{"id":10356,"date":"2012-07-23T10:12:06","date_gmt":"2012-07-23T10:12:06","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=10356"},"modified":"2012-07-23T10:12:06","modified_gmt":"2012-07-23T10:12:06","slug":"somlia-a-fome-ter-terminado-mas-ainda-temos-fome","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/07\/africa\/somlia-a-fome-ter-terminado-mas-ainda-temos-fome\/","title":{"rendered":"SOM&Aacute;LIA: &quot;A fome ter&aacute; terminado, mas ainda temos fome&quot;"},"content":{"rendered":"<p>Mogad&iacute;scio, Som&aacute;lia, 23\/07\/2012 &ndash; Miriam Jama, de um ano de idade, nasceu quando foi declarada a fome na Som&aacute;lia, e n&atilde;o conhece outra vida que n&atilde;o seja a do acampamento de refugiados de Badbaado, a dez quil&ocirc;metros da capital.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_10356\" style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/vitimas.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-10356\" class=\"size-medium wp-image-10356\" title=\"Quase 400 mil v\u00c3\u00adtimas da fome que fugiram de Mogad\u00c3\u00adscio ainda vivem em acampamentos de refugiados - Abdurrahman Warsameh\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/vitimas.jpg\" alt=\"Quase 400 mil v\u00c3\u00adtimas da fome que fugiram de Mogad\u00c3\u00adscio ainda vivem em acampamentos de refugiados - Abdurrahman Warsameh\" width=\"200\" height=\"165\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-10356\" class=\"wp-caption-text\">Quase 400 mil v\u00c3\u00adtimas da fome que fugiram de Mogad\u00c3\u00adscio ainda vivem em acampamentos de refugiados - Abdurrahman Warsameh<\/p><\/div>  Fraca e visivelmente desnutrida, como o resto de sua fam&iacute;lia, tem apenas o suficiente para comer. E como quase todas as 400 mil v&iacute;timas da fome que fugiram para a cidade em busca de ajuda no momento mais cr&iacute;tico da crise, Miriam, seus pais e quatro irm&atilde;os ainda vivem em um dos muitos acampamentos para refugiados nos arredores de Mogad&iacute;scio.<\/p>\n<p>Aqui sobrevivem na mis&eacute;ria, em uma pequena cabana de apenas dois metros quadrados. &quot;Temos apenas o suficiente para continuarmos vivos. A fome pode ter terminado, mas n&oacute;s continuamos passando fome&quot;, disse &agrave; IPS a m&atilde;e de Miriam, Hawa Jama. Esta mulher contou que sua fam&iacute;lia recebe por m&ecirc;s apenas 25 quilos de gr&atilde;os, outros 25 de farinha e dez litros de &oacute;leo. Suficiente apenas para alimentar sua fam&iacute;lia de sete pessoas. Mas eles n&atilde;o s&atilde;o os &uacute;nicos com fome.<\/p>\n<p>No dia 20, completou um ano desde que o Programa Mundial de Alimentos (PMA) declarou a fome na Som&aacute;lia, e centenas de milhares de refugiados em acampamentos fora da capital ainda sofrem fome e vivem no desespero. A fome neste pa&iacute;s foi provocada por uma seca que afetou todo o Chifre da &Aacute;frica, considerada a pior em 60 anos, e agravada pela carestia dos alimentos e instabilidade na regi&atilde;o.<\/p>\n<p>O PMA informou, no dia 18, que, embora j&aacute; n&atilde;o haja fome extrema na Som&aacute;lia e as taxas de desnutri&ccedil;&atilde;o tenham melhorado consideravelmente desde o ano passado, a situa&ccedil;&atilde;o continua sendo fr&aacute;gil, e alertou que os avan&ccedil;os podem ser revertidos se a ajuda n&atilde;o for mantida. O escrit&oacute;rio do Alto Comissariado das Na&ccedil;&otilde;es Unidas para os Refugiados informou, no mesmo dia, que o n&uacute;mero de refugiados somalianos passava de um milh&atilde;o.<\/p>\n<p>Apenas o complexo de refugiados de Dadaab, no Qu&ecirc;nia, abriga 570 mil pessoas, enquanto outros 3,8 milh&otilde;es na Som&aacute;lia continuam em crise e precisam de assist&ecirc;ncia urgente, e aproximadamente 325 mil crian&ccedil;as apresentam desnutri&ccedil;&atilde;o aguda. A vida nos acampamentos &eacute; dif&iacute;cil. Os refugiados acusam os administradores de roubarem alimentos e de favoritismo na hora da distribui&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>&quot;N&atilde;o gosto de me queixar, mas este &eacute; um assunto de vida ou morte para n&oacute;s. Os respons&aacute;veis por administrar nosso acampamento n&atilde;o nos d&atilde;o toda a ajuda e favorecem outros&quot;, afirmou Mumino Ali, m&atilde;e de sete filhos e moradora do acampamento de Savidka. &quot;Contamos isso a todos os funcion&aacute;rios estrangeiros que v&ecirc;m nos visitar, mas nada fazem&quot;, denunciou &agrave; IPS.