{"id":10282,"date":"2012-07-09T12:04:08","date_gmt":"2012-07-09T12:04:08","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=10282"},"modified":"2012-07-09T12:04:08","modified_gmt":"2012-07-09T12:04:08","slug":"brasil-primeiros-assassinatos-ambientais-depois-da-rio20","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/07\/america-latina\/brasil-primeiros-assassinatos-ambientais-depois-da-rio20\/","title":{"rendered":"BRASIL: Primeiros assassinatos ambientais depois da Rio+20"},"content":{"rendered":"<p>Rio de Janeiro, Brasil, 09\/07\/2012 &ndash; Longe dos pavilh&otilde;es que abrigaram a confer&ecirc;ncia ambiental mais ambiciosa das duas &uacute;ltimas d&eacute;cadas, a Rio+20, uma aldeia de pescadores da regi&atilde;o metropolitana do Rio de Janeiro mostrou que o pre&ccedil;o de denunciar crimes ecol&oacute;gicos pode ser uma execu&ccedil;&atilde;o extrajudicial.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_10282\" style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/c14-300x225.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-10282\" class=\"size-medium wp-image-10282\" title=\"Entrada da Ba\u00c3\u00ada da Guanabara, de apar&ecirc;ncia deslumbrante, vista da ponte que une Rio de Janeiro a Niter&oacute;i. - Mario Osava\/IPS\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/c14-300x225.jpg\" alt=\"Entrada da Ba\u00c3\u00ada da Guanabara, de apar&ecirc;ncia deslumbrante, vista da ponte que une Rio de Janeiro a Niter&oacute;i. - Mario Osava\/IPS\" width=\"200\" height=\"150\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-10282\" class=\"wp-caption-text\">Entrada da Ba\u00c3\u00ada da Guanabara, de apar&ecirc;ncia deslumbrante, vista da ponte que une Rio de Janeiro a Niter&oacute;i. - Mario Osava\/IPS<\/p><\/div>  A aldeia localizada na praia de Mau&aacute;, munic&iacute;pio de Mag&eacute;, 84 quil&ocirc;metros ao norte do Rio de Janeiro, n&atilde;o teve tempo de avaliar os resultados da Confer&ecirc;ncia das Na&ccedil;&otilde;es Unidas sobre Desenvolvimento Sustent&aacute;vel (Rio+20), realizada entre 20 e 22 de junho.<\/p>\n<p>Precisamente no dia 22, quando os chefes de Estado assinavam um documento questionado por sua indefini&ccedil;&atilde;o em temas cruciais como a prote&ccedil;&atilde;o dos oceanos, dois pescadores e ativistas ambientais que lutavam por essa causa, Almir Nogueira e Jo&atilde;o Luiz Telles n&atilde;o voltaram para casa. O corpo de Nogueira foi encontrado dois dias depois, submerso e amarrado ao seu barco, diante de uma praia pr&oacute;xima. O de Telles apareceu em 25 de junho, com m&atilde;os e p&eacute;s amarrados em posi&ccedil;&atilde;o fetal, na costa de outro munic&iacute;pio pr&oacute;ximo.<\/p>\n<p>Ambos tinham sinais de terem sido mortos por afogamento. &quot;Se s&atilde;o homens do mar, v&atilde;o morrer no mar. Este &eacute; o recado que est&atilde;o enviando&quot;, disse entre solu&ccedil;os Alexandre Anderson, presidente da Associa&ccedil;&atilde;o de Homens e Mulheres do Mar (Ahomar), em um ato de rep&uacute;dio, no dia 29, para cobrar das autoridades uma investiga&ccedil;&atilde;o imediata. As v&iacute;timas eram membros dessa organiza&ccedil;&atilde;o de dois mil pescadores artesanais que lutam contra a contamina&ccedil;&atilde;o do mar, seu habitat e fonte de sustento de v&aacute;rias gera&ccedil;&otilde;es, na Ba&iacute;a de Guanabara.<\/p>\n<p>A Ahomar denuncia os impactos socioambientais de grandes ind&uacute;strias. Desde 2007, protesta contra as obras do Complexo Petroqu&iacute;mico do Estado do Rio de Janeiro, um dos maiores investimentos da Petrobras e do Programa de Acelera&ccedil;&atilde;o do Crescimento, do governo de Luiz In&aacute;cio Lula da Silva e de sua sucessora, Dilma Rousseff. A Ahomar afirma que as obras executadas pelas empresas GDK e Oce&acirc;nica, contratadas pela Petrobras, reduziram a pesca em 80%, entre outros danos para a sa&uacute;de humana, fauna e flora.