{"id":10348,"date":"2012-07-20T09:33:50","date_gmt":"2012-07-20T09:33:50","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=10348"},"modified":"2012-07-20T09:33:50","modified_gmt":"2012-07-20T09:33:50","slug":"onu-regime-srio-protegido-pela-terceira-vez","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/07\/mundo\/onu-regime-srio-protegido-pela-terceira-vez\/","title":{"rendered":"ONU: Regime s&iacute;rio protegido pela terceira vez"},"content":{"rendered":"<p>Na&ccedil;&otilde;es Unidas, 20\/07\/2012 &ndash; O governo da S&iacute;ria se converteu ontem no primeiro na hist&oacute;ria da Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas (ONU) a ser protegido pela terceira vez com um duplo veto, da China e da R&uacute;ssia, no Conselho de Seguran&ccedil;a.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_10348\" style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/Siria.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-10348\" class=\"size-medium wp-image-10348\" title=\"Bashar J&aacute;&quot;\u2122afari (esquerda), representante permanente da S\u00c3\u00adria na ONU, conversa com seu colega da R&uacute;ssia, Vitaly I. Churkin, antes da vota&ccedil;&atilde;o - UN Photo\/JC McIlwaine\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/Siria.jpg\" alt=\"Bashar J&aacute;&quot;\u2122afari (esquerda), representante permanente da S\u00c3\u00adria na ONU, conversa com seu colega da R&uacute;ssia, Vitaly I. Churkin, antes da vota&ccedil;&atilde;o - UN Photo\/JC McIlwaine\" width=\"200\" height=\"133\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-10348\" class=\"wp-caption-text\">Bashar J&aacute;&quot;\u2122afari (esquerda), representante permanente da S\u00c3\u00adria na ONU, conversa com seu colega da R&uacute;ssia, Vitaly I. Churkin, antes da vota&ccedil;&atilde;o - UN Photo\/JC McIlwaine<\/p><\/div>  Jos&eacute; Luis D&iacute;az, chefe do escrit&oacute;rio da Anistia Internacional na ONU, disse &agrave; IPS que, na hist&oacute;ria recente, apenas os governos de Birm&acirc;nia e Zimb&aacute;bue haviam se beneficiado de vetos duplos, mas cada um apenas em uma ocasi&atilde;o. Como resultado destes tr&ecirc;s duplos vetos em um per&iacute;odo de 17 meses, a ONU permanecer&aacute; politicamente paralisada diante da crise da S&iacute;ria, ainda que a viol&ecirc;ncia nesse pa&iacute;s, que j&aacute; tirou a vida de mais de cem mil civis, continue fora de controle.<\/p>\n<p>&quot;Creio que os repetidos duplos vetos da R&uacute;ssia e da China com rela&ccedil;&atilde;o ao caso da S&iacute;ria, al&eacute;m de alimentarem a ideia de que o Conselho de Seguran&ccedil;a da ONU est&aacute; perdendo sua utilidade, justificadamente chamar&aacute; a aten&ccedil;&atilde;o sobre a necessidade de se reduzir ou limitar esse poder quando se trata de crimes contra a humanidade, de guerra ou viola&ccedil;&otilde;es maci&ccedil;as dos direitos humanos&quot;, alertou D&iacute;az.<\/p>\n<p>Moscou e Pequim vetaram tr&ecirc;s resolu&ccedil;&otilde;es apoiadas pelo Ocidente que amea&ccedil;avam castigar o regime do presidente Bashar al Assad por sua dura repress&atilde;o contra o levante opositor, iniciado h&aacute; 16 meses. Ontem, a terceira resolu&ccedil;&atilde;o, desenhada pela Gr&atilde;-Bretanha, obteve 11 de 15 votos, com absten&ccedil;&otilde;es de Paquist&atilde;o e &Aacute;frica do Sul. Contudo, n&atilde;o p&ocirc;de ser adotada devido aos vetos de China e R&uacute;ssia, membros permanentes desse &oacute;rg&atilde;o, como Estados Unidos, Fran&ccedil;a e Gr&atilde;-Bretanha.<\/p>\n<p>A fracassada resolu&ccedil;&atilde;o tamb&eacute;m apoiava o plano de paz de cinco pontos do enviado especial das Na&ccedil;&otilde;es Unidas &agrave; S&iacute;ria, Kofi Annan. Se o governo s&iacute;rio n&atilde;o deixasse de usar suas armas pesadas contra civis, a resolu&ccedil;&atilde;o deixava aberta a possibilidade de ado&ccedil;&atilde;o de san&ccedil;&otilde;es diplom&aacute;ticas, econ&ocirc;micas e militares de acordo com o Cap&iacute;tulo VII da Carta das Na&ccedil;&otilde;es Unidas. Consultada sobre o acontecer&aacute; daqui em diante, a embaixadora dos Estados Unidos na ONU, Susan Rice, disse aos jornalistas que &quot;lamentavelmente, a mensagem dos dois membros permanentes (China e R&uacute;ssia) &eacute; que est&atilde;o dispostos a apoiar Assad at&eacute; o final&quot;.<\/p>\n<p>Em uma declara&ccedil;&atilde;o divulgada ontem, o presidente do Comit&ecirc; de Rela&ccedil;&otilde;es Exteriores do Senado norte-americano, John Kerry, disse que os vetos s&atilde;o perigosos. &quot;Quando Roma queima, est&atilde;o preocupados em salvar Nero&quot;, afirmou, acrescentando que Assad e seus partid&aacute;rios deveriam receber uma mensagem inequ&iacute;voca da comunidade internacional de que n&atilde;o poderiam continuar procedendo da mesma forma.