{"id":10390,"date":"2012-07-30T10:33:50","date_gmt":"2012-07-30T10:33:50","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=10390"},"modified":"2012-07-30T10:33:50","modified_gmt":"2012-07-30T10:33:50","slug":"comunidades-mexicanas-contra-mini-hidreltricas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/07\/america-latina\/comunidades-mexicanas-contra-mini-hidreltricas\/","title":{"rendered":"Comunidades mexicanas contra mini-hidrel&eacute;tricas"},"content":{"rendered":"<p>Cidade do M&eacute;xico, M&eacute;xico, 30\/07\/2012 &ndash; As represas hidrel&eacute;tricas com capacidade inferior a 30 megawatts (MW) s&atilde;o para as autoridades do M&eacute;xico uma importante op&ccedil;&atilde;o de gera&ccedil;&atilde;o de energia, mas as comunidades afetadas por estas obras s&atilde;o contra, afirmando que acarretam danos sociais, econ&ocirc;micos e ambientais. <!--more--> Na primeira linha de combate a estas represas pequenas, est&atilde;o comunidades dos Estados de Puebla, Tabasco, Veracruz, Oaxaca e Chiapas, que possuem alto potencial para construir uma grande quantidade delas.<\/p>\n<p>&quot;Usa-se o discurso de que as chamadas mini-hidrel&eacute;tricas n&atilde;o t&ecirc;m impactos negativos sobre as comunidades, mas as pessoas j&aacute; contam com a informa&ccedil;&atilde;o necess&aacute;ria para dizer que qualquer tipo de represa os tem&quot;, explicou &agrave; IPS a ativista Ang&eacute;lica Castro, coordenadora de Incid&ecirc;ncia P&uacute;blica e Participa&ccedil;&atilde;o Cidad&atilde; de Educa Oaxaca, Servi&ccedil;os para uma Educa&ccedil;&atilde;o Alternativa. Esta entidade n&atilde;o governamental trabalha desde 2006 com habitantes de 39 comunidades de seis munic&iacute;pios de Oaxaca envolvidos no projeto &quot;Aproveitamento hidr&aacute;ulico de usos m&uacute;ltiplos Paso de la Reina&quot;, no Rio Verde, que a estatal Comiss&atilde;o Federal de Eletricidade (CFE) pretende construir. A obra ter&aacute; capacidade para gerar 510 MW de eletricidade.<\/p>\n<p>Essas comunidades, unidas no Conselho do Povo Unido pela Defesa do Rio Verde (Copudever), se op&otilde;em &agrave; constru&ccedil;&atilde;o da hidrel&eacute;trica, cujos estudos socioecon&ocirc;micos e ambientais est&atilde;o em processo de elabora&ccedil;&atilde;o. No M&eacute;xico operam pelo menos 50 miniusinas p&uacute;blicas e privadas, em sua maioria obsoletas, que geram 50 MW. A estatal Comiss&atilde;o Nacional para a Economia de Energia (Conae) estima que o sudeste do pa&iacute;s apresenta para este tipo de hidrel&eacute;tricas um potencial superior a 400 MW em 72 locais identificados. Esta regi&atilde;o &eacute; rica em recursos h&iacute;dricos por sua grande quantidade de rios e chuvas anuais. De fato, o n&atilde;o governamental Centro Mario Molina indica que Oaxaca e Chiapas geram praticamente toda a eletricidade que consomem mediante fontes renov&aacute;veis, com e&oacute;lica, geot&eacute;rmica e solar, al&eacute;m das mini-hidrel&eacute;tricas.<\/p>\n<p>Mariana Gonz&aacute;lez, pesquisadora da &aacute;rea de transpar&ecirc;ncia e presta&ccedil;&atilde;o de contas do n&atilde;o governamental Fundar, Centro de An&aacute;lises de Pesquisa, disse &agrave; IPS que as mini-hidrel&eacute;tricas, que &quot;s&atilde;o rent&aacute;veis no curto prazo, alteram o solo e o entorno sem deixar benef&iacute;cios para as comunidades locais&quot;. A Fundar assessorou, entre 2010 e 2012, quatro comunidades de Oaxaca afetadas pelo projeto de pequena hidrel&eacute;trica Cerro de Oro, com capacidade de 10,8 MW. Com essa atua&ccedil;&atilde;o conseguiram deter a obra.<\/p>\n<p>A constru&ccedil;&atilde;o havia come&ccedil;ado em 2010 sem consulta &agrave; popula&ccedil;&atilde;o, por isso essas comunidades apresentaram em novembro desse ano uma queixa no Escrit&oacute;rio de Presta&ccedil;&atilde;o de Contas da Corpora&ccedil;&atilde;o de Investimentos Privados no Exterior (Opic), entidade financeira do governo dos Estados Unidos para colocar dinheiro privado em projetos em pa&iacute;ses emergentes. Os acusadores argumentaram, entre outros pontos, que as duas empresas por tr&aacute;s do projeto n&atilde;o informaram sobre a miniusina nem sobre seus efeitos ambientais e na sa&uacute;de, n&atilde;o consultaram as comunidades, n&atilde;o identificaram formas de mitigar as consequ&ecirc;ncias adversas nem compensaram adequadamente os donos da terra.