quebram o sil&ecirc;ncio. Por&eacute;m, para alguns habitantes, viver em Guttannen se tornou bastante inc&ocirc;modo e, no longo prazo, inclusive perigoso. A causa do perigo est&aacute; mais acima, no flanco nordeste do Monte Ritzlihorn, de 3.282 metros de altura.<\/p>\n<p>Em julho de 2009, houve um enorme desprendimento de pedras e, desde ent&atilde;o, a cada ver&atilde;o os escombros caem em grande quantidade. &quot;Os deslizamentos de lama e o volume de escombros que transportam aumentam de ano para ano&quot;, contou Nils H&auml;hlen, engenheiro hidr&aacute;ulico do servi&ccedil;o de obras p&uacute;blicas do cant&atilde;o. &quot;Parte dos escombros acabam no Aar, ampliando seu leito&quot;, afirmou. Em tr&ecirc;s anos esses materiais acrescentaram 630 metros c&uacute;bicos no rio, o que coloca em risco a infraestrutura civil.<\/p>\n<p>Quando chove forte no ver&atilde;o, a &uacute;nica estrada que atravessa o estreito vale deve ser frequentemente fechada. Uma casa pr&oacute;xima ao rio j&aacute; precisou ser desmantelada, e a esta&ccedil;&atilde;o local de tratamento de esgoto pode ser a pr&oacute;xima. Desde 2010, o deslizamento de escombros chega, inclusive, at&eacute; o povoado de Boden, onde h&aacute; dez casas e 30 habitantes. &quot;Os pr&oacute;ximos deslizamentos de lama ser&atilde;o um grande problema&quot;, advertiu o chefe do conselho de Guttannen, Hans Abplanalp. Algumas casas estar&atilde;o em perigo no prazo de dois ou cinco anos, e outras dentro de sete anos, acrescentou.<\/p>\n<p>Uma das casas pertence a Martin Leuthold. &quot;Vivo neste lugar h&aacute; 60 anos, e inclusive meu pai foi agricultor aqui&quot;, contou. Leuthold disse n&atilde;o ter medo, pois cresceu acompanhando as mudan&ccedil;as da natureza. De todo modo, n&atilde;o ignora o perigo. &quot;Talvez n&atilde;o ocorra nada nos pr&oacute;ximos dez anos, ou talvez neste ver&atilde;o tudo caia sobre n&oacute;s&quot;, afirmou.<\/p>\n<p>Hans von Weissenfluh vive a menos de 20 metros do rio. &quot;A amea&ccedil;a &eacute; real&quot;, afirmou. Weissenfluh tem viva a lembran&ccedil;a da impactante quantidade de &aacute;gua e escombros que flu&iacute;ram no &uacute;ltimo ver&atilde;o boreal pelo Rio Aar. &quot;H&aacute; apenas cinco anos o leito do rio era muito mais estreito&quot;, ressaltou. Engenheiros, ge&oacute;logos e especialistas em geleiras presumem que o permafrost derretido &eacute; o problema.<\/p>\n<p>&quot;A quest&atilde;o &eacute; que, em geral, n&atilde;o se sabe se h&aacute; permafrost&quot;, disse Nils H&auml;hlen. Existem mapas tra&ccedil;ados com base no c&aacute;lculo de probabilidades, mas, como explicou, em qualquer caso &eacute; preciso avaliar as coisas no &acirc;mbito local. Nas ladeiras das montanhas nordeste o permafrost pode aparecer, aproximadamente, acima dos 2.600 metros de altitude.<\/p>\n<p>Os cientistas estimam que cerca de 5% dos solos da Su&iacute;&ccedil;a sejam de permafrost. Sua presen&ccedil;a estabiliza as empinadas ladeiras rochosas das montanhas elevadas e as protege da eros&atilde;o, servindo como uma esp&eacute;cie de cimento natural. Quando derrete, pode ocorrer desprendimentos de pedras e avalanches de escombros. &quot;As &aacute;reas mais baixas do permafrost s&atilde;o as mais vulner&aacute;veis&quot;, explicou H&auml;hlen. A causa do derretimento &eacute; o aumento da temperatura do ar, medida nos &uacute;ltimos anos nos Alpes, indicou.