{"id":10372,"date":"2012-07-25T10:03:57","date_gmt":"2012-07-25T10:03:57","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=10372"},"modified":"2012-07-25T10:03:57","modified_gmt":"2012-07-25T10:03:57","slug":"costa-do-marfim-pouca-proteo-contra-a-violncia-domstica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/07\/africa\/costa-do-marfim-pouca-proteo-contra-a-violncia-domstica\/","title":{"rendered":"COSTA DO MARFIM: Pouca prote&ccedil;&atilde;o contra a viol&ecirc;ncia dom&eacute;stica"},"content":{"rendered":"<p>Abidj&atilde;, Costa do Marfim, 25\/07\/2012 &ndash; Um arrepio percorreu o corpo de Habiba Kanat&eacute;* quando ela leu que um policial havia matado a tiros sua esposa em Abidj&atilde;, capital econ&ocirc;mica da Costa do Marfim. <!--more--> &quot;Essa poderia ter sido eu&quot;, disse. A IPS conheceu esta mulher de 28 anos em um centro social do bairro de Treichville, nesta cidade. Ela e outras mulheres buscavam ajuda contra a viol&ecirc;ncia dom&eacute;stica. &quot;Nos &uacute;ltimos tr&ecirc;s meses n&atilde;o houve um s&oacute; dia em que n&atilde;o tenha sido insultada, amea&ccedil;ada ou golpeada por meu marido&quot;, contou Kanat&eacute;, m&atilde;e de tr&ecirc;s filhos. &quot;Meu marido me repreende por desafi&aacute;-lo quando toma uma decis&atilde;o com a qual n&atilde;o concordo. &Eacute; humilhante e frustrante&quot;, acrescentou.<\/p>\n<p>No centro de Treichville tamb&eacute;m estava C&eacute;line Konan*, com ferimentos no rosto. &quot;Recebi golpes duas vezes em uma semana, diante dos meus filhos, s&oacute; porque meu marido estava de mau humor&quot;, contou. Konan disse &agrave; IPS que tamb&eacute;m sentia dores na barriga, que foi chutada por seu marido. N&atilde;o era sua primeira visita ao centro. trabalhadores sociais j&aacute; haviam se aproximado v&aacute;rias vezes de sua casa, pedindo ao casal para desistir dessas pr&aacute;ticas violentas. &quot;Lamentavelmente, isso n&atilde;o teve efeito&quot;, explicou a mulher.<\/p>\n<p>Outra visitante habitual do centro &eacute; Juliette T&eacute;o*. &quot;Voc&ecirc; pode contar as marcas que as bofetadas deixam no meu rosto. Cada vez perco pelo menos dois dentes&quot;, contou. T&eacute;o contou que seu companheiro a espanca porque se queixa de suas infidelidades. &quot;Ele me disse que, como ele &eacute; o chefe da casa, cada vez que eu fizesse uma cena seria corrigida&quot;, afirmou.<\/p>\n<p>Em junho, o Comit&ecirc; Internacional de Resgate, uma organiza&ccedil;&atilde;o n&atilde;o governamental com sede nos Estados Unidos, publicou um informe sobre viol&ecirc;ncia dom&eacute;stica na Costa do Marfim, Lib&eacute;ria e Serra Leoa, no qual conclui que os abusos &#8211; incluindo queimaduras, les&otilde;es, viola&ccedil;&atilde;o e viol&ecirc;ncia psicol&oacute;gica &#8211; s&atilde;o comuns nesses tr&ecirc;s pa&iacute;ses do ocidente africano. O documento diz que mais de 60% das mulheres dos pa&iacute;ses estudados s&atilde;o sobreviventes da viol&ecirc;ncia, cometida principalmente por seus companheiros &iacute;ntimos.<\/p>\n<p>Cada vez mais mulheres chegam buscando ajuda, afirmou &agrave; IPS a diretora do centro, Gladys Marie-Angela Asso Bally. &quot;Desde a crise p&oacute;s-eleitoral, os homens se tornaram mais violentos em casa. De dois ou tr&ecirc;s casos, passamos a tratar de dezenas por dia&quot;, acrescentou. A cada semana o centro d&aacute; o melhor de si para oferecer ajuda psicol&oacute;gica e assist&ecirc;ncia legal a centenas de v&iacute;timas de todo tipo de viol&ecirc;ncia. &quot;Devido a normas culturais e religiosas, realmente nos esfor&ccedil;amos para combater esse flagelo. Muitas mulheres t&ecirc;m medo de testemunhar. Pensam que acabar&atilde;o mandando seus maridos para a pris&atilde;o ou expulsando-os de casa&quot;, observou Bally.