{"id":1029,"date":"2005-09-22T00:00:00","date_gmt":"2005-09-22T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=1029"},"modified":"2005-09-22T00:00:00","modified_gmt":"2005-09-22T00:00:00","slug":"desenvolvimento-fmi-coloca-obstculos-s-metas-do-milnio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/09\/america-latina\/desenvolvimento-fmi-coloca-obstculos-s-metas-do-milnio\/","title":{"rendered":"Desenvolvimento: FMI coloca obst&aacute;culos &agrave;s metas do mil&ecirc;nio"},"content":{"rendered":"<p>Washington, 22\/09\/2005 &ndash; O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, deveria pressionar seus delegados no Fundo Monet&aacute;rio Internacional (FMI) para que esse organismo deixe de condicionar de maneira t&atilde;o r&iacute;gida sua ajuda aos pa&iacute;ses pobres. Isso &eacute; o que teria de acontecer se Bush praticasse o que pregou na semana passada na C&uacute;pula Mundial 2005, no recinto da Assembl&eacute;ia Geral da Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas, quando falou sobre democracia e pobreza. Pelo menos &eacute; o que se depreende dos &uacute;ltimos informes da organiza&ccedil;&atilde;o n&atilde;o-governamental ActionAid Internacional (AAI).<br \/> <!--more--> <br \/> Para a AAI, as pol&iacute;ticas antiinflacion&aacute;rias ditadas aos pa&iacute;ses pelo FMI e Banco Mundial s&atilde;o um obst&aacute;culo ao cumprimento dos Objetivos de Desenvolvimento do Mil&ecirc;nio das Na&ccedil;&otilde;es Unidas e &agrave; promo&ccedil;&atilde;o das institui&ccedil;&otilde;es democr&aacute;ticas. Os objetivos incluem a redu&ccedil;&atilde;o pela metade da propor&ccedil;&atilde;o da popula&ccedil;&atilde;o pobre e faminta at&eacute; 2015, bem como a dr&aacute;stica redu&ccedil;&atilde;o da mortalidade infantil e materna. &quot;O que o FMI e o Banco est&atilde;o fazendo &eacute; destruir de fato o cora&ccedil;&atilde;o da democracia&quot;, disse o principal analista pol&iacute;tico da ASI, Rick Rowden. &quot;Realizar elei&ccedil;&otilde;es peri&oacute;dicas n&atilde;o significa muito quando a dire&ccedil;&atilde;o econ&ocirc;mica de uma na&ccedil;&atilde;o &eacute; t&atilde;o discutida entre o FMI, os bancos centrais e os minist&eacute;rios das Finan&ccedil;as a portas fechadas para os eleitores&quot;, acrescentou.<\/p>\n<p> Os dois informes, baseados na situa&ccedil;&atilde;o de 13 pa&iacute;ses em desenvolvimento, concluem que o controle indireto exercido pelo FMI sobre a pol&iacute;tica macroecon&ocirc;mica das na&ccedil;&otilde;es que recebem cr&eacute;ditos &eacute; uma camisa de for&ccedil;a que amarra a capacidade de atacar problemas sociais, de sa&uacute;de e econ&ocirc;micos urgentes, como a pandemia de aids. Al&eacute;m disso, esse controle conspira contra a capacidade do eleitorado dessas na&ccedil;&otilde;es para influir sobre essas mesmas pol&iacute;ticas, segundo os especialistas da ASI. Os eleitores na maioria dos pa&iacute;ses com governos democr&aacute;ticos ou em transi&ccedil;&atilde;o, segundo a institui&ccedil;&atilde;o, ap&oacute;iam os esfor&ccedil;os para melhorar a sa&uacute;de e o bem-estar da popula&ccedil;&atilde;o pobre, que de fato constitui a vasta maioria na &Aacute;frica, &Aacute;sia meridional e boa parte da Am&eacute;rica Latina.<\/p>\n<p> Mas assim como os governos eleitos democraticamente lutam para responder a essas demandas, s&atilde;o incapazes de ter sucesso por causa das pol&iacute;ticas do FMI. &quot;Estamos entre Guatemala e guatepior quando se trata de manejar as exig&ecirc;ncias do Fundo e os do eleitorado&quot;, disse no ano passado o presidente da Tanz&acirc;nia, Benjamin Mkapa. Os relat&oacute;rios da AAI tamb&eacute;m citam um funcion&aacute;rio do setor educacional do Qu&ecirc;nia, segundo o qual &quot;o sentimento geral entre a popula&ccedil;&atilde;o &eacute; que as decis&otilde;es do governo est&atilde;o subordinadas &agrave;s regras e diretrizes do FMI, e que o pa&iacute;s est&aacute; ref&eacute;m dessas decis&otilde;es, sem muitas alternativas&quot;.<\/p>\n<p> O primeiro dos informes, &quot;Pregos quadrados, orif&iacute;cios redondos&quot;, observa uma &quot;contradi&ccedil;&atilde;o fundamental entre a necessidade de aumentar os gastos sociais para combater a aids e o que realmente pode ser gasto no contexto da atual pol&iacute;tica do FMI de redu&ccedil;&atilde;o da infla&ccedil;&atilde;o&quot; para menos de 5% ao ano. &quot;Como se pode gastar significativamente mais dinheiro nessas economias sem elevar a infla&ccedil;&atilde;o para al&eacute;m do que admite a pol&iacute;tica do Fundo?