{"id":10319,"date":"2012-07-17T09:47:56","date_gmt":"2012-07-17T09:47:56","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=10319"},"modified":"2012-07-17T09:47:56","modified_gmt":"2012-07-17T09:47:56","slug":"irmandade-muulmana-ganha-militares-do-egito-se-impem","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/07\/africa\/irmandade-muulmana-ganha-militares-do-egito-se-impem\/","title":{"rendered":"Irmandade Mu&ccedil;ulmana ganha, militares do Egito se imp&otilde;em"},"content":{"rendered":"<p>Cairo, Egito, 17\/07\/2012 &ndash; O quase governante conselho militar do Egito sai vitorioso do primeiro grande confronto com o novo presidente isl&acirc;mico, referente a quem exerce a autoridade legislativa.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_10319\" style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/Irmandade.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-10319\" class=\"size-medium wp-image-10319\" title=\"Seguidores do presidente do Egito, Mohammad Morsi, protestam na Pra&ccedil;a Tahrir, no Cairo, contra a dissolu&ccedil;&atilde;o do parlamento - Khaled Moussa al-Omrani\/IPS\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/Irmandade.jpg\" alt=\"Seguidores do presidente do Egito, Mohammad Morsi, protestam na Pra&ccedil;a Tahrir, no Cairo, contra a dissolu&ccedil;&atilde;o do parlamento - Khaled Moussa al-Omrani\/IPS\" width=\"200\" height=\"150\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-10319\" class=\"wp-caption-text\">Seguidores do presidente do Egito, Mohammad Morsi, protestam na Pra&ccedil;a Tahrir, no Cairo, contra a dissolu&ccedil;&atilde;o do parlamento - Khaled Moussa al-Omrani\/IPS<\/p><\/div>  &quot;A Irmandade Mu&ccedil;ulmana e seus aliados podem ter se imposto nas elei&ccedil;&otilde;es parlamentares do ano passado, mas o Poder Legislativo permanece sob controle do ex&eacute;rcito&quot;, disse &agrave; IPS o analista pol&iacute;tico Magdi Sherif, chefe do Partido dos Guardi&otilde;es da Revolu&ccedil;&atilde;o, fundado durante o levante de 2011 na Pra&ccedil;a Tahrir. &quot;E os &uacute;ltimos acontecimentos arrastaram para o conflito tamb&eacute;m o Poder Judici&aacute;rio&quot;, acrescentou.<\/p>\n<p>No dia 8 deste m&ecirc;s, o primeiro presidente eleito em elei&ccedil;&otilde;es livres neste pa&iacute;s, Mohammad Morsi, uma personalidade not&aacute;vel da Irmandade Mu&ccedil;ulmana, baixou um decreto executivo convocado reuni&atilde;o dos membros da Assembleia Popular, a c&acirc;mara baixa do parlamento. O decreto tamb&eacute;m convocava novas elei&ccedil;&otilde;es parlamentares para 60 dias depois de um referendo aprovando o texto de uma nova Constitui&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Contudo, no dia 10, o Tribunal Constitucional &quot;suspendeu&quot; o decreto de Morsi com base em uma senten&ccedil;a pr&oacute;pria e anterior, que estabelece a dissolu&ccedil;&atilde;o da c&acirc;mara baixa. O tribunal chegou a afirmar que suas decis&otilde;es eram &quot;finais&quot; e &quot;irrevers&iacute;veis&quot;. No dia seguinte, Morsi voltou atr&aacute;s. Prometeu cumprir a decis&atilde;o judicial e afirmou que a Presid&ecirc;ncia &quot;respeita o Tribunal Constitucional, seus magistrados e todas as decis&otilde;es que a justi&ccedil;a do Egito tomar&quot;.<\/p>\n<p>O decreto de Morsi, uma de suas medidas mais importantes como novo presidente, foi surpreendente. N&atilde;o s&oacute; se contrapunha a uma decis&atilde;o do Tribunal Constitucional como tamb&eacute;m a uma ordem do conselho militar. A batalha pela primazia legislativa come&ccedil;ou em meados de junho, quando o Tribunal decidiu que as normas que regeram as elei&ccedil;&otilde;es legislativas do ano passado, e que deram uma categ&oacute;rica vit&oacute;ria &agrave; Irmandade Mu&ccedil;ulmana e aos seus aliados isl&acirc;micos, violaram a Carta Magna.