{"id":10346,"date":"2012-07-20T09:29:03","date_gmt":"2012-07-20T09:29:03","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=10346"},"modified":"2012-07-20T09:29:03","modified_gmt":"2012-07-20T09:29:03","slug":"mulheres-chile-quando-matar-j-no-basta","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/07\/america-latina\/mulheres-chile-quando-matar-j-no-basta\/","title":{"rendered":"MULHERES-CHILE: Quando matar j&aacute; n&atilde;o basta"},"content":{"rendered":"<p>Santiago, Chile, 20\/07\/2012 &ndash; O aumento da viol&ecirc;ncia contra a mulher, a agressividade dos feminicidas e a idade cada vez menor de v&iacute;timas e culpados interpelam as autoridades chilenas pela falta de pol&iacute;ticas de preven&ccedil;&atilde;o e pela hipocrisia de uma sociedade que &quot;busca permanentemente mostrar sua cara mais bonita&quot;. <!--more--> Um estudo da organiza&ccedil;&atilde;o n&atilde;o governamental Activa mostra que os casos de viol&ecirc;ncia intrafamiliar aumentaram 10% no primeiro semestre deste ano no Chile, bem como seu grau de agressividade. Entre janeiro e junho de 2012 houve 17 assassinatos de mulheres, tamb&eacute;m chamados feminic&iacute;dios, por parte de seus companheiros, quatro a mais do que os registrados em igual per&iacute;odo do ano passado.<\/p>\n<p>A diretora da Activa, Gloria Requena, explicou &agrave; IPS que, entre as causas identificadas, existem algumas de ordem estrutural e psicol&oacute;gica, e outras que t&ecirc;m a ver com falhas no &acirc;mbito legislativo. &quot;Quanto &agrave;s causas estruturais, isto tem a ver com a subvaloriza&ccedil;&atilde;o que se faz das mulheres. Lamentavelmente, as campanhas criadas para enfrentar a viol&ecirc;ncia geram mais viol&ecirc;ncia e n&atilde;o atacam as causas da mesma&quot;, observou.<\/p>\n<p>Requena acrescentou que o di&aacute;logo no Chile se perdeu desde o pol&iacute;tico at&eacute; as rela&ccedil;&otilde;es familiares. &quot;O que observamos &eacute; que os casais n&atilde;o t&ecirc;m ferramentas para o di&aacute;logo e o Estado n&atilde;o as est&aacute; entregando. Os subconflitos hoje em dia s&atilde;o solucionados de maneira cada vez mais violenta ou diretamente por meio de fatos de sangue&quot;, destacou a ex-chefe da Divis&atilde;o de Seguran&ccedil;a Cidad&atilde; do governo da presidente Michelle Bachelet (2006-2010).<\/p>\n<p>A pesquisa da Activa tamb&eacute;m mostra um aumento da crueldade em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; v&iacute;tima nos casos de feminic&iacute;dio, nos quais a morte &eacute; acompanhada por m&uacute;ltiplas formas de maus-tratos e sofistica&ccedil;&otilde;es nas agress&otilde;es, especialmente quando se verifica o uso de armas brancas nesses crimes. &quot;Houve recrudescimento n&atilde;o s&oacute; da viol&ecirc;ncia intrafamiliar como tamb&eacute;m de outras figuras delitivas, como les&otilde;es, homic&iacute;dio, que d&atilde;o conta da resolu&ccedil;&atilde;o de conflitos por via da for&ccedil;a e n&atilde;o pelo di&aacute;logo&quot;, pontuou Requena.<\/p>\n<p>A pesquisa registra que as principais causas da viol&ecirc;ncia seriam ci&uacute;mes e desejo de vingan&ccedil;a, produto da rejei&ccedil;&atilde;o pela mulher das pretens&otilde;es amorosas de seu agressor. Entre os meios empregados para executar o feminic&iacute;dio nota-se um aumento no uso de armas brancas e de fogo, que chega a 73%, seguido por asfixia, com 14%, e objetos contundentes, com 10%.<\/p>\n<p>Sobre as armas brancas e de fogo, o estudo constatou que o agressor acrescentava sua viol&ecirc;ncia e os corpos das v&iacute;timas apresentavam m&uacute;ltiplos ferimentos, o que significa maior n&iacute;vel de viol&ecirc;ncia que n&atilde;o se satisfaz ap&oacute;s provocar a morte. A maioria das v&iacute;timas tem entre 20 e 39 anos de idade, per&iacute;odo de consolida&ccedil;&atilde;o do casal e, em especial, da conviv&ecirc;ncia. Os agressores t&ecirc;m entre 20 e 59 anos, embora preocupe o crescimento na faixa et&aacute;ria entre 20 e 39 anos em 2012.<\/p>\n<p>O Chile conta, desde outubro de 2005, com uma lei de viol&ecirc;ncia intrafamiliar que, entre outras coisas, estabelece a cria&ccedil;&atilde;o dos tribunais de fam&iacute;lia. Esta lei foi complementada cinco anos depois com a Lei de Feminic&iacute;dio, que define este crime como a morte violenta de uma mulher pelo abuso do poder de g&ecirc;nero e que ocorre dentro de uma rela&ccedil;&atilde;o de casal, atual ou passada. No entanto, este conceito &eacute; criticado pelas organiza&ccedil;&otilde;es feministas, segundo as quais ele exclui outras formas de viol&ecirc;ncia contra a mulher, que se estabelecem em diversos contextos.