{"id":10472,"date":"2012-08-13T09:53:21","date_gmt":"2012-08-13T09:53:21","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=10472"},"modified":"2012-08-13T09:53:21","modified_gmt":"2012-08-13T09:53:21","slug":"biodiversidade-prximo-a-um-ponto-sem-volta","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/08\/mundo\/biodiversidade-prximo-a-um-ponto-sem-volta\/","title":{"rendered":"BIODIVERSIDADE: Pr&oacute;ximo a um ponto sem volta"},"content":{"rendered":"<p>Bulawayo, Zimb&aacute;bue, 13\/08\/2012 &ndash; &quot;Sabemos que a conserva&ccedil;&atilde;o funciona, mas precisamos de recursos muito maiores se queremos reverter a atual crise das extin&ccedil;&otilde;es&quot;, disse, da Su&iacute;&ccedil;a, a diretora-geral da Uni&atilde;o Internacional para a Conserva&ccedil;&atilde;o da Natureza (UICN), Julia Marton-Lef&egrave;vre.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_10472\" style=\"width: 159px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/Julia.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-10472\" class=\"size-medium wp-image-10472\" title=\"Julia Marton-Lef\u00c3\u00a8vre: &quot;Um futuro sustent&aacute;vel n&atilde;o pode ser conseguido sem conservar a diversidade biol&oacute;gica&quot;\u009d. - Laurent Villerent\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/Julia.jpg\" alt=\"Julia Marton-Lef\u00c3\u00a8vre: &quot;Um futuro sustent&aacute;vel n&atilde;o pode ser conseguido sem conservar a diversidade biol&oacute;gica&quot;\u009d. - Laurent Villerent\" width=\"149\" height=\"200\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-10472\" class=\"wp-caption-text\">Julia Marton-Lef\u00c3\u00a8vre: &quot;Um futuro sustent&aacute;vel n&atilde;o pode ser conseguido sem conservar a diversidade biol&oacute;gica&quot;\u009d. - Laurent Villerent<\/p><\/div>  &Agrave;s v&eacute;speras da Confer&ecirc;ncia das Na&ccedil;&otilde;es Unidas sobre Desenvolvimento Sustent&aacute;vel (Rio+20), realizada em junho, esta organiza&ccedil;&atilde;o divulgou sua &uacute;ltima atualiza&ccedil;&atilde;o da Lista Vermelha de esp&eacute;cies amea&ccedil;adas.<\/p>\n<p>Segundo a rela&ccedil;&atilde;o, 19.817 das 63.837 esp&eacute;cies avaliadas est&atilde;o amea&ccedil;adas de extin&ccedil;&atilde;o. Os ecossistemas de &aacute;gua doce est&atilde;o sob particular press&atilde;o devido ao aumento da popula&ccedil;&atilde;o humana e &agrave; explora&ccedil;&atilde;o dos recursos h&iacute;dricos. Al&eacute;m disso, a pesca insustent&aacute;vel e a destrui&ccedil;&atilde;o de seu habitat, pela contamina&ccedil;&atilde;o e constru&ccedil;&atilde;o de represas, amea&ccedil;a os peixes de &aacute;gua doce. A IPS conversou com Marton-Lef&egrave;vre quando faltam poucos dias para o Congresso Mundial da UICN, que acontecer&aacute; entre 6 e 15 de setembro em Jeju, na Coreia do Sul.<\/p>\n<p>IPS: Um dos v&aacute;rios objetivos que a UICN se prop&ocirc;s em seu Plano Estrat&eacute;gico para a Diversidade Biol&oacute;gica 2011-2020 &eacute; que, ao fim desse prazo, se tenha conseguido evitar a extin&ccedil;&atilde;o de esp&eacute;cies amea&ccedil;adas conhecidas, e que tenha melhorado seu estado de conserva&ccedil;&atilde;o. Caminha-se para o cumprimento desse plano?<\/p>\n<p>Julia Marton-Lef&egrave;vre: Lamentavelmente, no momento a resposta &eacute; n&atilde;o. Por isto, fizemos deste objetivo nossa principal prioridade na UICN. Isto n&atilde;o significa que n&atilde;o tenhamos exemplos inspiradores de sucesso em mat&eacute;ria de conserva&ccedil;&atilde;o. Por exemplo, por meio de nossa iniciativa Salvemos Nossas Esp&eacute;cies, a UICN e seus s&oacute;cios j&aacute; ajudaram a conservar cerca de cem esp&eacute;cies amea&ccedil;adas em 30 pa&iacute;ses. Sabemos que a conserva&ccedil;&atilde;o funciona, mas precisamos de recursos muito maiores se queremos reverter a atual crise das extin&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n<p>IPS: &Agrave; luz do &uacute;ltimo informe da Lista Vermelha, divulgado em junho, que mostra uma grande quantidade de esp&eacute;cies amea&ccedil;adas de extin&ccedil;&atilde;o, a senhora diria que chegamos a um ponto de inflex&atilde;o?