{"id":10412,"date":"2012-08-01T08:55:27","date_gmt":"2012-08-01T08:55:27","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=10412"},"modified":"2012-08-01T08:55:27","modified_gmt":"2012-08-01T08:55:27","slug":"nova-etapa-geopoltica-do-mercosul","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/08\/america-latina\/nova-etapa-geopoltica-do-mercosul\/","title":{"rendered":"Nova etapa geopol&iacute;tica do Mercosul"},"content":{"rendered":"<p>Rio de Janeiro, Brasil, 01\/08\/2012 &ndash; A incorpora&ccedil;&atilde;o da Venezuela ao Mercosul, concretizada ontem em Bras&iacute;lia, marca uma nova configura&ccedil;&atilde;o geopol&iacute;tica continental, al&eacute;m do fato de alguns a considerarem um avan&ccedil;o estrat&eacute;gico e econ&ocirc;mico e outros um &quot;retrocesso democr&aacute;tico&quot;.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_10412\" style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/e1-300x199.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-10412\" class=\"size-medium wp-image-10412\" title=\"Da esquerda para a direita, Hugo Ch&aacute;vez, Dilma Rousseff, Jos&eacute; Mujica e Cristina Fern&aacute;ndez. - Presid&ecirc;ncia do Brasil\/Roberto Stuckert Filho\/PR\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/e1-300x199.jpg\" alt=\"Da esquerda para a direita, Hugo Ch&aacute;vez, Dilma Rousseff, Jos&eacute; Mujica e Cristina Fern&aacute;ndez. - Presid&ecirc;ncia do Brasil\/Roberto Stuckert Filho\/PR\" width=\"200\" height=\"132\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-10412\" class=\"wp-caption-text\">Da esquerda para a direita, Hugo Ch&aacute;vez, Dilma Rousseff, Jos&eacute; Mujica e Cristina Fern&aacute;ndez. - Presid&ecirc;ncia do Brasil\/Roberto Stuckert Filho\/PR<\/p><\/div>  O presidente do Uruguai, Jos&eacute; Mujica, recebeu a entrada da Venezuela na qualidade de membro pleno do Mercosul como a escritura da &quot;hist&oacute;ria do futuro&quot; na qual os empres&aacute;rios ter&atilde;o que somar-se aos que &quot;andam de camisa e chinelos&quot;, isto &eacute;, os trabalhadores.<\/p>\n<p>Por sua vez, a presidente da Argentina, Cristina Fern&aacute;ndez, preferiu ilustr&aacute;-la com uma refer&ecirc;ncia ao romance Cem Anos de Solid&atilde;o, do colombiano Gabriel Garc&iacute;a M&aacute;rquez. Em seu discurso na c&uacute;pula do Mercosul, criado em 1991 por Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai, Fern&aacute;ndez comparou essa solid&atilde;o de cem anos com a que enfrentaram os pa&iacute;ses sul-americanos nas &uacute;ltimas d&eacute;cadas, pelo surgimento de ditaduras militares e depois com a aplica&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;ticas econ&ocirc;micas de cunho liberal, que deixaram &quot;milh&otilde;es de exclu&iacute;dos&quot;.<\/p>\n<p>&quot;Hoje, representamos a for&ccedil;a social de nossos povos que se juntam para mostrar que a solid&atilde;o terminou&quot;, acrescentou Fern&aacute;ndez, ao refor&ccedil;ar na capital brasileira que os governos que integram o Mercosul agora s&atilde;o &quot;parte de projetos coletivos e n&atilde;o individuais&quot;. Por sua vez, Dilma Rousseff, como economista, preferiu fazer contas. &quot;Considerando os quatro pa&iacute;ses mais ricos do mundo, Estados Unidos, China, Alemanha e Jap&atilde;o, o Mercosul somado agora &eacute; a quinta economia global&quot;, afirmou na reuni&atilde;o da qual tamb&eacute;m participou Hugo Ch&aacute;vez, presidente do novo quinto membro.<\/p>\n<p>Com a Venezuela, o bloco passa a contar com 270 milh&otilde;es de habitantes, equivalentes a 70% da popula&ccedil;&atilde;o da Am&eacute;rica do Sul, um produto interno bruto na casa dos US$ 3,3 trilh&otilde;es, ou 83,2% do PIB do subcontinente, e um territ&oacute;rio de 12,8 milh&otilde;es de quil&ocirc;metros quadrados.