{"id":10288,"date":"2012-07-10T09:39:41","date_gmt":"2012-07-10T09:39:41","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=10288"},"modified":"2012-07-10T09:39:41","modified_gmt":"2012-07-10T09:39:41","slug":"eleies-angola-difcil-caminho-para-as-urnas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/07\/africa\/eleies-angola-difcil-caminho-para-as-urnas\/","title":{"rendered":"ELEI&Ccedil;&Otilde;ES-ANGOLA: Dif&iacute;cil caminho para as urnas"},"content":{"rendered":"<p>Johannesburgo, &Aacute;frica do Sul, 10\/07\/2012 &ndash; Os preparativos para as primeiras elei&ccedil;&otilde;es em Angola em 16 anos, previstas para 31 de agosto, sofrem o impacto de den&uacute;ncias de fraude, parcialidade nos meios de comunica&ccedil;&atilde;o e da violenta repress&atilde;o a ativistas e manifestantes.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_10288\" style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/Angola.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-10288\" class=\"size-medium wp-image-10288\" title=\"V&aacute;rias dezenas de manifestantes foram presos em Luanda em novembro de 2011 - Louise Redvers\/IPS\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/Angola.jpg\" alt=\"V&aacute;rias dezenas de manifestantes foram presos em Luanda em novembro de 2011 - Louise Redvers\/IPS\" width=\"200\" height=\"150\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-10288\" class=\"wp-caption-text\">V&aacute;rias dezenas de manifestantes foram presos em Luanda em novembro de 2011 - Louise Redvers\/IPS<\/p><\/div>  A organiza&ccedil;&atilde;o Human Right Watch (HRW), com sede em Nova York, criticou o governo pela dura resposta &agrave;s manifesta&ccedil;&otilde;es de rua por parte de soldados da reserva que exigem o pagamento de pens&otilde;es atrasadas.<\/p>\n<p>A HRW declarou estar especialmente preocupada com a s&eacute;rie de ataques violentos contra grupos de jovens que criticam o governo. &quot;A &uacute;ltima onda de s&eacute;rios abusos contra manifestantes &eacute; um sinal alarmante de que o governo de Angola n&atilde;o vai tolerar a dissens&atilde;o pac&iacute;fica&quot;, alertou a subdiretora da organiza&ccedil;&atilde;o para a &Aacute;frica, Leslie Lefkow. &quot;O governo deveria deixar de tentar silenciar estas manifesta&ccedil;&otilde;es e se concentrar em melhorar o clima das elei&ccedil;&otilde;es&quot;, acrescentou. Enquanto isso, a oposi&ccedil;&atilde;o mostra seu descontentamento sobre como as elei&ccedil;&otilde;es s&atilde;o organizadas.<\/p>\n<p>No dia 6, as autoridades proibiram a inscri&ccedil;&atilde;o de v&aacute;rios partidos, supostamente por irregularidades em seus documentos. Dos 27 partidos que se apresentaram para disputar as elei&ccedil;&otilde;es, somente nove foram formalmente aprovados pelo Tribunal Constitucional. Entre os que foram rejeitados est&atilde;o o Bloco Democr&aacute;tico, liderado por Justino Pinto de Andrade, e o Partido Popular, criado pelo advogado de direitos humanos David Mendes.<\/p>\n<p>&quot;Este &eacute; um sintoma de problemas na democracia angolana. Deliberadamente foram bloqueados os partidos que realizam campanha pelos direitos humanos e que mostram solidariedade com causas sociais&quot;, declarou &agrave; IPS o secret&aacute;rio-geral do Bloco Democr&aacute;tico, Filomeno Viera Lopes. O maior partido opositor, a Uni&atilde;o Nacional pela Independ&ecirc;ncia Total de Angola (Unita), foi autorizado a competir, mas ainda assim &eacute; duramente cr&iacute;tico de v&aacute;rios aspectos do processo eleitoral, especialmente a licita&ccedil;&atilde;o de servi&ccedil;os como a impress&atilde;o das c&eacute;dulas.<\/p>\n<p>Tamb&eacute;m colocou em d&uacute;vida a independ&ecirc;ncia da Comiss&atilde;o Nacional Eleitoral (CNE) em rela&ccedil;&atilde;o ao governante Movimento Popular de Liberta&ccedil;&atilde;o de Angola (MPLA). A CNE recha&ccedil;ou acusa&ccedil;&otilde;es de estar procedendo incorretamente, e seu presidente, Andr&eacute; da Silva Neto, assegurou que as elei&ccedil;&otilde;es ser&atilde;o realizadas com &quot;imparcialidade, transpar&ecirc;ncia e justi&ccedil;a&quot;. O MPLA tamb&eacute;m negou as acusa&ccedil;&otilde;es de fraude e de que esteja reprimindo ativistas. V&aacute;rios altos funcion&aacute;rios do governo, incluindo o pr&oacute;prio presidente Jos&eacute; Eduardo dos Santos, disseram que o partido &eacute; muito popular e, portanto, n&atilde;o precisa forjar as elei&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n<p>&quot;Do ponto de vista judicial, temos muitos problemas porque a CNE ainda est&aacute; violando a lei eleitoral, e pensamos em apresentar queixa formal nos tribunais constitucionais sobre v&aacute;rios temas&quot;, disse o porta-voz da Unita, Alcides Sakala. Ele tamb&eacute;m se queixou da parcialidade dos meios de comunica&ccedil;&atilde;o a favor do partido governante. Sakala expressou preocupa&ccedil;&atilde;o sobre um plano para permitir que oficiais da pol&iacute;cia e do ex&eacute;rcito votem um dia antes das elei&ccedil;&otilde;es. &quot;Como isso ser&aacute; supervisionado?