{"id":1051,"date":"2005-09-29T00:00:00","date_gmt":"2005-09-29T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=1051"},"modified":"2005-09-29T00:00:00","modified_gmt":"2005-09-29T00:00:00","slug":"terrorismo-posada-carriles-aniquila-a-credibilidade-dos-eua","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/09\/america-latina\/terrorismo-posada-carriles-aniquila-a-credibilidade-dos-eua\/","title":{"rendered":"Terrorismo: Posada Carriles aniquila a credibilidade dos EUA"},"content":{"rendered":"<p>Washington, 29\/09\/2005 &ndash; Ao negar &agrave; Venezuela a extradi&ccedil;&atilde;o do terrorista cubano Luis Posada Carriles, o juiz de migra&ccedil;&atilde;o William Abbott jogou por terra, de sua sala no Texas, a credibilidade dos Estados Unidos em sua guerra contra o terror. Alguns funcion&aacute;rios do governo norte-americano deploraram a decis&atilde;o de Abbott, que rejeitou o pedido venezuelano por suspeitar que Posada Carriles poderia sofrer torturas nesse pa&iacute;s. &quot;J&aacute; &eacute; bastante ruim entregarmos suspeitos de terrorismo isl&acirc;mico a pa&iacute;ses que rotineiramente utilizam o terror&quot;, disse um funcion&aacute;rio do Departamento de Estado se referindo a pa&iacute;ses mu&ccedil;ulmanos onde se aplica a tortura. &quot;Mas aqui temos algu&eacute;m que sabemos que &eacute; terrorista e fica claro que o estamos protegendo ativamente de afrontar a Justi&ccedil;a. Temos credibilidade zero&quot;, acrescentou.<br \/> <!--more--> <br \/> &quot;A ess&ecirc;ncia deste assunto &eacute; que estamos protegendo um terrorista&quot;, disse Wayne Smith, que dirigiu o Escrit&oacute;rio de Interesse dos Estados Unidos em Cuba (&uacute;nica representa&ccedil;&atilde;o oficial de Washington em Havana) no final dos anos 70 e in&iacute;cio dos 80. &quot;Isto &eacute; uma completa farsa, lamentou. Carriles, de 77 anos, foi julgado na Venezuela h&aacute; duas d&eacute;cadas como c&eacute;rebro do atentado com bomba contra um avi&atilde;o civil cubano que explodiu em pleno v&ocirc;o sobre o mar do Caribe, no dia 6 de outubro de 1976. Morreram os 73 ocupantes da aeronave, a maioria jovens esportistas.<\/p>\n<p> Em 1985, Carriles fugiu de uma pris&atilde;o venezuelana enquanto aguardava senten&ccedil;a. Viveu na Am&eacute;rica Central e em 1997 organizou um ataque a um hotel em Havana no qual morreu um cidad&atilde;o italiano. Documentos liberados em maio nos Estados Unidos exp&otilde;em os v&iacute;nculos entre Carriles e a Ag&ecirc;ncia Central de Intelig&ecirc;ncia (CIA). Ele foi detido no Panam&aacute; em 2002 e condenado a oito anos de pris&atilde;o por organizar um tentado contra o presidente de Cuba, Fidel Castro, durante uma c&uacute;pula ibero-americana. Carriles foi indultado em setembro de 2004 quando a presidente panamenha Mareya Moscoso estava por concluir seu mandato.<\/p>\n<p> Segundo diferentes vers&otilde;es, Moscoso foi pressionada por legisladores norte-americanos de origem cubana. Apesar de as vers&otilde;es sobre sua presen&ccedil;a em Miami terem corrido como um rastilho de p&oacute;lvora e de anunciar atrav&eacute;s de seu advogado que pediria asilo pol&iacute;tico, nem o Escrit&oacute;rio Federal de Investiga&ccedil;&otilde;es (FBI) nem o Departamento de Seguran&ccedil;a Interna, que controla o servi&ccedil;o de imigra&ccedil;&atilde;o, fizeram solicita&ccedil;&otilde;es para det&ecirc;-lo. O terrorista cubano apareceu no final de mar&ccedil;o ao dar uma concorrida entrevista coletiva em Miami. No dia 12 de abril pediu asilo pol&iacute;tico e foi preso cinco dias depois por ter entrado ilegalmente no pa&iacute;s. Depois, foi transferido para uma pris&atilde;o em El Paso, no Texas.