<\/p>\n<p>JML: De fato, a &uacute;ltima atualiza&ccedil;&atilde;o da Lista Vermelha da UICN apresenta um cen&aacute;rio sombrio: um em cada tr&ecirc;s corais, um em cada quatro mam&iacute;feros e dois em cada cinco anf&iacute;bios est&atilde;o em risco de extin&ccedil;&atilde;o. Al&eacute;m disso, um novo estudo divulgado nos &uacute;ltimos tempos concluiu que excedemos tr&ecirc;s de nove das chamadas &quot;fronteiras planet&aacute;rias&quot;, que definem um &quot;espa&ccedil;o operacional seguro&quot; para a humanidade, o que inclui a perda de biodiversidade. Hoje estamos perigosamente perto de alcan&ccedil;ar esses &quot;pontos sem retorno&quot;, mas &eacute; muito dif&iacute;cil prever de modo preciso quando se alcan&ccedil;ar&aacute; um ponto de inflex&atilde;o at&eacute; que realmente ocorra. Por exemplo, o colapso das reservas de bacalhau do Atl&acirc;ntico norte aconteceu na d&eacute;cada de 1970, mas seus impactos s&atilde;o sentidos inclusive atualmente.<\/p>\n<p>IPS: O que precisa ser mudado? Nossos h&aacute;bitos de consumo ou nossos esfor&ccedil;os de conserva&ccedil;&atilde;o?<\/p>\n<p>JML: Sem d&uacute;vida, precisamos das duas coisas. Temos que fazer mais conserva&ccedil;&atilde;o &#8211; que &eacute; algo que funciona &#8211; e intensific&aacute;-la, e, ao mesmo tempo, precisamos combater nossos h&aacute;bitos de produ&ccedil;&atilde;o e consumo para torn&aacute;-los mais sustent&aacute;veis. A demanda por produtos baseados na natureza, para elaborar alimentos, rem&eacute;dios, roupa, apresenta-se como uma amea&ccedil;a importante para muitas esp&eacute;cies que at&eacute; agora n&atilde;o eram afetadas pela perda de habitat ou pela mudan&ccedil;a clim&aacute;tica. A natureza simplesmente n&atilde;o pode acompanhar nosso insaci&aacute;vel apetite por tudo, desde mat&eacute;rias-primas at&eacute; animais vivos, e temos que mudar isso.<\/p>\n<p>IPS: Acredita que agora existe maior vontade pol&iacute;tica de frear a extin&ccedil;&atilde;o de esp&eacute;cies do que, digamos, h&aacute; 20 anos?<\/p>\n<p>JML: H&aacute; 20 anos, na C&uacute;pula da Terra do Rio de Janeiro, os l&iacute;deres mundiais assinaram o Conv&ecirc;nio sobre a Diversidade Biol&oacute;gica. Atualmente, &eacute; um dos tratados mundiais mais amplamente ratificados. &Eacute; dif&iacute;cil comparar o grau de compromisso da &eacute;poca com o de agora, mas h&aacute; algo inquestion&aacute;vel: a vontade pol&iacute;tica que &eacute; necess&aacute;ria hoje &eacute; muito maior devido &agrave; magnitude do problema.<\/p>\n<p>IPS: Qual a influ&ecirc;ncia do trabalho da UICN e de seus s&oacute;cios?<\/p>\n<p>JML: Durante muitos anos, a resposta &agrave; pergunta central do impacto da a&ccedil;&atilde;o mundial pela conserva&ccedil;&atilde;o foi t&atilde;o aned&oacute;tica quanto esquiva. Gra&ccedil;as aos esfor&ccedil;os da UICN, de sua Comiss&atilde;o de Sobreviv&ecirc;ncia de Esp&eacute;cies e de nossos mais de 1,2 mil membros em todo o mundo, agora temos evid&ecirc;ncias s&oacute;lidas de que sem esfor&ccedil;os de conserva&ccedil;&atilde;o dirigidos, a perda de biodiversidade tal como &eacute; medida pelo &Iacute;ndice da Lista Vermelha seria quase 20% pior.<\/p>\n<p>IPS: Quais desafios persistem?<\/p>\n<p>JML: O maior desafio agora &eacute; conseguir que todos entendam o que est&aacute; em jogo: que a natureza n&atilde;o &eacute; um luxo, mas a pr&oacute;pria base de nosso bem-estar neste planeta. tamb&eacute;m necessitamos fortalecer a vontade pol&iacute;tica para adotar as medidas necess&aacute;rias. Como disse antes, a situa&ccedil;&atilde;o &eacute; bastante cr&iacute;tica, e nosso Congresso vai analisar v&aacute;rios destes desafios. 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