{"id":10448,"date":"2012-08-08T12:11:12","date_gmt":"2012-08-08T12:11:12","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=10448"},"modified":"2012-08-08T12:11:12","modified_gmt":"2012-08-08T12:11:12","slug":"coluna-o-multilateralismo-est-em-uma-encruzilhada","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/08\/mundo\/coluna-o-multilateralismo-est-em-uma-encruzilhada\/","title":{"rendered":"COLUNA: O multilateralismo est&aacute; em uma encruzilhada"},"content":{"rendered":"<p>Genebra, Su&iacute;&ccedil;a, 08\/08\/2012 &ndash; O multilateralismo est&aacute; em uma encruzilhada. Para sair dela &eacute; preciso atuar conjuntamente, por exemplo, nas quest&otilde;es ambientais e na sustentabilidade, temas centrais na recente c&uacute;pula Rio+20. <!--more--> A encruzilhada &eacute; not&oacute;ria no com&eacute;rcio e em outros assuntos econ&ocirc;micos. A C&uacute;pula do Grupo dos 20 (G-20) pa&iacute;ses industrializados e emergentes de Los Cabos, no M&eacute;xico, p&ocirc;s o seu foco precisamente em melhorar a resposta coletiva &agrave;s atuais turbul&ecirc;ncias econ&ocirc;micas, que tamb&eacute;m est&atilde;o no centro dos acontecimentos na Uni&atilde;o Europeia (UE).<\/p>\n<p>A crise come&ccedil;ou em 2008, mas a economia mundial ainda segue fr&aacute;gil. As proje&ccedil;&otilde;es da Organiza&ccedil;&atilde;o Mundial do Com&eacute;rcio (OMC) indicam que o interc&acirc;mbio comercial vai desacelerar, passando de 5% em 2011 para apenas 3,7% este ano.<\/p>\n<p>O impacto da crise tamb&eacute;m &eacute; sentido no mundo em desenvolvimento. A previs&atilde;o &eacute; de que a din&acirc;mica economia chinesa crescer&aacute; menos este ano, enquanto diminui o crescimento da &Iacute;ndia. Muitos pa&iacute;ses pobres veem baixar suas exporta&ccedil;&otilde;es para seus principais mercados, a UE e os Estados Unidos.<\/p>\n<p>Entretanto, surgem novos atores e novos s&oacute;cios comerciais, o que muda sobremaneira a natureza do interc&acirc;mbio e aprofunda a interdepend&ecirc;ncia econ&ocirc;mica.<\/p>\n<p>Na &uacute;ltima d&eacute;cada, a participa&ccedil;&atilde;o das economias em desenvolvimento e emergentes aumentou de um ter&ccedil;o para metade do produto interno bruto (PIB) global. E a parte dos pa&iacute;ses em desenvolvimento nas exporta&ccedil;&otilde;es globais aumentou de 33% para 43%.<\/p>\n<p>A estrutura do com&eacute;rcio internacional tamb&eacute;m est&aacute; se transformando. N&atilde;o faz muito tempo, numerosos produtos eram &quot;Made in China&quot; ou &quot;Made in Germany&quot;. Agora, a expans&atilde;o das cadeias globais implica que a maioria dos produtos seja montada com contribui&ccedil;&atilde;o de muitos pa&iacute;ses, e podemos dizer que s&atilde;o &quot;Made in the World&quot;.<\/p>\n<p>Com taxa de crescimento de 6% ao ano, o com&eacute;rcio em bens intermedi&aacute;rios agora representa 60% do com&eacute;rcio internacional e &eacute; o setor mais din&acirc;mico.<\/p>\n<p>O mapa das emiss&otilde;es globais de gases-estufa tamb&eacute;m mudou. As emiss&otilde;es do mundo em desenvolvimento aumentam bastante, e as da China s&atilde;o iguais ou j&aacute; superaram as dos Estados Unidos.<\/p>\n<p>O mesmo pode ser dito da coopera&ccedil;&atilde;o macroecon&ocirc;mica. Como demonstraram as c&uacute;pulas do G-20, tanto nas pol&iacute;ticas monet&aacute;rias como nas fiscais, na luta contra os para&iacute;sos fiscais ou pela regula&ccedil;&atilde;o das atividades financeiras, falta a coopera&ccedil;&atilde;o global.