<\/p>\n<p> Antes mesmo de receber o pedido de extradi&ccedil;&atilde;o, o Departamento de Seguran&ccedil;a Interna anunciava que n&atilde;o o deportaria para Cuba nem para &quot;um pa&iacute;s que atue em nome de Cuba&quot;, numa evidente refer&ecirc;ncia &agrave; amizade entre o presidente venezuelano, Hugo Ch&aacute;vez, e seu colega cubano, Fidel Castro. De qualquer maneira, Caracas apresentou um pedido formal em meados de junho e, desde ent&atilde;o, enviou ao juiz uma grande quantidade de documentos apoiando sua reclama&ccedil;&atilde;o e, inclusive, garantias de que n&atilde;o sofreria maus-tratos. Segundo o centro de pesquisas independente Arquivo de Seguran&ccedil;a Nacional (NSA), Carriles se uniu nos anos 60, depois da revolu&ccedil;&atilde;o cubana liderada por Castro, &agrave;s for&ccedil;as armadas dos Estados Unidos. O terrorista cubano foi em seguida recrutado pela CIA, que o treinou para demoli&ccedil;&otilde;es. <\/p>\n<p> Por outro lado, uma s&eacute;rie de memorandos do FBI obtidos pelo NSA d&atilde;o conta da participa&ccedil;&atilde;o de Posada Carriles em v&aacute;rias conspira&ccedil;&otilde;es, inclusive com explosivos, bem como seus v&iacute;nculos financeiros com Jorge Mas Canosa, outro ativista anticastrista que depois criaria a Funda&ccedil;&atilde;o Nacional Cubano-Americana. Entre outras opera&ccedil;&otilde;es, Carriles tentou explodir navios cubanos ou sovi&eacute;ticos no porto mexicano de Veracruz e cometeu atentado contra a biblioteca sovi&eacute;tica na cidade do M&eacute;xico.<\/p>\n<p> Outro memorando indica que participou de uma conspira&ccedil;&atilde;o para provocar a queda do governo guatemalteco. A opera&ccedil;&atilde;o falhou porque agentes da Aduana dos Estados Unidos apreenderam armas, explosivos e napalm que enviavam &agrave; Guatemala. Nesse per&iacute;odo Carriles trabalhava para a CIA, v&iacute;nculo que durou at&eacute; 1974, embora o contato se mantivesse at&eacute; junho de 1976, tr&ecirc;s meses antes do atentado contra o avi&atilde;o da empresa Cubana de Avia&ccedil;&atilde;o. Nesse per&iacute;odo, trabalhou como alto funcion&aacute;rio da ag&ecirc;ncia de intelig&ecirc;ncia venezuelana Disip em Caracas. Um documento da CIA o descreve como o principal funcion&aacute;rio da &aacute;rea de demoli&ccedil;&otilde;es dessa ag&ecirc;ncia.<\/p>\n<p> Em um dos primeiros relat&oacute;rios sobre o atentado ao avi&atilde;o em Caracas, o escrit&oacute;rio do FBI nessa cidade menciona um informante que identificou Carriles e Orlando Bosch como respons&aacute;veis. Dois venezuelanos suspeitos, que haviam trabalhado em uma ag&ecirc;ncia de seguran&ccedil;a privada criada por Carriles em 1974, foram presos em Barbados, acrescentava o informe. Bosch, outro anticastrista radical, foi indultado em 1990 pelo ent&atilde;o presidente norte-americano George Bush, pai do atual mandat&aacute;rio, apesar da recomenda&ccedil;&atilde;o de deporta&ccedil;&atilde;o feita pelo Departamento de Justi&ccedil;a. Hoje, vive em Miami e participa de campanhas pelo asilo pol&iacute;tico de Posada Carriles.<\/p>\n<p> Outro documento da CIA cita &quot;um jornalista extremamente confi&aacute;vel&quot; segundo o qual Carriles havia dito dias antes do atentado que ele e Bosch planejavam &quot;golpear&quot; um avi&atilde;o cubano. A pris&atilde;o de Carriles pouco depois do atentado foi descrita ao jornal The New York Times este ano por um funcion&aacute;rio da contra-intelig&ecirc;ncia como uma &quot;medida preventiva, para impedir que fosse capturado ou assassinado&quot;. Mas o terrorista passou oito anos na pris&atilde;o, submetido a dois processos judiciais que n&atilde;o foram conclu&iacute;dos, antes de fugir da Venezuela em 1985 rumo &agrave; Am&eacute;rica Central, onde logo encontrou trabalho em uma opera&ccedil;&atilde;o de contra-revolucion&aacute;rios nicarag&uuml;enses.