{"id":10313,"date":"2012-07-16T09:51:49","date_gmt":"2012-07-16T09:51:49","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=10313"},"modified":"2012-07-16T09:51:49","modified_gmt":"2012-07-16T09:51:49","slug":"procura-se-mercenrios-para-a-onu","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/07\/mundo\/procura-se-mercenrios-para-a-onu\/","title":{"rendered":"Procura-se mercen&aacute;rios para a ONU"},"content":{"rendered":"<p>Na&ccedil;&otilde;es Unidas, 16\/07\/2012 &ndash; A Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas (ONU) contrata cada vez mais empresas privadas de seguran&ccedil;a e militares para suas opera&ccedil;&otilde;es pelo mundo, o que desperta d&uacute;vidas sobre sua responsabilidade, bem como temores de que ocorram viola&ccedil;&otilde;es dos direitos humanos.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_10313\" style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/ONU.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-10313\" class=\"size-medium wp-image-10313\" title=\"A ONU aumentou em 73% a contrata&ccedil;&atilde;o de servi&ccedil;os privados de seguran&ccedil;a entre 2009 e 2010. - UN Photo\/Devra Berkowitz\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/ONU.jpg\" alt=\"A ONU aumentou em 73% a contrata&ccedil;&atilde;o de servi&ccedil;os privados de seguran&ccedil;a entre 2009 e 2010. - UN Photo\/Devra Berkowitz\" width=\"200\" height=\"133\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-10313\" class=\"wp-caption-text\">A ONU aumentou em 73% a contrata&ccedil;&atilde;o de servi&ccedil;os privados de seguran&ccedil;a entre 2009 e 2010. - UN Photo\/Devra Berkowitz<\/p><\/div>  Apenas entre 2009 e 2011, a ONU aumentou em 73% a contrata&ccedil;&atilde;o de servi&ccedil;os privados de seguran&ccedil;a, passando de US$ 44 milh&otilde;es para US$ 76 milh&otilde;es, segundo um informe do independente Global Policy Forum (GPF).<\/p>\n<p>Entre outros servi&ccedil;os, estas empresas oferecem &agrave; ONU guardas armados, seguran&ccedil;a para comboios, avalia&ccedil;&atilde;o de riscos e treinamento. Em miss&otilde;es espec&iacute;ficas no terreno aumentam as contrata&ccedil;&otilde;es, informou a autora do informe, Lou Pingeot, coordenadora de programas do GPF. &quot;Quando se analisa o per&iacute;odo de 2006 a 2011, a participa&ccedil;&atilde;o de companhias privadas de seguran&ccedil;a e militares em miss&otilde;es no terreno aumentou 250%&quot;, indicou Pingeot &agrave; IPS.<\/p>\n<p>O informe, intitulado Associa&ccedil;&atilde;o Perigosa, apresentado na semana passada em Nova York, se baseia em uma extensa pesquisa de Pingeot sobre os planos anuais de aquisi&ccedil;&otilde;es das ag&ecirc;ncias da ONU, bem como em entrevistas oficiais e extraoficiais com funcion&aacute;rios do f&oacute;rum mundial. O estudo constata aumento na contrata&ccedil;&atilde;o privada por parte das Na&ccedil;&otilde;es Unidas desde a d&eacute;cada de 1990, come&ccedil;ando com as miss&otilde;es de manuten&ccedil;&atilde;o da paz nos B&aacute;lc&atilde;s, em Serra Leoa e na Som&aacute;lia.<\/p>\n<p>A preocupa&ccedil;&atilde;o da ONU em salvaguardar suas instala&ccedil;&otilde;es aumentou depois dos atentados terroristas de 11 de setembro de 2001, em Nova York e Washington, e do ataque contra a Miss&atilde;o de Assist&ecirc;ncia no Iraque, em 2004. No ano seguinte foi criado o Departamento de Seguran&ccedil;a e Prote&ccedil;&atilde;o da ONU. Embora Pingeot reconhe&ccedil;a que a informa&ccedil;&atilde;o &agrave; qual teve acesso n&atilde;o &eacute; completa, esta serve para ilustrar a dire&ccedil;&atilde;o que as Na&ccedil;&otilde;es Unidas est&atilde;o tomando, algo que preocupa muitos dos funcion&aacute;rios que entrevistou, embora n&atilde;o estejam dispostos a afirmar isso publicamente.<\/p>\n<p>Um motivo de preocupa&ccedil;&atilde;o &eacute; a aus&ecirc;ncia de par&acirc;metros e marcos que governem a tarefa dos contratados, sobretudo em zonas de conflito. Outra preocupa&ccedil;&atilde;o &eacute; o poss&iacute;vel choque entre os valores da ONU e os dos mercen&aacute;rios. Estes exibem uma &quot;cultura da superioridade&quot; e uma &quot;propens&atilde;o ao uso da viol&ecirc;ncia&quot;, segundo o informe, que tamb&eacute;m analisou os despachos diplom&aacute;ticos que vazaram e foram divulgados pelo WikiLeakes, bem como a cobertura dos meios de comunica&ccedil;&atilde;o sobre essas empresas.<\/p>\n<p>Embora a discuss&atilde;o sobre o tema dentro da ONU seja m&iacute;nima, um informe da Secretaria Geral, de 2002, sobre as pr&aacute;ticas de contrata&ccedil;&atilde;o, j&aacute; reconhecia que estas &quot;poderiam comprometer a seguran&ccedil;a e a prote&ccedil;&atilde;o do pessoal da ONU&quot;, e pedia &agrave;s ag&ecirc;ncias para substitu&iacute;rem as firmas privadas por pessoal pr&oacute;prio. Entre as empresas contratadas ultimamente se destaca a norte-americana DynCorp, que se viu envolvida em um esc&acirc;ndalo de tr&aacute;fico sexual durante a miss&atilde;o da ONU na B&oacute;snia nos anos 1990, um caso que inspirou o filme The Whistyleblower (A Verdade Oculta), de 2010.