{"id":1028,"date":"2005-09-22T00:00:00","date_gmt":"2005-09-22T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=1028"},"modified":"2005-09-22T00:00:00","modified_gmt":"2005-09-22T00:00:00","slug":"eua-de-11-de-setembro-ao-furaco-katrina-nada-foi-feito","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/09\/america-latina\/eua-de-11-de-setembro-ao-furaco-katrina-nada-foi-feito\/","title":{"rendered":"EUA: De 11 de setembro ao furac&atilde;o Katrina nada foi feito"},"content":{"rendered":"<p>Nova York, 22\/09\/2005 &ndash; Os Estados Unidos n&atilde;o atenderam as recomenda&ccedil;&otilde;es da comiss&atilde;o oficial que estudou as falhas de seguran&ccedil;a que permitiram os atentados de 11 de setembro de 2001, como ficou claro com a resposta governamental ao furac&atilde;o Katrina. Esta &eacute; a conclus&atilde;o a que chegaram os 10 membros da Comiss&atilde;o Nacional sobre os Ataques Terroristas contra os Estados Unidos, criada em 2002 por decreto do presidente George W. Bush, que constitu&iacute;ram depois de cumprirem seu papel no ano passado no privado Projeto Discurso P&uacute;blico. A oficial Comiss&atilde;o Nacional &#8211; tamb&eacute;m conhecida como Comiss&atilde;o 11\/9 &#8211; cuja cria&ccedil;&atilde;o atendeu a uma resolu&ccedil;&atilde;o do Congresso e que encontrou resist&ecirc;ncia por parte de Bush, esteve integrada por destacadas figuras do governante Partido Republicano e do opositor Partido Democrata.<br \/> <!--more--> <br \/> Depois de entregar seu &uacute;ltimo relat&oacute;rio, em junho de 2004, os ex-integrantes da comiss&atilde;o realizaram uma s&eacute;rie de audi&ecirc;ncias p&uacute;blicas para analisar o que fez o governo para corrigir os problemas expostos em seus estudos. Muitas de suas recomenda&ccedil;&otilde;es s&atilde;o igualmente pertinentes para prevenir ataques terroristas, como os de 11 de setembro de 2001 que causaram tr&ecirc;s mil mortos em Nova York e Washington, e para minimizar os efeitos de desastres naturais. Segundo o Projeto Discurso P&uacute;blico, houve apenas &quot;um progresso m&iacute;nimo&quot; na melhora da comunica&ccedil;&atilde;o entre policiais, bombeiros e servi&ccedil;os de emerg&ecirc;ncia m&eacute;dica, e ainda entre estes e a Guarda Nacional (for&ccedil;as de seguran&ccedil;a dos Estados) e ag&ecirc;ncias do Departamento de Seguran&ccedil;a Interna.<\/p>\n<p> A falta de um espectro radioel&eacute;trico unificado, como recomendado pela Comiss&atilde;o, custou centenas de vidas por ocasi&atilde;o dos atentados de 2001. As autoridades sofreram as conseq&uuml;&ecirc;ncias dessa mesma car&ecirc;ncia quatro anos mais tarde, com a passagem do furac&atilde;o Katrina. O documento assinala que a legisla&ccedil;&atilde;o pendente de aprova&ccedil;&atilde;o no Congresso obrigaria a regressar a um espectro radioel&eacute;trico anal&oacute;gico e a sua resigna&ccedil;&atilde;o, incluindo os prop&oacute;sitos de seguran&ccedil;a p&uacute;blica. &quot;O Congresso deveria ordenar sua resigna&ccedil;&atilde;o na data mais pr&oacute;xima&quot;, sugeria o estudo. Os ex-integrantes da comiss&atilde;o n&atilde;o foram os &uacute;nicos a expressaram essa preocupa&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p> &quot;Depois de ver a horr&iacute;vel interrup&ccedil;&atilde;o das comunica&ccedil;&otilde;es que ocorreu durante a passagem do Katrina, esperaremos mais quatro anos para agir?&quot;, perguntaram em carta enviada ao jornal The New York Times dois legisladores republicanos e dois democratas. &quot;Quantas vidas mais ser&atilde;o perdidas? Que tipo de cat&aacute;strofe ser&aacute; necess&aacute;ria para que o Congresso d&ecirc; a esses her&oacute;is as ferramentas que necessitam para salvar vidas?