{"id":10496,"date":"2012-08-16T11:21:08","date_gmt":"2012-08-16T11:21:08","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=10496"},"modified":"2012-08-16T11:21:08","modified_gmt":"2012-08-16T11:21:08","slug":"brasil-cotas-em-universidades-pblicas-democratizam-a-educao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/08\/america-latina\/brasil-cotas-em-universidades-pblicas-democratizam-a-educao\/","title":{"rendered":"BRASIL: Cotas em universidades p&uacute;blicas democratizam a educa&ccedil;&atilde;o"},"content":{"rendered":"<p>Rio de Janeiro, Brasil, 16\/08\/2012 &ndash; Est&aacute; para entrar em vigor uma lei que reserva metade das vagas nas universidades brasileiras para estudantes que cursaram prim&aacute;rio e secund&aacute;rio em escolas estatais, em uma tentativa de democratizar o ensino, que exigir&aacute; reformas estruturais. <!--more--> Pablo Gentili, diretor da Faculdade Latino-Americana de Ci&ecirc;ncias Sociais (Flacso) no Brasil, est&aacute; convencido de que a lei &eacute; &quot;um avan&ccedil;o na democratiza&ccedil;&atilde;o da educa&ccedil;&atilde;o e, em um sentido mais amplo, da sociedade brasileira em seu conjunto&quot;.<\/p>\n<p>A lei de cotas sociais e raciais foi aprovada no dia 6 pelo Senado, ap&oacute;s 13 anos de discuss&atilde;o legislativa, com apenas um voto contra, e agora espera a promulga&ccedil;&atilde;o pela presidente Dilma Rousseff. &quot;As cotas permitir&atilde;o abrir a oportunidade de acesso ao ensino superior p&uacute;blico, &agrave; educa&ccedil;&atilde;o de melhor qualidade, para aqueles setores da sociedade historicamente exclu&iacute;dos dela&quot;, disse &agrave; IPS Gentili, autor do ensaio Pedagogia da Igualdade, editado em 2011 pela S&eacute;culo XXI, em Buenos Aires.<\/p>\n<p>O especialista se baseia em estat&iacute;sticas que mostram o desigual acesso dos setores mais pobres &agrave;s universidades p&uacute;blicas federais, cobi&ccedil;adas, ironicamente, por sua qualidade, pelos que tiveram melhores oportunidades de estudo nos n&iacute;veis b&aacute;sico e intermedi&aacute;rio. No Brasil metade da popula&ccedil;&atilde;o se declara negra ou mesti&ccedil;a, mas apenas 10% deste grupo chega &agrave; universidade. Trata-se do setor com mais pobres.<\/p>\n<p>&quot;As oportunidades educacionais se distribuem de forma desigual porque as oportunidades sociais, as condi&ccedil;&otilde;es de vida e os direitos tamb&eacute;m s&atilde;o desigualmente apropriados e aproveitados em uma das sociedades mais injustas do planeta&quot;, apontou Gentili. &quot;Por tr&aacute;s de um &#39;mito meritocr&aacute;tico&#39; se esconde a realidade de um pa&iacute;s onde os mais pobres veem cotidianamente frustradas suas expectativas e demandas de mobilidade e progresso social. Os pobres nunca chegam aos espa&ccedil;os que desejam, que acabam monopolizados pelos setores mais ricos e privilegiados&quot;, acrescentou o especialista.<\/p>\n<p>Este processo de elitiza&ccedil;&atilde;o da universidade p&uacute;blica tamb&eacute;m &eacute; percebido por Marcelo Paix&atilde;o, do Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Especializado em desigualdades raciais na educa&ccedil;&atilde;o, declarou &agrave; IPS que &quot;nunca poderia ser contra&quot; o conte&uacute;do da nova lei. Contudo, n&atilde;o ignora que representar&aacute; &quot;um desafio&quot; que obriga as universidades p&uacute;blicas a se preparar. A lei estabelece prazo de quatro anos para que as 59 universidades federais se adequem &agrave;s novas regras. Mas, em apenas um ano dever&atilde;o garantir pelo menos 25% das vagas para os alunos procedentes de escolas p&uacute;blicas.<\/p>\n<p>&quot;A universidade brasileira, principalmente a p&uacute;blica, n&atilde;o est&aacute; preparada para receber esses alunos com maior diversifica&ccedil;&atilde;o socioecon&ocirc;mica e racial&quot;, afirmou Paix&atilde;o. &quot;Uma coisa &eacute; dar aula para filhos da elite que t&ecirc;m maior facilidade para abordar temas que exigem acima de tudo um capital familiar e cultural. Outra coisa &eacute; receber estudantes com baixo capital cultural e familiar e precisar investir neles para que alcancem o mesmo rendimento dos demais&quot;, observou.