{"id":10417,"date":"2012-08-02T10:27:52","date_gmt":"2012-08-02T10:27:52","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=10417"},"modified":"2012-08-02T10:27:52","modified_gmt":"2012-08-02T10:27:52","slug":"futuro-da-energia-nuclear-depende-de-quem-o-projeta","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/08\/mundo\/futuro-da-energia-nuclear-depende-de-quem-o-projeta\/","title":{"rendered":"Futuro da energia nuclear depende de quem o projeta"},"content":{"rendered":"<p>Paris, Fran&ccedil;a, 02\/08\/2012 &ndash; O rompimento dos readores da central japonesa de Fukushima Daiichi, em mar&ccedil;o de 2011, converteu o antigo debate sobre a energia nuclear em uma guerra de palavras entre ag&ecirc;ncias internacionais e especialistas independentes com posi&ccedil;&otilde;es diametralmente opostas. <!--more--> No &uacute;ltimo informe Ur&acirc;nio, divulgado no dia 26 de julho, a Ag&ecirc;ncia de Energia Nuclear (AEN) e a Ag&ecirc;ncia Internacional de Energia At&ocirc;mica (AIEA) ignoram totalmente as li&ccedil;&otilde;es deixadas pelo desastre de Fukushima e afirmam que, at&eacute; 2035, a capacidade de gera&ccedil;&atilde;o el&eacute;trica a partir desta alternativa aumentar&aacute; 99%. A previs&atilde;o tamb&eacute;m ignora as limita&ccedil;&otilde;es econ&ocirc;micas derivadas da crise que deixou muitos pa&iacute;ses da zona do euro &agrave; beira do colapso.<\/p>\n<p>As duas ag&ecirc;ncias, financiadas em grande parte por pa&iacute;ses industrializados, afirmam que nas pr&oacute;ximas duas d&eacute;cadas a energia nuclear aumentar&aacute; entre 44% e 99%, e que as reservas de ur&acirc;nio, apesar dos maiores custos de extra&ccedil;&atilde;o, s&atilde;o mais do que &quot;adequadas para atender os requisitos m&aacute;ximos at&eacute; 2035&quot;. Por&eacute;m, especialistas independentes consideram que essas previs&otilde;es otimistas s&atilde;o t&iacute;picas da falsa ilus&atilde;o dessas ag&ecirc;ncias.<\/p>\n<p>Mycle Schneider, um dos autores do World Nuclear Industry Status Report 2012 (WNISR &#8211; Informe sobre o Status Mundial da Ind&uacute;stria Nuclear), recordou que as duas ag&ecirc;ncias t&ecirc;m antecedentes de previs&otilde;es exageradas que nunca s&atilde;o concretizadas. &quot;Em 1973-1974, a AIEA previu uma capacidade nuclear instalada no mundo entre 3,6 mil e cinco mil gigawatts at&eacute; 2000, dez vezes a atual&quot;, disse Schneider &agrave; IPS. Schneider &eacute; um consultor sobre temas de energia e pol&iacute;tica nuclear residente em Paris e trabalhou para quase todos os governos da Europa ocidental, Uni&atilde;o Europeia, Parlamento Europeu e numerosas organiza&ccedil;&otilde;es ambientalistas. Tamb&eacute;m &eacute; membro do Grupo Internacional sobre Materiais F&iacute;sseis, na norte-americana Universidade de Princeton.<\/p>\n<p>&quot;Mesmo depois do acidente de Chernobil (Ucr&acirc;nia) em 1986, a AEN previu uma capacidade nuclear instalada entre 497 e 646 gigawatts at&eacute; 2000, entre 40% e 80% acima da realidade&quot;, acrescentou o especialista. Ao contr&aacute;rio do que dizem essas ag&ecirc;ncias, o estudo WNISR, divulgado no m&ecirc;s passado, prev&ecirc; o colapso da energia nuclear em quase todo o mundo, e atribui um significado marginal nas fontes de energia atuais e futuras. No contexto da instabilidade pol&iacute;tica e dos crescentes custos da constru&ccedil;&atilde;o, para n&atilde;o mencionar os menos r&iacute;gidos quesitos de seguran&ccedil;a para os reatores nucleares e o crescente mercado de recursos renov&aacute;veis, o informe n&atilde;o apresenta a alternativa at&ocirc;mica entre os primeiros lugares da agenda energ&eacute;tica.<\/p>\n<p>&quot;A gera&ccedil;&atilde;o de eletricidade nuclear alcan&ccedil;ou um m&aacute;ximo de 2,66 mil terawatts\/hora (TWh) em 2006 e caiu para 2.518 TWh em 2011 (4,3% abaixo de 2010), enquanto o peso desta fonte na gera&ccedil;&atilde;o el&eacute;trica mundial diminui de forma sustentada de um m&aacute;ximo hist&oacute;rico de 17%, em 1993, para 11%, no ano passado, diz o informe. Al&eacute;m disso, &quot;a capacidade nuclear instalada no mundo diminuiu em 1998, 2006, 2009 e novamente em 2011, enquanto a de energia e&oacute;lica anual aumentou 41 gigawatts apenas no ano passado&quot;, diz o documento. E acrescenta que o investimento global em energias renov&aacute;veis chegou a US$ 260 bilh&otilde;es em 2011, 5% mais do que no ano anterior e quase cinco vezes mais do que em 2004.