&quot;, disseram os senadores John McCain e Joseph Lieberman e os representantes Jane Harman e Curt Weldon. O Projeto Discurso P&uacute;blico tamb&eacute;m estabeleceu que o governo s&oacute; havia conseguido um m&iacute;nimo avan&ccedil;o na ado&ccedil;&atilde;o de um sistema de controle de incidentes que unificaria a a&ccedil;&atilde;o de m&uacute;ltiplas ag&ecirc;ncias e jurisdi&ccedil;&otilde;es. <\/p>\n<p> A falta de tal sistema foi um dos maiores obst&aacute;culos para o resgate das v&iacute;timas do Katrina e contribuiu para generalizar o caos e a confus&atilde;o. O Departamento de Seguran&ccedil;a Interna, criado em raz&atilde;o dos atentados de 2001, havia fixado outubro de 2004 como prazo para a implementa&ccedil;&atilde;o do sistema unificado de controle de incidentes, recordaram os ex-integrantes da comiss&atilde;o. Agora, fixou-se novo prazo, que termina em 1&ordm; de outubro de 2006. Os ex-integrantes tamb&eacute;m desqualificaram os preparativos governamentais de um plano para &quot;avaliar regularmente os tipos de amea&ccedil;as que o pa&iacute;s enfrenta para determinar os planos de preven&ccedil;&atilde;o de danos em infra-estrutura cr&iacute;tica e a rapidez da resposta&quot;.<\/p>\n<p> O Projeto Discurso P&uacute;blico recordou que duas de suas propostas (reforma do sistema de intelig&ecirc;ncia e a san&ccedil;&atilde;o de uma Lei Terrorista) foram implementadas em 2004. Mas a iniciativa &quot;requeria ao Departamento de Seguran&ccedil;a Interna a emiss&atilde;o em 15 de junho de 2005 de uma avalia&ccedil;&atilde;o dos riscos e vulnerabilidades da infra-estrutura cr&iacute;tica da na&ccedil;&atilde;o&quot;, e &quot;esse informe ainda n&atilde;o foi divulgado&quot;. Os ex-integrantes da comiss&atilde;o tamb&eacute;m pediram urg&ecirc;ncia a esse Departamento que incentive o setor privado, especialmente seguradoras e ag&ecirc;ncia de qualifica&ccedil;&atilde;o de risco, a estabelecerem crit&eacute;rios para preparativos privados. De todo modo, acrescentaram, os &uacute;nicos avan&ccedil;os se registraram nessa &aacute;rea.<\/p>\n<p> O secret&aacute;rio de Seguran&ccedil;a Interna, Michael Chertoff, em reuni&atilde;o com representantes do setor privado disse que &quot;estar preparado n&atilde;o &eacute; unicamente uma responsabilidade do governo&quot;. Essa observa&ccedil;&atilde;o foi correta, segundo o Projeto Discurso P&uacute;blico. &quot;Em outro ataque e em qualquer desastre natural, os empregados do setor privado provavelmente estar&atilde;o novamente na vanguarda. Como demonstrou o relat&oacute;rio da Comiss&atilde;o 11\/9, os funcion&aacute;rios de empresas que institucionalizam um alto n&iacute;vel de prepara&ccedil;&atilde;o para a emerg&ecirc;ncia tem muito mais probabilidades de sobreviverem a um desastre&quot;, diz o informe.<\/p>\n<p> Os ex-integrantes pediram urg&ecirc;ncia aos l&iacute;deres corporativos para que &quot;tomem a iniciativa de estimular toda as empresas norte-americanas, especialmente aquelas que est&atilde;o em &aacute;reas de alto risco, ou as que possuem uma infra-estrutura nacional cr&iacute;tica, que incorporem os crit&eacute;rios de prepara&ccedil;&atilde;o nacional &agrave;s suas pr&aacute;ticas empresariais&quot;. Segundo Beau Grosscup, professora da Universidade do Estado da Calif&oacute;rnia, &quot;para o governo Bush, o prop&oacute;sito real da Comiss&atilde;o 11\/9 foi desviar a culpa de si mesmo e do Pent&aacute;gono para &quot;o resto&quot; das ag&ecirc;ncias de intelig&ecirc;ncia do ex-presidente Bill Clinton (1991-2003), especialmente o Escrit&oacute;rio Federal de Investiga&ccedil;&otilde;es (FBI).