{"id":10305,"date":"2012-07-12T12:10:27","date_gmt":"2012-07-12T12:10:27","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=10305"},"modified":"2012-07-12T12:10:27","modified_gmt":"2012-07-12T12:10:27","slug":"campanha-para-despenalizar-o-consumo-de-drogas-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/07\/america-latina\/campanha-para-despenalizar-o-consumo-de-drogas-no-brasil\/","title":{"rendered":"Campanha para despenalizar o consumo de drogas no Brasil"},"content":{"rendered":"<p>Rio de Janeiro, Brasil, 12\/07\/2012 &ndash; Personalidades dos setores acad&ecirc;mico, jur&iacute;dico, de sa&uacute;de, pol&iacute;tico e social lan&ccedil;aram uma campanha para despenalizar o consumo de drogas, pelo qual v&atilde;o para a pris&atilde;o no Brasil dezenas de milhares de pessoas que n&atilde;o s&atilde;o traficantes.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_10305\" style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/Drogas.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-10305\" class=\"size-medium wp-image-10305\" title=\"&quot;&Eacute; justo isso?&quot;\u009d, uma das imagens da campanha para despenalizar as drogas no Brasil. - Lei de drogas: &Eacute; hora de mudar\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/Drogas.jpg\" alt=\"&quot;&Eacute; justo isso?&quot;\u009d, uma das imagens da campanha para despenalizar as drogas no Brasil. - Lei de drogas: &Eacute; hora de mudar\" width=\"200\" height=\"191\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-10305\" class=\"wp-caption-text\">&quot;&Eacute; justo isso?&quot;\u009d, uma das imagens da campanha para despenalizar as drogas no Brasil. - Lei de drogas: &Eacute; hora de mudar<\/p><\/div>  A campanha Lei de drogas: &Eacute; hora de mudar, foi lan&ccedil;ada pela Comiss&atilde;o Brasileira sobre Drogas e Democracia, que pretende conseguir um milh&atilde;o de assinaturas para apoiar um projeto de lei que ser&aacute; apresentado ao Congresso no segundo semestre do ano que vem.<\/p>\n<p>O objetivo da campanha, &agrave; qual aderiram reconhecidas figuras do teatro e da televis&atilde;o, e que tem apoio de personalidades com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (1995-2003), &eacute; mudar a lei 11.343\/2006, que estabelece pol&iacute;tica antidrogas sem distinguir claramente entre usu&aacute;rios e traficantes.<\/p>\n<p>&quot;Comprei meio grama de maconha para uso pessoal e me prenderam. Como moro em uma favela, me levaram como traficante. Como no Brasil n&atilde;o se pode esperar o julgamento em liberdade, passei meses na pris&atilde;o&quot;, diz em um dos comerciais para a tev&ecirc;, divulgados desde o dia 9, o ator Felipe Camargo, interpretando um caso real. &quot;&Eacute; justo?&quot;, pergunta o jovem. H&aacute; outras hist&oacute;rias ver&iacute;dicas: uma prostituta que foi presa porque um cliente deixou rastros de droga em seu quarto; um homem detido porque encontraram um p&oacute; em sua casa que, depois se comprovou, era levedo.<\/p>\n<p>Desde que entrou em vigor a lei, a quantidade de detidos por posse de drogas duplicou no pa&iacute;s. O consumo de drogas &quot;n&atilde;o pode ter rela&ccedil;&atilde;o com a repress&atilde;o, a pris&atilde;o e a pol&iacute;cia. Mas com educa&ccedil;&atilde;o, sa&uacute;de e solidariedade&quot;, destacou no lan&ccedil;amento da campanha o deputado Paulo Teixeira, do Partido dos Trabalhadores (PT), que apresentar&aacute; a iniciativa de forma legal no parlamento. &quot;A ideia central &eacute; despenalizar a posse e o uso de drogas&quot;, afirmou.<\/p>\n<p>Entre outras mudan&ccedil;as, a iniciativa prop&otilde;e transferir a pol&iacute;tica de drogas da &aacute;rea de seguran&ccedil;a p&uacute;blica para as de sa&uacute;de e assist&ecirc;ncia social, despenalizar o uso, estabelecendo diferen&ccedil;as claras entre consumidor e traficante, e garantir tratamento de qualidade para os dependentes, incorporando redes de apoio e fam&iacute;lias &agrave; oferta de uma aten&ccedil;&atilde;o integral ao v&iacute;cio.<\/p>\n<p>O advogado Pedro Abramovay, professor de direito da Funda&ccedil;&atilde;o Getulio Vargas e ex-titular da Secretaria Nacional Antidrogas no governo de Dilma Rousseff, disse &agrave; IPS que 60% dos presos por drogas no Brasil estavam desarmados, tinham pequenas quantidades e nunca cometeram outros delitos. &quot;Est&atilde;o muito mais perto do usu&aacute;rio do que do traficante, mas s&atilde;o presos como traficantes porque a lei n&atilde;o &eacute; clara&quot;, explicou Abramovay, afastado de seu cargo no governo, entre outras diferen&ccedil;as, por defender as penas alternativas para os pequenos traficantes.<\/p>\n<p>Um quarto da popula&ccedil;&atilde;o carcer&aacute;ria do Brasil (a quarta maior do mundo, atr&aacute;s de Estados Unidos, R&uacute;ssia e China) est&aacute; relacionado com as drogas. O pa&iacute;s, com mais de 192 milh&otilde;es de habitantes, tem 258 presos para cada cem mil habitantes. Enquanto a quantidade de presos triplicou nos &uacute;ltimos 15 anos, a de detidos por tr&aacute;fico sofreu o mesmo ritmo de crescimento em apenas cinco anos, comparou a especialista em viol&ecirc;ncia Julita Lemgruber, diretora do Centro de Estudos de Seguran&ccedil;a e Cidadania da Faculdade C&acirc;ndido Mendes.