&quot;, perguntou. &quot;Ningu&eacute;m pode controlar isso, o que desperta muita preocupa&ccedil;&atilde;o de nossa parte&quot;, ressaltou.<\/p>\n<p>Embora a Unita continue sendo o maior partido, com 16 cadeiras no parlamento, enfrenta forte competi&ccedil;&atilde;o por parte do novo bloco Converg&ecirc;ncia Ampla para a Salva&ccedil;&atilde;o de Angola (Casa-CE). Criada h&aacute; alguns meses por Abel Chivukuvuku, ex-membro da Unita com estreitos v&iacute;nculos com o l&iacute;der da independ&ecirc;ncia Jonas Savimbi, a coaliz&atilde;o introduziu uma nova din&acirc;mica no cen&aacute;rio pol&iacute;tico angolano.<\/p>\n<p>O analista pol&iacute;tico Markus Weimer, do centro de estudos Chatham House, que tem sede em Londres, pontuou que, mesmo que o Casa-CE obtenha apenas poucas cadeiras no parlamento, seu surgimento mexeu com o MPLA. &quot;Creio que o MPLA est&aacute; preocupado com o Casa-CE porque ainda n&atilde;o o conhece bem. O partido parece ter surgido do nada, e por isso n&atilde;o est&atilde;o muito certos de como enfrent&aacute;-lo&quot;, afirmou. Weimer disse estar convencido de que o MPLA, que mant&eacute;m um forte controle sobre a economia e os meios de comunica&ccedil;&atilde;o estatais e privados, ganhar&aacute; as elei&ccedil;&otilde;es de agosto, e acrescentou que &eacute; crucial acabar com as suspeitas sobre o processo eleitoral. &quot;O processo deve ser visto como leg&iacute;timo por todos para que o triunfo do MPLA seja aceito&quot;, explicou Weimer. &quot;O MPLA, inclusive, estaria disposto a perder cadeiras se isto significar que as elei&ccedil;&otilde;es ser&atilde;o consideradas leg&iacute;timas e com legitimidade&quot;, destacou.<\/p>\n<p>A experi&ecirc;ncia eleitoral angolana &eacute; escassa. Neste pa&iacute;s foram realizadas apenas duas elei&ccedil;&otilde;es desde sua independ&ecirc;ncia de Portugal em 1975. A vota&ccedil;&atilde;o de 2008 aconteceram de forma pac&iacute;fica apesar das propagadas den&uacute;ncias de fraude, enquanto as de 1992 foram suspensas na metade do caminho, o que desatou nova fase da guerra civil que durou at&eacute; 2002. A primeira etapa da guerra civil come&ccedil;ou imediatamente depois da independ&ecirc;ncia e durou at&eacute; 1991.<\/p>\n<p>H&aacute; temores de que os partidos de oposi&ccedil;&atilde;o sintam que as elei&ccedil;&otilde;es n&atilde;o s&atilde;o realizadas de forma justa, o que poderia derivar em protestos e instabilidade. &quot;Queremos manter um enfoque positivo para evitar isso&quot;, enfatizou Sakala. &quot;Insistiremos no cumprimento da lei para poder evitar situa&ccedil;&otilde;es que possam levar a outras dificuldades que n&atilde;o s&atilde;o boas para o pa&iacute;s&quot;, acrescentou. Nas elei&ccedil;&otilde;es ser&atilde;o eleitos os membros do parlamento e o presidente, segundo estabelece uma reforma constitucional, de 2010, que tamb&eacute;m gerou pol&ecirc;mica.<\/p>\n<p>O MPLA parece estar a caminho de uma vit&oacute;ria, o que daria mais cinco anos a Santos. Sua longa perman&ecirc;ncia no poder &#8211; desde 1979 sem nunca ter sido formalmente eleito &#8211; assim como as den&uacute;ncias de enriquecimento il&iacute;cito de sua fam&iacute;lia e de seu c&iacute;rculo pr&oacute;ximo, s&atilde;o os motivos principais dos protestos dos grupos de jovens. Apesar da enorme riqueza petroleira do pa&iacute;s e do impressionante crescimento econ&ocirc;mico alcan&ccedil;ado depois da guerra civil, entre metade e dois ter&ccedil;os da popula&ccedil;&atilde;o angolana ainda est&atilde;o na pobreza, sem acesso a &aacute;gua pot&aacute;vel, saneamento e eletricidade, al&eacute;m de viverem em habita&ccedil;&otilde;es prec&aacute;rias. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Johannesburgo, &Aacute;frica do Sul, 10\/07\/2012 &ndash; Os preparativos para as primeiras elei&ccedil;&otilde;es em Angola em 16 anos, previstas para 31 de agosto, sofrem o impacto de den&uacute;ncias de fraude, parcialidade nos meios de comunica&ccedil;&atilde;o e da violenta repress&atilde;o a ativistas e manifestantes. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/07\/africa\/eleies-angola-difcil-caminho-para-as-urnas\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":123,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[3,11],"tags":[],"class_list":["post-10288","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-africa","category-politica"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10288","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/123"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10288"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10288\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10288"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10288"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10288"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}