{"id":10347,"date":"2012-07-20T09:30:57","date_gmt":"2012-07-20T09:30:57","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=10347"},"modified":"2012-07-20T09:30:57","modified_gmt":"2012-07-20T09:30:57","slug":"a-terra-brasileira-agora-d-gs-para-se-respirar-melhor","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/07\/america-latina\/a-terra-brasileira-agora-d-gs-para-se-respirar-melhor\/","title":{"rendered":"A terra brasileira agora d&aacute; g&aacute;s para se respirar melhor"},"content":{"rendered":"<p>Rio de Janeiro, Brasil, 20\/07\/2012 &ndash; As reservas de g&aacute;s natural descobertas no Brasil abrem uma nova fronteira energ&eacute;tica, mais sustent&aacute;vel do que outras fontes tradicionais, como o petr&oacute;leo ou o carv&atilde;o, afirmam especialistas e ambientalistas. <!--more--> As jazidas s&atilde;o tantas e com tamanho potencial de produ&ccedil;&atilde;o que, segundo a diretora-geral da Ag&ecirc;ncia Nacional do Petr&oacute;leo (ANP), Magda Chambriard, em lugares com as bacias de Parecis, no Mato Grosso, e de S&atilde;o Francisco, em Minas Gerais, o g&aacute;s &quot;chega a fazer borbulhas&quot;, em um fen&ocirc;meno chamado &quot;exsuda&ccedil;&otilde;es&quot;.<\/p>\n<p>&quot;Em determinados pontos, como na Pequena Buritizeiro, em Minas Gerais, a &aacute;gua que brota da terra pode ser acessa com um f&oacute;sforo&quot;, disse Chambriard em entrevista publicada no jornal O Globo, para mostrar o que alguns consideram uma &quot;revolu&ccedil;&atilde;o energ&eacute;tica&quot; no Brasil. O entusiasmo da diretora da ANP se baseia em estudos geol&oacute;gicos realizados por essa ag&ecirc;ncia reguladora, os quais estimam que as jazidas de g&aacute;s natural em bacias terrestres sedimentares se estendem praticamente de norte a sul do pa&iacute;s.<\/p>\n<p>Segundo o Minist&eacute;rio de Minas e Energia, essas reservas podem passar da atual oferta de 65 milh&otilde;es de metros c&uacute;bicos di&aacute;rios para 300 milh&otilde;es at&eacute; 2025\/2027, mas garantindo a autossufici&ecirc;ncia do pa&iacute;s dentro de cinco anos. Atualmente, o Brasil importa da Bol&iacute;via entre 24 e 31 milh&otilde;es de metros c&uacute;bicos por dia.<\/p>\n<p>Os ambientalistas chamam a aten&ccedil;&atilde;o para um fato n&atilde;o destacado quando se fala do barateamento de custos e de benef&iacute;cios para o pa&iacute;s, o de que a maior parte do g&aacute;s que &eacute; consomido hoje em dia prov&eacute;m de jazidas mar&iacute;timas associadas aos po&ccedil;os de petr&oacute;leo. Os ativistas lembram que, por outro lado, o g&aacute;s natural encontrado em terra firme &eacute; menos contaminante do que o outro e, naturalmente, menos do que carv&atilde;o, petr&oacute;leo e seus derivados.<\/p>\n<p>Nesse sentido, em grandes volumes, o g&aacute;s natural das bacias terrestres seria uma alternativa de transi&ccedil;&atilde;o v&aacute;lida para outras fontes limpas e renov&aacute;veis, como a e&oacute;lica e a solar. Jos&eacute; Goldemberg, f&iacute;sico do Instituto de Eletrot&eacute;cnica e Energia, da Universidade de S&atilde;o Paulo (USP), n&atilde;o tem d&uacute;vidas quanto a isso. &quot;As emiss&otilde;es de di&oacute;xido de carbono (CO2) do g&aacute;s terrestre caem at&eacute; pela metade quando comparadas com as produzidas pelo petr&oacute;leo ou pelo g&aacute;s associado&quot;, afirmou.<\/p>\n<p>&quot;Al&eacute;m disso, n&atilde;o apresenta impurezas por enxofres e part&iacute;culas, assim, reduzem muito a contamina&ccedil;&atilde;o local e global&quot;, explicou Goldemberg, que foi secret&aacute;rio de Meio Ambiente do Estado de S&atilde;o Paulo e &eacute; considerado um dos maiores especialistas em energia e sustentabilidade do pa&iacute;s.<\/p>\n<p>Tamb&eacute;m Roberto Kishinami, conselheiro ambiental de entidades como o Instituto Democracia e Sustentabilidade e a organiza&ccedil;&atilde;o Action Aid, disse &agrave; IPS que &eacute; muito menos contaminante este g&aacute;s on shore, como &eacute; identificado para diferenci&aacute;-lo do associado ao petr&oacute;leo, ou off shore, extra&iacute;do de po&ccedil;os no fundo do Oceano Atl&acirc;ntico. A emiss&atilde;o de CO2 diminui quase pela metade por unidade gerada de energia quando se substitui o carv&atilde;o por este g&aacute;s on shore, destacou.<\/p>\n<p>Igualmente positivo &eacute;, por exemplo, que o diesel emite 800 quilos de CO2 para cada megawatt\/hora gerado de energia, e o petr&oacute;leo bruto lan&ccedil;a 900 quilos, enquanto o g&aacute;s natural emite 600 quilos. Kishinami considera que, a partir da comprova&ccedil;&atilde;o e produ&ccedil;&atilde;o das novas reservas, o caminho seja substituir as usinas termoel&eacute;tricas, ou desestimular as projetadas, operadas pelos combust&iacute;veis derivados do petr&oacute;leo.