<\/p>\n<p>Segundo a especialista em geleiras Jeannette N&ouml;tzli, da Universidade de Zurique, a atmosfera e o permafrost subterr&acirc;neo n&atilde;o costumam estar diretamente vinculados. O conte&uacute;do de gelo e as mudan&ccedil;as na cobertura superficial podem mascarar sinais atmosf&eacute;ricos. N&ouml;tzli, que dirige o Escrit&oacute;rio de Coordena&ccedil;&atilde;o da Rede Su&iacute;&ccedil;a de Controle do Permafrost (Permos), disse que, &quot;como a observa&ccedil;&atilde;o sistem&aacute;tica por parte do Permos come&ccedil;ou em 2000, a maior parte de nossos dados cobre uma d&eacute;cada, e para fazer afirma&ccedil;&otilde;es s&oacute;lidas sobre tend&ecirc;ncias em ci&ecirc;ncia clim&aacute;tica &eacute; necess&aacute;rio um per&iacute;odo de 30 anos&quot;.<\/p>\n<p>&quot;Entretanto, acrescentou a especialista, boa parte de nossos dados indicam uma degrada&ccedil;&atilde;o do permafrost. Por exemplo, nos &uacute;ltimos tr&ecirc;s anos a profundidade do estrato ativo (camada de solo que fica acima do permafrost e que se congela e descongela com a mudan&ccedil;a de esta&ccedil;&atilde;o) aumentou a valores sem precedentes no ver&atilde;o em muitos pontos observados&quot;.<\/p>\n<p>N&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel realizar previs&otilde;es confi&aacute;veis sobre as altera&ccedil;&otilde;es do permafrost. No caso de Guttannen, os especialistas limitam seus progn&oacute;sticos para o ano seguinte. H&auml;hlen espera que, no longo prazo, acabe a queda de escombros do Ritzlihorn, pois definitivamente a &aacute;rea de capta&ccedil;&atilde;o da ladeira &eacute; limitada.<\/p>\n<p>Retirar os escombros do fundo do vale e do Aar n&atilde;o &eacute; uma op&ccedil;&atilde;o. &Eacute; muito perigoso, e tamb&eacute;m muito caro. Al&eacute;m disso, na regi&atilde;o h&aacute; poucos lugares para onde lev&aacute;-los. Apenas eliminar os res&iacute;duos que est&atilde;o no rio custaria cerca de US$ 19 milh&otilde;es, e equivaleria a carregar pelo menos 50 mil caminh&otilde;es.<\/p>\n<p>Para os moradores de Boden, n&atilde;o h&aacute; muitas esperan&ccedil;as. Em definitivo. Ter&atilde;o que deixar suas casas e ir para outro lugar. Hans Abplanalp, presidente do conselho, falou com todos os envolvidos. &quot;A maioria quer permanecer em Guttannen. Podemos oferecer-lhes terras e casas para comprar&quot;, afirmou.<\/p>\n<p>Hans von Weissenfluh pretende se mudar para Guttannen em breve. Outros como Martin Leuthold, t&ecirc;m d&uacute;vidas. N&atilde;o lhe importaria viver em outra parte da aldeia, mas &eacute; reticente quanto a derrubar sua casa e levar todos seus pertences. &quot;&Eacute; muito trabalho&quot;, afirmou. Ele teme n&atilde;o receber uma compensa&ccedil;&atilde;o completa. Seria indenizado apenas por seu est&aacute;bulo se constru&iacute;sse um novo no lugar. &quot;N&atilde;o sei para que serve um est&aacute;bulo novo se logo vou me aposentar&quot;, ressaltou. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Guttannen, Su&iacute;&ccedil;a, 04\/07\/2012 &ndash; O derretimento das geleiras &eacute; o efeito mais vis&iacute;vel do aquecimento global nos Alpes su&iacute;&ccedil;os. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/07\/economia\/permafrost-derrete-e-ameaa-aldeias-suas\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":180,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8,12,5],"tags":[18,21],"class_list":["post-10262","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ambiente","category-desenvolvimento","category-economia","tag-europa","tag-metas-do-milenio"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10262","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/180"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10262"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10262\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10262"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10262"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10262"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}