<\/p>\n<p>As preocupa&ccedil;&otilde;es de Kanat&eacute; ilustram o conflito. &quot;Imagine que meu marido esteja na pris&atilde;o. Como vou fazer para manter os filhos e ele? E meus familiares, pensar&atilde;o que fui a causa dessa situa&ccedil;&atilde;o?&quot;, explicou. Segundo a diretora do centro, a outra dificuldade &eacute; que a lei pertinente, aprovada em 1981, &eacute; ineficaz na luta contra a viol&ecirc;ncia dom&eacute;stica. &quot;A lei pede que as mulheres apresentem evid&ecirc;ncias concretas de que foram espancadas. Ou o homem deve ser pego no ato de agress&atilde;o para que seja levado &agrave; justi&ccedil;a. &Eacute; como esperar que algu&eacute;m morra antes de reagir&quot;, lamentou Bally.<\/p>\n<p>No come&ccedil;o de julho, Sarah Fadiga Sako, a primeira vice-presidente da Assembleia Nacional da Costa do Marfim, afirmou que a pr&oacute;xima revis&atilde;o do C&oacute;digo Penal e de Fam&iacute;lia fortalecer&aacute; a legisla&ccedil;&atilde;o para apoiar esfor&ccedil;os mais determinados contra os males da viol&ecirc;ncia dom&eacute;stica.<\/p>\n<p>No entanto, Fanta Coulibaly, que preside a Comiss&atilde;o Nacional de Combate &agrave; Viol&ecirc;ncia Contra Mulheres, Meninas e Meninos, no Minist&eacute;rio de Fam&iacute;lia, Mulheres e Inf&acirc;ncia, acredita que erradicar os abusos dom&eacute;sticos exige atuar em v&aacute;rias frentes. &quot;O fen&ocirc;meno &eacute; alarmante, e s&oacute; a lei n&atilde;o basta. Toda a popula&ccedil;&atilde;o tem de trabalhar contra este mal&quot;, alertou, pedindo a realiza&ccedil;&atilde;o de uma campanha para conscientizar as comunidades sobre este flagelo.<\/p>\n<p>Ferdinand Kouassi, empres&aacute;rio da constru&ccedil;&atilde;o em Abidj&atilde;, afirmou que &quot;&eacute; irrespons&aacute;vel os homens continuarem se portando dessa forma. Para mim, se levar os respons&aacute;veis &agrave; pris&atilde;o &eacute; um problema, ent&atilde;o que sejam condenados a trabalhos for&ccedil;ados, a fim de educ&aacute;-los&quot;. Envolverde\/IPS<\/p>\n<p>* Nomes fict&iacute;cios.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Abidj&atilde;, Costa do Marfim, 25\/07\/2012 &ndash; Um arrepio percorreu o corpo de Habiba Kanat&eacute;* quando ela leu que um policial havia matado a tiros sua esposa em Abidj&atilde;, capital econ&ocirc;mica da Costa do Marfim. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/07\/africa\/costa-do-marfim-pouca-proteo-contra-a-violncia-domstica\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":421,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[3,6],"tags":[21,24],"class_list":["post-10372","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-africa","category-direitos-humanos","tag-metas-do-milenio","tag-mulheres"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10372","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/421"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10372"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10372\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10372"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10372"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10372"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}