{"id":10428,"date":"2012-08-06T11:49:25","date_gmt":"2012-08-06T11:49:25","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=10428"},"modified":"2012-08-06T11:49:25","modified_gmt":"2012-08-06T11:49:25","slug":"banmujer-as-incorpora-aos-benefcios-do-desenvolvimento","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/08\/america-latina\/banmujer-as-incorpora-aos-benefcios-do-desenvolvimento\/","title":{"rendered":"&quot;Banmujer as incorpora aos benef&iacute;cios do desenvolvimento&quot;"},"content":{"rendered":"<p>Caracas, Venezuela, 06\/08\/2012 &ndash; &quot;Nossa raz&atilde;o de ser &eacute; a incorpora&ccedil;&atilde;o das mulheres ao desenvolvimento, e mais, aos seus benef&iacute;cios&quot;, explicou &agrave; IPS a economista Nora Casta&ntilde;eda, que est&aacute; &agrave; frente do Banmujer (Banmulher) da Venezuela desde sua cria&ccedil;&atilde;o, em 2001.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_10428\" style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/Nora.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-10428\" class=\"size-medium wp-image-10428\" title=\"Nora Casta\u00c3\u00b1eda, diante de um cartaz com os lemas do Banmujer. - Ra&uacute;l L\u00c3\u00admaco\/IPS\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/Nora.jpg\" alt=\"Nora Casta\u00c3\u00b1eda, diante de um cartaz com os lemas do Banmujer. - Ra&uacute;l L\u00c3\u00admaco\/IPS\" width=\"200\" height=\"148\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-10428\" class=\"wp-caption-text\">Nora Casta\u00c3\u00b1eda, diante de um cartaz com os lemas do Banmujer. - Ra&uacute;l L\u00c3\u00admaco\/IPS<\/p><\/div>  Nora, que se define socialista e feminista, dedica sua vida &agrave; defesa dos direitos das mulheres. E nessa tarefa cont&iacute;nua, no Banco de Desenvolvimento da Mulher (Banmujer), que qualifica de &quot;banco diferente&quot; entre as institui&ccedil;&otilde;es de microcr&eacute;dito no mundo.<\/p>\n<p>Em seu extenso curr&iacute;culo, destaca-se o fato de ser fundadora do Centro de Estudos da Mulher na p&uacute;blica Universidade Central da Venezuela e coordenadora das organiza&ccedil;&otilde;es n&atilde;o governamentais locais junto &agrave; quarta Confer&ecirc;ncia Mundial sobre a Mulher, realizada em 1995, em Pequim. O Banmujer, &uacute;nico de seu tipo no mundo por seu car&aacute;ter p&uacute;blico, destinado &agrave; mulher e com seus servi&ccedil;os totalmente gratuitos, concedeu 150 mil cr&eacute;ditos de pequena escala, totalizando US$ 11,7 milh&otilde;es. Este &eacute; um resumo da entrevista.<\/p>\n<p>IPS: O que caracteriza o Banmujer como institui&ccedil;&atilde;o de microcr&eacute;dito?<\/p>\n<p>Nora Casta&ntilde;eda: H&aacute; v&aacute;rios tipos de entidades de microfinan&ccedil;as, mas o Banmujer &eacute; diferente de todas, porque nossa raz&atilde;o de ser n&atilde;o s&atilde;o os ganhos financeiros. &Eacute; isso e algo mais importante: a incorpora&ccedil;&atilde;o das mulheres ao desenvolvimento e, mais ainda, aos benef&iacute;cios do desenvolvimento. E isto n&atilde;o se consegue apenas com microcr&eacute;ditos.<\/p>\n<p>IPS: Como surgiu a ideia?<\/p>\n<p>NC: O caminho para Pequim e a confer&ecirc;ncia foram o ponto de partida. Ali as organiza&ccedil;&otilde;es de mulheres conclu&iacute;ram que se algo estava em questionamento eram os direitos econ&ocirc;micos das mulheres e que sem eles n&atilde;o havia direitos humanos. Se a base econ&ocirc;mica da sociedade n&atilde;o muda para as mulheres, especialmente para as mais pobres entre elas, n&atilde;o h&aacute; empoderamento e as leis de paridade ficam no papel.<\/p>\n<p>IPS: O microcr&eacute;dito, ent&atilde;o, &eacute; um meio?