{"id":10330,"date":"2012-07-19T04:56:02","date_gmt":"2012-07-19T04:56:02","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=10330"},"modified":"2012-07-19T04:56:02","modified_gmt":"2012-07-19T04:56:02","slug":"construir-uma-empresa-em-moambique-um-amendoim-de-cada-vez","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/07\/africa\/construir-uma-empresa-em-moambique-um-amendoim-de-cada-vez\/","title":{"rendered":"Construir uma Empresa em Mo&ccedil;ambique &#8211; Um Amendoim de Cada Vez"},"content":{"rendered":"<p>MAPUTO, 19\/07\/2012 &ndash; Quando entrar num avi&atilde;o da transportadora nacional mo&ccedil;ambicana, Linhas A&eacute;reas de Mo&ccedil;ambique, provavelmente receber&aacute; um pequeno pacote cor-de-laranja com amendoins para ir comendo &agrave; medida que o avi&atilde;o o leva da capital do pa&iacute;s, Maputo, para outros locais distantes como a Europa. Os amendoins t&ecirc;m sabor a a&ccedil;&uacute;car, sal ou pimenta. A escolha &eacute; sua. <!--more--> O petisco &eacute; chamado Ndoiim, uma vers&atilde;o abreviada da palavra portuguesa amendoim. E &eacute; uma ideia de Lucia Bebane, uma empres&aacute;ria que est&aacute; a conquistar um lugar para a sua pequena empresa neste pa&iacute;s da &Aacute;frica Austal, apesar das dif&iacute;ceis condi&ccedil;&otilde;es al&iacute; existentes para os empres&aacute;rios.<\/p>\n<p>A hist&oacute;ria de Bebane &eacute; &uacute;nica em Mo&ccedil;ambique, onde as pequenas e m&eacute;dias empresas (PMEs) contribuem quase 70 por cento do PIB. Mas, apesar disto, as PMEs n&atilde;o produzem muito nem t&ecirc;m lucros significativos. <\/p>\n<p>O Instituto Nacional de Estat&iacute;stica calcula que, em 2010, o PIB per capita no pa&iacute;s era apenas 423 dol&aacute;res. Em compara&ccedil;&atilde;o, em 2010, o PIB per capita na &Aacute;frica do Sul era quase 25 vezes mais, ou 10.700 dol&aacute;res.<\/p>\n<p>&Eacute; um clima econ&oacute;mico que leva a que muitas companhias n&atilde;o sejam bem sucedidas. <\/p>\n<p>&quot;Iniciar algo &eacute; dif&iacute;cil. H&aacute; alguns empres&aacute;rios neste pa&iacute;s mas os Mo&ccedil;ambicanos t&ecirc;m a tend&ecirc;ncia de imitar o que os outros fazem,&quot; afirmou Bebane. <\/p>\n<p>Por exemplo, os vendedores que andam pelas ruas de Maputo vendem todos os mesmos amendoins nos mesmos pacotes. <\/p>\n<p>H&aacute; tr&ecirc;s anos, ao ver os vendedores, esta antiga secret&aacute;ria de 54 anos teve a ideia de transformar o amendoim produzido localmente num produto que pudesse competir com o melhor que existia no mercado. <\/p>\n<p>&quot;Era quase imposs&iacute;vel&#8230;.porque ningu&eacute;m aqui tinha feito isso anteriormente,&quot; explicou, enquanto uma torradeira de amendoins fazia um barulho estridente na pequena f&aacute;brica fora do seu escrit&oacute;rio. <\/p>\n<p>Bebane &eacute; a primeira mo&ccedil;ambicana a torrar e a empacotar os amendoins em escala industrial no pa&iacute;s. Enquanto que os vendedores de amendoins os torram manualmente e os empacotam &agrave; m&atilde;o, ela foi a primeira pessoa a importar m&aacute;quinas de torrar e empacotar, conduzindo &agrave; mecaniza&ccedil;&atilde;o de todo o processo.