<\/p>\n<p>Entretanto, Kishinami entende que a pol&iacute;tica do governo de Dilma Rousseff n&atilde;o vai nessa dire&ccedil;&atilde;o e que n&atilde;o h&aacute; garantias de que, por explorar o g&aacute;s natural, se promova a substitui&ccedil;&atilde;o de projetos de termoel&eacute;tricas movidas a carv&atilde;o. O Banco Nacional de Desenvolvimento Econ&ocirc;mico e Social, por exemplo, beneficia com o mesmo &iacute;ndice de financiamento quem instala tanto uma usina a g&aacute;s natural como uma a carv&atilde;o, acrescentou.<\/p>\n<p>Por outro lado, os especialistas e ambientalistas enfatizam que, al&eacute;m dos benef&iacute;cios ambientais, o g&aacute;s natural ser&aacute; mais econ&ocirc;mico e pr&aacute;tico em sua utiliza&ccedil;&atilde;o porque as jazidas est&atilde;o mais pr&oacute;ximas dos grandes centros urbanos de consumo do que os demais combust&iacute;veis de origem f&oacute;ssil.<\/p>\n<p>No interior do pa&iacute;s, poderiam ser substitu&iacute;das as fontes de biomassa ambientalmente danosas, como a lenha, que contribui para o desmatamento, e o carv&atilde;o, disse Marco Tavares, da consultora Gas Energy. Contudo, Tavares disse &agrave; IPS, como Kishinami, que isso n&atilde;o basta, e afirmou que um planejamento adequado em termos econ&ocirc;micos e ambientais deve contemplar tamb&eacute;m infraestrutura e incorpora&ccedil;&atilde;o do g&aacute;s natural como fonte de consumo da ind&uacute;stria.<\/p>\n<p>No momento, o desafio &eacute; confirmar as jazidas de g&aacute;s e come&ccedil;ar a produzi-lo. Das &aacute;reas potenciais de exist&ecirc;ncia deste combust&iacute;vel, 96% ainda n&atilde;o foram exploradas e a licita&ccedil;&atilde;o de novas &aacute;reas est&aacute; pendente. Os resultados, segundo o governo, s&atilde;o, de qualquer forma, animadores. Empresas como a brasileira OGX confirmaram reservas em Minas Gerais, Mato Grosso e Maranh&atilde;o.<\/p>\n<p>Segundo o Balan&ccedil;o Energ&eacute;tico Nacional, do Minist&eacute;rio de Minas e Energia, a participa&ccedil;&atilde;o de fontes renov&aacute;veis na matriz el&eacute;trica nacional cresceu de 86,3% para 88,8% entre 2010 e 2011, devido &agrave;s condi&ccedil;&otilde;es hidrol&oacute;gicas favor&aacute;veis e ao aumento da fonte e&oacute;lica. No resto do mundo essa porcentagem &eacute;, em m&eacute;dia, de apenas 19,5%. O documento acrescenta que cada brasileiro produz e consome, em m&eacute;dia, &quot;quatro vezes menos do que um europeu, nove vezes menos do que um norte-americano e menos da metade de um chin&ecirc;s&quot;.<\/p>\n<p>Analisando a matriz energ&eacute;tica brasileira de 2011 setor por setor encontra-se que 81,7% do total gerado corresponde a fontes hidr&aacute;ulicas, 6,5% a biomassa (lenha e baga&ccedil;o de cana, entre outras), 4,7% a g&aacute;s natural, 2,7% a nuclear, 2,5% a derivados do petr&oacute;leo, 1,4% a carv&atilde;o e outros, e 0,5% a e&oacute;lica. Por fim, o estudo mostra que, entre 2010 e 2011, foi registrada uma queda de 7,9% na gera&ccedil;&atilde;o termoel&eacute;trica, correspondendo 36,9% a biomassa, 25,7% a carv&atilde;o, 15,4% a nuclear, 14,2% a derivados de petr&oacute;leo, e 7,8% a carv&atilde;o em geral. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Rio de Janeiro, Brasil, 20\/07\/2012 &ndash; As reservas de g&aacute;s natural descobertas no Brasil abrem uma nova fronteira energ&eacute;tica, mais sustent&aacute;vel do que outras fontes tradicionais, como o petr&oacute;leo ou o carv&atilde;o, afirmam especialistas e ambientalistas. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/07\/america-latina\/a-terra-brasileira-agora-d-gs-para-se-respirar-melhor\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":75,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8,2,12,5,10,11],"tags":[27,21],"class_list":["post-10347","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ambiente","category-america-latina","category-desenvolvimento","category-economia","category-energia","category-politica","tag-brasil","tag-metas-do-milenio"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10347","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/75"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10347"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10347\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10347"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10347"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10347"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}