<\/p>\n<p>No dia seguinte, o conselho militar ordenou a dissolu&ccedil;&atilde;o da c&acirc;mara baixa do parlamento, onde quase metade das cadeiras estava em poder do Partido da Justi&ccedil;a e da Liberdade, bra&ccedil;o pol&iacute;tico da Irmandade Mu&ccedil;ulmana. Muitos especialistas em direito questionam a legitimidade de semelhante ordem. &quot;A decis&atilde;o do Tribunal n&atilde;o apresentou nenhum argumento legal para dissolver toda a assembleia&quot;, disse &agrave; IPS o professor de direito constitucional da Universidade do Cairo, Atef al-Banna. &quot;O Tribunal apenas encontrou question&aacute;vel um ter&ccedil;o das cadeiras, as reservadas para independentes, mas que foram ganhas por candidatos partid&aacute;rios&quot;, completou.<\/p>\n<p>Quando Morsi, abruptamente, ordenou que a Assembleia Popular voltasse a se reunir, dirigentes da Irmandade Mu&ccedil;ulmana disseram que se tratava de um &quot;reflexo da vontade popular&quot;. A decis&atilde;o foi tomada &quot;por respeito aos mais de 30 milh&otilde;es de eg&iacute;pcios que votaram nas elei&ccedil;&otilde;es parlamentares&quot;, declarou um dos l&iacute;deres do Partido da Justi&ccedil;a e da Liberdade. Autoridades e especialistas em direito constitucional discordam entre si sobre a legalidade e constitucionalidade do decreto de Morsi.<\/p>\n<p>&quot;Expedir decretos cabe ao mandat&aacute;rio. O Presidente da Rep&uacute;blica tem autoridade para convocar a Assembleia Popular quando julgar conveniente&quot;, afirmou &agrave; IPS o professor de direito constitucional da Universidade do Cairo, Sarwat Badawi. Em sua opini&atilde;o, ilegal foi a ordem inicial do conselho militar, &quot;pois n&atilde;o foi expedida por nenhuma autoridade leg&iacute;tima&quot;. Esse &oacute;rg&atilde;o das for&ccedil;as armadas &quot;n&atilde;o tem faculdades legais para decidir pela dissolu&ccedil;&atilde;o do parlamento&quot;, ressaltou.<\/p>\n<p>&quot;O Tribunal Constitucional, por sua vez, tem apenas o mandato de decidir se algo &eacute;, ou n&atilde;o, constitucional. Expedir recomenda&ccedil;&otilde;es sobre como deveriam ser implementadas suas decis&otilde;es, tal como fez quando ordenou a dissolu&ccedil;&atilde;o do parlamento, est&aacute; fora de suas atribui&ccedil;&otilde;es&quot;, pontuou o professor.<\/p>\n<p>Mohammad Hamed al-Gamal, ex-presidente do Conselho de Estado, e m&aacute;xima autoridade em mat&eacute;ria de disputas entre o p&uacute;blico e os &oacute;rg&atilde;os estatais, discorda energicamente. &quot;A decis&atilde;o de Morsi n&atilde;o tinha fundamento, constitucional e estava fora de sua autoridade&quot;, declarou Gamal &agrave; IPS. &quot;E mais, se contrapunha diretamente tanto &agrave; decis&atilde;o do Tribunal como ao ap&ecirc;ndice institucional&quot;. Gamal se referia a uma reforma de 17 de junho decidida pelo conselho militar, dias ap&oacute;s a decis&atilde;o inicial do Tribunal Constitucional e do segundo turno das disputadas elei&ccedil;&otilde;es presidenciais do m&ecirc;s passado.<\/p>\n<p>Essa pol&ecirc;mica reforma constitucional ampliou notavelmente os poderes do conselho militar &agrave; custa do parlamento e da Presid&ecirc;ncia, &oacute;rg&atilde;os democraticamente eleitos. Al&eacute;m de transferir a autoridade legislativa da dissolvida Assembleia Popular para o conselho militar, o ap&ecirc;ndice tamb&eacute;m deu aos chefes das for&ccedil;as armadas v&aacute;rias prerrogativas executivas, entre elas, nada menos, o direito de declarar a guerra.