{"id":10278,"date":"2012-07-09T11:48:47","date_gmt":"2012-07-09T11:48:47","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=10278"},"modified":"2012-07-09T11:48:47","modified_gmt":"2012-07-09T11:48:47","slug":"a-guerra-da-china-contra-o-deserto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/07\/economia\/a-guerra-da-china-contra-o-deserto\/","title":{"rendered":"A guerra da China contra o deserto"},"content":{"rendered":"<p>Chifeng, China, 09\/07\/2012 &ndash; A China tem quase um quarto de seu territ&oacute;rio coberto por desertos e areais que afetam a forma de vida de 400 milh&otilde;es de pessoas.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_10278\" style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/China.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-10278\" class=\"size-medium wp-image-10278\" title=\"A recupera&ccedil;&atilde;o de terras des&eacute;rticas e arenosas no condado de Wengniute, na Mong&oacute;lia, interior da China, est&aacute; bem encaminhada - Manipadma Jena\/IPS\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/China.jpg\" alt=\"A recupera&ccedil;&atilde;o de terras des&eacute;rticas e arenosas no condado de Wengniute, na Mong&oacute;lia, interior da China, est&aacute; bem encaminhada - Manipadma Jena\/IPS\" width=\"200\" height=\"150\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-10278\" class=\"wp-caption-text\">A recupera&ccedil;&atilde;o de terras des&eacute;rticas e arenosas no condado de Wengniute, na Mong&oacute;lia, interior da China, est&aacute; bem encaminhada - Manipadma Jena\/IPS<\/p><\/div>  Enquanto a ci&ecirc;ncia qualifica a desertifica&ccedil;&atilde;o como um dos problemas ambientais mais graves do momento, uma aldeia da regi&atilde;o de Mong&oacute;lia Interior resiste &agrave; aridez. A vegeta&ccedil;&atilde;o dispersa e o clima seco de Chifeng deram lugar a uma grave eros&atilde;o do solo e uma escassa fertilidade. A agricultura e a cria&ccedil;&atilde;o de animais, as duas principais atividades de seus nove condados e tr&ecirc;s distritos, est&atilde;o em perigo pela desertifica&ccedil;&atilde;o, apesar de o reflorestamento ter come&ccedil;ado em 1940.<\/p>\n<p>O governo local diz que o corte e a lavoura nas ladeiras das montanhas, o uso excessivo de terras agr&iacute;colas invadidas pela areia e pelo pastoreio intensivo s&atilde;o os principais respons&aacute;veis pelo problema, em uma regi&atilde;o de poucos rendimentos e escassa cobertura vegetal. As terras degradadas, despojadas de sua cobertura verde, s&atilde;o cada vez mais vulner&aacute;veis aos potentes ventos que sopram na primavera, que vai de mar&ccedil;o a maio, e que, segundo os cientistas, arrastam cerca de 35 toneladas de areia por quil&ocirc;metro quadrado em um m&ecirc;s.<\/p>\n<p>Qihetang, aldeia de 228 casas no condado de Linxi, em Chifeng, sofre um desastre ecol&oacute;gico por desmatamento e pastagem excessiva. Em 1990, a renda por habitante era de 300 yuanes (US$ 50) e cada fam&iacute;lia colhia 150 quilos de gr&atilde;os em &aacute;reas de dois hectares nas encostas baixas, uma realidade que levou &agrave; imigra&ccedil;&atilde;o. As autoridades locais decidiram, dois anos depois, cercar as encostas, plantar &aacute;rvores frut&iacute;feras e proibir a pastagem extensiva. Em 2000, o governo estadual contribuiu com apoio econ&ocirc;mico e t&eacute;cnico para reverdejar a regi&atilde;o. Foram entregues os subs&iacute;dios de subsist&ecirc;ncia Gr&atilde;os em Troca de Verde, equivalentes a US$ 8 e 200 quilos de cereais a cada propriedade.<\/p>\n<p>Depois foram destinados 160 yuanes (US$ 25) para cada terreno, explicou Cao Wenzhong, diretor-geral do Departamento Florestal da Regi&atilde;o Aut&ocirc;noma da Mong&oacute;lia Interior. Hoje, Qihentang exibe uma cobertura verde em 80% de seus 2.154 hectares, com &aacute;rvores frut&iacute;feras, pinheiros e pradarias recuperadas. &quot;A renda por habitante subiu para oito mil yuanes (US$ 1.260) pelo com&eacute;rcio de frutas e madeira. Os agricultores compraram tratores&quot;, contou &agrave; IPS o chefe da aldeia, Zhang Chun Jie. &quot;A migra&ccedil;&atilde;o s&oacute; acontece nos meses duros do inverno, mas muitos permanecem para processar ma&ccedil;&atilde;s, peras e damascos, forragem para animais e pain&eacute;is de madeira. O turismo tamb&eacute;m &eacute; uma ind&uacute;stria nascente&quot;, destacou Zhang.<\/p>\n<p>&quot;Mais de dois bilh&otilde;es de hectares de terras degradadas em todo o mundo s&atilde;o aptas para reflorestar e restaurar a cobertura vegetal, na maioria dos casos combinando atividades agroflorestais e pequenos cultivos&quot;, disse Mansour N&#39;Diaye, chefe de gabinete da Conven&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas para a Luta contra a Desertifica&ccedil;&atilde;o (Cnuld).