{"id":1039,"date":"2005-09-26T00:00:00","date_gmt":"2005-09-26T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=1039"},"modified":"2005-09-26T00:00:00","modified_gmt":"2005-09-26T00:00:00","slug":"portugal-heris-de-ontem-reclamam-tratamento-digno","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/09\/politica\/portugal-heris-de-ontem-reclamam-tratamento-digno\/","title":{"rendered":"Portugal: Her&oacute;is de ontem reclamam tratamento digno"},"content":{"rendered":"<p>Lisboa, 26\/09\/2005 &ndash; Foram aclamados como her&oacute;is em 1974 ao protagonizarem algo in&eacute;dito no mundo: um golpe de Estado para consagrar a democracia e estender assim o certificado de morte do deteriorado imp&eacute;rio portugu&ecirc;s. Agora, os militares protestam nas ruas por seus direitos. Passadas tr&ecirc;s d&eacute;cadas, os militares lusitanos se sentem maltratados pelo sistema democr&aacute;tico por eles instaurado e tutelado durante sua primeira d&eacute;cada de exist&ecirc;ncia. Dez anos depois do levante que dep&ocirc;s a ditadura corporativista (1926-1974) de Antonio de Oliveira Salazar-Marcello Caetano, foi dissolvido o chamado Conselho da Revolu&ccedil;&atilde;o do Movimento das For&ccedil;as Armadas (MFA) e desde ent&atilde;o a condi&ccedil;&atilde;o militar foi gradualmente se degradando.<br \/> <!--more--> <br \/> A s&eacute;rie de medidas de conten&ccedil;&atilde;o de gastos p&uacute;blicos decretadas pelo atual governo do primeiro-ministro socialista, Jos&eacute; S&oacute;crates, tamb&eacute;m atravessaram as portas dos quart&eacute;is. Foi a chama que acendeu o estopim do protesto militar. Deste modo, se somam &agrave; onda de manifesta&ccedil;&otilde;es de diferentes setores da sociedade portuguesa contra os cortes do gasto estatal previstos pelo governo para reduzir o d&eacute;ficit fiscal, estimado em 6,2% do produto interno bruto para este ano. Entre os motivos dos protestos dos oficiais est&atilde;o os direitos &agrave; assist&ecirc;ncia m&eacute;dica, que foram restaurados com o fim do atendimento para familiares, quando estes possu&iacute;rem outros planos de sa&uacute;de decorrente de uma eventual atividade pr&oacute;pria, a n&atilde;o ser que optem pelo sistema militar, pagando uma quantia moderada.<\/p>\n<p> Tamb&eacute;m se prev&ecirc; mudar as condi&ccedil;&otilde;es para passar &agrave; reserva (disponibilidade de ser convocado) e se aposentar, pois dever&atilde;o contar 40 anos, em lugar de 36, de servi&ccedil;o, ou 60 anos de idade, contra os 50 atuais. Sobre a mesa tamb&eacute;m est&aacute; a revis&atilde;o da carreira e o direito de reuni&atilde;o dos militares. &quot;Os partidos do arco do poder (o socialista e o social-democrata, PSD, conservador, apesar de seu nome) est&atilde;o se preparando para alterar a lei que ainda nos permite estar aqui&quot;, afirmou durante uma reuni&atilde;o recente o presidente da Associa&ccedil;&atilde;o Nacional de Sargentos, Francisco Lima Coelho.<\/p>\n<p> Impedidos de participarem de manifesta&ccedil;&otilde;es p&uacute;blicas pelo Supremo Tribunal Administrativo, os militares em atividade optaram por se reunirem no central Mercado da Ribeira, onde cerca de 500 oficiais e suboficiais das For&ccedil;as Armadas fizeram duras cr&iacute;ticas ao governo, enquanto suas mulheres e militares da reserva se manifestavam diante do parlamento. O brigadeiro-general da reserva da For&ccedil;a A&eacute;rea Jos&eacute; Martins Rodrigues, dirigente da Associa&ccedil;&atilde;o de Oficiais das For&ccedil;as Armadas (AOFA), aproveitou a oportunidade para pedir uma reestrutura&ccedil;&atilde;o do corpo militar para conseguir &quot;um real redu&ccedil;&atilde;o de custos&quot;, em lugar de gastos com pessoal, porque somente uma reforma nesse sentido &quot;determinaria uma economia significativa&quot;.<\/p>\n<p> Por sua vez, o tamb&eacute;m dirigente da AOFA, coronel Tasso de Figueiredo, enfatizou que os protestos n&atilde;o eram contra o regime democr&aacute;tico imperante em Portugal, mas se tratava de um questionamento sobre o prato da democracia &quot;que de vez em quando nos &eacute; servido&quot;. No contexto da Uni&atilde;o Europ&eacute;ia (UE), o direito de manifesta&ccedil;&atilde;o de militares e policiais &eacute; uma quest&atilde;o de debate pac&iacute;fico. O &uacute;ltimo caso registrado fora de Portugal ocorreu na Holanda em 2003, quando os uniformizados se manifestaram nas ruas em um contexto permitido pela legisla&ccedil;&atilde;o. As associa&ccedil;&otilde;es sindicais dos militares holandeses se opunham a um novo decreto que estabelecia que o pedido de aposentadoria s&oacute; poderia ser feito aos 58 anos de idade, contra os 54 que estavam em vigor. O caso acabou em um compromisso que fixou em 56 anos o direito &agrave; aposentadoria.