<\/p>\n<p> Uma comiss&atilde;o oficial dos Estados Unidos desacreditou seu criador, o presidente George W. Bush, ao concluir que &quot;n&atilde;o h&aacute; evid&ecirc;ncia&quot; de v&iacute;nculos operacionais entre o deposto ditador iraquiano Saddam Hussein e a rede terrorista Al Qaeda. A comiss&atilde;o, integrada por figuras dos partidos Democrata e Republicano para detectar poss&iacute;veis falhas de previs&atilde;o diante dos atentados de 11 de setembro, tamb&eacute;m desmentiu declara&ccedil;&otilde;es recentes do vice-presidente, Dick Cheney. A Comiss&atilde;o 11\/9 havia desacreditado v&aacute;rios argumentos do governo Bush para invadir o Iraque em 2003. Segundo o informe de junho de 2004, o l&iacute;der da Al Qaeda, Osama bin Laden, havia tentado se comunicar com Saddam em busca de apoio, mas o ex-presidente iraquiano, hoje prisioneiro dos Estados Unidos, ignorou essas gest&otilde;es.<\/p>\n<p> Ao receber em julho de 2004 o informe definitivo da Comiss&atilde;o na Casa Branca por parte de seus co-presidentes, o ex-governador republicano de Nova Jersey, Tom Kearn e o ex-deputado democrata, Lee Hamilton, Bush aplaudiu seu &quot;trabalho altamente positivo&quot;, ao mesmo tempo em que prometeu analisar as &quot;recomenda&ccedil;&otilde;es adequadas e s&oacute;lidas&quot;. A Comiss&atilde;o, cuja cria&ccedil;&atilde;o inicialmente encontrou resist&ecirc;ncia por parte do presidente, revisou dezenas de milhares de documentos e analisou os testemunhos de aproximadamente 1.200 pessoas, incluindo o presidente e seu vice. Ambos insistiram em somente se submeter a uma entrevista juntos e a portas fechadas, como altos funcion&aacute;rios deste governo e do encabe&ccedil;ado pelo democrata Bill Clinton. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nova York, 22\/09\/2005 &ndash; Os Estados Unidos n&atilde;o atenderam as recomenda&ccedil;&otilde;es da comiss&atilde;o oficial que estudou as falhas de seguran&ccedil;a que permitiram os atentados de 11 de setembro de 2001, como ficou claro com a resposta governamental ao furac&atilde;o Katrina. Esta &eacute; a conclus&atilde;o a que chegaram os 10 membros da Comiss&atilde;o Nacional sobre os Ataques Terroristas contra os Estados Unidos, criada em 2002 por decreto do presidente George W. Bush, que constitu&iacute;ram depois de cumprirem seu papel no ano passado no privado Projeto Discurso P&uacute;blico. A oficial Comiss&atilde;o Nacional &#8211; tamb&eacute;m conhecida como Comiss&atilde;o 11\/9 &#8211; cuja cria&ccedil;&atilde;o atendeu a uma resolu&ccedil;&atilde;o do Congresso e que encontrou resist&ecirc;ncia por parte de Bush, esteve integrada por destacadas figuras do governante Partido Republicano e do opositor Partido Democrata.<br \/> <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/09\/america-latina\/eua-de-11-de-setembro-ao-furaco-katrina-nada-foi-feito\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":454,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2],"tags":[],"class_list":["post-1028","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-america-latina"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1028","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/454"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1028"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1028\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1028"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1028"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1028"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}