{"id":10290,"date":"2012-07-11T09:10:41","date_gmt":"2012-07-11T09:10:41","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=10290"},"modified":"2012-07-11T09:10:41","modified_gmt":"2012-07-11T09:10:41","slug":"destaques-o-mexilho-asitico-invade-o-cone-sul-diante-da-passividade-governamental","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/07\/america-latina\/destaques-o-mexilho-asitico-invade-o-cone-sul-diante-da-passividade-governamental\/","title":{"rendered":"DESTAQUES: O mexilh&atilde;o asi&aacute;tico invade o Cone Sul diante da passividade governamental"},"content":{"rendered":"<p>BUENOS AIRES, Argentina, 11\/07\/2012 &ndash; (Tierram&eacute;rica).- Aproximadamente, tr&ecirc;s mil esp&eacute;cies se deslocam pelo planeta a cada dia com a &aacute;gua de lastro dos navios. Podem ser v&iacute;rus, bact&eacute;rias, algas ou invertebrados, mas apenas uma pequena porcentagem se converte em invasora.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_10290\" style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/585_Parana_Marcela_ValenteIPS.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-10290\" class=\"size-medium wp-image-10290\" title=\"Uma embarca&ccedil;&atilde;o cruza o Rio Paran&aacute; entrando no Porto de Ros&aacute;rio. - Marcela Valente\/IPS\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/585_Parana_Marcela_ValenteIPS.jpg\" alt=\"Uma embarca&ccedil;&atilde;o cruza o Rio Paran&aacute; entrando no Porto de Ros&aacute;rio. - Marcela Valente\/IPS\" width=\"200\" height=\"150\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-10290\" class=\"wp-caption-text\">Uma embarca&ccedil;&atilde;o cruza o Rio Paran&aacute; entrando no Porto de Ros&aacute;rio. - Marcela Valente\/IPS<\/p><\/div>  A maioria dos governos da bacia do Rio da Prata fazem pouco ou nada para frear a invas&atilde;o do mexilh&atilde;o dourado, que est&aacute; causando impactos com enormes custos econ&ocirc;micos. O Limnoperna fortunei, um bivalves de &aacute;gua doce, n&atilde;o comest&iacute;vel e origin&aacute;rio de rios e riachos da China e do sudeste asi&aacute;tico, viaja como clandestino desde a &Aacute;sia na &aacute;gua de lastro dos navios cargueiros transoce&acirc;nicos. Chegou &agrave; regi&atilde;o do Prata em 1991. Sem predadores locais, o mexilh&atilde;o adaptou-se ao Cone Sul americano e em 20 anos se reproduziu em ritmo acelerado e se expandiu pelos rios Paran&aacute;, Uruguai e todos seus bra&ccedil;os at&eacute; a cidade de S&atilde;o Paulo.<\/p>\n<p>O bi&oacute;logo Gustavo Darrigran, diretor do Grupo de Pesquisa sobre Moluscos Invasores, da Faculdade de Ci&ecirc;ncias Naturais e Museu da Universidade Nacional de La Plata, explicou ao Terram&eacute;rica porque sua presen&ccedil;a &quot;&eacute; uma invas&atilde;o&quot;. Uma &quot;esp&eacute;cie estrangeira &eacute; aquela que foi introduzida de maneirai intencional ou n&atilde;o e que fica no lugar de entrada. Uma esp&eacute;cie invasora &eacute; a que se naturaliza no novo ambiente, espalhando-se r&aacute;pida e amplamente&quot;, detalhou.<\/p>\n<p>Darrigran, que registrou o surgimento dos primeiros indiv&iacute;duos em 1991, ressaltou que a invas&atilde;o &quot;provoca impactos tanto no ambiente natural como no ser humano&quot;, e, no entanto, a preocupa&ccedil;&atilde;o dos governos da regi&atilde;o por esses danos &quot;&eacute; parcial&quot;. O mexilh&atilde;o adere a qualquer superf&iacute;cie dura, natural ou artificial, e forma col&ocirc;nias que entopem tubula&ccedil;&otilde;es e filtros de sistemas de &aacute;gua pot&aacute;vel, de refrigera&ccedil;&atilde;o de ind&uacute;strias, centrais el&eacute;tricas e canais de irriga&ccedil;&atilde;o, e afetam a navega&ccedil;&atilde;o, o turismo e a pesca.<\/p>\n<p>&quot;Percorre contra a corrente cerca de 240 quil&ocirc;metros por ano, uma velocidade enorme considerando que vive fixo a qualquer assento duro dispon&iacute;vel&quot;, alertou o bi&oacute;logo. Apenas tr&ecirc;s anos depois de detectado, o mexilh&atilde;o entupiu a entrada de &aacute;gua e a estrutura de concreto de uma esta&ccedil;&atilde;o potabilizadora em Bernal, sul de Buenos Aires, o que obrigou &agrave; realiza&ccedil;&atilde;o de uma limpeza mais frequente e cara, contou Darrigran.