<\/p>\n<p>Os pescadores sofrem amea&ccedil;as e assassinatos desde que, em 2009, ocuparam com seus barcos as obras dos gasodutos submarinos e terrestres de g&aacute;s natural e liquefeito e g&aacute;s liquefeito de petr&oacute;leo. As amea&ccedil;as se intensificaram no final de 2011, quando voltaram a se mobilizar contra a decis&atilde;o do Instituto Estatal de Meio Ambiente, de retomar uma proposta, descartada durante o processo de licen&ccedil;a ambiental, de transformar um dos afluentes da ba&iacute;a, o Rio Guaxindiba, em uma hidrovia para transporte de equipamentos. O posto policial perto da sede da Ahomar foi desativado. Beneficiado por um programa de prote&ccedil;&atilde;o dos defensores dos direitos humanos, Anderson tem escolta policial permanente, mas mesmo assim sofre amea&ccedil;as e atentados.<\/p>\n<p>&quot;Queremos preservar esse ambiente porque somos parte dele. Os pescadores s&atilde;o parte da Ba&iacute;a de Guanabara. Mas n&atilde;o queremos morrer respirando sua &aacute;gua&quot;, afirmou Anderson. Em 2009, o tesoureiro da Ahomar, Paulo Souza, foi atacado diante de sua fam&iacute;lia e morto com cinco tiros na cabe&ccedil;a, como denunciou na &eacute;poca uma reportagem da IPS. No ano seguinte, outro fundador da organiza&ccedil;&atilde;o, M&aacute;rcio Amaro, foi assassinado em sua casa, na frente da m&atilde;e e da esposa. Nenhum destes crimes foi esclarecido.<\/p>\n<p>&quot;&Eacute; lament&aacute;vel que consigamos reunir toda esta imprensa diante de mais dois cad&aacute;veres, que este seja o requisito para chamar a aten&ccedil;&atilde;o para um problema que se arrasta h&aacute; tanto tempo&quot;, ressaltou no ato de rep&uacute;dio o deputado do Partido Socialismo e Liberdade, Marcelo Freixo, presidente da comiss&atilde;o de direitos humanos da Assembleia do Rio de Janeiro. &quot;Espero que na pr&oacute;xima vez que nos reunirmos aqui n&atilde;o seja pela morte de Alexandre&quot;, afirmou indignado.<\/p>\n<p>Pouco depois do ato, Anderson foi novamente intimidado diante de sua casa. Desde ent&atilde;o, n&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel comunicar-se com ele por telefone. &quot;J&aacute; n&atilde;o estamos falando de inseguran&ccedil;a, mas de pessoas que morreram em raz&atilde;o de sua milit&acirc;ncia, por sua leg&iacute;tima resist&ecirc;ncia em defesa da Ba&iacute;a de Guanabara&quot;, declarou &agrave; IPS a ativista Sandra Carvalho, da organiza&ccedil;&atilde;o Justi&ccedil;a Global. Os denunciantes pedem que as mortes, &quot;com claros sinais de execu&ccedil;&atilde;o&quot;, sejam investigadas pela pol&iacute;cia e pela justi&ccedil;a federal.<\/p>\n<p>&quot;Pe&ccedil;o que as autoridades investiguem muito, porque j&aacute; conseguiram o que queriam. Tiraram de sua casa os homens do mar&quot;, destacou Anderson. Depois das mortes, as embarca&ccedil;&otilde;es n&atilde;o voltaram para a &aacute;gua. Ningu&eacute;m se atreve a aventurar-se no mar, que antes era &quot;ref&uacute;gio&quot; dos pescadores quando &quot;algo ruim acontecia na casa ou na praia. Hoje s&oacute; temos o caminho do cemit&eacute;rio&quot;, lamentou.<\/p>\n<p>Organiza&ccedil;&otilde;es de direitos humanos n&atilde;o duvidam que estes sejam &quot;crimes pol&iacute;ticos&quot;. Freixo disse &agrave; IPS que as empresas respons&aacute;veis pelas obras &agrave;s vezes apelam para firmas de seguran&ccedil;a que se valem de &quot;intimida&ccedil;&otilde;es, amea&ccedil;as e at&eacute; mortes&quot;. Entretanto, o deputado e atual candidato &agrave; prefeitura do Rio de Janeiro, acredita que n&atilde;o se trata de &quot;mortes encomendadas&quot; pela Petrobras. Por&eacute;m, enfatizou, nem por isso a empresa &quot;pode fingir que n&atilde;o tem nenhuma rela&ccedil;&atilde;o com o caso. O investimento &eacute; da Petrobras e a responsabilidade sobre quem contrata &eacute; dela&quot;, opinou.