{"id":10339,"date":"2012-07-19T08:40:05","date_gmt":"2012-07-19T08:40:05","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=10339"},"modified":"2012-07-19T08:40:05","modified_gmt":"2012-07-19T08:40:05","slug":"para-ajudar-o-afeganisto-menos-ajuda","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/07\/economia\/para-ajudar-o-afeganisto-menos-ajuda\/","title":{"rendered":"Para ajudar o Afeganist&atilde;o, menos ajuda"},"content":{"rendered":"<p>Cabul, Afeganist&atilde;o, 19\/07\/2012 &ndash; Quando se pensa na assist&ecirc;ncia ao Afeganist&atilde;o, o habitual &eacute; se concentrar na quantidade de dinheiro que a comunidade internacional oferece.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_10339\" style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/Afeganistao.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-10339\" class=\"size-medium wp-image-10339\" title=\"A vida di&aacute;ria em Cabul tamb&eacute;m depende da ajuda internacional. - Giuliano Battiston\/IPS\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/Afeganistao.jpg\" alt=\"A vida di&aacute;ria em Cabul tamb&eacute;m depende da ajuda internacional. - Giuliano Battiston\/IPS\" width=\"200\" height=\"150\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-10339\" class=\"wp-caption-text\">A vida di&aacute;ria em Cabul tamb&eacute;m depende da ajuda internacional. - Giuliano Battiston\/IPS<\/p><\/div>  Sup&otilde;e-se que quanto maior for a soma e mais duradouro o compromisso menos riscos haver&aacute; de desestabiliza&ccedil;&atilde;o neste pa&iacute;s. Por esta raz&atilde;o que foram t&atilde;o celebrados os US$ 16 bilh&otilde;es prometidos para os pr&oacute;ximos quatro anos por parte dos doadores reunidos em T&oacute;quio no come&ccedil;o deste m&ecirc;s.<\/p>\n<p>No entanto, essa ajuda pode n&atilde;o ser t&atilde;o virtuosa como aparenta. A mensagem dada na capital japonesa, de forte apoio ao desenvolvimento econ&ocirc;mico do Afeganist&atilde;o, buscou tranquilizar todas as partes, preocupadas por a arrecada&ccedil;&atilde;o do Estado afeg&atilde;o n&atilde;o bastar para cobrir as necessidades. A brecha de financiamento, &quot;segundo o Banco Mundial, provavelmente ser&aacute; de 25% do PIB para o per&iacute;odo 2021-2022, podendo ser mais alta em anos posteriores&quot;, escreveu Thomas Ruttig, codiretor da independente Rede de An&aacute;lises sobre o Afeganist&atilde;o (AAN), com sede em Cabul.<\/p>\n<p>Na confer&ecirc;ncia de doadores realizada em dezembro do ano passado, na cidade alem&atilde; de Bonn, o diretor do escrit&oacute;rio para Oriente M&eacute;dio e &Aacute;sia Central do Fundo Monet&aacute;rio Internacional, Masood Ahmad, estimou que &quot;a retirada de tropas estrangeiras do Afeganist&atilde;o (a partir de 2014) reduzir&aacute; o crescimento anual do PIB entre 2% e 3%, ou mais&quot;. Al&eacute;m disso, &quot;a sustentabilidade fiscal &eacute; um objetivo distante&quot;, alertou.<\/p>\n<p>Essas avalia&ccedil;&otilde;es alimentam a ideia de que quanto mais compromissos financeiros houver por parte da comunidade internacional, melhor o Afeganist&atilde;o ir&aacute;. Mas o analista Antonio Giustozzi, especialista em Afeganist&atilde;o, disse &agrave; IPS que, pelo contr&aacute;rio, uma leve redu&ccedil;&atilde;o da ajuda estrangeira poderia ser positiva, &quot;porque colocaria o n&iacute;vel de gasto mais em linha com o que efetivamente pode ser absorvido pela sociedade afeg&atilde;&quot;.<\/p>\n<p>Inclusive o Banco Mundial, em um informe divulgado em maio, reconheceu que um n&iacute;vel de ajuda mais &quot;normal&quot; apresentaria alguns riscos, mas tamb&eacute;m &quot;oportunidades para que o Afeganist&atilde;o fa&ccedil;a uma transi&ccedil;&atilde;o para uma economia mais est&aacute;vel, autossuficiente e sustent&aacute;vel&quot;.<\/p>\n<p>Giustozzi assegurou que a sociedade e o Estado afeg&atilde;os se ataram a &quot;uma forma de patroc&iacute;nio que gera depend&ecirc;ncia e n&atilde;o estimula o desenvolvimento&quot;. A terapia agora deve ser a desintoxica&ccedil;&atilde;o gradual, afirmou, e o n&iacute;vel de ajuda deve &quot;baixar, ainda que levemente&quot;. Por seu lado, o Banco Mundial disse que &quot;os doadores precisam reduzir gradualmente os futuros fluxos de ajuda para evitar grandes transtornos&quot;.