<\/p>\n<p>Mo&ccedil;ambique &eacute; um dos pa&iacute;ses mais pobres do mundo: mais de 54 por cento da popula&ccedil;&atilde;o vive abaixo do limiar da pobreza, de acordo com o relat&oacute;rio sobre os Objectivos de Desenvolvimento do Mil&eacute;nio apresentado &agrave;s Na&ccedil;&otilde;es Unidas em 2010. <\/p>\n<p>Tamb&eacute;m n&atilde;o tem as ind&uacute;strias e infra-estruturas consideradas como dados adquiridos noutros locais. N&atilde;o h&aacute; estradas a ligar as f&aacute;bricas aos mercados, o abastecimento de electricidade &eacute; frequentemente inst&aacute;vel, e n&atilde;o h&aacute; fabricantes de maquinaria, o que obrigou Bebane a importar as m&aacute;quinas de que precisava para o seu neg&oacute;cio.<\/p>\n<p>Mas, alguns anos depois da sua companhia ter come&ccedil;ado &quot;de uma forma t&iacute;mida&quot;, a produ&ccedil;&atilde;o est&aacute; praticamente mecanizada. Os amendoins naturais s&atilde;o transportados em cami&otilde;es da cidade de Nampula, no norte do pa&iacute;s, a mais de 1.400 quil&oacute;metros de Maputo.<\/p>\n<p>Quando os amendoins chegam, os tr&ecirc;s empregados a tempo inteiro de Bebane separam os melhores amendoins dos restantes. Uma das m&aacute;quinas torra-os e adiciona-lhes sabores enquanto que outra empacota os amendoins nos sacos de pl&aacute;stico cor-de-laranja vivo que se tornaram parte da sua marca, agora bem vis&iacute;vel.<\/p>\n<p>Mas, apesar de vender os seus amendoins &agrave; linha a&eacute;rea nacional, Bebane afirma que mal consegue pagar as contas e continua &agrave; espera de obter lucro. <\/p>\n<p>O economista Jo&atilde;o Mosca, da Universidade Pedag&oacute;gica, disse que esta &eacute; uma situa&ccedil;&atilde;o t&iacute;pica nas pequenas empresas dno pa&iacute;s.<\/p>\n<p>&quot;A economia de Mo&ccedil;ambique est&aacute; em crescimento, o que significa que existem mais e melhores oportunidades. No entanto, n&atilde;o h&aacute; uma tradi&ccedil;&atilde;o empresarial nas companhias formais modernas.&quot; <\/p>\n<p>A economia mo&ccedil;ambicana cresceu uns elevad&iacute;ssimos 7.3 por cento em 2011 mas as companhias n&atilde;o acompanharam este crescimento. <\/p>\n<p>&quot;Em geral, as companhias n&atilde;o est&atilde;o modernizadas nem est&atilde;o habituadas a trabalhar em ambientes competitivos. &Eacute; por isso que elas pr&oacute;prias n&atilde;o s&atilde;o competitivas,&quot; asseverou Mosca &agrave; IPS. <\/p>\n<p>Na moderna hist&oacute;ria de Mo&ccedil;ambique, as pequenas empresas t&ecirc;m passado por tempos dif&iacute;ceis. Durante o per&iacute;odo do colonialismo portugu&ecirc;s, os comerciantes n&atilde;o conseguiram desenvolver-se. O pa&iacute;s adoptou o socialismo depois da independ&ecirc;ncia em 1975 e suprimiu vigorosamente a livre iniciativa, explicou Mosca. <\/p>\n<p>O esp&iacute;rito empresarial s&oacute; surgiu nos finais dos anos 80 e de forma limitada, numa altura em que os pol&iacute;ticos agarraram a oportunidade de monopolizar a economia, acrescentou.