{"id":10375,"date":"2012-07-25T10:11:32","date_gmt":"2012-07-25T10:11:32","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=10375"},"modified":"2012-07-25T10:11:32","modified_gmt":"2012-07-25T10:11:32","slug":"bolvia-lideranas-indgenas-dizem-sim-ao-poder-poltico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/07\/america-latina\/bolvia-lideranas-indgenas-dizem-sim-ao-poder-poltico\/","title":{"rendered":"BOL&Iacute;VIA: Lideran&ccedil;as ind&iacute;genas dizem sim ao poder pol&iacute;tico"},"content":{"rendered":"<p>Cochabamba, Bol&iacute;via, 25\/07\/2012 &ndash; Separadas por quil&ocirc;metros de dist&acirc;ncia e realidades muito diferentes, um n&uacute;mero crescente de bolivianas decidiu ser parte do poder pol&iacute;tico e romper uma dupla barreira: ser mulher e ind&iacute;gena. <!--more--> Costumam compartilhar elementos comuns: terem come&ccedil;ado sua lideran&ccedil;a em organiza&ccedil;&otilde;es sociais e incursionado na gest&atilde;o municipal ap&oacute;s vencerem obst&aacute;culos familiares, para depois enfrentarem as condi&ccedil;&otilde;es desiguais com os homens, na corrida eleitoral e como conselheiras (vereadoras).<\/p>\n<p>&quot;Os dois principais entraves (para ser autoridade) s&atilde;o o lar e, mais ainda, o econ&ocirc;mico&quot;, disse Lucinda Villca, uma das quatro conselheiras ind&iacute;genas que deram seu depoimento &agrave; IPS na cidade de Cochabamba, durante um Cochabamba, durante um encontro nacional de lideran&ccedil;as de munic&iacute;pios rurais. Villca &eacute; de Santiago de Andamarca, um munic&iacute;pio do departamento de Oruro, no ocidente da Bol&iacute;via. &quot;Sa&iacute;mos cedo para o campo para ajudar nossos maridos no cultivo ou para levar o gado para pastar. Voltamos &agrave; noite e &eacute; preciso preparar a comida e arrumar tempo para tecer pe&ccedil;as para ter dinheiro extra para a fam&iacute;lia&quot;, contou.<\/p>\n<p>&quot;Com essas obriga&ccedil;&otilde;es, n&atilde;o h&aacute; tempo para se dedicar a outras coisas&quot;, acrescentou Villca, uma ind&iacute;gena aymara com nove filhos, que antes foi autoridade origin&aacute;ria de sua comunidade, dedicada &agrave; cria&ccedil;&atilde;o de lhama e ao cultivo da quinoa. &quot;Agora, a responsabilidade &eacute; maior. Como autoridade origin&aacute;ria minha miss&atilde;o era trabalhar por minha comunidade, agora devo trabalhar pelo futuro do munic&iacute;pio&quot;, explicou, em uma hist&oacute;ria comum com outras l&iacute;deres ind&iacute;genas que entraram na gest&atilde;o municipal.<\/p>\n<p>&quot;Era dona de casa. Sou ind&iacute;gena guarani, sem profiss&atilde;o, como muitas mulheres do campo. A organiza&ccedil;&atilde;o de mulheres da qual participo me pediu para ser candidata&quot;, contou Marina Cu&ntilde;aendi, de 55 anos e conselheira de Urubach&aacute;, com seis mil habitantes, na maioria guaranis. &Eacute; um dos munic&iacute;pios mais pobres da Bol&iacute;via, com 85,5% de sua popula&ccedil;&atilde;o em extrema pobreza, segundo o &uacute;ltimo censo, apesar de estar localizado no departamento mais pr&oacute;spero do pa&iacute;s, Santa Cruz.<\/p>\n<p>At&eacute; sua candidatura em 2010, Marina nunca pensara em ocupar um cargo p&uacute;blico. Dedicava-se a cultivar arroz e milho e, em seu &quot;tempo livre&quot;, tecia, para sustentar a fam&iacute;lia de sete filhos junto com o marido. Assegurou que em Urubich&aacute; as mulheres n&atilde;o t&ecirc;m tempo para se organizar e est&atilde;o marginalizadas dos espa&ccedil;os pol&iacute;ticos. Admitiu que teve de consultar marido e filhos, os quais, &quot;felizmente&quot;, a apoiaram e motivaram a competir, &quot;o que nem sempre acontece&quot;, afirmou.<\/p>\n<p>A centenas de quil&ocirc;metros de Urubich&aacute;, em San Juli&aacute;n, outro munic&iacute;pio de Santa Cruz, a guarani Yolanda Cuellar somou um terceiro obst&aacute;culo aos de mulher e ind&iacute;gena: ser &quot;muito jovem&quot; para um cargo municipal, segundo sua comunidade. Completou 21 anos um m&ecirc;s depois de eleita conselheira, em abril de 2010, pelo Movimento Sem Medo, opositor do Movimento Ao Socialismo, que governou o munic&iacute;pio e o pa&iacute;s. &quot;N&atilde;o confiavam em mim porque era jovem e mulher, em um munic&iacute;pio muito machista. agora somos quatro mulheres no Conselho&quot;, destacou esta contadora m&atilde;e de dois filhos e que tamb&eacute;m tem o apoio e seu marido. &quot;Ele me entende e me diz para n&atilde;o desistir porque as pessoas votaram por mim; me diz para lutar pelo que quero&quot;, afirmou.<\/p>\n<p>Entretanto, as coisas no Conselho n&atilde;o foram f&aacute;ceis, por sua falta de experi&ecirc;ncia e a permanente discrimina&ccedil;&atilde;o de seus colegas homens. &Eacute; muito diferente ser l&iacute;der e conselheira. &quot;H&aacute; muita burocracia que atrasa os projetos, mas o maior balde de &aacute;gua fria &eacute; a falta de apoio dos demais, suas ideias n&atilde;o s&atilde;o consideradas e voc&ecirc; se sente s&oacute;, aos outros n&atilde;o interessa fazer alguma coisa pelos jovens e pelas mulheres&quot;, lamentou Cuellar. San Juli&aacute;n tamb&eacute;m vive da atividade agr&iacute;cola, que ali se soma &agrave; comercial e de servi&ccedil;os, pela passagem de uma das principais estradas que une o leste ao oeste do pa&iacute;s. Entretanto, 57,9% de seus mais de 70 mil habitantes vivem em extrema pobreza.