{"id":10478,"date":"2012-08-14T08:08:52","date_gmt":"2012-08-14T08:08:52","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=10478"},"modified":"2012-08-14T08:08:52","modified_gmt":"2012-08-14T08:08:52","slug":"reportagem-biopolmeros-o-sonho-da-petroqumica-verde","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/08\/america-latina\/reportagem-biopolmeros-o-sonho-da-petroqumica-verde\/","title":{"rendered":"REPORTAGEM: Biopol&iacute;meros, o sonho da petroqu&iacute;mica verde"},"content":{"rendered":"<p>RIO DE JANEIRO, Brasil, 14\/08\/2012 &ndash; (Tierram&eacute;rica).- Os pl&aacute;sticos obtidos de etano de cana-de-a&ccedil;&uacute;car podem gerar menos contamina&ccedil;&atilde;o clim&aacute;tica do que os derivados de petr&oacute;leo. Contudo, como estes, tampouco s&atilde;o biodegrad&aacute;veis.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_10478\" style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/590_etenoverde_Cortesia_Braskem.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-10478\" class=\"size-medium wp-image-10478\" title=\"&quot;Sou verde&quot;\u009d, diz a bolsa de etileno da Braskem - Cortesia Braskem\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/590_etenoverde_Cortesia_Braskem.jpg\" alt=\"&quot;Sou verde&quot;\u009d, diz a bolsa de etileno da Braskem - Cortesia Braskem\" width=\"200\" height=\"155\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-10478\" class=\"wp-caption-text\">&quot;Sou verde&quot;\u009d, diz a bolsa de etileno da Braskem - Cortesia Braskem<\/p><\/div>  O Brasil &eacute; o maior produtor mundial de biopol&iacute;meros, cuja produ&ccedil;&atilde;o emite menos gases- estufa do que os derivados dos hidrocarbonos. Mas os &quot;pl&aacute;sticos verdes&quot; obtidos da cana-de-a&ccedil;&uacute;car tamb&eacute;m t&ecirc;m seu sabor amargo. A f&aacute;brica que marcou o salto na produ&ccedil;&atilde;o para escala industrial do polietileno verde foi instalada em 2010 no Polo Petroqu&iacute;mico do Sul, localizado em Triunfo, no Rio Grande do Sul, com capacidade anual de 200 mil toneladas.<\/p>\n<p>Desenvolvido com tecnologia da empresa brasileira Braskem, uma das maiores petroqu&iacute;micas do mundo, o pl&aacute;stico verde &eacute; uma resina termopl&aacute;stica feita a partir do abundante etanol produzido no pa&iacute;s a partir da cana-de-a&ccedil;&uacute;car. A Braskem, que continua tendo no petr&oacute;leo sua principal mat&eacute;ria-prima, garante que o polietileno verde possui as mesmas propriedades de seu primo petroqu&iacute;mico, e que sua diferen&ccedil;a &eacute; ambiental.<\/p>\n<p>&quot;O pl&aacute;stico verde captura e fixa at&eacute; 2,5 toneladas de g&aacute;s carb&ocirc;nico da atmosfera para cada tonelada produzida&quot;, explicou ao Terram&eacute;rica o diretor de qu&iacute;micos renov&aacute;veis da Braskem, Marcelo Nunes. Al&eacute;m disso, esse material tem grande versatilidade para aplica&ccedil;&otilde;es em produtos de higiene e limpeza, aliment&iacute;cios, cosm&eacute;ticos e automotivos. &quot;&Eacute; feito a partir de uma mat&eacute;ria-prima 100% renov&aacute;vel como a cana-de-a&ccedil;&uacute;car&quot;, acrescentou.<\/p>\n<p>A empresa garante que, com a produ&ccedil;&atilde;o desse polietileno e de outros produtos da mesma linha sustent&aacute;vel, contribui para reduzir mais de 750 mil toneladas anuais de di&oacute;xido de carbono, o que equivale a plantar e manter mais de cinco milh&otilde;es de &aacute;rvores a cada ano. O pr&oacute;ximo passo &eacute; construir e p&ocirc;r para funcionar, em 2013, sua primeira f&aacute;brica de polipropileno verde, que tamb&eacute;m utiliza etanol.<\/p>\n<p>O polipropileno, que em sua vers&atilde;o petroqu&iacute;mica &eacute; a segunda resina termopl&aacute;stica mais consumida no mundo, ter&aacute; as mesmas vantagens ambientais que o polietileno, pontuou Nunes. O volume de produ&ccedil;&atilde;o de pl&aacute;stico verde &eacute; pouco significativo em rela&ccedil;&atilde;o ao de outras resinas convencionais. Por&eacute;m, segundo acrescentou, &eacute; de grande import&acirc;ncia para a Braskem, que &quot;deseja ser l&iacute;der mundial em qu&iacute;mica sustent&aacute;vel at&eacute; 2020&quot;.<\/p>\n<p>O ambientalista Jos&eacute; Goldemberg, professor do Instituto de Eletrot&eacute;cnica e Energia da Universidade de S&atilde;o Paulo, disse que investir nestes pl&aacute;sticos verdes &eacute; positivo porque substituem mat&eacute;rias-primas b&aacute;sicas da ind&uacute;stria petroqu&iacute;mica como a nafta (benzina ou &eacute;ter de petr&oacute;leo). A nafta &eacute; a principal fonte da petroqu&iacute;mica, e responde por quase 50% da produ&ccedil;&atilde;o mundial de etileno, embora em regi&otilde;es como Oriente M&eacute;dio e Am&eacute;rica do Norte o g&aacute;s seja mais utilizado. &quot;Usar cana-de-a&ccedil;&uacute;car para substituir produtos obtidos com nafta &eacute; um importante passo na dire&ccedil;&atilde;o da sustentabilidade&quot;, destacou o professor ao Terram&eacute;rica.