<\/p>\n<p>Localizado no meio de Chifeng, perto do areal de Horqin &#8211; a principal fonte de areia da regi&atilde;o e uma das quatro da China -, o condado de Wengniute est&aacute; muito exposto &agrave; desertifica&ccedil;&atilde;o, e &eacute; o principal foco do programa nacional de controle deste fen&ocirc;meno. Com muito trabalho, desde outubro de 2011 se converte em florestas e &aacute;reas verdes cerca de 400 mil hectares que sofreram uma grave deteriora&ccedil;&atilde;o em Wengniute. Uma barreira protetora de &aacute;rvores, para deter o vento e a areia que voa em grande velocidade, cobre 120 mil hectares.<\/p>\n<p>&quot;O resgate florestal, contando m&atilde;o de obra e m&aacute;quinas, custa US$ 1.180 por hectare. A taxa de sobreviv&ecirc;ncia das esp&eacute;cies nativas resistentes &agrave; areia &eacute; de 75%, informou Wang Feiyue, do Escrit&oacute;rio de Convers&atilde;o de Terras Agr&iacute;colas, &agrave; IPS. Alguns acreditam que o sucesso desta recupera&ccedil;&atilde;o se deve ao fato de o governo estimular os agricultores a reduzirem suas cabe&ccedil;as de gado ou coloc&aacute;-las longe das zonas &aacute;ridas. Contudo, para outros, o deslocamento tempor&aacute;rio das comunidades agr&iacute;colas representa seus pr&oacute;prios desafios socioculturais. Para a recupera&ccedil;&atilde;o das pradarias, o governo compra terras dos agricultores e pastores antes de come&ccedil;ar o projeto. Depois pro&iacute;be toda lavra e pastagem por cinco anos. A partir do sexto ano permite o uso da terra de forma estacional e rotativa.<\/p>\n<p>Quando, em maio de 2011, come&ccedil;ou uma onda de protestos em Mong&oacute;lia Interior, onde a etnia dos mong&oacute;is constitui 20% dos 23 milh&otilde;es de habitantes, os especialistas a atribu&iacute;ram &agrave; ruptura dos profundos la&ccedil;os culturais que a vida n&ocirc;made tem com as pradarias. O d&eacute;cimo-segundo plano quinquenal da China pretende assentar at&eacute; 2015 os 1,1 milh&atilde;o de n&ocirc;mades que ainda existem no pa&iacute;s. &quot;Necessitamos compreender a cultura n&ocirc;made das estepes. Os pastores n&atilde;o se sentem c&ocirc;modos com a agricultura sedent&aacute;ria. Os governos podem tentar limitar a quantidade de animais que pastam, mas eles querem ter mais cabe&ccedil;as, pois perdem dois ter&ccedil;os no inverno&quot;, argumentou Yang Youlin, coordenador regional para a &Aacute;sia da Cnuld.<\/p>\n<p>Este pa&iacute;s tem nada menos do que 2,6 milh&otilde;es de quil&ocirc;metros quadrados de desertos e areais, quase um quarto de seu territ&oacute;rio, incluindo 18 prov&iacute;ncias e cerca de 400 milh&otilde;es de pessoas. O programa nacional para controlar o avan&ccedil;o do deserto recebe or&ccedil;amento de US$ 5 bilh&otilde;es ao ano e 19 minist&eacute;rios trabalham juntos no contexto do Escrit&oacute;rio Nacional de Luta Contra a Desertifica&ccedil;&atilde;o. Xu Qing, subdiretor-geral do programa, afirmou que seu pa&iacute;s pretende recuperar metade dos 530 mil quil&ocirc;metros quadrados de terras restaur&aacute;veis at&eacute; 2020, e o restante at&eacute; 2050.<\/p>\n<p>A China passou a liderar a luta contra a desertifica&ccedil;&atilde;o combinando a ci&ecirc;ncia da constru&ccedil;&atilde;o ecol&oacute;gica e a convers&atilde;o de terras com pol&iacute;ticas e leis apropriadas, que oferecem alternativas para outras regi&otilde;es afetadas. Problemas ambientais como a aridez continua graves ap&oacute;s a Confer&ecirc;ncia das Na&ccedil;&otilde;es Unidas sobre Desenvolvimento Sustent&aacute;vel (Rio+20). &quot;Entre a Rio 1992 e a Rio+20 aprendemos que a desertifica&ccedil;&atilde;o e a degrada&ccedil;&atilde;o do solo est&atilde;o secando o &quot;futuro que queremos&quot;, nome do documento final da Rio+20, alertou Luc Gnacadja, secret&aacute;rio-executivo da Cnuld.<\/p>\n<p>&quot;Em 1992 foi acordado combater a degrada&ccedil;&atilde;o, e naquele ano nasceu um novo modelo, a degrada&ccedil;&atilde;o neutra do solo&quot;, explicou em refer&ecirc;ncia a um equil&iacute;brio ao qual deveriam chegar os pa&iacute;ses para frear o processo de deteriora&ccedil;&atilde;o. A desertifica&ccedil;&atilde;o afeta mais de 40% da superf&iacute;cie total das terras. A &Aacute;sia tem a propor&ccedil;&atilde;o maior, 1,7 bilh&atilde;o de hectares afetados. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Chifeng, China, 09\/07\/2012 &ndash; A China tem quase um quarto de seu territ&oacute;rio coberto por desertos e areais que afetam a forma de vida de 400 milh&otilde;es de pessoas. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/07\/economia\/a-guerra-da-china-contra-o-deserto\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":127,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8,12,5],"tags":[17],"class_list":["post-10278","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ambiente","category-desenvolvimento","category-economia","tag-asia-e-pacifico"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10278","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/127"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10278"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10278\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10278"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10278"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10278"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}