{"id":10328,"date":"2012-07-19T04:49:47","date_gmt":"2012-07-19T04:49:47","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=10328"},"modified":"2012-07-19T04:49:47","modified_gmt":"2012-07-19T04:49:47","slug":"restituir-a-vida-s-pessoas-nos-bairros-de-lata-do-uganda","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/07\/africa\/restituir-a-vida-s-pessoas-nos-bairros-de-lata-do-uganda\/","title":{"rendered":"&quot;Restituir a Vida&quot; &agrave;s Pessoas nos Bairros de Lata do Uganda"},"content":{"rendered":"<p>KAMPALA, 19\/07\/2012 &ndash; Logo que Sanyu Nagia se senta na casa de Barbara Namirimu, pede para ver o saco de medicamentos da sua paciente. &Eacute; demasiado pesado para Namirimu, que est&aacute; doente e, por isso, &eacute; a m&atilde;e, Efrance Namakula, que vai busc&aacute;-lo e o entrega. <!--more--> O volumoso saco est&aacute; cheio de medicamentos anti-retrovirais que mant&ecirc;m o VIH de Namirimu sob contolo, de medicamentos anti-tuberculose para a curar desta doen&ccedil;a, de morfina para aliviar a dor das les&otilde;es cut&acirc;neas que surgiram com o sarcoma de Kaposi (um tumor canceroso nos tecidos conjuntivos frequentemente associado &agrave; SIDA) e dezenas de outras p&iacute;lulas de diversas cores. <\/p>\n<p>Enquanto Nagia verifica os medicamentos para garantir que Namirimu tem estado a tom&aacute;-los de acordo conforme agendado, a sua paciente d&aacute;-lhe informa&ccedil;&otilde;es actualizadas da situa&ccedil;&atilde;o. Sente-se fraca e o seu apetite &eacute; fraco. O olho direito n&atilde;o abre completamente. Mas est&aacute; bem disposta, ri-se e conta piadas. Diz a Nagia que tinha tido um sonho na noite anterior. <\/p>\n<p>&quot;&Agrave;s vezes,&quot; disse Namirimu a Nagia, &quot;nem acredito que a senhora seja real.&quot;<\/p>\n<p>Nagia &eacute; trabalhadora de sa&uacute;de comunit&aacute;ria junto dos Servi&ccedil;os Cuidados ao Domic&iacute;lio de Kawempe (KHC). Esta organiza&ccedil;&atilde;o est&aacute; sediada no bairro de lata de Kawempe em Kampala, uma zona com uma das maiores sobrecargas de doen&ccedil;as na cidade, e cuida de quase 1.200 pacientes seropositivos nessa &aacute;rea que tamb&eacute;m recebem tratamento contra a tuberculose e o cancro.<\/p>\n<p>Os 24 trabalhadores de sa&uacute;de comunit&aacute;ria que trabalham para a organiza&ccedil;&atilde;o visitam o bairro todos os dias, perguntando &agrave;s pessoas se est&atilde;o doentes e encorajando-as a procurarem orienta&ccedil;&otilde;es sobre o VIH e a fazerem a respectiva despistagem. A cl&iacute;nica tamb&eacute;m oferece medicamentos anti-retrovirais e outros medicamentos. <\/p>\n<p>Tamb&eacute;m visitam pacientes como Namirimu, demasiado fracos para ter acesso ao tratamento nas suas instala&ccedil;&otilde;es. Nagia visita a casa de Namirimu todas as ter&ccedil;as-feiras desde que esta mulher de 26 anos se registou no KHC em Janeiro. Durante as visitas, Nagia recebe informa&ccedil;&otilde;es actualizadas sobre a sa&uacute;de da sua paciente, ajuda nas tarefas dom&eacute;sticas e conversa. <\/p>\n<p>Embora pade&ccedil;a de tuberculose, de VIH e de uma s&eacute;rie de outras infec&ccedil;&otilde;es que atacam o seu sistema imunit&aacute;rio enfraquecido, Namirimu afirmou saber que est&aacute; a melhorar. Atribui esse facto ao KHC, especificamente a Nagia.<\/p>\n<p>&quot;Estava quase a morrer,&quot; disse &agrave; IPS. &quot;Agora voltei &agrave; vida.