<\/p>\n<p>Opini&atilde;o igual tem Eduardo Atahyde, diretor da filial no Brasil do Worldwatch Institute, que em seu artigo de 2009 Polietileno Verde, um Sinal Positivo, afirma que esse pl&aacute;stico com tecnologia brasileira prepara &quot;a estreia da petroqu&iacute;mica sob as novas regras de jogo da economia baixa em carbono&quot;. &quot;Embora ainda n&atilde;o seja biodegrad&aacute;vel, porque ao substituir a nafta f&oacute;ssil pelo etanol renov&aacute;vel o pol&iacute;mero resulta id&ecirc;ntico ao de origem petroqu&iacute;mica, d&aacute; um passo adiante em acordo com as recomenda&ccedil;&otilde;es de diminui&ccedil;&atilde;o de emiss&otilde;es&quot;, acrescentou.<\/p>\n<p>A cana-de-a&ccedil;&uacute;car ainda n&atilde;o tem impacto no mercado da ind&uacute;stria petroqu&iacute;mica, comparada com o petr&oacute;leo. No entanto, &quot;ao longo do tempo haveria essa necessidade de encontrar um substituto do petr&oacute;leo e do g&aacute;s natural para fazer pol&iacute;meros. Quanto antes melhor&quot;, declarou ao Terram&eacute;rica o especialista em mudan&ccedil;a clim&aacute;tica e uso sustent&aacute;vel de recursos naturais, Roberto Kishinami.<\/p>\n<p>A obje&ccedil;&atilde;o de Kishinami, consultor de organiza&ccedil;&otilde;es como Instituto Democracia e Sustentabilidade e ActionAid, &eacute; que, ao se massificar o uso da cana para combust&iacute;vel ou para a petroqu&iacute;mica, se exacerbe sua condi&ccedil;&atilde;o de monocultura extensiva. Nunes rebate, destacando que &quot;o cultivo de cana- de-a&ccedil;&uacute;car para a produ&ccedil;&atilde;o do pl&aacute;stico verde utiliza cerca de 0,02% de todas as terras ar&aacute;veis do pa&iacute;s. Al&eacute;m disso, n&atilde;o h&aacute; competi&ccedil;&atilde;o com o setor aliment&iacute;cio, como ocorre com alguns pl&aacute;sticos originados do milho, por exemplo&quot;.<\/p>\n<p>Entretanto, o engenheiro agr&ocirc;nomo e ativista ambiental do Rio Grande do Sul, Luiz Jacques Saldanha, advertiu que &quot;chamar de verde este processo apenas porque a fonte de carbono vem da agricultura &eacute; um grande engano. E acrescentou que &quot;h&aacute; mudan&ccedil;a na produ&ccedil;&atilde;o de alimentos e ser&aacute; outra &#39;commodity&#39; (produto b&aacute;sico), como j&aacute; se faz com a soja, a grande trag&eacute;dia do S&eacute;culo 21 em termos de uso da terra produtiva em todo o planeta, com imensas monoculturas&quot;.<\/p>\n<p>Saldanha v&ecirc; os biopol&iacute;meros como outra &quot;maquiagem verde&quot; (greenwashing), termo usado para descrever novas pr&aacute;ticas de comercializa&ccedil;&atilde;o de produtos que buscam mostrar uma suposta contribui&ccedil;&atilde;o ambiental para o planeta. N&atilde;o &eacute; a fonte de carbono (seja petr&oacute;leo, carv&atilde;o, etanol ou qualquer outra) que &quot;faz, ou n&atilde;o, estas mol&eacute;culas verdes&quot;, detalhou o agr&ocirc;nomo. &quot;Como n&atilde;o s&atilde;o biodegrad&aacute;veis, n&atilde;o podem ser consideradas verdes porque continuam por tempo indeterminado no meio ambiente, contaminando os ecossistemas&quot;, ressaltou.<\/p>\n<p>Saldanha tamb&eacute;m questiona os pl&aacute;sticos utilizados no processo de industrializa&ccedil;&atilde;o do polietileno e do polipropileno verdes. &quot;Entre todas as resinas, estas ainda s&atilde;o consideradas as menos problem&aacute;ticas como mon&ocirc;meros. Contudo, como todas as resinas de uso final para produtos de consumo, possui plastificantes como o bisfenol A&quot;, um aditivo tamb&eacute;m contaminante. Todo pl&aacute;stico, verde ou n&atilde;o, &quot;deve ser reciclado e nunca liberado no meio ambiente&quot;, alerta.<\/p>\n<p>Doces ou amargas, as consequ&ecirc;ncias ambientais dos pl&aacute;sticos verdes poder&atilde;o ser medidas se no futuro a cana-de-a&ccedil;&uacute;car se converter na mat&eacute;ria-prima estrela da petroqu&iacute;mica brasileira. No momento, uma ind&uacute;stria &quot;sucroqu&iacute;mica&quot; brilha distante.<\/p>\n<p>*<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>RIO DE JANEIRO, Brasil, 14\/08\/2012 &ndash; (Tierram&eacute;rica).- Os pl&aacute;sticos obtidos de etano de cana-de-a&ccedil;&uacute;car podem gerar menos contamina&ccedil;&atilde;o clim&aacute;tica do que os derivados de petr&oacute;leo. 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