{"id":10326,"date":"2012-07-17T10:26:23","date_gmt":"2012-07-17T10:26:23","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=10326"},"modified":"2012-07-17T10:26:23","modified_gmt":"2012-07-17T10:26:23","slug":"agricultura-fundamental-para-o-desafio-do-desemprego-juvenil-na-libria","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/07\/africa\/agricultura-fundamental-para-o-desafio-do-desemprego-juvenil-na-libria\/","title":{"rendered":"Agricultura &eacute; Fundamental Para o Desafio do Desemprego Juvenil na Lib&eacute;ria"},"content":{"rendered":"<p>MONR&Oacute;VIA, 17\/07\/2012 &ndash; Com a sua corrente de ouro, bon&eacute; de baseball, e cal&ccedil;&otilde;es de ganga folgados, Junior Toe veste a farda da juventude urbana da Lib&eacute;ria. Se passarmos algum tempo com este jovem, torna-se evidente que ele possui a ast&uacute;cia de rua que condiz com o seu visual. <!--more--> No entanto, a &aacute;rea de especialidade de Toe encontra-se fora da cidade, numa explora&ccedil;&atilde;o agr&iacute;cola. <\/p>\n<p>&quot;Olhem para esta semente de pimenta aqui,&quot; diz quando visita uma explora&ccedil;&atilde;o agr&iacute;cola comunit&aacute;ria n&atilde;o muito longe do centro de Monr&oacute;via. &quot;Metam-na na terra, reguem-na algumas vezes, e v&atilde;o fazer algum dinheiro.&quot;<\/p>\n<p>Toe &eacute; o fundador e director executivo do Programa Comunit&aacute;rio Rede Jovem (PCRJ), que oferece forma&ccedil;&atilde;o aos jovens na agricultura e na cria&ccedil;&atilde;o de gado.<\/p>\n<p>&quot;Naquele lado temos uma estufa para couves,&quot; explica. &quot;Se agora experimentarem plantar as couves, ter&atilde;o prooblemas com a chuva. &Eacute; este o tipo de conhecimento que partilhamos.&quot; <\/p>\n<p>A seguran&ccedil;a alimentar e um trabalho que proporcione satisfa&ccedil;&atilde;o pessoal &agrave; juventude da Lib&eacute;ria h&aacute; muito que constituem importantes desafios para este pa&iacute;s da &Aacute;frica Ocidental. Agora, v&aacute;rios programas comunit&aacute;rios e iniciativas governamentais est&atilde;o a actuar no sentido de se resolver estas quest&otilde;es. As autoridades t&ecirc;m esperan&ccedil;a que este seja o in&iacute;cio de uma grande mudan&ccedil;a na forma como os jovens liberianos participam no sector agr&iacute;cola. <\/p>\n<p>Segundo um relat&oacute;rio de 2010 do Programa das Na&ccedil;&otilde;es Unidas para o Desenvolvimento, 30 por cento da terra na Lib&eacute;ria &eacute; ar&aacute;vel e cerca de 90 por cento das &aacute;reas com colheitas recebem chuva adequada. Contudo, de acordo com o relat&oacute;rio da Perspectiva da Seguran&ccedil;a Alimentar da Lib&eacute;ria referente a 2012, 60 por cento da popula&ccedil;&atilde;o est&aacute; classificada como podendo ser afectada pela &quot;inseguran&ccedil;a alimentar&quot;.<\/p>\n<p>O sector agr&iacute;cola da Lib&eacute;ria foi devastado por d&eacute;cadas de m&aacute; gest&atilde;o e guerra. Em 1980, o Primeiro Sargento Samuel Doe tomou o poder num golpe de estado e a sua governa&ccedil;&atilde;o, que terminou 10 anos mais tarde, foi caracterizada por pol&iacute;ticas incompetentes que impediram o desenvolvimento. <\/p>\n<p>Em 1989, come&ccedil;ou uma guerra civil no pa&iacute;s, que continuou esporadicamente at&eacute; 2003. Durante esses anos, o senhor da guerra &#8211; e mais tarde Presidente &#8211; Charles Taylor pilhou os recursos do pa&iacute;s e fomentou a viol&ecirc;ncia que matou 250.000 pessoas. Um n&uacute;mero ainda maior de pessoas fugiu da Lib&eacute;ria ou ficou repetidas vezes a viver como deslocadas. <\/p>\n<p>De acordo com uma avalia&ccedil;&atilde;o feita em 2009 pela Organiza&ccedil;&atilde;o da Na&ccedil;&otilde;es Unidas para a Alimenta&ccedil;&atilde;o e Agricultura (FAO), entre 1987 e 2005 a produ&ccedil;&atilde;o do alimento base do pa&iacute;s, o arroz, diminu&iacute;u 76 por cento. <\/p>\n<p>&quot;A produ&ccedil;&atilde;o agr&iacute;cola aumentou recentemente &agrave; medida que o sector recupera lentamente, mas as colheitas ainda est&atilde;o muito abaixo da m&eacute;dia regional e a inseguran&ccedil;a alimentar &eacute; elevada,&quot; afirma o documento, acrescentando que a Lib&eacute;ria s&oacute; produz aproximadamente 40 por cento do arroz de que precisa para alimentar os seus quase quatro milh&otilde;es de pessoas.