<\/p>\n<p>No come&ccedil;o do mil&ecirc;nio, o molusco viajante j&aacute; havia chegado ao Pantanal boliviano-brasileiro. Mais tarde causou dificuldades na represa argentino-paraguaia de Yaciret&aacute; e na brasileiro-paraguaia Itaipu, ambas no Rio Paran&aacute;. E tamb&eacute;m est&aacute; instalado na central argentino-uruguaia de Salto Grande, no Rio Uruguai.<\/p>\n<p>Em Yacyret&aacute;, onde foram encontrados cerca de 248 mil indiv&iacute;duos por metro quadrado, segundo o bi&oacute;logo, as c&acirc;meras da represa estavam forradas de mexilh&otilde;es dourados, os filtros das tubula&ccedil;&otilde;es obstru&iacute;dos e algumas m&aacute;quinas pararam por superaquecimento. &quot;Fala-se que a parada n&atilde;o programada de uma hidrel&eacute;trica de grande escala causa perda de US$ 450 mil por dia. A limpeza de cada unidade demora tr&ecirc;s dias. E em cada represa h&aacute; 20 unidades&quot;, observou Darrigran.<\/p>\n<p>Entretanto, esta prolifera&ccedil;&atilde;o parece ter pouco impacto nos governos. &quot;H&aacute; pa&iacute;ses que nada fazem. Outros que fazem com boas inten&ccedil;&otilde;es ou para aparecer, mas nos dois casos fazem mal e de forma incompleta&quot;, alertou o bi&oacute;logo. Em busca dessa rea&ccedil;&atilde;o, o advogado ambientalista Enrique Z&aacute;rate, presidente do Instituto de Direito Ambiental do Col&eacute;gio de Advogados da cidade de Ros&aacute;rio, coordenou uma pesquisa sobre o impacto da invas&atilde;o do mexilh&atilde;o e a apresentou em maio ao Defensor do Povo da Na&ccedil;&atilde;o, cobrando medidas.<\/p>\n<p>A Defensoria aceitou a proposta e neste m&ecirc;s informou a Z&aacute;rate que est&aacute; investigando o caso. &quot;Pediram informa&ccedil;&otilde;es &agrave; Prefeitura Naval e ao Minist&eacute;rio de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustent&aacute;vel e v&atilde;o estudar os preju&iacute;zos econ&ocirc;micos que causa&quot;, contou o advogado ao Terram&eacute;rica. &quot;&Eacute; um bom sinal que comecem a encarar estudos econ&ocirc;micos porque este mexilh&atilde;o tem capacidade de frear esta&ccedil;&otilde;es potabilizadoras de &aacute;gua, centrais el&eacute;tricas e f&aacute;bricas&quot;, destacou.<\/p>\n<p>Darrigran acredita que para obter resultados &eacute; preciso &quot;conscientizar a sociedade, para que exija dos governos da regi&atilde;o uma a&ccedil;&atilde;o coordenada e sustent&aacute;vel&quot;. Tamb&eacute;m &eacute; preciso fomentar a pesquisa sobre medidas de preven&ccedil;&atilde;o e controle e habilitar centros de gest&atilde;o encarregados de realizar essas tarefas a partir do Estado, mas de forma independente das mudan&ccedil;as de governo, recomendou. &Eacute; imposs&iacute;vel erradicar esta esp&eacute;cie invasora, mas pode-se conviver com ela sob um r&iacute;gido controle que desacelere sua reprodu&ccedil;&atilde;o e dispers&atilde;o. &quot;Queremos que o Estado tome consci&ecirc;ncia do problema, que reaja, e que exista um controle r&iacute;gido porque remediar &eacute; muito dif&iacute;cil&quot;, destacou Z&aacute;rate.<\/p>\n<p>De acordo com o grupo de pesquisa liderado por Darrigran, cerca de tr&ecirc;s mil esp&eacute;cies se deslocam pelo planeta diariamente com a &aacute;gua de lastro, um fen&ocirc;meno incentivado pela globaliza&ccedil;&atilde;o do com&eacute;rcio. Podem ser v&iacute;rus, bact&eacute;rias, algas ou invertebrados. Apenas uma pequena porcentagem se converte em esp&eacute;cie invasora, como o mexilh&atilde;o de &aacute;gua doce.<\/p>\n<p>A Limnoperna altera a biodiversidade da regi&atilde;o, deslocando esp&eacute;cies nativas como os carac&oacute;is Heleobia piscium e Gundlhachia concentrica, que agora s&atilde;o &quot;acidentais&quot;, segundo Darrigran. As col&ocirc;nias do molusco grudam no casco de navios e de embarca&ccedil;&otilde;es pequenas e inclusive chegam &agrave; terra em reboques at&eacute; locais afastados da &aacute;gua, onde tamb&eacute;m s&atilde;o encontrados. Dessa forma, sup&otilde;e-se, chegou ao lago argentino de Embalse, na prov&iacute;ncia de C&oacute;rdoba, que fica junto &agrave; Central Nuclear de Embalse. A magnitude do problema foi constatado quando o mexilh&atilde;o obstruiu o sistema de refrigera&ccedil;&atilde;o do reator da usina.<\/p>\n<p>*<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>BUENOS AIRES, Argentina, 11\/07\/2012 &ndash; (Tierram&eacute;rica).- Aproximadamente, tr&ecirc;s mil esp&eacute;cies se deslocam pelo planeta a cada dia com a &aacute;gua de lastro dos navios. 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