{"id":10486,"date":"2012-08-14T09:00:34","date_gmt":"2012-08-14T09:00:34","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=10486"},"modified":"2012-08-14T09:00:34","modified_gmt":"2012-08-14T09:00:34","slug":"mauricio-pescadores-artesanais-no-querem-barcos-da-ue","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/08\/africa\/mauricio-pescadores-artesanais-no-querem-barcos-da-ue\/","title":{"rendered":"MAURICIO: Pescadores artesanais n&atilde;o querem barcos da UE"},"content":{"rendered":"<p>Port Louis, Mauricio, 14\/08\/2012 &ndash; &quot;Olhe ali, o azul, este &eacute; um pesqueiro da Uni&atilde;o Europeia que amea&ccedil;a nosso sustento&quot;, disse Lallmamode Mohamedally, pescador de Mauricio, apontando um barco que descarregava sua captura no porto Les Salines, perto desta capital.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_10486\" style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/pescador.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-10486\" class=\"size-medium wp-image-10486\" title=\"O pescador artesanal Lallmamode Mohamedally aponta para um barco pesqueiro que descarrega sua captura - Nasseem Ackbarally\/IPS\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/pescador.jpg\" alt=\"O pescador artesanal Lallmamode Mohamedally aponta para um barco pesqueiro que descarrega sua captura - Nasseem Ackbarally\/IPS\" width=\"200\" height=\"157\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-10486\" class=\"wp-caption-text\">O pescador artesanal Lallmamode Mohamedally aponta para um barco pesqueiro que descarrega sua captura - Nasseem Ackbarally\/IPS<\/p><\/div>  Mohamedally &eacute; um dos pescadores que regressaram, ap&oacute;s um &aacute;rduo dia de trabalho, com o barco quase vazio. A contamina&ccedil;&atilde;o e a atividade tur&iacute;stica nos &uacute;ltimos anos reduziram a captura para eles.<\/p>\n<p>Mas os pescadores locais afirmam que o acordo assinado em fevereiro entre Uni&atilde;o Europeia (UE) e este pa&iacute;s insular do Oceano &Iacute;ndico piorou a situa&ccedil;&atilde;o. O tratado permite que, por tr&ecirc;s anos, pesqueiros europeus levem 5,5 mil toneladas de peixes anuais ao custo de US$ 740 mil. Os 3,5 mil pescadores locais, que agora competem com pesqueiros industriais modernos, denunciam que sua captura caiu entre 50% e 60%, mas n&atilde;o h&aacute; dados oficiais que o confirmem. Os pescadores de Les Salines acreditam que os 86 barcos de empresas da UE que est&atilde;o na &aacute;rea roubam seu sustento.<\/p>\n<p>&quot;Essas grandes embarca&ccedil;&otilde;es percorrem o mar ao redor de Mauricio e levem os peixes&quot;, lamentou Mohamedally. A maioria dos pescadores quer que os barcos da UE se retirem. Contudo, Mohamedally afirma que n&atilde;o se importaria se operassem em &aacute;guas de Mauricio, &quot;mas pescando como os demais, como os taiwaneses e japoneses. Apenas barcos com espinh&eacute;is, por favor, n&atilde;o os de redes de arrast&atilde;o. Esses barcos capturam todo tipo de peixe, pequenos e grandes igualmente&quot;, denunciou.<\/p>\n<p>A pesca com espinhel &eacute; uma t&eacute;cnica comercial que usa centenas ou mesmo milhares de anz&oacute;is. &Eacute; considerada a pesca mais seletiva, pois a esp&eacute;cie capturada depende do tipo de gancho e da isca escolhida. Este aparelho &eacute; usado para peixe-espada, atum e bacalhau negro. As autoridades de Mauricio consideram que esta &eacute; a &uacute;nica forma de explorar sua vasta zona econ&ocirc;mica exclusiva (ZEE) de 2,3 milh&otilde;es de quil&ocirc;metros quadrados.<\/p>\n<p>As companhias pesqueiras locais s&atilde;o pequenas e n&atilde;o t&ecirc;m capacidade para pescar em grande escala. A 5,5 mil toneladas, que Mauricio permitiu que barcos europeus capturassem, est&atilde;o em acentuado contraste com as poucas que os 34 pescadores de Les Salines conseguem por ano. A pesca representa apenas 1% do produto interno bruto de Mauricio, e a produ&ccedil;&atilde;o local &eacute; de 5,1 mil toneladas anuais.<\/p>\n<p>Mohamedally recordou que antes eram abundantes os peixes a tr&ecirc;s ou quatro milhas n&aacute;uticas da costa. Agora, os pescadores v&atilde;o mar adentro e voltam com o barco vazio. &quot;O que acontecer&aacute; dentro de cinco anos com nosso trabalho?&quot;, perguntou furioso. &quot;&Eacute; uma mis&eacute;ria. Se os pescadores locais tivessem a capacidade de entrar tanto no mar, poderiam ganhar cerca de US$ 18 milh&otilde;es pelas 5,5 mil toneladas que a UE extrai&quot;, disse &agrave; IPS.