<\/p>\n<p>O governo afeg&atilde;o deve buscar formas de &quot;gastar menos, e melhor&quot;, destacou Giustozzi. O presidente Hamid Karzai deveria, tamb&eacute;m, realizar reformas de governo e acabar com a corrup&ccedil;&atilde;o, como recomendou a confer&ecirc;ncia de T&oacute;quio. No entanto, n&atilde;o ser&aacute; f&aacute;cil. &quot;A corrup&ccedil;&atilde;o n&atilde;o &eacute; apenas um pouco de areia na m&aacute;quina, mas &eacute; sist&ecirc;mica. A pol&iacute;tica est&aacute; constru&iacute;da em grande parte sobre um sistema de corrup&ccedil;&atilde;o e clientelismo&quot;, afirmou.<\/p>\n<p>Um telegrama diplom&aacute;tico da embaixada dos Estados Unidos em Cabul, que vazou em 2009, alertava que os chamados para levar &agrave; justi&ccedil;a altas figuras do governo afeg&atilde;o por corrup&ccedil;&atilde;o &quot;implicavam um s&eacute;rio dilema&quot;. Sendo seguidos, &quot;afetaria alguns dos familiares e aliados mais pr&oacute;ximos de Karzai, e obrigaria a processar algumas pessoas das quais geralmente dependemos para a assist&ecirc;ncia e o apoio&quot;, dizia o telegrama.<\/p>\n<p>De todo modo, os doadores reunidos em T&oacute;quio renovaram sua exorta&ccedil;&atilde;o ao governo afeg&atilde;o para que procure ter maior transpar&ecirc;ncia. Alguns afeg&atilde;os dizem que a pr&oacute;pria comunidade internacional est&aacute; em falta por subordinar a meta de longo prazo da constru&ccedil;&atilde;o do Estado ao interesse de curto prazo da sobreviv&ecirc;ncia pol&iacute;tica do governo de Kazai.<\/p>\n<p>Embora estejam nominalmente destinadas &agrave; consolida&ccedil;&atilde;o das institui&ccedil;&otilde;es, as ferramentas da assist&ecirc;ncia internacional s&atilde;o guiadas por considera&ccedil;&otilde;es de curto prazo e conveni&ecirc;ncia pol&iacute;tica, e &quot;demonstraram ser muito destrutivas&quot;, afirmou a codiretora e cofundadora da AAN, Martine van Bijlert. Assim escreve ela na introdu&ccedil;&atilde;o da an&aacute;lise Instant&acirc;neos de uma Interven&ccedil;&atilde;o. As Li&ccedil;&otilde;es n&atilde;o Aprendidas de uma D&eacute;cada de Assist&ecirc;ncia ao Afeganist&atilde;o, 2001-2011.<\/p>\n<p>O plano &quot;Para a autossufici&ecirc;ncia&quot;, promovido pela comunidade internacional e apoiado pelo governo afeg&atilde;o, se baseia na mesma contradi&ccedil;&atilde;o: o chamado para que o Estado do Afeganist&atilde;o recupere sua soberania e autonomia &eacute; feito justamente por aqueles que s&atilde;o o obst&aacute;culo. A presen&ccedil;a de ex&eacute;rcitos estrangeiros &quot;&eacute; um dos principais elementos que impedem que o Estado, o sistema pol&iacute;tico e a elite governante ganhem plena legitimidade&quot;, opinou Giustozzi &agrave; IPS. &quot;Qualquer governo que depende do apoio externo para permanecer no poder carece de legitimidade&quot;, ressaltou. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cabul, Afeganist&atilde;o, 19\/07\/2012 &ndash; Quando se pensa na assist&ecirc;ncia ao Afeganist&atilde;o, o habitual &eacute; se concentrar na quantidade de dinheiro que a comunidade internacional oferece. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/07\/economia\/para-ajudar-o-afeganisto-menos-ajuda\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1243,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[12,5,11],"tags":[17],"class_list":["post-10339","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-desenvolvimento","category-economia","category-politica","tag-asia-e-pacifico"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10339","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1243"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10339"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10339\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10339"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10339"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10339"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}