<\/p>\n<p>&quot;No Chile se legisla sobre o tema da viol&ecirc;ncia de maneira fragmentada, s&oacute; a intrafamiliar, deixando fora a agress&atilde;o durante o noivado, por exemplo&quot;, apontou Carolina Carrera, presidente da n&atilde;o governamental Corpora&ccedil;&atilde;o Humanas. &quot;Aqui n&atilde;o h&aacute; uma lei que incorpore toda a viol&ecirc;ncia de g&ecirc;nero que estamos vivendo: desde a sexual policial at&eacute; a intrafamiliar&quot;, disse &agrave; IPS.<\/p>\n<p>&quot;Nosso pa&iacute;s mostra permanentemente uma cara bonita e deixa estes temas debaixo do tapete. Somos um pa&iacute;s hip&oacute;crita como sempre fomos, e isso &eacute; o mais grave&quot;, ressaltou Carrera. Para ela, o movimento feminista conseguiu dar visibilidade ao tema da viol&ecirc;ncia contra a mulher. O problema &eacute; que, segundo o estudo, &quot;parece que estamos retrocedendo&quot;, acrescentou. &quot;A pergunta &eacute; o que est&atilde;o fazendo este governo e as pol&iacute;ticas p&uacute;blicas para evitar tudo isso&quot;, questionou Carrera.<\/p>\n<p>&quot;N&atilde;o h&aacute; pol&iacute;tica de preven&ccedil;&atilde;o contra a viol&ecirc;ncia que seja permanente e sistem&aacute;tica no tempo. Tampouco h&aacute; um programa educacional desde a primeira inf&acirc;ncia que esteja permanentemente focado nisto&quot;, enfatizou. Requena concorda com Carrera. &quot;Deve-se reformar a defini&ccedil;&atilde;o de sujeitos protegidos, a incapacidade das medidas cautelares para proteger as v&iacute;timas. A legisla&ccedil;&atilde;o atual n&atilde;o define o que entendemos por maltrato nem quantas vezes uma mulher deve apanhar e se ver vulnerada em seus direitos para que a lei a proteja&quot;, indicou.<\/p>\n<p>A diretora da Activa insistiu que a figura legal do feminic&iacute;dio no Chile obriga que se estabele&ccedil;a um v&iacute;nculo afetivo entre a v&iacute;tima e o agressor, &quot;ent&atilde;o, nas rela&ccedil;&otilde;es de noivado n&atilde;o se configura este crime porque n&atilde;o h&aacute; conviv&ecirc;ncia, tampouco o s&atilde;o nas rela&ccedil;&otilde;es profissionais e na situa&ccedil;&atilde;o das prostitutas&quot;, destacou Requena. O Chile &eacute; um dos poucos pa&iacute;ses da Am&eacute;rica Latina que n&atilde;o adotou o Protocolo Facultativo da Conven&ccedil;&atilde;o sobre Elimina&ccedil;&atilde;o de Todas as formas de Discrimina&ccedil;&atilde;o Contra a Mulher. Tampouco conta com uma lei que aborde a viol&ecirc;ncia contra as mulheres em sua integridade.<\/p>\n<p>Segundo o Informe de 2011 da Articula&ccedil;&atilde;o Regional Feminista pelos Direitos Humanos e a Justi&ccedil;a de G&ecirc;nero, &quot;o Servi&ccedil;o Nacional da Mulher (Sernam) se foca na incorpora&ccedil;&atilde;o da perspectiva de g&ecirc;nero na aten&ccedil;&atilde;o da viol&ecirc;ncia familiar, por meio de conv&ecirc;nios bilaterais, e n&atilde;o prop&otilde;e ao Poder Executivo uma pol&iacute;tica sobre preven&ccedil;&atilde;o da viol&ecirc;ncia de g&ecirc;nero&quot;. Contudo, as ativistas defendem a destina&ccedil;&atilde;o de mais recursos e que o Sernam passe a ser um Minist&eacute;rio. &quot;O Estado deve dar uma resposta adequada para combater este flagelo, porque somos uma sociedade com v&aacute;rios indicativos de que estamos come&ccedil;ando a ficar doentes&quot;, alertou Requena. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Santiago, Chile, 20\/07\/2012 &ndash; O aumento da viol&ecirc;ncia contra a mulher, a agressividade dos feminicidas e a idade cada vez menor de v&iacute;timas e culpados interpelam as autoridades chilenas pela falta de pol&iacute;ticas de preven&ccedil;&atilde;o e pela hipocrisia de uma sociedade que &quot;busca permanentemente mostrar sua cara mais bonita&quot;. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/07\/america-latina\/mulheres-chile-quando-matar-j-no-basta\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":421,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2,12,6,5,11],"tags":[21,24],"class_list":["post-10346","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-america-latina","category-desenvolvimento","category-direitos-humanos","category-economia","category-politica","tag-metas-do-milenio","tag-mulheres"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10346","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/421"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10346"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10346\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10346"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10346"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10346"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}