<\/p>\n<p>NC: Efetivamente. O banco n&atilde;o &eacute; uma entidade apenas para dar microcr&eacute;ditos. Se assim fosse, estar&iacute;amos apenas reproduzindo a tripla jornada de trabalho das mulheres (casa, atividade profissional, comunidade), embora apenas um seja remunerado, e mal remunerado. Incorporar as mulheres aos benef&iacute;cios da economia passa n&atilde;o apenas pelo microcr&eacute;dito, mas por elevar nossa qualidade de vida, mediante o desenvolvimento da solidariedade familiar, do trabalho, da honestidade e do compartilhar. Come&ccedil;amos a trabalhar por a&iacute;, com uma aprendizagem muito coletiva, muito de nossa Am&eacute;rica, muito Sul-Sul. Tivemos que ir aprendendo e desaprendendo ao mesmo tempo. H&aacute; valores que s&atilde;o antivalores e era preciso pensar diferente, com risco de sermos vistas como atrasadas, complexadas ou marginalizadas.<\/p>\n<p>IPS: Um exemplo do que tiveram que desaprender?<\/p>\n<p>NC: Tivemos que desaprender o que &eacute; um banco, pois nos diziam que &eacute; uma institui&ccedil;&atilde;o financeira cujo objetivo &eacute; obter rentabilidade. Debatemos muito o modelo e decidimos que dever&iacute;amos priorizar e nos focar nas mais pobres e atender a feminiza&ccedil;&atilde;o da pobreza.<\/p>\n<p>IPS: Qual modelo gerou esse processo?<\/p>\n<p>NC: O modelo solid&aacute;rio, baseado na coopera&ccedil;&atilde;o e na ajuda m&uacute;tua. O modelo pelo qual quem gerencia e administra &eacute; servidor e servidora p&uacute;blica de outros. N&atilde;o foi f&aacute;cil, tivemos falhas, nem sempre eram compreendidas as propostas, nem sempre funcionamos como pensamos. &Eacute; um caminho novo e h&aacute; testes e erros na pr&aacute;tica. E existe a vari&aacute;vel tempo, t&atilde;o importante, s&atilde;o processos lentos e custa adaptar-se a eles e compreend&ecirc;-los.<\/p>\n<p>IPS: Como as mulheres chegam ao banco?<\/p>\n<p>NC: Decidimos que seria o banco que iria at&eacute; elas. Criamos equipes, pequenas, em cada Estado, de mulheres locais, com uma respons&aacute;vel. Estabelecemos alian&ccedil;as estrat&eacute;gicas com as comunidades organizadas, com outras inst&acirc;ncias do Estado, com organiza&ccedil;&otilde;es de mulheres e as igrejas. Vamos &agrave;s comunidades, oferecemos apoio, pedimos um plano de trabalho e, antes de tudo, forma&ccedil;&atilde;o. Todas devem assistir pelo menos a tr&ecirc;s pain&eacute;is, porque podem receber dinheiro e n&atilde;o ter &ecirc;xito em seu projeto por raz&otilde;es derivadas de sua condi&ccedil;&atilde;o de pobreza. A pobreza n&atilde;o se combate &agrave; for&ccedil;a de dinheiro. Para super&aacute;-la &eacute; preciso apoiar-se em organiza&ccedil;&otilde;es baseadas na solidariedade, que pode ser a pr&oacute;pria fam&iacute;lia. Pode haver homens, desde que a coordenadora seja mulher e eles sejam minoria. Mas, ainda assim acontece de eles imporem e elas aceitarem, porque &eacute; o dominante.<\/p>\n<p>IPS: O que pretende com a forma&ccedil;&atilde;o?<\/p>\n<p>NC: Buscamos converter as mulheres em economistas populares, que elas fa&ccedil;am perguntas como as da universidade: o que produzir, como, onde, quando e para quem, com o guia de um di&aacute;logo de saberes, que todas temos ainda sem sistematizar. Tamb&eacute;m substitu&iacute;mos a an&aacute;lise de mercado por um diagn&oacute;stico comunit&aacute;rio participativo, sobre as necessidades de seu bairro ou de sua comunidade, ou fazemos uma an&aacute;lise de custos, que as incorpore como trabalhadoras e fixe um lucro adequado. O objetivo &eacute; que o povo seja economista, pois &eacute; uma coisa muito s&eacute;ria para deix&aacute;-la apenas com os economistas. Al&eacute;m disso, existe um acompanhamento, um apoio t&eacute;cnico e tudo &eacute; gratuito. Isto tamb&eacute;m nos faz diferentes.