<\/p>\n<p>A &quot;enlouquecida&quot; legisla&ccedil;&atilde;o de drogas do Brasil tamb&eacute;m est&aacute; levando &agrave; pris&atilde;o um n&uacute;mero maior de mulheres, contribuindo com a superpopula&ccedil;&atilde;o carcer&aacute;ria e causando problemas &quot;enormes&quot; por condi&ccedil;&otilde;es inapropriadas nas unidades penitenci&aacute;rias femininas, destacou Lemgruber. As mulheres representam 6% da popula&ccedil;&atilde;o carcer&aacute;ria brasileira, mas 14% dos presos por tr&aacute;fico, acrescentou.<\/p>\n<p>Desde sua experi&ecirc;ncia na repress&atilde;o, o ex-secret&aacute;rio nacional de Seguran&ccedil;a P&uacute;blica, coronel da reserva da Pol&iacute;cia Militar, Jos&eacute; da Silva, apoia a reforma legal. &quot;Com a pr&aacute;tica, observa-se que quanto mais se reprime mais o problema se agrava. Morrem mais pessoas: usu&aacute;rios, policiais, traficantes e pessoas que nada t&ecirc;m a ver com essa hist&oacute;ria&quot;, disse Silva &agrave; IPS. &quot;E ningu&eacute;m consome menos por isso&quot;, acrescentou o ex-policial, que considera &quot;perdida&quot; a batalha contra as drogas por meio da repress&atilde;o.<\/p>\n<p>A campanha n&atilde;o pretende, no momento, passos mais ousados como a legaliza&ccedil;&atilde;o do mercado de drogas. Contudo, Silva tamb&eacute;m a considera necess&aacute;ria. &quot;O modelo que os norte-americanos adotaram quando decidiram legalizar o &aacute;lcool &eacute; o que devemos utilizar para as drogas, legalizar e controlar tudo, produ&ccedil;&atilde;o, distribui&ccedil;&atilde;o e consumo, para que seja o Estado o controlador, n&atilde;o o traficante&quot;, destacou. Um sistema semelhante, mas apenas para a maconha, foi proposto no m&ecirc;s passado pelo governo do Uruguai.<\/p>\n<p>A iniciativa legal do Brasil se baseia em parte no modelo de despenaliza&ccedil;&atilde;o adotado por Portugal. Nesse pa&iacute;s europeu melhorou o combate ao crime organizado, caiu de forma dr&aacute;stica a quantidade de mortes relacionadas com drogas, e n&atilde;o s&oacute; o consumo n&atilde;o cresceu como diminuiu entre os mais jovens, explicou Abramovay &agrave; IPS. A campanha conta com apoio da Viva Rio, organiza&ccedil;&atilde;o carioca que promove a cultura da paz, Associa&ccedil;&atilde;o Nacional de Defensores P&uacute;blicos, Funda&ccedil;&atilde;o Oswaldo Cruz, Secretaria Estadual de Sa&uacute;de do Rio de Janeiro, Comiss&atilde;o Mundial sobre Pol&iacute;ticas de Drogas, e a Avaaz, comunidade global de mobiliza&ccedil;&atilde;o online.<\/p>\n<p>Uma das participantes da campanha, a atriz Isabel Fillardis, disse que se assustou quando foi chamada, porque nunca usou drogas. Por&eacute;m, decidiu apoiar a iniciativa porque se comoveu com os casos apresentados e, sobretudo, &quot;porque &eacute; importante promover o debate&quot; de um tema considerado tabu no Brasil. Nos &uacute;ltimos meses, &iacute;dolos populares falaram abertamente de suas experi&ecirc;ncias com as drogas. Entre eles, Gilberto Gil, que se referiu ao seu h&aacute;bito de consumir maconha.<\/p>\n<p>O secret&aacute;rio de Meio Ambiente do Estado do Rio de Janeiro, Carlos Minc, contou que em seus tempos de ministro do governo de Luiz In&aacute;cio Lula da Silva foi chamado &quot;&agrave; ordem&quot; por participar de uma marcha de apoio &agrave; despenaliza&ccedil;&atilde;o da maconha. Outras autoridades consideraram que fazia uma &quot;apologia&quot; das drogas, recordou. &quot;Temos que reverter o jogo da hipocrisia e da repress&atilde;o&quot;, exortou. Dentro do PT as opini&otilde;es est&atilde;o divididas. &quot;Passei oito anos no governo e continuo apoiando este governo que transformou o Brasil, mas nesse ponto o caminho de luta &eacute; o da sociedade civil&quot;, ressaltou Abramovay. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Rio de Janeiro, Brasil, 12\/07\/2012 &ndash; Personalidades dos setores acad&ecirc;mico, jur&iacute;dico, de sa&uacute;de, pol&iacute;tico e social lan&ccedil;aram uma campanha para despenalizar o consumo de drogas, pelo qual v&atilde;o para a pris&atilde;o no Brasil dezenas de milhares de pessoas que n&atilde;o s&atilde;o traficantes. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/07\/america-latina\/campanha-para-despenalizar-o-consumo-de-drogas-no-brasil\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":75,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2,6,11,7],"tags":[27],"class_list":["post-10305","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-america-latina","category-direitos-humanos","category-politica","category-saude","tag-brasil"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10305","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/75"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10305"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10305\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10305"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10305"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10305"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}