<\/p>\n<p>A lei estabelece que metade das vagas reservadas para estudantes do sistema p&uacute;blico sejam para os que t&ecirc;m renda familiar inferior a 1,5 sal&aacute;rio m&iacute;nimo. Tamb&eacute;m determina que entre essas vagas sejam priorizados os alunos que se autodeclaram negros, mulatos ou ind&iacute;genas, segundo a propor&ccedil;&atilde;o populacional em cada um dos 26 Estados do pa&iacute;s. O sistema de cotas raciais existe no Brasil h&aacute; dez anos, quando foi sancionada a primeira legisla&ccedil;&atilde;o desse tipo no Estado do Rio de Janeiro. Atualmente, mais de 80 universidades t&ecirc;m alguma medida de a&ccedil;&atilde;o afirmativa e, em particular, mais da metade dos centros superiores federais j&aacute; contam com algum sistema de promo&ccedil;&atilde;o social ou racial em seus processos de acesso, resumiu Gentili.<\/p>\n<p>&quot;As cotas raciais e sociais s&atilde;o simplesmente uma medida de emerg&ecirc;ncia que procura corrigir uma injusti&ccedil;a&quot;, destacou o diretor da Flacso no Brasil. Ap&oacute;s uma d&eacute;cada em vigor, a lei estabelece sua pr&oacute;pria revis&atilde;o. A Federa&ccedil;&atilde;o Nacional de Escolas Particulares anunciou que questionar&aacute; a lei na justi&ccedil;a porque considera discriminat&oacute;ria, com o argumento de que estabelece oportunidades diferentes de acesso &agrave; universidade. &quot;Hoje a escola privada atende os n&iacute;veis socioecon&ocirc;micos A, B, C e D, inclusive em comunidades de baixa renda&quot;, disse &agrave; IPS sua presidente Am&aacute;bile Pacios. &quot;Uma crian&ccedil;a n&atilde;o pode ser penalizada por isso&quot;, lamentou.<\/p>\n<p>Pacios recordou a dificuldade dos empregadores brasileiros para contratar candidatos &quot;que apenas mal dominam as quatro opera&ccedil;&otilde;es b&aacute;sicas ou n&atilde;o conseguem um desempenho satisfat&oacute;rio em um ditado de dez palavras&quot;, e acrescentou que &quot;um pa&iacute;s que precisa de um sistema de cotas assume que a escola p&uacute;blica &eacute; de m&aacute; qualidade&quot;, e prev&ecirc; que, ao contr&aacute;rio do esperado, a nova lei &quot;fortalecer&aacute; a universidade privada porque come&ccedil;ar&aacute; a receber os melhores alunos&quot;, exclu&iacute;dos pelas cotas sociais das estatais.<\/p>\n<p>Gentili recha&ccedil;a esse argumento e outros &quot;preconceitos antidemocr&aacute;ticos&quot;, como afirmar que os pobres deterioram a qualidade da universidade quando entram nela. &quot;Os pobres sabem que a universidade &eacute; um bem valioso. Justamente por este motivo, quando chegam a ela se esfor&ccedil;am enormemente, fazendo com que anos de um fraco ensino secund&aacute;rio limitem seus efeitos de exclus&atilde;o&quot;, enfatizou. Segundo este especialista, ap&oacute;s uma d&eacute;cada de pol&iacute;ticas afirmativas, nenhuma das universidades que as incorporaram sofreu baixa em seus indicadores de qualidade de ensino. Pelo contr&aacute;rio, destacou, &quot;melhoraram quase todos seus indicadores de qualidade&quot;.<\/p>\n<p>Gentili n&atilde;o acredita que seja preciso esperar &quot;a escola b&aacute;sica melhorar para que a universidade p&uacute;blica seja mais democr&aacute;tica&quot;. A seu ver, &eacute; preciso &quot;assumir os dois desafios de forma simult&acirc;nea e articulada&quot;. &Eacute; isso tamb&eacute;m o que espera Paix&atilde;o, que a nova lei contribua para um &quot;projeto de democracia, distribui&ccedil;&atilde;o de renda e amplia&ccedil;&atilde;o das oportunidades de mobilidade social&quot;. E ponderou: &quot;agora que a universidade p&uacute;blica ter&aacute; que receber alunos da escola p&uacute;blica, quem sabe o Brasil muda sua hist&oacute;rica postura de trat&aacute;-la com neglig&ecirc;ncia&quot;. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Rio de Janeiro, Brasil, 16\/08\/2012 &ndash; Est&aacute; para entrar em vigor uma lei que reserva metade das vagas nas universidades brasileiras para estudantes que cursaram prim&aacute;rio e secund&aacute;rio em escolas estatais, em uma tentativa de democratizar o ensino, que exigir&aacute; reformas estruturais. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/08\/america-latina\/brasil-cotas-em-universidades-pblicas-democratizam-a-educao\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":75,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2,11],"tags":[27,21],"class_list":["post-10496","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-america-latina","category-politica","tag-brasil","tag-metas-do-milenio"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10496","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/75"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10496"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10496\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10496"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10496"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10496"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}