<\/p>\n<p>A companhia tamb&eacute;m fez v&aacute;rios voos encobertos dentro do programa de &quot;entregas extraordin&aacute;rias&quot; dos Estados Unidos, pelo qual esse pa&iacute;s sequestra suspeitos de terrorismo e os interroga em pris&otilde;es secretas localizadas em diferentes partes do mundo. Isto foi revelado durante uma disputa judicial entre a DynCorp e outra companhia privada, informada originalmente pela ag&ecirc;ncia Associated Press.<\/p>\n<p>Outra importante empresa que trabalha para a ONU &eacute; a gigante brit&acirc;nica de seguran&ccedil;a G4S, que fechou um contrato de US$ 14 milh&otilde;es para a remo&ccedil;&atilde;o de minas, e, por outro lado, fornece servi&ccedil;os de seguran&ccedil;a aos militares dos Estados Unidos no Iraque. Essa empresa foi investigada na Gr&atilde;-Bretanha por seu tratamento aos imigrantes em v&aacute;rios centros de deten&ccedil;&atilde;o de ilegais que est&atilde;o sob sua administra&ccedil;&atilde;o. Agora, se candidata para operar servi&ccedil;os policiais em dois condados desse pa&iacute;s.<\/p>\n<p>O principal argumento para usar contratados privados &eacute; que se economiza dinheiro. Estados Unidos e Gr&atilde;-Bretanha s&atilde;o os pa&iacute;ses que mais promovem a terceiriza&ccedil;&atilde;o. Pingeot disse que em seus dois anos, aproximadamente, de pesquisa n&atilde;o conseguiu encontrar dados comparativos s&eacute;rios sobre os benef&iacute;cios financeiros da contrata&ccedil;&atilde;o. Al&eacute;m disso, a pr&aacute;tica de entregar contratos sem licita&ccedil;&atilde;o reduz qualquer benef&iacute;cio financeiro que a competi&ccedil;&atilde;o de pre&ccedil;os pudesse trazer.<\/p>\n<p>&quot;Para mim, o resultado mais surpreendente do informe &eacute; como a ONU, por mais de 20 anos, evita a discuss&atilde;o do assunto&quot;, disse &agrave; IPS o diretor-executivo do GPF, James Paul. &quot;Como pode, ano ap&oacute;s ano, apresentar informes e falar da seguran&ccedil;a do pessoal da ONU e n&atilde;o mencionar isto? O rei est&aacute; nu&quot;, afirmou. Um aspecto que impede uma discuss&atilde;o real &eacute; a influ&ecirc;ncia de dois grandes atores dentro da ONU: Estados Unidos e Gr&atilde;-Bretanha, importantes clientes dessas empresas.<\/p>\n<p>A ind&uacute;stria aproveita a proximidade com esses dois governos para garantir apoio na obten&ccedil;&atilde;o de contratos com as Na&ccedil;&otilde;es Unidas, que n&atilde;o s&atilde;o os mais lucrativos, mas d&atilde;o prest&iacute;gio &agrave;s empresas, segundo a pesquisa de Pingeot. A estreita rela&ccedil;&atilde;o entre os Estados-membros e os contratados privados faz com que estes &uacute;ltimos tenham influ&ecirc;ncia nas pol&iacute;ticas da ONU e nas dos pa&iacute;ses, onde geram uma &quot;necessidade&quot; maior de seguran&ccedil;a. &quot;&Eacute; uma autoperpetua&ccedil;&atilde;o da ind&uacute;stria&quot;, alertou a pesquisadora.<\/p>\n<p>Consultado sobre o informe, o porta-voz do secret&aacute;rio-geral das Na&ccedil;&otilde;es Unidas, Ban Ki-moon, divulgou um comunicado no dia 10, dizendo que o sistema da ONU trabalha no rascunho de um contexto de responsabilidade para as companhias de seguran&ccedil;a privadas. &quot;Naturalmente os pressionamos&quot;, contou Pingeot, para quem o rascunho est&aacute; sobre a mesa h&aacute; dois anos sem nenhum avan&ccedil;o. &quot;Contudo, ainda vai demorar alguns anos para essas diretrizes serem aprovadas&quot;, observou. A resposta da Secretaria Geral n&atilde;o responde ao assunto central do informe, que pede uma &quot;ampla revis&atilde;o da rela&ccedil;&atilde;o da ONU e de seus contratos com todas essas organiza&ccedil;&otilde;es, n&atilde;o apenas com as que fornecem seguran&ccedil;a&quot;, ressaltou. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na&ccedil;&otilde;es Unidas, 16\/07\/2012 &ndash; A Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas (ONU) contrata cada vez mais empresas privadas de seguran&ccedil;a e militares para suas opera&ccedil;&otilde;es pelo mundo, o que desperta d&uacute;vidas sobre sua responsabilidade, bem como temores de que ocorram viola&ccedil;&otilde;es dos direitos humanos. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/07\/mundo\/procura-se-mercenrios-para-a-onu\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1281,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6,4,11],"tags":[],"class_list":["post-10313","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-direitos-humanos","category-mundo","category-politica"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10313","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1281"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10313"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10313\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10313"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10313"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10313"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}