&quot; <\/p>\n<p>O KHC vai celebrar o seu quinto anivers&aacute;rio no pr&oacute;ximo m&ecirc;s. Em 2007, iniciou o seu trabalho no sentido de ampliar a promessa do pa&iacute;s de conceder acesso universal ao tratamento e realiza&ccedil;&atilde;o de testes do VIH. Uma promessa que o subfinanciado sistema nacional de sa&uacute;de, com um n&uacute;mero insuficiente de pessoal, n&atilde;o tem conseguido cumprir. <\/p>\n<p>O aconselhamento e os testes volunt&aacute;rios de VIH s&atilde;o gratuitos nas instala&ccedil;&otilde;es de sa&uacute;de do Uganda, assim como os medicamentos anti-retrovirais. Mas apenas cerca de 20 por cento dos Ugandeses sabem se s&atilde;o seropositivos ou n&atilde;o, segundo o relat&oacute;rio de progresso mais recente no pa&iacute;s sobre VIH\/SIDA. O estudo indicou que 6.7 por cento dos adultos com idades compreendidas entre os 15 e 49 anos eram seropositivos neste pa&iacute;s da &Aacute;frica Oriental sem acesso ao mar. <\/p>\n<p>Quando os pacientes com VIH s&atilde;o inseridos no sistema governamental, que n&atilde;o disp&otilde;e de quase metade dos trabalhadores de sa&uacute;de de que necessita, notam-se lacunas a n&iacute;vel do aconselhamento e tratamento.<\/p>\n<p>Antes de um vizinho ter alertado o KHC acerca da condi&ccedil;&atilde;o de Namirimu como portadora de VIH, ela tinha obtido cuidados de sa&uacute;de nos servi&ccedil;os governamentais. Os trabalhadores de sa&uacute;de nestes servi&ccedil;os governamentais n&atilde;o a viam h&aacute; quase um ano e n&atilde;o n&atilde;o tinham diagnosticado a sua co-infec&ccedil;&atilde;o de tuberculose.<\/p>\n<p>Oliver Namirimu (n&atilde;o pertence &agrave; mesma fam&iacute;lia) &eacute; directora do departamento comunit&aacute;rio do KHC. Ela disse &agrave; IPS que as pessoas que vivem na &aacute;rea abrangida pelo KHC t&ecirc;m acesso a tr&ecirc;s instala&ccedil;&otilde;es governamentais de sa&uacute;de, incluindo o hospital de refer&ecirc;ncia nacional.<\/p>\n<p>&quot;Se n&atilde;o conseguem mexer-se, se j&aacute; est&atilde;o demasiado doentes&#8230;. n&atilde;o conseguem ir para o centro de sa&uacute;de governamental,&quot; observou. &quot;As organiza&ccedil;&otilde;es como Kawempe entram em cena para apoiar os servi&ccedil;os do governo.&quot;<\/p>\n<p>No caso de Barbara Namirimu, ela nunca recebeu visitas de acompanhamento por parte do centro de sa&uacute;de governamental e piorou gradualmente. Quando o KHC a encontrou, j&aacute; estava demasiado fraca para se deslocar para qualquer lado.<\/p>\n<p>Embora n&atilde;o haja uma base de dados nacional referente aos programas de trabalhadores de sa&uacute;de comunit&aacute;ria, grupos como o KHC est&atilde;o presentes no cen&aacute;rio de sa&uacute;de. Mas, mesmo assim, n&atilde;o s&atilde;o suficientes para cobrir as lacunas no sistema de sa&uacute;de do Uganda. <\/p>\n<p>O governo formou e apoiou mais de 80.000 membros de grupos de sa&uacute;de de aldeia desde 2002, mas prev&ecirc;-se que eles lidem com uma s&eacute;rie de problemas superficialmente. O programa do KHC centra-se especificamente no VIH, tuberculose e cancro, com pessoal m&eacute;dico habilitado para prestar assist&ecirc;ncia m&eacute;dica r&aacute;pida.<\/p>\n<p>No entanto, o trabalho que efectuam n&atilde;o pode ser realizado a baixos pre&ccedil;os, o que dificulta a cria&ccedil;&atilde;o de organiza&ccedil;&otilde;es similares. O KHC consegue funcionar devido ao financiamento dos doadores e &agrave; contribui&ccedil;&atilde;o de medicamentos por parte do governo. Oliver Namirimu explicou que ainda est&atilde;o &agrave; procura de financiamento adicional para suplementar os subs&iacute;dios que entregam aos trabalhadores comunit&aacute;rios &#8211; cerca de 33 dol&aacute;res por m&ecirc;s, que exclui o custo de combust&iacute;vel.