<\/p>\n<p>Na Ahomar, todos sabem quem s&atilde;o os assassinos, contou Anderson. &quot;S&atilde;o pessoas que ganham muito dinheiro com este processo de industrializa&ccedil;&atilde;o da Ba&iacute;a de Guanabara, com trabalhos de seguran&ccedil;a, transporte hidrovi&aacute;rio e terrestre. Que est&atilde;o dentro do governo estadual e municipal e inclusive na seguran&ccedil;a p&uacute;blica&quot;, denunciou. Em Mag&eacute;, como em outros munic&iacute;pios da regi&atilde;o metropolitana do Rio de Janeiro, atuam grupos dessa natureza conhecidos como &quot;mil&iacute;cias&quot;, integrados por agentes de seguran&ccedil;a do Estado, ativos ou aposentados, com apoio de setores pol&iacute;ticos locais, como demonstrou uma investiga&ccedil;&atilde;o parlamentar encabe&ccedil;ada por Freixo. Inclusive, o deputado tem escolta policial porque recebeu amea&ccedil;as em raz&atilde;o de suas den&uacute;ncias contra essas organiza&ccedil;&otilde;es mafiosas.<\/p>\n<p>Diante do pedido de uma resposta por parte da Petrobras, a empresa enviou um comunicado onde diz desconhecer as mortes e repudiar qualquer amea&ccedil;a aos pescadores. Tamb&eacute;m destaca que o processo de licenciamento ambiental no Brasil considera todos os impactos ecol&oacute;gicos e as comunidades. Al&eacute;m disso, &quot;um rigoroso estudo de impactos antecede a licen&ccedil;a dos empreendimentos e o &oacute;rg&atilde;o licenciador estabelece medidas compensat&oacute;rias e fiscaliza sua realiza&ccedil;&atilde;o&quot;, diz o comunicado. A Petrobras &eacute; uma &quot;empresa social e ambientalmente respons&aacute;vel que exige de seus fornecedores a mesma postura&quot;, ressalta a nota.<\/p>\n<p>A pr&oacute;xima assembleia de pescadores discutir&aacute; se desiste da luta ou, ao contr&aacute;rio, adota medidas como interceptar a passagem de navios. A luta da Ahomar &eacute; uma batalha &quot;dos pescadores artesanais contra o capital petroleiro&quot;, segundo a presidente da comiss&atilde;o de direitos humanos da Ordem dos Advogados do Brasil, se&ccedil;&atilde;o Rio de Janeiro, Margarida Pressburger. Anderson a define de outra maneira: n&atilde;o &eacute; Davi contra Golias, mas &quot;contra o pr&oacute;prio diabo&quot;. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Rio de Janeiro, Brasil, 09\/07\/2012 &ndash; Longe dos pavilh&otilde;es que abrigaram a confer&ecirc;ncia ambiental mais ambiciosa das duas &uacute;ltimas d&eacute;cadas, a Rio+20, uma aldeia de pescadores da regi&atilde;o metropolitana do Rio de Janeiro mostrou que o pre&ccedil;o de denunciar crimes ecol&oacute;gicos pode ser uma execu&ccedil;&atilde;o extrajudicial. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/07\/america-latina\/brasil-primeiros-assassinatos-ambientais-depois-da-rio20\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":75,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2,6,10,11],"tags":[27],"class_list":["post-10282","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-america-latina","category-direitos-humanos","category-energia","category-politica","tag-brasil"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10282","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/75"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10282"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10282\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10282"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10282"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10282"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}