{"id":10272,"date":"2012-07-06T11:43:02","date_gmt":"2012-07-06T11:43:02","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=10272"},"modified":"2012-07-06T11:43:02","modified_gmt":"2012-07-06T11:43:02","slug":"frica-do-sul-excremento-humano-contra-insegurana-alimentar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/07\/africa\/frica-do-sul-excremento-humano-contra-insegurana-alimentar\/","title":{"rendered":"&Aacute;FRICA DO SUL: Excremento humano contra inseguran&ccedil;a alimentar"},"content":{"rendered":"<p>Pret&oacute;ria, &Aacute;frica do Sul, 06\/07\/2012 &ndash; Cientistas da &Aacute;frica do Sul parecem ter encontrado a forma de reduzir os problemas de saneamento neste pa&iacute;s, que ao mesmo tempo combate a inseguran&ccedil;a alimentar: usando excremento humano como fertilizante.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_10272\" style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/IPS25.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-10272\" class=\"size-medium wp-image-10272\" title=\"O cientista David Still descobriu como conter os pat&oacute;genos dos excrementos. - Yuven Gounden\/IPS\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/IPS25.jpg\" alt=\"O cientista David Still descobriu como conter os pat&oacute;genos dos excrementos. - Yuven Gounden\/IPS\" width=\"200\" height=\"133\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-10272\" class=\"wp-caption-text\">O cientista David Still descobriu como conter os pat&oacute;genos dos excrementos. - Yuven Gounden\/IPS<\/p><\/div>  Embora quase 11 milh&otilde;es de sul-africanos contem com servi&ccedil;os de saneamento b&aacute;sicos desde 1994, mais de 13,3 milh&otilde;es ainda n&atilde;o tinham acesso a eles em 2008, segundo o Conselho para a Pesquisa Cient&iacute;fica e Industrial.<\/p>\n<p>Por outro lado, as latrinas de po&ccedil;o instaladas no pa&iacute;s est&atilde;o se enchendo mais r&aacute;pido do que se previa, alertou a Comiss&atilde;o de Investiga&ccedil;&atilde;o sobre a &Aacute;gua (WRC). &quot;Apenas um ter&ccedil;o das municipalidades tem or&ccedil;amento para manter saneamento individual (para cada resid&ecirc;ncia). Se as latrinas encherem, todo o duro trabalho feito para enfrentar os problemas de saneamento estar&aacute; perdido&quot;, alertou o pesquisador David Still, da WRC.<\/p>\n<p>&quot;Por que n&atilde;o usamos lodos fecais para adubar &aacute;rvores frut&iacute;feras e assim enfrentar o crescente problema da inseguran&ccedil;a alimentar, ou para cultivar &aacute;rvores destinadas &agrave; produ&ccedil;&atilde;o de combust&iacute;vel ou papel?&quot;, foi a pergunta do cientista, que deu origem ao projeto &quot;O que acontecer&aacute; quando as latrinas ficarem cheias?&quot;. &Eacute; &quot;claro que em nosso pa&iacute;s o uso de cisternas a v&aacute;cuo n&atilde;o &eacute; sempre a solu&ccedil;&atilde;o, devido a problemas de acesso e tamb&eacute;m pelos objetos estranhos encontrados nas latrinas&quot;, explicou Still.<\/p>\n<p>O excremento humano tem valiosos nutrientes que servem para o adubo, como nitrog&ecirc;nio, fosfatos e pot&aacute;ssio. Uma pessoa m&eacute;dia excreta por ano o suficiente para fertilizar entre 300 e 400 metros quadrados de cultivos. Por&eacute;m, o uso de lodo fecal como fertilizante pode ser perigoso devido aos pat&oacute;genos que cont&eacute;m, especialmente se s&atilde;o usados na superf&iacute;cie, onde se cultiva produtos comest&iacute;veis. Tamb&eacute;m h&aacute; risco de contamina&ccedil;&atilde;o da &aacute;gua subterr&acirc;nea.<\/p>\n<p>Com o objetivo de encontrar uma forma de conter esses pat&oacute;genos, foram feitas pesquisas em dois s&iacute;tios-piloto, nas localidades de Umlazi e Karkloof. Os s&iacute;tios s&atilde;o administrados pela municipalidade local e pela estatal Ind&uacute;stria Sul-Africana de Papel e Celulose (Sappi), respectivamente. Still e as equipes descobriram que, enterrando lama fecal em po&ccedil;os e plantando por cima, os pat&oacute;genos s&atilde;o contidos e se extinguem. Foram cavadas valas de 75 cent&iacute;metros de profundidade e preenchidas em parte com excremento humano. Ao mesmo tempo foram estudados dois s&iacute;tios onde n&atilde;o foi usado lodo fecal.