<\/p>\n<p>A Constitui&ccedil;&atilde;o de 2009 e outras leis determinam uma cota de 50% de mulheres para todos os cargos eletivos. Para garantir essa paridade, tamb&eacute;m se estabelece a altern&acirc;ncia nas listas de candidatos. Atualmente, nos 327 munic&iacute;pios bolivianos, 43% das prefeituras e dos Conselhos est&atilde;o nas m&atilde;os de mulheres, que em 96% dos casos ocupam um cargo p&uacute;blico pela primeira vez.<\/p>\n<p>Lidia Alejandro, de 50 anos, aymara e conselheira em Llallagua, munic&iacute;pio do departamento de Potos&iacute;, concorda que a inexperi&ecirc;ncia &eacute; um fator de desvantagem frente aos homens. &quot;Fui conselheira sem saber nada do manejo municipal. Sou professora, mas ser autoridade &eacute; muito diferente; n&atilde;o podia falar nas reuni&otilde;es nem &agrave; imprensa. Tive que aprender no caminho&quot;, contou. Gra&ccedil;as aos pain&eacute;is, superou a desvantagem. Mas essa capacita&ccedil;&atilde;o exige tempo e cria problema com os maridos, que as acusam de desaten&ccedil;&atilde;o com a fam&iacute;lia, ressaltou. Maior tristeza ainda provoca n&atilde;o ter podido cumprir o objetivo de lutar para tirar da pobreza as mulheres de seu munic&iacute;pio, por falta de t&eacute;cnicos que fa&ccedil;am projetos para elas de acordo com os requisitos exigidos.<\/p>\n<p>As leis bolivianas exigem que parte do or&ccedil;amento anual de todos os n&iacute;veis de governo seja destinada a mulheres e outros setores sociais vulner&aacute;veis. Contudo, a maioria desta por&ccedil;&atilde;o n&atilde;o &eacute; executada e esses fundos acabam revertidos ou transferidos para outros gastos. &quot;As pr&oacute;prias mulheres reclamam da gente, como quatro conselheiras nada fazem pelas mulheres. Tentamos nos unir, mas a verdade est&aacute; no problema ideol&oacute;gico. N&atilde;o temos a mesma cor pol&iacute;tica&quot;, pontuou Cuellar.<\/p>\n<p>Na Bol&iacute;via houve grandes avan&ccedil;os a favor da participa&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica das mulheres, promovidos pela Constitui&ccedil;&atilde;o e por diferentes leis, explicou &agrave; IPS a especialista Natasha Loayza, do escrit&oacute;rio da ONU Mulheres no pa&iacute;s. &quot;O desafio agora &eacute; traduzir essas leis em viv&ecirc;ncias, em uma participa&ccedil;&atilde;o concreta e real&quot;, enfatizou. A ONU Mulheres impulsionou o programa-piloto trienal Semilla, que termina este ano, destinado a apoiar mulheres nos munic&iacute;pios rurais no exerc&iacute;cio de seus direitos econ&ocirc;micos e pol&iacute;ticos. A especialista explicou que um objetivo &eacute; que a alta qualidade da participa&ccedil;&atilde;o feminina motive outras mulheres a imit&aacute;-las.<\/p>\n<p>&quot;O caminho de acesso est&aacute; aberto, mas &eacute; muito dif&iacute;cil, tit&acirc;nico. As mulheres que chegam a cargos de responsabilidade p&uacute;blica podem testemunhar os problemas que enfrentam diariamente para ter presen&ccedil;a real, n&atilde;o apenas nominal, nos espa&ccedil;os de decis&atilde;o. Ainda vivemos um contexto em que a participa&ccedil;&atilde;o das mulheres tem de ser ganha no pulso&quot;, acrescentou Loayza. O programa do Minist&eacute;rio da Igualdade de Oportunidades &eacute; executado em 18 munic&iacute;pios rurais e j&aacute; beneficiou quatro mil mulheres, com financiamento de US$ 9 milh&otilde;es, conseguido em um concurso das Na&ccedil;&otilde;es Unidas. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cochabamba, Bol&iacute;via, 25\/07\/2012 &ndash; Separadas por quil&ocirc;metros de dist&acirc;ncia e realidades muito diferentes, um n&uacute;mero crescente de bolivianas decidiu ser parte do poder pol&iacute;tico e romper uma dupla barreira: ser mulher e ind&iacute;gena. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/07\/america-latina\/bolvia-lideranas-indgenas-dizem-sim-ao-poder-poltico\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1290,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2,12,5,11],"tags":[21,24],"class_list":["post-10375","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-america-latina","category-desenvolvimento","category-economia","category-politica","tag-metas-do-milenio","tag-mulheres"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10375","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1290"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10375"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10375\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10375"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10375"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10375"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}