{"id":1047,"date":"2005-09-28T00:00:00","date_gmt":"2005-09-28T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=1047"},"modified":"2005-09-28T00:00:00","modified_gmt":"2005-09-28T00:00:00","slug":"direitos-humanos-guerra-contra-o-terror-do-abuso","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/09\/america-latina\/direitos-humanos-guerra-contra-o-terror-do-abuso\/","title":{"rendered":"Direitos Humanos: Guerra contra o terror do abuso"},"content":{"rendered":"<p>Nova York, 28\/09\/2005 &ndash; As novas den&uacute;ncias de tortura no Iraque reanimam nos Estados Unidos a proposta de se criar uma comiss&atilde;o investigadora e mecanismos que assegurem o respeito aos detidos na &quot;guerra contra o terrorismo&quot; do governo de George W. Bush. As acusa&ccedil;&otilde;es constam de um novo relat&oacute;rio da organiza&ccedil;&atilde;o de direitos humanos Human Rights Watch (HRW), segundo o qual soldados norte-americanos submeteram presos a golpes e outras torturas, em uma base militar no centro do Iraque, em 2003 e 2004. Com freq&uuml;&ecirc;ncia, esses soldados agiam sob ordens de seus superiores, segundo testemunhos diretos obtidos pela HRW.<br \/> <!--more--> <br \/> &quot;O governo ordenou que os soldados conseguissem informa&ccedil;&atilde;o dos presos sem dizer-lhes o que era permitido e o que estava proibido&quot;, disse o diretor do escrit&oacute;rio da Human Rights Watch em Washington, Tom Malinowski. &quot;Quando os abusos inevitavelmente ocorreram, os l&iacute;deres acusaram os soldados em lugar de assumirem responsabilidades&quot;, acrescentou. Segundo o pastor protestante Tim Simpson, da Alian&ccedil;a Crist&atilde; para o Progresso &#8211; que promove a toler&acirc;ncia e a diversidade &#8211; &quot;o mais desanimador&quot; das &uacute;ltimas acusa&ccedil;&otilde;es &quot;&eacute; que demonstra a chamuscada consci&ecirc;ncia moral de nosso governo e de seus simpatizantes&quot;.<\/p>\n<p> &quot;O governo reagiu &agrave;s revela&ccedil;&otilde;es apenas com um bocejo&quot;, disse Simpson &agrave; IPS. Mais do que procurar deter as atrocidades imediatamente, o presidente procura garantir deixar aberta a possibilidade de repetir esses atos em futuras gera&ccedil;&otilde;es, ao prometer que vetar&aacute; as leis que tentarem preveni-los. E dos &acute;campe&otilde;es da virtude` da direita crist&atilde; n&atilde;o ouvimos mais do que sil&ecirc;ncio, pois continuam apoiando a pol&iacute;tica de tortura da administra&ccedil;&atilde;o&quot;, lamentou. As novas acusa&ccedil;&otilde;es foram feitas quando o Senado se disp&otilde;e a discutir duas normas, no contexto do debate pela lei de or&ccedil;amento do Departamento de Defesa.<\/p>\n<p> Uma ordena a todos os funcion&aacute;rios norte-americanos o cumprimento das leis em mat&eacute;ria de interrogat&oacute;rios e outra prop&otilde;e criar uma comiss&atilde;o investigadora independente para analisar esses casos e fornecer recomenda&ccedil;&otilde;es para o futuro. A senadora da ala conservadora do governante Partido Republicano, Lindsay Graham, que no passado foi ju&iacute;za militar, anunciou que ap&oacute;ia a primeira proposta, impulsionada pelo senador John McCain, um republicano que foi prisioneiro de guerra no Vietn&atilde;. Doze altos oficiais militares enviaram uma carta ao presidente Bush e ao senador McCain na qual qualificam a tortura e os tratamentos cru&eacute;is de &quot;m&eacute;todos ineficazes&quot;, pois induzem os prisioneiros a dizerem o que seus inquisidores querem ouvir, mesmo n&atilde;o sendo o certo, e, al&eacute;m disso, causam descr&eacute;dito aos Estados Unidos&quot;.<\/p>\n<p> &quot;Agora, resulta evidente que o abuso dos prisioneiros na pris&atilde;o de Abu Ghraib, em Bagd&aacute;, na base naval norte-americana no enclave cubano de Guant&acirc;namo e em todos os lugares ocorreram, em parte, porque nossos homens e mulheres uniformizados receberam instru&ccedil;&otilde;es amb&iacute;guas que, em alguns casos, autorizavam tratamentos que iam al&eacute;m do permitido pelo Manual de Campo do Ex&eacute;rcito&quot;, acrescentaram os militares. &quot;Funcion&aacute;rios do governo confundiram ainda mais as coisas ao declararem que o pessoal norte-americano n&atilde;o est&aacute; obrigado a velhas proibi&ccedil;&otilde;es de tratamento cruel quando interrogam quem n&atilde;o &eacute; norte-americano em terra estrangeira&quot;, afirmaram. &quot;Dessa maneira, de repente tivemos uma s&eacute;rie de normas para interrogar prisioneiros de guerra e outra para &quot;combatentes inimigos; uma s&eacute;rie de normas para Guant&acirc;namo e outra para o Iraque; uma para nossos militares e outra para a Ag&ecirc;ncia Central de Intelig&ecirc;ncia (CIA)&quot;, ressaltaram.