<\/p>\n<p>No entanto, o ministro da Pesca, Nicolas Von-Mally, afirma que Mauricio precisa de ajuda para explorar a ZEE. &quot;N&atilde;o temos barcos pesqueiros. Se depend&ecirc;ssemos da pesca local, os peixes morreriam de velhos&quot;, afirmou. As f&aacute;bricas de conservas da ilha processam o atum capturado pelos barcos da UE, que &eacute; vendido principalmente no mercado europeu, detalhou o ministro. O atum &eacute; um peixe migrat&oacute;rio, se n&atilde;o o capturamos na ZEE de Mauricio, vai para as ilhas vizinhas de Seychelles e Maldivas. &quot;Perderemos dinheiro&quot;, acrescentou.<\/p>\n<p>O dono da pequena empresa local Taher Seafoods, Bahim Khan Taher, disse &agrave; IPS que gostaria de explorar os recursos pesqueiros de Mauricio, mas para isso precisa de equipamentos e barcos modernos e incentivos para operar na ZEE. &quot;Com ajuda do governo, em termos de incentivos fiscais, poder&iacute;amos pescar ali. Isto estimularia nossas exporta&ccedil;&otilde;es de recursos marinhos&quot;, afirmou. No entanto, aos ambientalistas preocupa que a sobrepesca esgote as reservas de atum do Oceano &Iacute;ndico.<\/p>\n<p>&quot;Os barcos da UE est&atilde;o aqui porque as reservas de outros oceanos se esgotaram&quot;, advertiu &agrave; IPS o ocean&oacute;grafo e engenheiro ambiental Vassen Kauppaymoothoo. &quot;Houve sobrepesca em Portugal, Fran&ccedil;a e Espanha. O &uacute;nico oceano onde ainda restam peixes &eacute; o &Iacute;ndico&quot;, acrescentou, ressaltando que extrair 5,5 mil toneladas &eacute; sobrepesca e esgotar&aacute; os recursos. O fato de Mauricio n&atilde;o ter capacidade para explorar sua ZEE n&atilde;o significa que deve permitir que estrangeiros o fa&ccedil;am, observou o ocean&oacute;grafo. Marrocos decidiu fechar a sua para preservar as reservas para a popula&ccedil;&atilde;o local, afirmou.<\/p>\n<p>Por sua vez, o chefe da delega&ccedil;&atilde;o da UE em Port Louis, Alessandro Mariani, disse &agrave; IPS que os barcos europeus ajudam a gerar emprego, n&atilde;o a reduzi-lo. &quot;Em Mauricio, 5,5 mil postos de trabalho se beneficiam do atum desembarcado pelos barcos da UE&quot;, afirmou. Segundo ele, n&atilde;o h&aacute; competi&ccedil;&atilde;o entre os barcos da UE e os pescadores locais porque operam bem longe uns dos outros. Os primeiros ficam a 15 milhas n&aacute;uticas da costa, enquanto os segundos o fazem a tr&ecirc;s. &quot;Al&eacute;m disso, pescamos esp&eacute;cies diferentes&quot;, pontuou. Mariani destacou que a UE &eacute; muito sens&iacute;vel quanto &agrave;s reservas de atum no Oceano &Iacute;ndico.<\/p>\n<p>&quot;Nossa pesca se guia por pesquisas cient&iacute;ficas. O comit&ecirc; cient&iacute;fico da Comiss&atilde;o do Atum do Oceano &Iacute;ndico afirmou, em outubro de 2011, que n&atilde;o h&aacute; sobrepesca na regi&atilde;o&quot;, indicou Mariani. &quot;Queremos que sempre haja peixes no mar para as futuras gera&ccedil;&otilde;es&quot;, destacou Von-Mally. Ambos negaram que houve press&otilde;es da UE sobre o governo de Mauricio para a assinatura do acordo &quot;N&atilde;o &eacute; verdade. Mauricio e a UE s&atilde;o s&oacute;cios e sempre discutimos coisas de interesse para as duas partes&quot;, ressaltou o ministro. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Port Louis, Mauricio, 14\/08\/2012 &ndash; &quot;Olhe ali, o azul, este &eacute; um pesqueiro da Uni&atilde;o Europeia que amea&ccedil;a nosso sustento&quot;, disse Lallmamode Mohamedally, pescador de Mauricio, apontando um barco que descarregava sua captura no porto Les Salines, perto desta capital. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/08\/africa\/mauricio-pescadores-artesanais-no-querem-barcos-da-ue\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":589,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[3,5,11],"tags":[21],"class_list":["post-10486","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-africa","category-economia","category-politica","tag-metas-do-milenio"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10486","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/589"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10486"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10486\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10486"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10486"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10486"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}