<\/p>\n<p>A &aacute;gua e o saneamento tamb&eacute;m s&atilde;o de m&aacute; qualidade nos acampamentos, e os banheiros s&atilde;o inadequados. A &aacute;gua trazida em caminh&otilde;es n&atilde;o atende aos requisitos internacionais quanto a qualidade e quantidade, contou Mohamed Ali, ativista local pelos direitos humanos. &quot;Creio que o que conseguimos desde que a fome extrema foi declarada, em julho do ano passado, &eacute; que n&atilde;o morram mais pessoas. Mas a fome ainda existe, e n&atilde;o h&aacute; programas sistem&aacute;ticos para ajudar os refugiados a se manterem por si mesmos ou serem repatriados&quot;, destacou.<\/p>\n<p>A situa&ccedil;&atilde;o alimentar agravou-se depois que as ag&ecirc;ncias internacionais reduziram suas opera&ccedil;&otilde;es, uma vez que a Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas (ONU) declarou o fim da fome extrema em fevereiro. Por outro lado, a Ag&ecirc;ncia de Administra&ccedil;&atilde;o de Desastres do governo somaliano, criada especialmente para enfrentar a fome, foi declarada n&atilde;o efetiva e corrupta.<\/p>\n<p>&quot;A ag&ecirc;ncia n&atilde;o foi efetiva em seu trabalho e &eacute; uma das que falharam com as pessoas necessitadas. A corrup&ccedil;&atilde;o se espalhou em todas as ordens do governo e esta ag&ecirc;ncia tem a sua parte de culpa&quot;, ressaltou &agrave; IPS um trabalhador local que n&atilde;o quis se identificar. Ele acrescentou que h&aacute; v&aacute;rias &quot;camadas de corrup&ccedil;&atilde;o&quot;, desde as ag&ecirc;ncias internacionais, passando por seus s&oacute;cios locais e funcion&aacute;rios de governo, at&eacute; os que administram os acampamentos, desta forma perpetuando o ciclo da fome.<\/p>\n<p>Para sobreviver, muitos refugiados buscam trabalhos espor&aacute;dicos, mas o desemprego j&aacute; &eacute; alto, inclusive entre a popula&ccedil;&atilde;o geral de Mogad&iacute;scio, onde 20 anos de guerra deixaram a economia em ru&iacute;nas. Muitas crian&ccedil;as percorrem as ruas oferecendo servi&ccedil;os de engraxate ou limpador de para-brisa, procurando conseguir algum dinheiro para ajudar suas fam&iacute;lias.<\/p>\n<p>O marido de Jama &eacute; um dos muitos que foram &agrave; capital em busca de algum emprego, embora ali n&atilde;o conhe&ccedil;a ningu&eacute;m e haja poucas possibilidades. O casal, ex-agricultores de subsist&ecirc;ncia na regi&atilde;o de Shabelle Media, ao norte de Mogad&iacute;scio, disse preferir que as ag&ecirc;ncias os ajudassem a conseguir uma forma sustent&aacute;vel de ganhar dinheiro em lugar de apenas lhes dar alimentos. &quot;N&atilde;o quero depender das entregas das ag&ecirc;ncias de ajuda, que nunca s&atilde;o suficientes aqui. Mas ficaria feliz se recebesse apoio para trabalhar e manter minha fam&iacute;lia e voltar para minha aldeia&quot;, enfatizou Jama, segurando Miriam nos bra&ccedil;os. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mogad&iacute;scio, Som&aacute;lia, 23\/07\/2012 &ndash; Miriam Jama, de um ano de idade, nasceu quando foi declarada a fome na Som&aacute;lia, e n&atilde;o conhece outra vida que n&atilde;o seja a do acampamento de refugiados de Badbaado, a dez quil&ocirc;metros da capital. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/07\/africa\/somlia-a-fome-ter-terminado-mas-ainda-temos-fome\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[3,12,5],"tags":[],"class_list":["post-10356","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-africa","category-desenvolvimento","category-economia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10356","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10356"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10356\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10356"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10356"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10356"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}