&quot;<\/p>\n<p>Igualmente afectados pelo conflito encontram-se os jovens liberianos, milhares dos quais foram obrigados a aderir &agrave;s fac&ccedil;&otilde;es rebeldes quando ainda eram rapazes e raparigas. Os projectos de reabilita&ccedil;&atilde;o dirigidos pelas Na&ccedil;&otilde;es Unidas tentaram reintegrar os antigos combatentes e as v&iacute;timas de guerra, mas esses programas s&atilde;o agora amplamente criticados como fracassos. <\/p>\n<p>&quot;Passei pelo processo de desarmamento, com uma semana de forma&ccedil;&atilde;o,&quot; afirma Toe rindo entre dentes.<\/p>\n<p>&quot;Mas muitas pessoas nunca tiraram partido disso&#8230;. Os homens estavam traumatizados, estavam habituados &agrave;s armas, ao dinheiro, e a agarrar aquilo que queriam primeiro.&quot; <\/p>\n<p>Toe diz que, depois de ver as defici&ecirc;ncias dos programas de reabilita&ccedil;&atilde;o, decidiu lan&ccedil;ar o seu pr&oacute;prio programa, um que estivesse mais adaptado &agrave; Lib&eacute;ria. Pensou que, com um solo f&eacute;rtil e um clima quente e h&uacute;mido, a agricultura era o caminho a seguir. Portanto fundou o PCRJ em 2007. <\/p>\n<p>Entre outras coisas, a organiza&ccedil;&atilde;o possui agora um centro de forma&ccedil;&atilde;o em Bensoville, no Distrito de Montserrado (cerca de uma hora de autom&oacute;vel de Monr&oacute;via). Aqui a terra est&aacute; dividida em oito explora&ccedil;&otilde;es agr&iacute;colas, onde os antigos estagi&aacute;rios e parceiros gerem parcelas de terras integradas nas suas pr&oacute;prias propriedades ou em terrenos comunit&aacute;rios. O F&oacute;rum dos Jovens Agricultores mant&eacute;m os participantes interligados, trabalhando no sentido de sensibilizar e atrair novos membros. <\/p>\n<p>O que &eacute; crucial no sucesso do PCRJ, e aquilo que o separa do trabalho feito pelas Na&ccedil;&otilde;es Unidas no passado com os antigos combatentes, &eacute; o destaque dado &agrave; propriedade. &quot;Trabalhamos com os indiv&iacute;duos para os ajudar a desenvolver os seus pr&oacute;prios projectos na comunidade onde eles os v&atilde;o gerir,&quot; explica Toe. <\/p>\n<p>Segundo Toe, actualmente h&aacute; 100 jovens registados nos programas de seis meses nas instala&ccedil;&otilde;es de Bensoville e quase 500 jovens formados praticam agora a actividade agr&iacute;cola nas comunidades em redor de Montserrado.<\/p>\n<p>Diversos destes jovens podem ser encontrados a trabalhar em terrenos governamentais que n&atilde;o estavam a ser usados no bairro de Fiamah em Monr&oacute;via. Alfred Kapehe afirma que o PCRJ o ajudou a progredir da agricultura de subsist&ecirc;ncia para a agricultura comercial em pequena escala. De igual modo, James Paylay diz que a sua pequena explora&ccedil;&atilde;o agr&iacute;cola produz dinheiro suficiente para o ajudar a alugar uma casa, alimentar a sua fam&iacute;lia e pagar as propinas dos filhos. <\/p>\n<p>&#39;Vem tudo do jardim,&quot; afirma Paylay.<\/p>\n<p>O Ministro Adjunto para o Desenvolvimento da Juventude da Lib&eacute;ria, Sam Hare, reconheceu uma estat&iacute;stica citada pela USAID (a ag&ecirc;ncia governamental dos EUA que presta assist&ecirc;ncia econ&oacute;mica e humanit&aacute;ria) indicando que s&oacute; tr&ecirc;s por cento dos jovens liberianos est&atilde;o interessados na agricultura. Mas, numa entrevista concedida &agrave; IPS, defendeu que a situa&ccedil;&atilde;o estava a mudar. <\/p>\n<p>&quot;A agricultura foi identificada como sendo fundamental na diminui&ccedil;&atilde;o do desafio do desemprego entre a juventude,&quot; referiu.