{"id":10509,"date":"2012-08-20T10:19:41","date_gmt":"2012-08-20T10:19:41","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=10509"},"modified":"2012-08-20T10:19:41","modified_gmt":"2012-08-20T10:19:41","slug":"brasil-convidado-a-integrar-agncia-para-refugiados-palestinos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/08\/america-latina\/brasil-convidado-a-integrar-agncia-para-refugiados-palestinos\/","title":{"rendered":"BRASIL: Convidado a integrar ag&ecirc;ncia para refugiados palestinos"},"content":{"rendered":"<p>Rio de Janeiro, Brasil, 20\/08\/2012 &ndash; A pol&iacute;tica de pacifica&ccedil;&atilde;o das favelas do Rio de Janeiro, submetidos &agrave; viol&ecirc;ncia de m&aacute;fias da droga, pode servir para replicar alguns de seus elementos nos acampamentos de refugiados palestinos.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_10509\" style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/Brasil2.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-10509\" class=\"size-medium wp-image-10509\" title=\"Brasil &eacute; o pa\u00c3\u00ads dos Brics que mais contribui com os refugiados palestinos, disse Filippo Grandi. - Fab\u00c3\u00adola Ortiz\/IPS\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/Brasil2.jpg\" alt=\"Brasil &eacute; o pa\u00c3\u00ads dos Brics que mais contribui com os refugiados palestinos, disse Filippo Grandi. - Fab\u00c3\u00adola Ortiz\/IPS\" width=\"200\" height=\"178\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-10509\" class=\"wp-caption-text\">Brasil &eacute; o pa\u00c3\u00ads dos Brics que mais contribui com os refugiados palestinos, disse Filippo Grandi. - Fab\u00c3\u00adola Ortiz\/IPS<\/p><\/div>  Foi o que afirmou o italiano Filippo Grandi, comiss&aacute;rio-geral da Ag&ecirc;ncia das Na&ccedil;&otilde;es Unidas para os Refugiados Palestinos (UNRWA), em entrevista &agrave; IPS. Grandi convidou o Brasil a ser o primeiro pa&iacute;s latino-americano e do grupo Brics a integrar a Comiss&atilde;o Consultiva da UNRWA.<\/p>\n<p>No &uacute;ltimo ano e meio, o Brasil contribuiu com US$ 7,5 milh&otilde;es para essa ag&ecirc;ncia, disse Grandi durante sua visita oficial ao pa&iacute;s, entre 13 e 17 deste m&ecirc;s, visitando S&atilde;o Paulo, Bras&iacute;lia, Porto Alegre e Rio de Janeiro. Em abril esteve no Brasil a secret&aacute;ria-geral adjunta para Assuntos Humanit&aacute;rios da Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas (ONU), Valerie Amos, buscando apoio para opera&ccedil;&otilde;es no Haiti, Oriente M&eacute;dio e na &Aacute;frica. A seguir um extrato da entrevista exclusiva que Fab&iacute;ola Ortiz fez com Grandi no Rio de Janeiro.<\/p>\n<p>IPS: O or&ccedil;amento da UNRWA depende de doa&ccedil;&otilde;es internacionais. Com &eacute; afetado pela crise financeira?<\/p>\n<p>FILIPPO GRANDI: A UNRWA gasta cerca de US$ 1,2 bilh&atilde;o por ano, sendo que metade corresponde ao nosso trabalho central: educa&ccedil;&atilde;o, sa&uacute;de e al&iacute;vio da pobreza. Temos um varia&ccedil;&atilde;o cr&ocirc;nica entre 10% e 20% desse or&ccedil;amento. As contribui&ccedil;&otilde;es se mant&ecirc;m est&aacute;veis, alguns doadores diminu&iacute;ram, sobretudo Canad&aacute; e alguns pa&iacute;ses da Europa, enquanto outros aumentaram, como Brasil, Gr&atilde;-Bretanha e Austr&aacute;lia, mantendo, mais ou menos, o equil&iacute;brio. Contudo, as necessidades crescem, e este &eacute; o problema, porque as doa&ccedil;&otilde;es n&atilde;o aumentam no mesmo ritmo.<\/p>\n<p>IPS: Quais necessidades aumentaram nos &uacute;ltimos anos?