<\/p>\n<p>O Paraguai, outro membro fundador do Mercosul, est&aacute; suspenso de todos os &oacute;rg&atilde;os por decis&atilde;o da c&uacute;pula de 29 de junho em Mendoza, na Argentina, devido &agrave; destitui&ccedil;&atilde;o na semana anterior do presidente Fernando Lugo em um julgamento pol&iacute;tico rel&acirc;mpago no parlamento, que o substituiu pelo vice-presidente Federico Franco. Fern&aacute;ndez, Rousseff e Mujica entenderam que os fatos apresentavam irregularidades que cabia aplicar a cl&aacute;usula democr&aacute;tica do Mercosul at&eacute; que seja recomposta a institucionalidade com as elei&ccedil;&otilde;es do ano que vem.<\/p>\n<p>Williams Gon&ccedil;alves, especialista em rela&ccedil;&otilde;es internacionais da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, afirmou que a Venezuela, como um dos maiores exportadores de petr&oacute;leo do mundo, permitir&aacute; ao bloco aumentar sua capacidade de negocia&ccedil;&atilde;o no &acirc;mbito internacional. J&aacute; o economista Adhemar Mineiro, do Departamento Intersindical de Estat&iacute;sticas e Estudos Econ&ocirc;micos (Dieese), disse que devem ser refor&ccedil;ados projetos j&aacute; contemplados, como o de um gasoduto cruzando a Am&eacute;rica do Sul, da Venezuela at&eacute; a Patag&ocirc;nia. &quot;Al&eacute;m disso, a entrada da Venezuela pode aproximar o Mercosul de outros produtores de energia da regi&atilde;o, como a Bol&iacute;via, pot&ecirc;ncia em g&aacute;s natural, e Equador, tamb&eacute;m com abundantes reservas de hidrocarbonos&quot;, afirmou &agrave; IPS.<\/p>\n<p>Do ponto de vista alimentar, a Venezuela se beneficiar&aacute; da integra&ccedil;&atilde;o com Argentina, Uruguai e Brasil, que s&atilde;o grandes produtores, acrescentou Mineiro. Tamb&eacute;m ressaltou que a ades&atilde;o venezuelana, al&eacute;m de ser um interessante mercado para setores da ind&uacute;stria brasileira, tem seu maior valor no fato de praticamente todo o territ&oacute;rio sul-americano com litoral no Atl&acirc;ntico &quot;passar a ser parte de um bloco geopol&iacute;tico&quot;, o que ter&aacute; &quot;implica&ccedil;&otilde;es estrat&eacute;gicas&quot;, militares, de infraestrutura, de transporte e de pesca, entre outras.<\/p>\n<p>Desse territ&oacute;rio devem ser exclu&iacute;dos Col&ocirc;mbia, que limita ao norte com o Mar do Caribe, e as pequenas Guiana Francesa, Guiana e Suriname, com costas atl&acirc;nticas. &quot;Conforme se desenvolverem as rela&ccedil;&otilde;es entre o Mercosul e os pa&iacute;ses da costa atl&acirc;ntica da &Aacute;frica, este novo bloco geopol&iacute;tico poder&aacute; ajudar a alterar toda a situa&ccedil;&atilde;o do Atl&acirc;ntico Sul&quot;, apontou Mineiro. O maior desafio est&aacute; em &quot;as elites conservadoras de Argentina, Brasil e Uruguai perceberem que o processo &eacute; de integra&ccedil;&atilde;o de Estados nacionais e n&atilde;o de governos&quot;, ressaltou.<\/p>\n<p>O historiador Marcelo Carreiro, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, destacou que o ingresso da Venezuela contribuir&aacute; para a &quot;j&aacute; not&aacute;vel independ&ecirc;ncia energ&eacute;tica da regi&atilde;o&quot;. Contudo, al&eacute;m dos benef&iacute;cios econ&ocirc;micos pontuais, considera relevante uma poss&iacute;vel abertura do bloco aos pa&iacute;ses caribenhos e centro-americanos, com &quot;Caracas agindo como intermedi&aacute;rio&quot;. Segundo declarou Carreiro &agrave; IPS, &quot;o bloco se dinamiza por meio de sua maior participa&ccedil;&atilde;o global, que pode ser fundamental para a paralisada experi&ecirc;ncia de integra&ccedil;&atilde;o regional&quot;.