<\/p>\n<p> O coronel da reserva Vasco Louren&ccedil;o, que em 1974, como capit&atilde;o, foi um dos mais destacados membros do Conselho da Revolu&ccedil;&atilde;o do MFA, disse &aacute; IPS que o protesto dos oficiais &quot;tem como pano de fundo uma situa&ccedil;&atilde;o extremamente degradada &agrave; qual chegou a condi&ccedil;&atilde;o militar. A falta de atitudes contestat&oacute;rias atrav&eacute;s de organiza&ccedil;&otilde;es sindicais que n&atilde;o existem nas For&ccedil;as Armadas, aliado &agrave; submiss&atilde;o das c&uacute;pulas militares ao governo, deu origem a enormes atentados contra a condi&ccedil;&atilde;o militar&quot;, acrescentou Louren&ccedil;o. O coronel, entre 1975 e 1978, foi comandante da Regi&atilde;o Militar de Lisboa e hoje preside a Associa&ccedil;&atilde;o 25 de Abril, que re&uacute;ne os protagonistas da chamada Revolu&ccedil;&atilde;o dos Cravos.<\/p>\n<p> Apesar de hoje ser militante socialista, este oficial fustiga o governo de seu partido porque, &quot;de forma pouco h&aacute;bil, engloba as For&ccedil;as Armadas no conjunto das institui&ccedil;&otilde;es que devem perder privil&eacute;gios, sem considerar que os militares j&aacute; n&atilde;o os t&ecirc;m h&aacute; muito tempo e, em troca, s&atilde;o profundamente discriminados em rela&ccedil;&atilde;o a outros grupos especiais&quot;. Ao concluir, Louren&ccedil;o garantiu que, apesar da situa&ccedil;&atilde;o delicada, os militares portugueses, que h&aacute; tr&ecirc;s d&eacute;cadas se distinguiram &quot;como os principais autores do estabelecimento de um Estado de direito democr&aacute;tico, voltar&atilde;o a demonstrar que s&atilde;o um grupo que, como nenhum outro, coloca em primeiro lugar o interesse do povo ao qual pertencem&quot;.<\/p>\n<p> O problema &eacute; analisado com uma vis&atilde;o oposta na vers&atilde;o eletr&ocirc;nica do seman&aacute;rio conservador Expresso. O subdiretor da publica&ccedil;&atilde;o, Henrique Monteiro, afirmou em editorial que &quot;o Estado deve ser particularmente intolerante quando militares d&atilde;o exemplos como estes&quot;, porque &quot;n&atilde;o se pode admitir que saiam dos quart&eacute;is para reivindicar direitos sal&aacute;rios ou benef&iacute;cios&quot;. No par&aacute;grafo seguinte, exorta o governo socialista a &quot;ser implac&aacute;vel no combate aos sinais de indisciplina&quot;, j&aacute; que na opini&atilde;o do editorialista &quot;quando se trata de militares n&atilde;o pode estar em causa o fato de saber se tem ou n&atilde;o raz&atilde;o&quot; e a disciplina &quot;deve se sobrepor &agrave;s demais considera&ccedil;&otilde;es&quot;. Na vis&atilde;o de Monteiro, os militares n&atilde;o devem usar a condi&ccedil;&atilde;o que ocupam na sociedade &quot;para amea&ccedil;ar ou chantagear o poder democr&aacute;tico, porque um governo, qualquer que seja, que se mostre fraco nesse ponto est&aacute; perdido&quot;. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Lisboa, 26\/09\/2005 &ndash; Foram aclamados como her&oacute;is em 1974 ao protagonizarem algo in&eacute;dito no mundo: um golpe de Estado para consagrar a democracia e estender assim o certificado de morte do deteriorado imp&eacute;rio portugu&ecirc;s. Agora, os militares protestam nas ruas por seus direitos. Passadas tr&ecirc;s d&eacute;cadas, os militares lusitanos se sentem maltratados pelo sistema democr&aacute;tico por eles instaurado e tutelado durante sua primeira d&eacute;cada de exist&ecirc;ncia. Dez anos depois do levante que dep&ocirc;s a ditadura corporativista (1926-1974) de Antonio de Oliveira Salazar-Marcello Caetano, foi dissolvido o chamado Conselho da Revolu&ccedil;&atilde;o do Movimento das For&ccedil;as Armadas (MFA) e desde ent&atilde;o a condi&ccedil;&atilde;o militar foi gradualmente se degradando.<br \/> <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/09\/politica\/portugal-heris-de-ontem-reclamam-tratamento-digno\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":256,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[11],"tags":[],"class_list":["post-1039","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-politica"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1039","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/256"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1039"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1039\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1039"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1039"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1039"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}