<\/p>\n<p>FG: A popula&ccedil;&atilde;o refugiada cresce 3% ao ano. Muito de nosso trabalho tem custos inflacion&aacute;rios. Temos 700 escolas que atendem 500 mil crian&ccedil;as, e o custo de manter esta opera&ccedil;&atilde;o vai aumentando. Hoje contamos 4,8 milh&otilde;es de refugiados no L&iacute;bia, na S&iacute;ria, Jord&acirc;nia e nos territ&oacute;rios palestinos ocupados por Israel. Fornecemos servi&ccedil;os somente nessa regi&atilde;o. A popula&ccedil;&atilde;o mais numerosa se encontra na Jord&acirc;nia, com dois milh&otilde;es, e na S&iacute;ria, com cerca de 500 mil pessoas.<\/p>\n<p>IPS: Qual a situa&ccedil;&atilde;o dos refugiados na S&iacute;ria?<\/p>\n<p>FG: Est&aacute; piorando porque o conflito j&aacute; &eacute; generalizado e muito grande; afeta os civis, sejam s&iacute;rios, refugiados palestinos ou iraquianos. Lamentavelmente, alguns morreram. N&atilde;o s&atilde;o alvo das agress&otilde;es, mas est&atilde;o no meio e todas as partes cometem viola&ccedil;&otilde;es (de direitos humanos). Muitos s&iacute;rios abandonaram o pa&iacute;s, e estimamos que entre eles cerca de tr&ecirc;s mil palestinos tamb&eacute;m fugiram para o L&iacute;bano e a Jord&acirc;nia. Ainda espero que o conflito seja resolvido para que possam regressar.<\/p>\n<p>IPS: Como descreveria o estado geral dos palestinos que vivem no Oriente M&eacute;dio sobre prote&ccedil;&atilde;o da UNRWA?<\/p>\n<p>FG: Depende de onde est&atilde;o. Na Faixa de Gaza &eacute; muito dif&iacute;cil, porque est&aacute; sob o bloqueio de Israel. Na Cisjord&acirc;nia h&aacute; problemas pela expans&atilde;o dos assentamentos judeus. No L&iacute;bano existem dificuldades de direitos humanos, ali os palestinos carecem de alguns direitos fundamentais dos refugiados. Mas o problema essencial &eacute; que continuam sendo refugiados e que n&atilde;o h&aacute; uma solu&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica para seu status. Estes s&atilde;o os refugiados que fugiram em 1948, que est&atilde;o registrados junto &agrave; UNRWA e que aumentaram em n&uacute;mero porque tiveram descend&ecirc;ncia.<\/p>\n<p>IPS: Esta &eacute; sua primeira viagem ao Brasil. Como o pa&iacute;s pode contribuir com a UNRWA?<\/p>\n<p>FG: A coopera&ccedil;&atilde;o principal temos por parte do governo federal. No ano passado, essa assist&ecirc;ncia aumentou e conversei com o chanceler, Antonio Patriota, sobre como torn&aacute;-la mais previs&iacute;vel e est&aacute;vel nos pr&oacute;ximos anos. Tamb&eacute;m mantive reuni&otilde;es com autoridades locais e organiza&ccedil;&otilde;es da sociedade civil de S&atilde;o Paulo, Porto Alegre, Bras&iacute;lia e Rio de Janeiro, em especial com a comunidade &aacute;rabe. Definimos v&aacute;rias &aacute;reas interessantes para cooperar em sa&uacute;de, trabalho social com jovens e educa&ccedil;&atilde;o. Agora tentaremos desenvolver projetos com diferentes institui&ccedil;&otilde;es e setores da sociedade brasileira.<\/p>\n<p>IPS: O senhor disse no Rio de Janeiro que v&ecirc; semelhan&ccedil;as entre as favelas e os acampamentos de refugiados. A experi&ecirc;ncia de pacifica&ccedil;&atilde;o das favelas cariocas pode ser adapt&aacute;vel &agrave;s problem&aacute;ticas dos acampamentos?<\/p>\n<p>FG: H&aacute; semelhan&ccedil;as: a pobreza generalizada, superlota&ccedil;&atilde;o, grande quantidade de jovens e &agrave;s vezes a presen&ccedil;a da viol&ecirc;ncia. Naturalmente, tamb&eacute;m h&aacute; diferen&ccedil;as. As favelas n&atilde;o est&atilde;o em territ&oacute;rios ocupados, com acontece com os acampamentos da Cisjord&acirc;nia e de Gaza. As favelas tamb&eacute;m n&atilde;o est&atilde;o em meio &agrave; guerra. Mas as pol&iacute;ticas sociais que Bras&iacute;lia aplica nas favelas podem ser estudadas e delas se extrair li&ccedil;&otilde;es para melhorar nosso trabalho, em especial com a juventude, nos acampamentos. S&atilde;o interessantes outros aspectos do processo de pacifica&ccedil;&atilde;o em mat&eacute;ria de emprego e educa&ccedil;&atilde;o. Entendo que houve uma fertilidade rec&iacute;proca entre este programa de pacifica&ccedil;&atilde;o e o trabalho de coopera&ccedil;&atilde;o que o Brasil fez no Haiti, o que mostra que esta pol&iacute;tica tem potencial para sua proje&ccedil;&atilde;o internacional.