<\/p>\n<p>As diferen&ccedil;as entre as fontes consultadas surgem no ponto de vista pol&iacute;tico. Enquanto Gon&ccedil;alves destaca que a Venezuela contribui para &quot;dar mais consist&ecirc;ncia ideol&oacute;gica ao Mercosul, com maior import&acirc;ncia nos aspectos sociais e n&atilde;o apenas comerciais&quot;, outros analistas veem o perigo, precisamente, nessa poss&iacute;vel agrupa&ccedil;&atilde;o de correntes de pensamento.<\/p>\n<p>Marcos Azambuja, do Centro Brasileiro de Rela&ccedil;&otilde;es Internacionais, afirmou que embora a Venezuela &quot;seja um s&oacute;cio desej&aacute;vel&quot; economicamente, n&atilde;o o ser&aacute; enquanto n&atilde;o superar seus problemas de &quot;democracia imperfeita&quot;, que definiu como a n&atilde;o altern&acirc;ncia de partidos no poder. &quot;O Mercosul quer rela&ccedil;&otilde;es com o mundo. Como podemos ver o Mercosul com a Venezuela negociando com a Europa?&quot;, questionou, em conversa com a IPS.<\/p>\n<p>An&aacute;lise semelhante foi feita por Cl&oacute;vis Brigag&atilde;o, diretor do Centro de Estudos das Am&eacute;ricas da Faculdade C&acirc;ndido Mendes. A ele preocupa o que considera o in&iacute;cio de &quot;um perfil gradualmente bolivariano&quot; do Mercosul, ao qual, com o empurr&atilde;o da Venezuela, podem se incorporar Equador, Bol&iacute;via e Nicar&aacute;gua. &quot;Em termos pr&aacute;ticos, o Mercosul se beneficia da entrada da Venezuela do ponto de vista geopol&iacute;tico, com riquezas como o petr&oacute;leo, mas no campo pol&iacute;tico &eacute; um retrocesso&quot;, disse &agrave; IPS.<\/p>\n<p>A uni&atilde;o dos conceitos de economia e ideologia &eacute; uma mudan&ccedil;a fundamental, disse Jo&atilde;o Pedro St&eacute;dile, dirigente do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra do Brasil e da rede internacional Via Campesina. Com a Venezuela, abrem-se as portas para que o Mercosul possa incluir tamb&eacute;m Equador, Bol&iacute;via e, mais tarde, Col&ocirc;mbia, Peru e Chile. E assim, finalmente, se transforme &quot;em um mercado comum com a Unasul (Uni&atilde;o de Na&ccedil;&otilde;es Sul-Americanas) como seu bra&ccedil;o pol&iacute;tico&quot;, afirmou &agrave; IPS. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Rio de Janeiro, Brasil, 01\/08\/2012 &ndash; A incorpora&ccedil;&atilde;o da Venezuela ao Mercosul, concretizada ontem em Bras&iacute;lia, marca uma nova configura&ccedil;&atilde;o geopol&iacute;tica continental, al&eacute;m do fato de alguns a considerarem um avan&ccedil;o estrat&eacute;gico e econ&ocirc;mico e outros um &quot;retrocesso democr&aacute;tico&quot;. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/08\/america-latina\/nova-etapa-geopoltica-do-mercosul\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":75,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2,12,5,11],"tags":[25],"class_list":["post-10412","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-america-latina","category-desenvolvimento","category-economia","category-politica","tag-ibsa"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10412","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/75"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10412"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10412\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10412"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10412"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10412"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}