<\/p>\n<p> A proposta de McCain obrigaria todos os ramos das For&ccedil;as Armadas norte-americanas a utilizar como &uacute;nica norma v&aacute;lida o Manual de Campo sobre Interrogat&oacute;rios de Intelig&ecirc;ncia, que pro&iacute;be que qualquer ag&ecirc;ncia do governo use de torturas e tratamentos cru&eacute;is, desumanos e degradantes. Tanto a proposta de McCain quanto a do senador do opositor Partido Democrata, Carl Levin, para investigar os casos denunciados, se chocam com a forte oposi&ccedil;&atilde;o da Casa Branca. O governo argumenta que as investiga&ccedil;&otilde;es internas das For&ccedil;as Armadas j&aacute; conduziram a v&aacute;rias acusa&ccedil;&otilde;es contra soldados. O presidente Bush amea&ccedil;ou vetar qualquer norma que inclua a proposta de McCain. Portanto, o debate do projeto contido no pr&oacute;ximo or&ccedil;amento do Pent&aacute;gono est&aacute; bloqueado.<\/p>\n<p> O modelo utilizado para a comiss&atilde;o proposta por Levin &eacute; a que investigou as falhas das autoridades que impediram a preven&ccedil;&atilde;o e a redu&ccedil;&atilde;o da dimens&atilde;o dos atentados que, em 11 de setembro de 2001, ceifaram tr&ecirc;s mil vidas em Nova York e Washington. Se for criada, a comiss&atilde;o analisar&aacute; as causas do abuso contra presos, determinar&aacute; responsabilidades e far&aacute; recomenda&ccedil;&otilde;es de mudan&ccedil;as pol&iacute;ticas e legislativas. &quot;Propomos uma comiss&atilde;o independente sobre tratamento a prisioneiros porque o Departamento de Defesa demonstra sua incapacidade para investigar por si mesmo&quot;, disse Levin. &quot;O esc&acirc;ndalo mais s&eacute;rio na hist&oacute;ria militar recente requer uma investiga&ccedil;&atilde;o objetiva&quot;.<\/p>\n<p> A opini&atilde;o do legislador &eacute; compartilhada por Jumana Musa, da filial norte-americana da Anistia Internacional. &quot;O tempo para uma investiga&ccedil;&atilde;o independente e completa est&aacute; sendo muito prolongado&quot;, disse Musa &agrave; IPS. &quot;Ao insistir em que se trata de casos isolados, que n&atilde;o refletem as pol&iacute;ticas planejadas e implementadas nos altos n&iacute;veis do governo, a administra&ccedil;&atilde;o se mostra incapaz ou sem vontade de ver a profundidade e as dimens&otilde;es da tortura e dos maus-tratos aos presos&quot;, afirmou a especialista. &quot;A demora de 17 meses e uma viagem ao Congresso norte-americano para for&ccedil;ar os comandantes a investigarem graves abusos cometidos rotineiramente, e p&uacute;blicos durante meses, mostram, mais uma vez, a necessidade de uma investiga&ccedil;&atilde;o independente, livre de influ&ecirc;ncias do comando&quot;, disse &agrave; IPS Kenneth Hurwitz, do Programa de Direito, Seguran&ccedil;a e Justi&ccedil;a Internacional da organiza&ccedil;&atilde;o Human Rights Watch. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nova York, 28\/09\/2005 &ndash; As novas den&uacute;ncias de tortura no Iraque reanimam nos Estados Unidos a proposta de se criar uma comiss&atilde;o investigadora e mecanismos que assegurem o respeito aos detidos na &quot;guerra contra o terrorismo&quot; do governo de George W. Bush. As acusa&ccedil;&otilde;es constam de um novo relat&oacute;rio da organiza&ccedil;&atilde;o de direitos humanos Human Rights Watch (HRW), segundo o qual soldados norte-americanos submeteram presos a golpes e outras torturas, em uma base militar no centro do Iraque, em 2003 e 2004. Com freq&uuml;&ecirc;ncia, esses soldados agiam sob ordens de seus superiores, segundo testemunhos diretos obtidos pela HRW.<br \/> <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/09\/america-latina\/direitos-humanos-guerra-contra-o-terror-do-abuso\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":454,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2],"tags":[],"class_list":["post-1047","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-america-latina"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1047","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/454"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1047"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1047\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1047"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1047"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1047"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}