&quot;, pergunta o estudo. Como os governos doadores e outras ag&ecirc;ncias financeiras, inclu&iacute;do o Banco Mundial, consideram o cumprimento das metas do FMI como um selo de qualidade, as omiss&otilde;es aumentam o risco de corte do cr&eacute;dito externo. &quot;O FMI pode efetivamente desativar o fluxo de ajuda externa para qualquer pa&iacute;s que n&atilde;o aderir satisfatoriamente ao contexto macroecon&ocirc;mico acertado&quot;, afirma a AAI, que em seu informe cita, nesse sentido, a situa&ccedil;&atilde;o de Honduras e Z&acirc;mbia. <\/p>\n<p> O segundo informe indica que os requisitos do FMI colocam em perigo a possibilidade de conseguir que todas as crian&ccedil;as tenham acess&atilde;o ao ensino b&aacute;sico at&eacute; 2015, um dos Objetivos de Desenvolvimento do Mil&ecirc;nio. &quot;Compromissos contradit&oacute;rios: Como o &ecirc;xito da educa&ccedil;&atilde;o universal &eacute; sufocado pelo FMI&quot;, indica que para atingir essa meta os pa&iacute;ses devem aumentar radicalmente seu investimento na constru&ccedil;&atilde;o de escolas, treinamento de professores e elimina&ccedil;&atilde;o da cobran&ccedil;a de tarifas alfandeg&aacute;rias. <\/p>\n<p> Mas na maior parte dos casos isso n&atilde;o pode ser conseguido sem exceder o limite de gastos imposto pelo FMI, o que os impede de cumprirem as metas assumidas perante a comunidade internacional e com as demandas do eleitorado. Os problemas que enfrentam os governos dependentes do FMI se tornam ainda mais evidentes desde que a C&uacute;pula do Mil&ecirc;nio adotou os oito Objetivos em setembro de 2000. Essas metas foram reafirmadas na semana passada na C&uacute;pula Mundial realizada em Nova York. Inclusive, o Banco Mundial, institui&ccedil;&atilde;o irm&atilde;o do Fundo Monet&aacute;rio Internacional, advertiu que muitos pa&iacute;ses est&atilde;o ficando para atr&aacute;s no processo rumo &agrave;s metas do mil&ecirc;nio.<\/p>\n<p> A insist&ecirc;ncia do FMI em restringir o gasto p&uacute;blico parece cada vez mais uma anomalia, em particular depois que o Grupo dos Oito pa&iacute;ses mais poderosos do mundo acertaram em julho uma iniciativa para perdoar a d&iacute;vida dos 18 pa&iacute;ses mais pobres junto a institui&ccedil;&otilde;es financeiras internacionais. Essa iniciativa, que tem Bush entre seus defensores, ser&aacute; examinada nesta sexta-feira e s&aacute;bado na reuni&atilde;o anual conjunta do FMI e do Banco Mundial em Nova York. A AAI e outras organiza&ccedil;&otilde;es consideram que h&aacute; pouco consenso entre os economistas a respeito dos efeitos sobre o crescimento econ&ocirc;mico do teto de 5% de infla&ccedil;&atilde;o anual, que o FMI costuma impor aos pa&iacute;ses que recebem seus cr&eacute;ditos de estabiliza&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p> &quot;Talvez as atuais pol&iacute;ticas monet&aacute;rias do Fundo sejam apropriadas para combater crises de hiperinfla&ccedil;&atilde;o em muitos pa&iacute;ses em desenvolvimento no final dos anos 70 e in&iacute;cio dos 80&quot;, diz o primeiro informe da AAI. &quot;Mas a t&aacute;tica de restringir rigidamente o gasto p&uacute;blico para manter a infla&ccedil;&atilde;o baixa bate de frente com o que se quer hoje: novas pol&iacute;ticas econ&ocirc;micas que admitam um grande incremento do gasto p&uacute;blico&quot;, acrescenta o estudo. Nesse sentido, o documento recorda que a Am&eacute;rica Latina dos anos 50 e 60 e a &Aacute;sia oriental nas d&eacute;cadas de 60 e 70, alcan&ccedil;aram um crescimento econ&ocirc;mico muito elevado apesar de infla&ccedil;&atilde;o m&eacute;dia anual de 20%. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Washington, 22\/09\/2005 &ndash; O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, deveria pressionar seus delegados no Fundo Monet&aacute;rio Internacional (FMI) para que esse organismo deixe de condicionar de maneira t&atilde;o r&iacute;gida sua ajuda aos pa&iacute;ses pobres. Isso &eacute; o que teria de acontecer se Bush praticasse o que pregou na semana passada na C&uacute;pula Mundial 2005, no recinto da Assembl&eacute;ia Geral da Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas, quando falou sobre democracia e pobreza. 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