<\/p>\n<p>&quot;Temos trabalhado com o Minist&eacute;rio da Agricultura e outros intervenientes para mostrar &agrave;s pessoas que a agricultura, vista da perspectiva correcta, &eacute; uma ferramenta para obter riqueza.&quot; <\/p>\n<p>Hare afirmou que o desafio &eacute; convencer os jovens que podem catapultar a agricultura para al&eacute;m do n&iacute;vel de subsist&ecirc;ncia e transform&aacute;-la numa empresa comercial. <\/p>\n<p>&quot;Neste momento, as prioridades da nossa forma&ccedil;&atilde;o vocacional precisam de ser redefinidas e restruturadas de forma a poder descobrir-se as necessidades reais da Lib&eacute;ria. E a juventude e a agricultura devem ser o foco,&quot; acrescentou. <\/p>\n<p>&quot;As nossas prioridades em mat&eacute;ria de forma&ccedil;&atilde;o professional precisam de ser redefinidas e reestruturadas agora com vista a satisfazer as verdadeiras necessidades da Lib&eacute;ria. E os jovens e a agricultura devem ser o centro da aten&ccedil;&atilde;o,&quot; acrescentou.<\/p>\n<p>Joseph Boiwu, respons&aacute;vel pelo programa da FAO na Lib&eacute;ria, referiu que outro obst&aacute;culo que atrasa a entrada dos jovens na agricultura &eacute; a natureza altamente laboriosa do trabalho. Para resolver este problema, em 2010 a FAO e os seus parceiros distribu&iacute;ram 24 motocultivadores a pequenos grupos de agricultores nos distritos de Bong, Lofa e Nimba.<\/p>\n<p>&quot;Agora vamos reavaliar o interesse da juventude,&quot; afirmou Boiwu. &quot;Se a iniciativa for considerada um sucesso pode incluir maquinaria pesada como tractores.&quot;<\/p>\n<p>Prince Sampson, director da Ac&ccedil;&atilde;o Progressiva para a Juventude e Desenvolvimento no Distrito de Bong, na regi&atilde;o norte-central da Lib&eacute;ria, descreve um programa que a sua organiza&ccedil;&atilde;o dirige que &eacute; semelhante ao do PCRJ. Tal como Toe, diz que aprendeu com os erros dos programas p&oacute;s-guerra que n&atilde;o investiram nas pessoas a longo prazo. <\/p>\n<p>&quot;Os antigos combatentes receberam forma&ccedil;&atilde;o em carpintaria, alvenaria, e outras t&eacute;cnicas,&quot; disse Sampson. <\/p>\n<p>&quot;E depois disso, n&atilde;o havia nada substancial que pudessem fazer. Deram-lhes forma&ccedil;&atilde;o mas depois eles n&atilde;o tinham nenhuma fonte de rendimento. Portanto, voltaram &agrave; estaca zero.&quot;<\/p>\n<p>Sampson, que trabalha com a juventude afectada pela guerra desde 1992, defende que a agricultura &eacute; diferente porque h&aacute; um elemento de responsabilidade imediata. <\/p>\n<p>&quot;Estas pessoas&#8230;. comem o pr&oacute;prio arroz que plantam. Os legumes s&atilde;o vendidos, os lucros s&atilde;o distribu&iacute;dos entre elas, e ficam com algum dinheiro nos bolsos.&quot;<\/p>\n<p>Sampson descreve a import&acirc;ncia de envolver os antigos combatentes do pa&iacute;s na agricultura como uma quest&atilde;o de seguran&ccedil;a alimentar. <\/p>\n<p>&quot;Faz&ecirc;mo-los compreender a utilidade dos pr&oacute;ximos anos, apesar dos anos que perderem durante a guerra,&quot; disse. <\/p>\n<p>&quot;Fazemos com que eles compreendam que a for&ccedil;a que tinham &#8211; a sua exuber&acirc;ncia juvenil &#8211; ainda pode ser aproveitada.&quot;<\/p>\n<p>* Informa&ccedil;&atilde;o adicional de Al-Varney Rogers em Monr&oacute;via.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>MONR&Oacute;VIA, 17\/07\/2012 &ndash; Com a sua corrente de ouro, bon&eacute; de baseball, e cal&ccedil;&otilde;es de ganga folgados, Junior Toe veste a farda da juventude urbana da Lib&eacute;ria. 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