<\/p>\n<p>&quot;O investimento total acumulado em fontes renov&aacute;veis aumentou para mais de US$ 1 trilh&atilde;o desde 2004, segundo a Bloomberg New Energy Finance&quot;, indicou Schneider &agrave; IPS. &quot;Compare isto com nossa estimativa de decis&otilde;es de investimento em energia nuclear de US$ 120 bilh&otilde;es no mesmo per&iacute;odo&quot;, ressaltou. Tais fatos contradit&oacute;rios mostram que &quot;as fontes de energia renov&aacute;veis e o g&aacute;s natural s&atilde;o cada vez mais acess&iacute;veis e muito mais r&aacute;pidos de instalar&quot; do que a alternativa nuclear, explicou Schneider. O WNISR considera que a cat&aacute;strofe de Fukushima &eacute; um ponto de inflex&atilde;o no desenvolvimento da energia at&ocirc;mica, mas o informe da AEN e da AIEA v&ecirc; esse desastre apenas como um &quot;obst&aacute;culo no caminho&quot;.<\/p>\n<p>De fato, o diretor-geral da AEN, Luis Ech&aacute;varri, declarou: &quot;O acidente de Fukushima Daiichi fez com que atrasasse o desenvolvimento de programas de energia nuclear no mundo enquanto s&atilde;o analisadas e implantadas as li&ccedil;&otilde;es que deixou. A maioria dos pa&iacute;ses reafirmou seu compromisso de continuar utilizando a energia nuclear, mas alguns optaram por reduzi-la de forma gradual ou n&atilde;o reintroduzi-la&quot;.<\/p>\n<p>A AEN e a AIEA reiteraram refer&ecirc;ncias anteriores a supostos planos para a constru&ccedil;&atilde;o de novas usinas nucleares, &quot;com a forte expans&atilde;o de China, &Iacute;ndia, Rep&uacute;blica da Coreia e Federa&ccedil;&atilde;o Russa&quot;, e d&atilde;o como certo o crescimento desta alternativa em outros pa&iacute;ses. Por&eacute;m, negam-se a quantific&aacute;-lo. Seu otimismo s&oacute; pode ser explicado por uma decidida nega&ccedil;&atilde;o dos acontecimentos reais em mat&eacute;ria energ&eacute;tica ap&oacute;s o desastre de Fukushima, pontuou Antony Froggatt, pesquisador especializado nestes temas do grupo de estudo Chatham House, com sede em Londres.<\/p>\n<p>&quot;A mudan&ccedil;a mais significativa depois de Fukushima ocorreu fora do Jap&atilde;o, e foi na Alemanha&quot;, lembrou Froggatt &agrave; IPS. &quot;Quatro meses depois do acidente, Berlim adotou uma lei que reintroduz e acelera uma iniciativa anterior de reduzir de forma gradual o peso da energia nuclear&quot;, acrescentou. A elimina&ccedil;&atilde;o desta alternativa econ&ocirc;mica na Alemanha dever&aacute; ser completada at&eacute; dezembro de 2022. O Jap&atilde;o tamb&eacute;m examina seguir por esse caminho nas pr&oacute;ximas duas d&eacute;cadas.<\/p>\n<p>&quot;Outros pa&iacute;ses da Europa, entre eles, B&eacute;lgica, It&aacute;lia e Su&iacute;&ccedil;a, afastaram-se da fonte nuclear&quot;, destacou Froggatt. Quanto &agrave;s na&ccedil;&otilde;es em desenvolvimento, Egito, Jord&acirc;nia, Kwait e Tail&acirc;ndia &quot;abandonaram seus planos para desenvolver esta alternativa&quot;, acrescentou. Entretanto, reconheceu que outros Estados, como Rep&uacute;blica Checa, Fran&ccedil;a, Hungria e Gr&atilde;-Bretanha, bem com &Iacute;ndia e Paquist&atilde;o, reiteraram suas inten&ccedil;&otilde;es de continuar desenvolvendo a energia nuclear. A China &eacute; uma incerteza, pois suspendeu novas constru&ccedil;&otilde;es para fazer novas avalia&ccedil;&otilde;es e novos testes, o que contrasta com o otimismo da AEN e da AIEA.<\/p>\n<p>Para que a gera&ccedil;&atilde;o el&eacute;trica procedente da energia nuclear aumente 99% nos pr&oacute;ximos 23 anos, seria preciso construir centenas de centrais, o que &eacute; pouco prov&aacute;vel, pois, segundo o estudo de Schneider, desde o ano passado foram instalados apenas nove reatores e 21 acabaram desativados. &quot;Das 59 unidades em constru&ccedil;&atilde;o no mundo, pelo menos 18 t&ecirc;m atrasos de v&aacute;rios anos, enquanto os restantes 41 projetos come&ccedil;aram nos &uacute;ltimos cinco anos e n&atilde;o chegaram &agrave;s datas previstas para seu in&iacute;cio, o que torna dif&iacute;cil prever se cumprir&atilde;o o cronograma&quot;, ressaltou Schneider. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Paris, Fran&ccedil;a, 02\/08\/2012 &ndash; O rompimento dos readores da central japonesa de Fukushima Daiichi, em mar&ccedil;o de 2011, converteu o antigo debate sobre a energia nuclear em uma guerra de palavras entre ag&ecirc;ncias internacionais e especialistas independentes com posi&ccedil;&otilde;es diametralmente opostas. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/08\/mundo\/futuro-da-energia-nuclear-depende-de-quem-o-projeta\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":109,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[10,4],"tags":[],"class_list":["post-10417","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-energia","category-mundo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10417","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/109"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10417"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10417\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10417"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10417"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10417"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}