<\/p>\n<p>A Opic outorgou US$ 60 milh&otilde;es &agrave;s empresas respons&aacute;veis pela obra. Em mar&ccedil;o de 2011 foi criado um &oacute;rg&atilde;o de resolu&ccedil;&atilde;o de conflitos com a presen&ccedil;a das partes envolvidas, sem que as popula&ccedil;&otilde;es locais concordassem em aceitar o projeto nem um alternativo. Em novembro, finalmente a Opic deu o caso por encerrado e em mar&ccedil;o suspendeu definitivamente o empreendimento. Contudo, os riscos n&atilde;o desapareceram nas &aacute;reas rurais mexicanas.<\/p>\n<p>O Programa de Obras e Investimentos do Setor El&eacute;trico 2012-2026, elaborado pela CFE, inclui seis mini-hidrel&eacute;tricas que est&atilde;o em fase de pr&eacute;-viabilidade, sem chegar ainda &agrave; fase de projeto. Al&eacute;m disso, h&aacute; em estudo outras quatro unidades com capacidade entre 30 e 50 megawatts. Adicionalmente, o governo mexicano conta com tr&ecirc;s obras micro em fases de viabilidade e projeto, candidatas a serem somadas ao sistema el&eacute;trico nacional. Em Chiapas foram identificados sete locais para instalar geradoras.<\/p>\n<p>Entre as barreiras a esta tecnologia energ&eacute;tica, a Conae identificou a falta de aceita&ccedil;&atilde;o da sociedade a este tipo de obras devido fundamentalmente &agrave; inadequada, nula ou deficiente informa&ccedil;&atilde;o dada e &agrave; aus&ecirc;ncia de participa&ccedil;&atilde;o no processo de planejamento e execu&ccedil;&atilde;o da comunidade. &quot;O movimento tem claro que nenhum tipo de represa, de nenhum tamanho, &eacute; boa; todas t&ecirc;m impactos negativos. S&oacute; querem que os deixem em paz&quot;, afirmou Castro. As comunidades prejudicadas trocam experi&ecirc;ncias sobre a luta contra essas obras em aspectos como o organizacional, o legal e o ambiental.<\/p>\n<p>A Copudever estuda apresentar um recurso de amparo coletivo para resolver a quest&atilde;o da obra hidrel&eacute;trica. No caso do projeto Paso de la Reina, o estudo Morfologia do Rio Verde, elaborado por seis especialistas do estatal Instituto Mexicano da &Aacute;gua, e tamb&eacute;m da CFE, menciona que, quando se constr&oacute;i uma represa, tem in&iacute;cio um processo de sedimenta&ccedil;&atilde;o e de eros&atilde;o.<\/p>\n<p>O Minist&eacute;rio de Meio Ambiente e Recursos Naturais autorizou em mar&ccedil;o que empresas privadas construam cinco mini-hidrel&eacute;tricas em Chiapas para vender a energia gerada &agrave; CFE. &quot;&Eacute; o processo de privatiza&ccedil;&atilde;o do setor el&eacute;trico. &Eacute; um bom neg&oacute;cio para as empresas que usam a infraestrutura estatal. Depois, o projeto passa para o governo quando a manuten&ccedil;&atilde;o se torna mais cara&quot;, denunciou Gonz&aacute;lez. Geralmente, as usinas se convertem em propriedade da CFE quando expiram os contratos de 15 ou 20 anos de dura&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Em dezembro passado, o Senado avaliou reformas na Lei para o Aproveitamento de Energias Renov&aacute;veis e o Financiamento da Transi&ccedil;&atilde;o Energ&eacute;tica de 2008 para promover a gera&ccedil;&atilde;o el&eacute;trica por meio de empresas de pequena escala. O Instituto Nacional de Ecologia calcula que as hidrel&eacute;tricas pequenas podem reduzir 261 milh&otilde;es de toneladas de emiss&otilde;es de di&oacute;xido de carbono lan&ccedil;adas na atmosfera, porque substituem o consumo de combust&iacute;veis f&oacute;sseis. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cidade do M&eacute;xico, M&eacute;xico, 30\/07\/2012 &ndash; As represas hidrel&eacute;tricas com capacidade inferior a 30 megawatts (MW) s&atilde;o para as autoridades do M&eacute;xico uma importante op&ccedil;&atilde;o de gera&ccedil;&atilde;o de energia, mas as comunidades afetadas por estas obras s&atilde;o contra, afirmando que acarretam danos sociais, econ&ocirc;micos e ambientais. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/07\/america-latina\/comunidades-mexicanas-contra-mini-hidreltricas\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":66,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8,2,12,5,10,11],"tags":[21],"class_list":["post-10390","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ambiente","category-america-latina","category-desenvolvimento","category-economia","category-energia","category-politica","tag-metas-do-milenio"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10390","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/66"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10390"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10390\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10390"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10390"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10390"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}