<\/p>\n<p>&quot;Segundo o ap&ecirc;ndice, o presidente compartilha as faculdades executivas com o conselho militar&quot;, explicou &agrave; IPS o analista pol&iacute;tico Abdullah al-Sennawi. &Eacute;, &quot;nada mais, nada menos, do que um golpe de Estado suave contra a transi&ccedil;&atilde;o democr&aacute;tica do Egito p&oacute;s-revolucion&aacute;rio&quot;. Para alguns, o recuo de Morsi em rela&ccedil;&atilde;o ao seu decreto da semana passada &eacute; uma decis&atilde;o estrat&eacute;gica. A Presid&ecirc;ncia, e por extens&atilde;o a Irmandade Mu&ccedil;ulmana, est&atilde;o reunindo for&ccedil;as para o objetivo fundamental: revogar o ap&ecirc;ndice constitucional.<\/p>\n<p>&quot;O retrocesso de Morsi sugere que seu decreto foi um bal&atilde;o de ensaio para medir o poder da Presid&ecirc;ncia frente ao conselho militar&quot;, afirmou Sherif. &quot;Se a medida permanecesse intacta e se permitisse ao parlamento se reunir, o mandat&aacute;rio poderia dar mais passos para consolidar seu poder com o prop&oacute;sito final de derrubar o ap&ecirc;ndice e restringir o papel pol&iacute;tico que t&ecirc;m os militares&quot;, observou. Entretanto, os seguidores do presidente voltaram a se manifestar na emblem&aacute;tica Pra&ccedil;a Tahrir desde meados de junho, em quantidades vari&aacute;veis, protestando contra a dissolu&ccedil;&atilde;o da Assembleia Popular e contra o ap&ecirc;ndice constitucional.<\/p>\n<p>Muitos denunciaram tamb&eacute;m o Poder Judici&aacute;rio como &quot;politizado&quot; e &quot;repleto de membros&quot; do extinto regime de Hosni Mubarak (1981-2011). &quot;As &uacute;ltimas decis&otilde;es do Tribunal Constitucional confirmam que o Judici&aacute;rio, como a maioria das institui&ccedil;&otilde;es do Estado, segue cheio de leais a Mubarak com planos contrarrevolucion&aacute;rios&quot;, denunciou, da Pra&ccedil;a Tahrir, o pol&iacute;tico Mohammad Aweida, dirigente do ainda n&atilde;o legalizado Partido da Unidade &Aacute;rabe.<\/p>\n<p>&quot;A percep&ccedil;&atilde;o de que as decis&otilde;es do Tribunal est&atilde;o sendo usadas com fins pol&iacute;ticos tem base&quot;, apontou Sherif. Basta considerar &quot;a assombrosa oportunidade de seu veredito inicial para dissolver o parlamento, expedido apenas dias antes do segundo turno presidencial&quot;, indicou. E mais, &quot;o Tribunal demorou apenas 45 dias para chegar a um veredito, quando as decis&otilde;es sobre grandes questionamentos constitucionais costumam demorar anos&quot;, ressaltou. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cairo, Egito, 17\/07\/2012 &ndash; O quase governante conselho militar do Egito sai vitorioso do primeiro grande confronto com o novo presidente isl&acirc;mico, referente a quem exerce a autoridade legislativa. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/07\/africa\/irmandade-muulmana-ganha-militares-do-egito-se-impem\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1206,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[3,6,11],"tags":[16],"class_list":["post-10319","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-africa","category-direitos-humanos","category-politica","tag-oriente-medio"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10319","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1206"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10319"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10319\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10319"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10319"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10319"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}