<\/p>\n<p>IPS: Quantas pessoas o Banmujer beneficiou?<\/p>\n<p>NC: Diretamente cerca de 150 mil pessoas, 10% delas homens. Por tr&aacute;s dessas pessoas h&aacute; uma unidade familiar de cinco pessoas, em m&eacute;dia.<\/p>\n<p>IPS: Como funciona a concess&atilde;o do cr&eacute;dito?<\/p>\n<p>NC: Manejamos 467 milh&otilde;es de bol&iacute;vares (US$ 11,7 milh&otilde;es) em 11 anos. O apoio que lhes &eacute; dado tem frutos permanentes. Concedemos 150 mil cr&eacute;ditos. Mas favorecemos de maneira indireta outro grande n&uacute;mero de mulheres, que criam um modelo de atua&ccedil;&atilde;o em seu entorno. Os pain&eacute;is t&ecirc;m essa inten&ccedil;&atilde;o. Nossa miss&atilde;o &eacute; aprendermos e nos reconhecermos como um valor positivo que merece ser imitado. O microcr&eacute;dito &eacute; um instrumento e o que transversaliza tudo &eacute; uma mudan&ccedil;a de valores. Propusemos ao presidente (Hugo Ch&aacute;vez): o microcr&eacute;dito &eacute; uma desculpa para chegar &agrave;s mulheres e com elas, e a partir delas e para elas, nos organizarmos como povo. E ele me disse: de acordo, mas d&ecirc; o cr&eacute;dito (risos). No caminho decidimos priorizar a agricultura, incluindo a urbana e periurbana, para atender dois fen&ocirc;menos combinados: feminiza&ccedil;&atilde;o do campo e da pobreza.<\/p>\n<p>IPS: Como s&atilde;o as condi&ccedil;&otilde;es do cr&eacute;dito e do pagamento?<\/p>\n<p>NC: Os cr&eacute;ditos s&atilde;o de 48 meses e seis mil bol&iacute;vares (US$ 1,4 mil) por pessoa para grupos de no m&aacute;ximo nove integrantes. A taxa de juros &eacute; de zero a 6%. N&atilde;o h&aacute; lucro, &eacute; sem fim lucrativo, mas tamb&eacute;m sem fins de perda. Somos um banco subsidiado pelo Estado, algo &uacute;nico no caso das mulheres, para cumprir os Objetivos de Desenvolvimento do Mil&ecirc;nio, entre eles o de eliminar a pobreza e empoderar as mulheres. Fazemos as m&aacute;ximas economias poss&iacute;veis, para que nossos balan&ccedil;os nunca apontem perdas. Assim as mulheres cada vez recebem mais. As que pagam v&atilde;o obter um &quot;recr&eacute;dito&quot;, por isso todas est&atilde;o pendentes de pagar. Conseguimos uma cobran&ccedil;a permanente. &Agrave;s vezes, em lugar de pagar tudo, pagam uma parte, mas depois colocam tudo em dia. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Caracas, Venezuela, 06\/08\/2012 &ndash; &quot;Nossa raz&atilde;o de ser &eacute; a incorpora&ccedil;&atilde;o das mulheres ao desenvolvimento, e mais, aos seus benef&iacute;cios&quot;, explicou &agrave; IPS a economista Nora Casta&ntilde;eda, que est&aacute; &agrave; frente do Banmujer (Banmulher) da Venezuela desde sua cria&ccedil;&atilde;o, em 2001. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/08\/america-latina\/banmujer-as-incorpora-aos-benefcios-do-desenvolvimento\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":421,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2,12,6,5],"tags":[21,24],"class_list":["post-10428","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-america-latina","category-desenvolvimento","category-direitos-humanos","category-economia","tag-metas-do-milenio","tag-mulheres"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10428","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/421"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10428"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10428\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10428"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10428"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10428"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}