<\/p>\n<p>Os cientistas constataram que as &aacute;rvores plantadas com esse adubo tinham altura e volume significativamente maiores, &quot;de at&eacute; 80% a mais&quot;. Para constatar a presen&ccedil;a de pat&oacute;genos, os pesquisadores buscaram ovos de lombriga, um parasita resistente. Se encontrados, significa que a lama fecal ainda continha subst&acirc;ncias perigosas. &quot;An&aacute;lises de lodo fecal extra&iacute;do em intervalos peri&oacute;dicos indicaram que n&atilde;o podiam ser encontradas lombrigas mesmo 30 meses ap&oacute;s ter sido enterrado&quot;, afirmou Still.<\/p>\n<p>Sfundo Nkomo, engenheiro da organiza&ccedil;&atilde;o Partners in Development, investigou a presen&ccedil;a de micr&oacute;bios no s&iacute;tio de Umlazi. &quot;Algu&eacute;m tem que vigiar a situa&ccedil;&atilde;o devido aos riscos impl&iacute;citos. &Eacute; claro que a tecnologia funciona e que as plantas t&ecirc;m folhas na cor verde-escuro. Das novas fileiras de &aacute;rvores plantadas, as que receberam tratamento com lama fecal eram maiores e mais desenvolvidas&quot;, detalhou.<\/p>\n<p>A &aacute;gua subterr&acirc;nea perto dos s&iacute;tios com adubo tamb&eacute;m foi supervisionada para determinar se sua qualidade foi afetada. Em Umlazi, que &eacute; plano e arenoso, com solos profundos, n&atilde;o se constatou impacto algum. Contudo, no s&iacute;tio perto de Karkloof, com solos pouco profundos, houve um pequeno aumento nas concentra&ccedil;&otilde;es de nitrato na &aacute;gua subterr&acirc;nea ap&oacute;s as chuvas. Isto demonstrou que os locais ideais para utilizar lodo fecal como adubo devem ter terreno plano e profundo.<\/p>\n<p>A casa de Lindiwe Khoza em Umlazi foi selecionada como s&iacute;tio de teste. Em seu terreno s&atilde;o plantados c&iacute;tricos e p&ecirc;ssegos adubados com lama fecal. &quot;O fruto cresce muito mais r&aacute;pido e parece ser mais saboroso e com mais suco do que o comprado em supermercados. Agora temos muitos frutos de nosso pr&oacute;prio jardim&quot;, disse Khoza &agrave; IPS.<\/p>\n<p>O l&iacute;der do programa de administra&ccedil;&atilde;o de terras da Sappi, Giovanni Sale, destacou que tamb&eacute;m foi constatado aumento na produ&ccedil;&atilde;o de &aacute;rvores nas &aacute;reas adubadas com lama fecal. &quot;Lamentavelmente, esta melhora nas &aacute;rvores n&atilde;o compensa seu alto custo. Os custos de prepara&ccedil;&atilde;o da terra na regi&atilde;o foram 30 vezes maiores do que das pr&aacute;ticas florestais convencionais. Assim, ainda n&atilde;o &eacute; uma pr&aacute;tica comercialmente vi&aacute;vel&quot;, ponderou Salle, acrescentando que se a municipalidade quiser iniciar seu pr&oacute;prio projeto, a Sappi estar&aacute; disposta a dar assist&ecirc;ncia.<\/p>\n<p>Por sua vez, Jay Bhagwan, diretor de Uso e Administra&ccedil;&atilde;o de &Aacute;guas da WRC, pontuou que o uso de excremento humano pode melhorar a seguran&ccedil;a alimentar e de combust&iacute;veis das comunidades locais. &quot;As comunidades podem cultivar &aacute;rvores para usar a madeira como combust&iacute;vel, ou &aacute;rvores frut&iacute;feras, segundo suas necessidades. O cultivo &eacute; melhorado enormemente com a lama fecal. A tecnologia tem um enorme potencial&quot;, afirmou. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pret&oacute;ria, &Aacute;frica do Sul, 06\/07\/2012 &ndash; Cientistas da &Aacute;frica do Sul parecem ter encontrado a forma de reduzir os problemas de saneamento neste pa&iacute;s, que ao mesmo tempo combate a inseguran&ccedil;a alimentar: usando excremento humano como fertilizante. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/07\/africa\/frica-do-sul-excremento-humano-contra-insegurana-alimentar\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":421,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[3,12,5,7],"tags":[],"class_list":["post-10272","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-africa","category-desenvolvimento","category-economia","category-saude"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10272","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/421"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10272"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10272\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10272"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10272"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10272"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}