<\/p>\n<p>O servi&ccedil;o que oferecem &eacute; crucial em &aacute;reas como Kawempe e outras zonas urbanas sobrepovoadas. Pode ser igualmente importante nas zonas rurais que t&ecirc;m um acesso muito mais limitado aos servi&ccedil;os de sa&uacute;de. Os programas dos trabalhadores de sa&uacute;de comunit&aacute;ria t&ecirc;m capacidade para levar a cabo o trabalho mais dif&iacute;cil de acompanhamento dos pacientes mais distantes ou espor&aacute;dicos. <\/p>\n<p>A &aacute;rea de Kawempe, repleta de barracas baratas e tempor&aacute;rias, &eacute; exemplo de uma das zonas provis&oacute;rias de Kampala, cheias de residentes que tentam mudar para zonas mais seguras quando t&ecirc;m mais dinheiro ou quando se sentem melhor.<\/p>\n<p>Durante uma recente visita &agrave; comunidade, a barraca da primeira paciente de Nagia nesse dia estava encerrada e vedada com t&aacute;buas. O homem que ali tinha vivido era seropositivo e s&oacute; tinha feito o seu tratamento contra uma co-infec&ccedil;&atilde;o de tuberculose de forma parcial. Agora Nagia ter&aacute; de tentar encontr&aacute;-lo e convenc&ecirc;-lo a concluir os medicamentos receitados ou arriscar-se a desenvolver uma estirpe da doen&ccedil;a resistente ao medicamentos. <\/p>\n<p>O grupo falou com alguns vizinhos, a quem pediu que lhes telefonassem caso o paciente voltasse a aparecer. Mas o grupo ainda tem de visitar mais oito pacientes e n&atilde;o quer perder muito tempo &agrave; espera que ele regresse.<\/p>\n<p>&quot;Ele sabe que (n&atilde;o vamos desistir) dele,&quot; disse Aidah Nanozi, uma m&eacute;dica que acompanha Nagia.<\/p>\n<p>&Eacute; um trabalho dif&iacute;cil. O ritmo da agenda dos trabalhadores de sa&uacute;de comunit&aacute;ria pode levar ao esgotamento, afirmou Oliver Namirimu do KHC.<\/p>\n<p>&quot;V&ecirc;em um paciente a morrer e depois outro, enquanto que outro paciente n&atilde;o quer tomar os medicamento e outro n&atilde;o os quer ver. Portanto, &agrave;s vezes desistem.&quot;<\/p>\n<p>Mas isso n&atilde;o acontece muitas vezes, acrescentou. Os conselheiros do KHC existem para dar apoio aos trabalhadores de sa&uacute;de comunit&aacute;ria e falar das dificuldades do seu trabalho. <\/p>\n<p>Ben Kaboro disse &agrave; IPS que, duas semanas ap&oacute;s come&ccedil;ar a fazer este trabalho, &eacute; que compreendeu o desgaste que ele pode provocar. <\/p>\n<p>Antigo paciente do KHC, explicou que a combina&ccedil;&atilde;o de VIH e tuberculose o tinha deixado &quot;na cama&quot; e &quot;causado muita perturba&ccedil;&atilde;o.&quot; A sua experi&ecirc;ncia como volunt&aacute;rio do KHC, a organiza&ccedil;&atilde;o que tratou dele at&eacute; melhorar, fez com que quisesse ajudar outros da mesma forma.<\/p>\n<p>Agora acompanha Nagia antes de come&ccedil;ar a trabalhar sozinho.<\/p>\n<p>&quot;N&atilde;o quero ver os outros a passar por aquilo que passei,&quot; afirmou.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>KAMPALA, 19\/07\/2012 &ndash; Logo que Sanyu Nagia se senta na casa de Barbara Namirimu, pede para ver o saco de medicamentos da sua paciente. &Eacute; demasiado pesado para Namirimu, que est&aacute; doente e, por isso, &eacute; a m&atilde;e, Efrance Namakula, que vai busc&aacute;-lo e o entrega. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/07\/africa\/restituir-a-vida-s-pessoas-nos-bairros-de-lata-do-uganda\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":999,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[3],"tags":[],"class_list":["post-10328","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-africa"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10328","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/999"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10328"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10328\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10328"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10328"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10328"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}