<\/p>\n<p>&quot;Este surgimento foi politizado de modo que os pol&iacute;ticos tinham acesso privilegiado &agrave;s companhias privatizadas, muitas das quais foram vendidas a pre&ccedil;os simb&oacute;licos. Estes homens de neg&oacute;cios formaram grupos de interesses econ&oacute;micos beneficiando de uma protec&ccedil;&atilde;o generalisada contra as pol&iacute;ticas p&uacute;blicas, acesso ao cr&eacute;dito e aplica&ccedil;&atilde;o da lei de forma selectiva,&quot; afirmou. <\/p>\n<p>Para conseguir chegar onde chegou, Bebane teve de evitar os erros de um sistema corrupto e nepotista e obter o seu pr&oacute;prio capital. <\/p>\n<p>O relat&oacute;rio &quot;Avalia&ccedil;&atilde;o da Corrup&ccedil;&atilde;o: Mo&ccedil;ambique&quot; encomendado em 2005 pela USAID, a ag&ecirc;ncia governamental dos EUA que presta assist&ecirc;ncia econ&oacute;mica e humanit&aacute;ria, apontou &quot;favoritismo e nepotismo nas nomea&ccedil;&otilde;es e aquisi&ccedil;&otilde;es p&uacute;blicas, conflitos de interesse, abuso de informa&ccedil;&atilde;o privilegiada para benef&iacute;cio de amigos, familiares e aliados pol&iacute;ticos, assim como decis&otilde;es eleitorais e de partidos pol&iacute;ticos que reduzem as escolhas democr&aacute;ticas e a participa&ccedil;&atilde;o por parte dos cidad&atilde;os.&quot; <\/p>\n<p>Portanto, os empres&aacute;rios como Bebane, sem contactos de alto n&iacute;vel, deparam-se com dificuldades quando &eacute; necess&aacute;rio obter dinheiro para dar vida &agrave;s suas companhias. <\/p>\n<p>&quot;Um outro problema n&atilde;o &eacute; a falta de ideias mas o risco de entrar no mercado. Se a fam&iacute;lia n&atilde;o puder garantir os empr&eacute;stimos, &eacute; necess&aacute;rio pedir dinheiro emprestado ao banco,&quot; afirmou Bebane. &quot;Tive de oferecer a minha casa como garantia.&quot; <\/p>\n<p>&Eacute; preciso fazer mais antes de as pequenas empresas no pa&iacute;s come&ccedil;arem a ganhar dinheiro e a ajudar as pessoas a ultrapassar o limiar da pobreza, afirmou Mosca. <\/p>\n<p>Mas &eacute; uma tarefa &aacute;rdua. <\/p>\n<p>&quot;Temos de melhorar o ambiente empresarial &#8211; especialmente o acesso ao cr&eacute;dito e o custo de pedir dinheiro emprestado &#8211; reduzir a corrup&ccedil;&atilde;o e desordem institucional, e criar um mercado mais aberto e competitivo. Precisamos de formar recursos humanos, prestando uma aten&ccedil;&atilde;o especial &agrave; qualidade,&quot; sublinhou. <\/p>\n<p>A associa&ccedil;&atilde;o com empresa fora de Mo&ccedil;ambique pode ser saud&aacute;vel para o sector empresarial, afirmou Mosca. <\/p>\n<p>&quot;As parcerias com companhias estrangeiras podem constituir uma forma de acelerar o nascimento do capitalismo competitivo e empresarial,&quot; disse &agrave; IPS. <\/p>\n<p>Bebane n&atilde;o est&aacute; somente &agrave; espera que o seu neg&oacute;cio melhore. Procura fora das fronteiras de Mo&ccedil;ambique seguran&ccedil;a e um parceiro de neg&oacute;cios que a ajude a empurr&aacute;-la rumo ao sucesso.<\/p>\n<p>&quot;Corro de um lado para o outro, desde a China ao Brasil, &agrave; procura de um parceiro permanente.&quot;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>MAPUTO, 19\/07\/2012 &ndash; Quando entrar num avi&atilde;o da transportadora nacional mo&ccedil;ambicana, Linhas A&eacute;reas de Mo&ccedil;ambique, provavelmente receber&aacute; um pequeno pacote cor-de-laranja com amendoins para ir comendo &agrave; medida que o avi&atilde;o o leva da capital do pa&iacute;s, Maputo, para outros locais distantes como a Europa. Os amendoins t&ecirc;m sabor a a&ccedil;&uacute;car, sal ou pimenta. 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