{"id":10461,"date":"2012-08-09T10:08:56","date_gmt":"2012-08-09T10:08:56","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=10461"},"modified":"2012-08-09T10:08:56","modified_gmt":"2012-08-09T10:08:56","slug":"mercosul-china-livre-comrcio-no-obrigado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/08\/america-latina\/mercosul-china-livre-comrcio-no-obrigado\/","title":{"rendered":"MERCOSUL-CHINA: Livre com&eacute;rcio? N&atilde;o, obrigado"},"content":{"rendered":"<p>Buenos Aires, Argentina, 09\/08\/2012 &ndash; Mais al&eacute;m da predisposi&ccedil;&atilde;o dos governantes do Mercosul, a proposta da China de transitar para um acordo de livre com&eacute;rcio carece de possibilidades, ao menos no curto prazo.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_10461\" style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/Argentina.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-10461\" class=\"size-medium wp-image-10461\" title=\"Cristina Fern&aacute;ndez e Wen Jiabao em teleconfer&ecirc;ncia com seus pares Dilma Rousseff e Jos&eacute; Mujica. - Presid&ecirc;ncia da Argentina\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/Argentina.jpg\" alt=\"Cristina Fern&aacute;ndez e Wen Jiabao em teleconfer&ecirc;ncia com seus pares Dilma Rousseff e Jos&eacute; Mujica. - Presid&ecirc;ncia da Argentina\" width=\"200\" height=\"120\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-10461\" class=\"wp-caption-text\">Cristina Fern&aacute;ndez e Wen Jiabao em teleconfer&ecirc;ncia com seus pares Dilma Rousseff e Jos&eacute; Mujica. - Presid&ecirc;ncia da Argentina<\/p><\/div>  Especialistas e industriais temem a invas&atilde;o de produtos asi&aacute;ticos e que a competi&ccedil;&atilde;o seja muito desigual. Embora as fontes ouvidas pela IPS concordem com as perspectivas de um forte aumento do com&eacute;rcio e dos investimentos entre o Mercosul e a China, a possibilidade de um acordo de livre com&eacute;rcio parece pouco realista no atual cen&aacute;rio.<\/p>\n<p>O projeto de associa&ccedil;&atilde;o foi transmitido pelo primeiro-ministro chin&ecirc;s, Wen Jiabao, aos governos do bloco em Buenos Aires, quando em 25 de junho visitou a presidente argentina, Cristina Fern&aacute;ndez. Por videoconfer&ecirc;ncia, ambos somaram &agrave;s delibera&ccedil;&otilde;es a presidente Dilma Rousseff, e seu colega do Uruguai, Jos&eacute; Mujica. Os quatro governantes celebraram a ideia de ampliar a aproxima&ccedil;&atilde;o comercial entre as partes.<\/p>\n<p>A crise institucional, que surgiu em 22 de junho no Paraguai, com a fulminante destitui&ccedil;&atilde;o do presidente Fernando Lugo, impediu a participa&ccedil;&atilde;o deste pa&iacute;s, o quarto membro fundador do bloco. De todo modo, Assun&ccedil;&atilde;o enfrenta a encruzilhada de continuar mantendo rela&ccedil;&otilde;es diplom&aacute;ticas com Taiwan ou aceitar a exig&ecirc;ncia de acabar com elas para poder negociar com Pequim. J&aacute; a Venezuela ainda n&atilde;o tinha sido aceita com quinto membro pleno, o que ocorreu em 31 de julho, em Bras&iacute;lia.<\/p>\n<p>Na &uacute;ltima c&uacute;pula ordin&aacute;ria semestral do Mercosul, realizada na prov&iacute;ncia argentina de Mendoza, quatro dias ap&oacute;s a visita de Jiabao, os governos de Argentina, Brasil e Uruguai se comprometeram a aumentar a coopera&ccedil;&atilde;o com a China. Tamb&eacute;m aprovaram uma proposta para enviar uma miss&atilde;o comercial conjunta este ano &agrave; cidade chinesa de Xangai, principal centro financeiro e comercial desse pa&iacute;s. Contudo, n&atilde;o foram longe na oferta de livre com&eacute;rcio do gigante asi&aacute;tico que, se for acertado, ser&aacute; um processo longo e complexo.<\/p>\n<p>Para o brasileiro Mauricio Mesquita Moreira, especialista em com&eacute;rcio internacional do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), n&atilde;o h&aacute; condi&ccedil;&otilde;es para implantar este tipo de acordo no futuro pr&oacute;ximo. &quot;Por um lado, Argentina e Brasil t&ecirc;m uma ind&uacute;stria muito vulner&aacute;vel &agrave; competi&ccedil;&atilde;o asi&aacute;tica, e na economia chinesa o peso do Estado ainda &eacute; muito forte na promo&ccedil;&atilde;o industrial&quot; para aceitar a liberaliza&ccedil;&atilde;o, explicou &agrave; IPS. &quot;Os s&oacute;cios menores, como Uruguai e Paraguai, carecem de estrutura industrial e poderiam se beneficiar de um acordo com a China, mas estar no Mercosul tamb&eacute;m lhes d&aacute; benef&iacute;cios, como o acesso privilegiado a mercados maiores&quot; do pr&oacute;prio bloco, detalhou.<\/p>\n<p>Moreira esteve este m&ecirc;s em Buenos Aires para apresentar uma pesquisa, que fez para o BID junto com especialistas do Instituto do Banco Asi&aacute;tico de Desenvolvimento, na qual &eacute; analisado o futuro da vincula&ccedil;&atilde;o entre &Aacute;sia e Am&eacute;rica Latina. O estudo recomenda um aumento no volume do com&eacute;rcio e dos investimentos entre os dois mundos. Tampouco o economista Guillermo Rozenwurcel, diretor do Centro de Pesquisas sobre Desenvolvimento Econ&ocirc;mico da Am&eacute;rica do Sul (Ideas), v&ecirc; &quot;pouca viabilidade para a proposta chinesa nos pr&oacute;ximos dez ou 15 anos&quot;.