<\/p>\n<p>Phyllis Bennis, diretora do Projeto para um Novo Internacionalismo, do Instituto para Estudos Pol&iacute;ticos, com sede em Washington, declarou &agrave; IPS que todas as pot&ecirc;ncias est&atilde;o concentradas em seus pr&oacute;prios interesses, e n&atilde;o na popula&ccedil;&atilde;o da S&iacute;ria. Ela ressaltou que o veto de Moscou se baseia, em parte, na necessidade de preservar a longa alian&ccedil;a comercial e militar com o regime de Assad, por&eacute;m, mais urgentemente, na import&acirc;ncia de manter sua presen&ccedil;a militar no Mar Mediterr&acirc;neo. A R&uacute;ssia tem uma base naval na localidade costeira de Tartus, no sul da S&iacute;ria. Por outro lado, o veto da China faz parte de sua hist&oacute;rica resist&ecirc;ncia a que o Conselho de Seguran&ccedil;a aprove qualquer interven&ccedil;&atilde;o que possa estabelecer um precedente.<\/p>\n<p>Para os Estados Unidos e seus aliados europeus, a maior preocupa&ccedil;&atilde;o &eacute; manter o controle ou, ao menos, uma significativa influ&ecirc;ncia em qualquer governo que suceder o de Assad. Israel n&atilde;o est&aacute; entre as vozes que exigem mudan&ccedil;a no regime da S&iacute;ria, pela simples raz&atilde;o de este pa&iacute;s ser um vizinho bastante confi&aacute;vel. Mant&eacute;m em relativa calma as colinas de Gol&atilde;, ocupadas por for&ccedil;as israelenses, bem como a fronteira entre os dois pa&iacute;ses. A S&iacute;ria tamb&eacute;m colaborou com o plano norte-americano de &quot;entregas extraordin&aacute;rias&quot;, pelo qual Washington det&eacute;m suspeitos de terrorismo e os envia para pris&otilde;es secretas em terceiros pa&iacute;ses, onde, em geral, s&atilde;o torturados. Damasco tamb&eacute;m colaborou com a coaliz&atilde;o ocidental na primeira guerra do Golfo, de 1991, recordou Bennis.<\/p>\n<p>Tudo isso demonstra que o Conselho de Seguran&ccedil;a s&oacute; pode ser &uacute;til quando os interesses dos membros permanentes est&atilde;o alinhados, observou D&iacute;az. &quot;Quando isso n&atilde;o ocorre, como neste caso, usam seu veto&quot;, afirmou. Tamb&eacute;m destacou que o Conselho &eacute; um &oacute;rg&atilde;o anacr&ocirc;nico, mas que n&atilde;o ser&aacute; reformado no curto prazo. De todo modo, seus membros permanentes deveriam ser extremamente moderados na hora de exercer seu direito de veto, sobretudo quando o fazem em nome de toda a comunidade internacional, destacou o representante da Anistia.<\/p>\n<p>&quot;Ao se perceber que est&atilde;o agindo com base em seus interesses estreitos e nacionais, ent&atilde;o o Conselho de Seguran&ccedil;a justificadamente &eacute; visto como irrelevante, ou pior&quot;, acrescentou D&iacute;az. Al&eacute;m disso, alertou, h&aacute; riscos de que os Estados acabem por ignorar esse &oacute;rg&atilde;o e passem a agir fora do contexto legal internacional. Enquanto isso, o mandato da Miss&atilde;o de Supervis&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas na S&iacute;ria (UNSMIS), sob comando do general Robert Mood, expira hoje. Bennis enfatizou &agrave; IPS que prorrogar o mandato da equipe de observadores &eacute; vital, sobretudo diante do agravamento da viol&ecirc;ncia na S&iacute;ria. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na&ccedil;&otilde;es Unidas, 20\/07\/2012 &ndash; O governo da S&iacute;ria se converteu ontem no primeiro na hist&oacute;ria da Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas (ONU) a ser protegido pela terceira vez com um duplo veto, da China e da R&uacute;ssia, no Conselho de Seguran&ccedil;a. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/07\/mundo\/onu-regime-srio-protegido-pela-terceira-vez\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":202,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6,4,11],"tags":[16],"class_list":["post-10348","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-direitos-humanos","category-mundo","category-politica","tag-oriente-medio"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10348","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/202"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10348"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10348\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10348"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10348"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10348"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}