<\/p>\n<p>Por&eacute;m, as regras que governam a coopera&ccedil;&atilde;o multilateral n&atilde;o seguiram o ritmo dessas mudan&ccedil;as. Em boa medida, vivemos com as regras criadas na d&eacute;cada de 1990.<\/p>\n<p>Uma preocupante atitude surgiu nos dois &uacute;ltimos anos com rela&ccedil;&atilde;o ao multilateralismo. Em contraste com os m&uacute;ltiplos chamados diante da propaga&ccedil;&atilde;o da crise financeira global em favor de maior e melhor coer&ecirc;ncia regulat&oacute;ria, a coopera&ccedil;&atilde;o internacional afundou e est&aacute; mais prec&aacute;ria ainda.<\/p>\n<p>Algum c&iacute;nico observador poderia dizer que, durante a d&eacute;cada passada, os esfor&ccedil;os internacionais para forjar acordos legalmente vinculantes puseram t&atilde;o baixo o umbral das expectativas que, agora, at&eacute; um acordo para continuar dialogando &eacute; considerado um &ecirc;xito.<\/p>\n<p>Tal cinismo passa por cima do fato de que, para a maioria dos pa&iacute;ses, mais multilateralismo e mais coopera&ccedil;&atilde;o internacional continuam sendo o &uacute;nico caminho sustent&aacute;vel para avan&ccedil;ar.<\/p>\n<p>As mudan&ccedil;as dos &uacute;ltimos anos ditaram uma remodela&ccedil;&atilde;o, uma reconsidera&ccedil;&atilde;o e um ajuste da coopera&ccedil;&atilde;o multilateral tradicional, inclusive na OMC. A prolifera&ccedil;&atilde;o de diferentes coaliz&otilde;es informais e grupos de pa&iacute;ses e da sociedade civil, como G-8, G-8+5, G-20, B-20 e L-20, entre outros, &eacute; sintom&aacute;tica da natureza sempre mutante das rela&ccedil;&otilde;es internacionais.<\/p>\n<p>Entretanto, creio que sua efic&aacute;cia depender&aacute; de serem suficientemente representativas para enfrentar os cada vez mais complexos desafios em nossa agenda. Uma economia global est&aacute;vel n&atilde;o pode ser constru&iacute;da sem incluir os principais interessados no processo de tomada de decis&otilde;es.<\/p>\n<p>E, o que &eacute; mais importante, enquanto a crise continuar golpeando fortemente os sistemas nacionais, ser&aacute; dif&iacute;cil alcan&ccedil;ar um multilateralismo de alto n&iacute;vel.<\/p>\n<p>A situa&ccedil;&atilde;o pode se converter em um c&iacute;rculo vicioso: sair da crise mais cedo do que tarde implica uma forte lideran&ccedil;a para executar os necess&aacute;rios acordos de coopera&ccedil;&atilde;o internacional. Mas a legitimidade dos governos diminui com o descontentamento popular gerado pelas dificuldades econ&ocirc;micas e sociais. Isto afeta a capacidade de atuar conjuntamente, o que, por sua vez, prolonga a crise.<\/p>\n<p>Creio, ent&atilde;o, que o multilateralismo est&aacute; em uma encruzilhada. Ou avan&ccedil;a no esp&iacute;rito de valores compartilhados ou enfrentamos uma retirada do multilateralismo, por nossa conta e risco.<\/p>\n<p>Sem coopera&ccedil;&atilde;o global no financeiro, na seguran&ccedil;a, no com&eacute;rcio, no meio ambiente e na redu&ccedil;&atilde;o da pobreza, os riscos de divis&atilde;o, conflitos e guerras continuar&atilde;o sendo perigosamente reais. N&atilde;o basta ficar &agrave; espera de tempos melhores. Devemos ser mais audazes para juntos enfrentarmos os crescentes riscos. Envolverde\/IPS<\/p>\n<p>* Pascal Lamy &eacute; diretor-geral da Organiza&ccedil;&atilde;o Mundial do Com&eacute;rcio (OMC).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Genebra, Su&iacute;&ccedil;a, 08\/08\/2012 &ndash; O multilateralismo est&aacute; em uma encruzilhada. 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