<\/p>\n<p> Em 1998, entrevistado pelo The New York Times em algum lugar da Am&eacute;rica Central, Carriles admitiu ter organizado uma onda de atentados em Cuba em 1977, na qual morreu um turista italiano e 11 pessoas ficaram feridas. Nenhum destes fatos foi considerado relevante pelo juiz Abbott, que escreveu que &quot;o pior terrorista ou assassino em massa poderia ter aprovado um adiamento de extradi&ccedil;&atilde;o se ele ou ela pudesse estabelecer a possibilidade de tortura no futuro&quot;. Mas o &uacute;nico testemunho segundo o qual o terrorista cubano poderia sofrer torturas na Venezuela foi dado por uma &uacute;nica pessoa, Joaqu&iacute;n Chaffardet, amigo &iacute;ntimo do acusado.<\/p>\n<p> Para surpresa do advogado que representou Caracas, Jos&eacute; Pertierra, os representantes de Washington n&atilde;o refutaram esse testemunho e at&eacute; manifestaram reservas sobre o sistema judicial da Venezuela e seus &quot;cada vez mais estreitos&quot; v&iacute;nculos com Cuba. &quot;O Departamento de Seguran&ccedil;a Interna deu sua decis&atilde;o ao juiz em uma bandeja de prata&quot;, disse Pertierra &agrave; imprensa. &quot;Nos sentimos muito decepcionados pela conduta dos promotores e do Departamento, que n&atilde;o questionou a boa f&eacute; neste caso&quot;, acrescentou.<\/p>\n<p> &quot;Tudo o que os advogados do governo devem fazer &eacute; ler o informe anual do Departamento de Estado sobre direitos humanos, segundo o qual ningu&eacute;m foi torturado na Venezuela na hist&oacute;ria recente&quot;, disse Smith. O resultado, acrescentou, &quot;funciona muito bem para o governo Bush, que agora pode se esconder atr&aacute;s do juiz. Isso realmente &eacute; vergonhoso&quot;. Washington garante que Carriles ainda pode ser deportado para outro pa&iacute;s, embora suas gest&otilde;es junto a v&aacute;rios governos latino-americanos tenham sido in&uacute;teis. Mas seu advogado, Matthew Archambeault, planeja novas gest&otilde;es para garantir a liberdade do terrorista cubano em territ&oacute;rio norte-americano. &quot;Isto nos agrada. &Eacute; o que prev&iacute;amos desde o in&iacute;cio&quot;, se gabou Archambealut. <\/p>\n<p> (IPS\/Envolverde)<\/p>\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Washington, 29\/09\/2005 &ndash; Ao negar &agrave; Venezuela a extradi&ccedil;&atilde;o do terrorista cubano Luis Posada Carriles, o juiz de migra&ccedil;&atilde;o William Abbott jogou por terra, de sua sala no Texas, a credibilidade dos Estados Unidos em sua guerra contra o terror. Alguns funcion&aacute;rios do governo norte-americano deploraram a decis&atilde;o de Abbott, que rejeitou o pedido venezuelano por suspeitar que Posada Carriles poderia sofrer torturas nesse pa&iacute;s. &quot;J&aacute; &eacute; bastante ruim entregarmos suspeitos de terrorismo isl&acirc;mico a pa&iacute;ses que rotineiramente utilizam o terror&quot;, disse um funcion&aacute;rio do Departamento de Estado se referindo a pa&iacute;ses mu&ccedil;ulmanos onde se aplica a tortura. &quot;Mas aqui temos algu&eacute;m que sabemos que &eacute; terrorista e fica claro que o estamos protegendo ativamente de afrontar a Justi&ccedil;a. Temos credibilidade zero&quot;, acrescentou.<br \/> <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/09\/america-latina\/terrorismo-posada-carriles-aniquila-a-credibilidade-dos-eua\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":104,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2],"tags":[],"class_list":["post-1051","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-america-latina"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1051","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/104"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1051"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1051\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1051"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1051"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1051"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}