<\/p>\n<p>IPS: O Brasil poderia ocupar um lugar na Comiss&atilde;o Consultiva da UNRWA, de 25 pa&iacute;ses membros e tr&ecirc;s observadores?<\/p>\n<p>FG: O governo brasileiro deve solicitar sua entrada e a Assembleia Geral da ONU deve aprov&aacute;-la. A pr&aacute;tica indica que o pa&iacute;s deve contribuir com US$ 15 milh&otilde;es durante tr&ecirc;s anos. O Brasil j&aacute; o fez com US$ 7,5 milh&otilde;es no &uacute;ltimo ano e meio. Propus ao chanceler Patriota que seu pa&iacute;s solicite sua entrada. Sua resposta foi que o Brasil est&aacute; interessado, mas deve analisar as implica&ccedil;&otilde;es financeiras. Seria o primeiro pa&iacute;s latino-americano e dos Brics (Brasil, R&uacute;ssia, &Iacute;ndia, China e &Aacute;frica do Sul) a integrar a Comiss&atilde;o Consultiva. Pois de longe &eacute; o principal contribuinte do Brics para a UNRWA. Por&eacute;m, trata-se de uma decis&atilde;o que o governo deve tomar com toda liberdade.<\/p>\n<p>IPS: O Brasil tem condi&ccedil;&otilde;es de receber refugiados palestinos se for necess&aacute;rio?<\/p>\n<p>FG: Espero que continue sendo um pa&iacute;s que recebe refugiados, mas minha esperan&ccedil;a &eacute; que n&atilde;o haja necessidade de realojar mais palestinos.<\/p>\n<p>IPS: Embora o conflito do Oriente M&eacute;dio tenha dimens&atilde;o internacional. O Brasil est&aacute; muito distante dele geograficamente. Qual seria seu papel?<\/p>\n<p>FG: Este n&atilde;o &eacute; um conflito menor, &eacute; central para nossa hist&oacute;ria e para o mundo de hoje. O Brasil &eacute; uma potencial mundial; talvez os brasileiros n&atilde;o apreciem plenamente, mas sua economia, sua import&acirc;ncia pol&iacute;tica, sua capacidade de influ&ecirc;ncia internacional cresceram muito e, portanto, espero que continue participando das tentativas de solu&ccedil;&atilde;o para o Oriente M&eacute;dio. Al&eacute;m disso, possui v&iacute;nculos tradicionais com o Oriente M&eacute;dio por suas comunidades &aacute;rabes. Ajudar os refugiados por meio da UNRWA &eacute; uma das formas de exercer essa influ&ecirc;ncia positiva. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Rio de Janeiro, Brasil, 20\/08\/2012 &ndash; A pol&iacute;tica de pacifica&ccedil;&atilde;o das favelas do Rio de Janeiro, submetidos &agrave; viol&ecirc;ncia de m&aacute;fias da droga, pode servir para replicar alguns de seus elementos nos acampamentos de refugiados palestinos. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/08\/america-latina\/brasil-convidado-a-integrar-agncia-para-refugiados-palestinos\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":421,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2,11],"tags":[27,16],"class_list":["post-10509","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-america-latina","category-politica","tag-brasil","tag-oriente-medio"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10509","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/421"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10509"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10509\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10509"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10509"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10509"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}