<\/p>\n<p>Rozenwurcel afirmou &agrave; IPS que &quot;os presidentes deram uma resposta diplom&aacute;tica aos interlocutores chineses para mostrar que escutaram a proposta, mas, enquanto o campo de jogo n&atilde;o se nivelar, o debate sobre um acordo de livre com&eacute;rcio tem pouco espa&ccedil;o&quot;, e que tamb&eacute;m n&atilde;o h&aacute; &quot;margem pol&iacute;tica&quot; para isso. Por outro lado, acrescentou, &quot;h&aacute; um horizonte desafiante e complexo, mas poss&iacute;vel&quot;, para incrementar o com&eacute;rcio, os investimentos e a coopera&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica e tecnol&oacute;gica entre a Am&eacute;rica Latina e a &Aacute;sia.<\/p>\n<p>Segundo o estudo do BID e do Instituto do Banco Asi&aacute;tico de Desenvolvimento, o com&eacute;rcio entre Am&eacute;rica Latina e &Aacute;sia aumentou, em m&eacute;dia, 20,5% ao ano desde 2000, e atualmente est&aacute; em US$ 442 bilh&otilde;es. Com esse crescimento t&atilde;o acentuado na &uacute;ltima d&eacute;cada, a China, principal vendedor do lado asi&aacute;tico, avan&ccedil;ou na Am&eacute;rica Latina at&eacute; colocar-se como segundo s&oacute;cio comercial da regi&atilde;o depois dos Estados Unidos. Por&eacute;m, o padr&atilde;o desse interc&acirc;mbio est&aacute; bastante definido, dizem os especialistas. A grande maioria das vendas latino-americanas para a &Aacute;sia &eacute; de mat&eacute;rias-primas e grande parte do com&eacute;rcio asi&aacute;tico para esta regi&atilde;o &eacute; de bens industriais.<\/p>\n<p>A consultoria argentina Abeceb informou que o com&eacute;rcio entre Mercosul e China passou de US$ 10,342 bilh&otilde;es em 2003 para US$ 77,882 bilh&otilde;es em 2011, e a perspectiva &eacute; que chegue a US$ 200 bilh&otilde;es em 2016. No entanto, a Abeceb tamb&eacute;m alerta que nesse mesmo per&iacute;odo as compras argentinas de itens industriais brasileiros, como t&ecirc;xteis, bens de capital, pl&aacute;sticos ou produtos farmac&ecirc;uticos foram deslocadas pela competi&ccedil;&atilde;o chinesa.<\/p>\n<p>Um exemplo &eacute; o dos produtos t&ecirc;xteis: 56% das importa&ccedil;&otilde;es argentinas chegavam do Brasil em 2003, e atualmente essa participa&ccedil;&atilde;o caiu para 22,6%. J&aacute; as compras argentinas de produtos chineses no mesmo setor passaram de 2% para 34,1%. Quanto aos cal&ccedil;ados, a importa&ccedil;&atilde;o procedente do Brasil caiu de 79,2% para 37,5% entre 2003 e 2011, enquanto o acesso chin&ecirc;s ao mercado argentino esse mesmo per&iacute;odo nessa &aacute;rea cresceu de 12,6% para 36%.<\/p>\n<p>O presidente da C&acirc;mara Argentina da Ind&uacute;stria de Brinquedos, Miguel Faraoni, entende que um acordo de livre com&eacute;rcio entre Mercosul e China &quot;seria muito contraproducente&quot;, e ressaltou que &quot;a competi&ccedil;&atilde;o &eacute; imposs&iacute;vel pela disparidade nas pol&iacute;ticas de cada um. A China produz entre 75% e 80% dos brinquedos que s&atilde;o vendidos no mundo, por isso seria uma luta desigual&quot;.<\/p>\n<p>Faraoni explicou que a participa&ccedil;&atilde;o da ind&uacute;stria nacional de brinquedos no mercado dom&eacute;stico passou de 10$ em 2002 para 50% atualmente, e que h&aacute; mais empresas estrangeiras radicadas na Argentina para produzir localmente. &quot;Cresceu a produ&ccedil;&atilde;o, o emprego, o investimento em m&aacute;quinas e novas tecnologias e estamos exportando 8% do produzido para a regi&atilde;o e o mercado latino dos Estados Unidos&quot;, ressaltou. Para Faroni, a ind&uacute;stria argentina pode competir em pre&ccedil;o e qualidade com a do Brasil, &quot;que tem as mesmas regras de jogo, mas seria um retrocesso nos avan&ccedil;os dos &uacute;ltimos anos abrir o mercado para a China&quot;, enfatizou. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Buenos Aires, Argentina, 09\/08\/2012 &ndash; Mais al&eacute;m da predisposi&ccedil;&atilde;o dos governantes do Mercosul, a proposta da China de transitar para um acordo de livre com&eacute;rcio carece de possibilidades, ao menos no curto prazo. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/08\/america-latina\/mercosul-china-livre-comrcio-no-obrigado\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":129,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2,5,11],"tags":[17],"class_list":["post-10461","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-america-latina","category-economia","category-politica","tag-asia-e-pacifico"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10461","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/129"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10461"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10461\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10461"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10461"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10461"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}