{"id":10515,"date":"2012-08-21T09:14:14","date_gmt":"2012-08-21T09:14:14","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=10515"},"modified":"2012-08-21T09:14:14","modified_gmt":"2012-08-21T09:14:14","slug":"a-desesperana-do-desemprego-nubla-a-espanha","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/08\/economia\/a-desesperana-do-desemprego-nubla-a-espanha\/","title":{"rendered":"A desesperan&ccedil;a do desemprego nubla a Espanha"},"content":{"rendered":"<p>Madri, Espanha, 21\/08\/2012 &ndash; O Sol brilha na Espanha como em cada m&ecirc;s de agosto, mas para milh&otilde;es de seus cidad&atilde;os a nuvem do desemprego o ofusca. <!--more--> Assim &eacute; com Jos&eacute; Manuel Mart&iacute;nez, que participou de um protesto em Madri carregando um cartaz onde se lia: &quot;Quero trabalho, n&atilde;o esmola&quot;. Aos 45 anos, reside na cidade de Sevilha, est&aacute; h&aacute; tr&ecirc;s anos desempregado e reconhece, desconsolado, que &quot;perdeu a esperan&ccedil;a&quot;. Como ele, quase 4,6 milh&otilde;es dos 47 milh&otilde;es de habitantes da Espanha estavam sem trabalho no final de julho, um dos meses em que a grande ind&uacute;stria tur&iacute;stica costuma gerar mais emprego. Andaluzia, a comunidade aut&ocirc;noma da qual Sevilha &eacute; capital, tem um milh&atilde;o de desempregados, com mais de cinco pontos acima da taxa nacional, de 24,6% no final do m&ecirc;s passado, quando a m&eacute;dia da Uni&atilde;o Europeia &eacute; de 10,3%.<\/p>\n<p>O governo de direita de Mariano Rajoy foi for&ccedil;ado, no dia 14, a alterar seus planos e anunciar a prorroga&ccedil;&atilde;o do subs&iacute;dio fam&iacute;liar de 400 euros (US$ 495) para aqueles que perdem todos os benef&iacute;cios por desemprego, um dia antes de expirar a medida e por press&otilde;es pol&iacute;ticas e sociais de todas as tend&ecirc;ncias ideol&oacute;gicas. Contudo, a previs&atilde;o &eacute; que o governo dever&aacute; endurecer as condi&ccedil;&otilde;es de concess&atilde;o deste subs&iacute;dio de sobreviv&ecirc;ncia, quando o Conselho de Ministros formalizar a sua prorroga&ccedil;&atilde;o, no dia 24, o que vai arrastar mais fam&iacute;lias para a pobreza.<\/p>\n<p>Martinez est&aacute; perto de ser um dos benefici&aacute;rios. &quot;J&aacute; nem vou &agrave;s ag&ecirc;ncias de emprego&quot;, disse ele tristemente. O &uacute;ltimo trabalho com contribui&ccedil;&atilde;o para a Seguridade Social foi h&aacute; tr&ecirc;s anos, quando era motorista de &ocirc;nibus em Sevilha, 500 quil&ocirc;metros ao sul de Madri. Desde ent&atilde;o, conseguiu apenas trabalhos espor&aacute;dicos, de alguns dias, que ajudam somente a cobrir alguma urg&ecirc;ncia. &quot;Estou cansado&quot;, disse ele. Sua esposa tamb&eacute;m est&aacute; desempregada, e antes conseguia trabalhar limpando casas, mas agora ningu&eacute;m chama. &quot;Meia cidade tem meu curr&iacute;culo. Tentei de tudo. Mas o que n&oacute;s mais velhos podemos fazer se j&aacute; n&atilde;o nos contratam&quot;, queixou-se. Ele e sua mulher sobrevivem com uma ajuda pelo desemprego de 426 euros (US$ 525), que terminar&aacute; em outubro.<\/p>\n<p>Se Rajoy n&atilde;o tivesse voltado atr&aacute;s, os Mart&iacute;nez estariam na indig&ecirc;ncia. &quot;Me vejo jogado na rua&quot;, lamentou este homem baixo, de rosto endurecido e que concentra sua raiva no atual governo, no poder desde dezembro. &quot;Est&atilde;o fazendo tudo ao contr&aacute;rio. Teriam que gerar mais emprego, mas cada vez h&aacute; mais desempregados. Nos enganaram, porque Rajoy prometeu corrigir o desemprego se fosse eleito&quot;, protestou. A Espanha tem um seguro contributivo por desemprego, ao qual t&ecirc;m direito, por no m&aacute;ximo dois anos, os que contribu&iacute;ram como trabalhadores durante pelo menos 12 anos.<\/p>\n<p>O pagamento, em geral, &eacute; de quatro meses para cada ano trabalhado e no primeiro semestre equivale a 70% da m&eacute;dia dos &uacute;ltimos sal&aacute;rios e depois 60%.Mas o principal alvo das cr&iacute;ticas dos sindicatos espanh&oacute;is &eacute; a reforma trabalhista aprovada pelo Executivo em 10 de fevereiro, que gerou a primeira greve geral contra Rajoy, em 29 de mar&ccedil;o. A reforma facilita a demiss&atilde;o e permite, por exemplo, que uma empresa demita seus empregados livremente se sua arrecada&ccedil;&atilde;o cair durante dois trimestres. Isto provocou um aumento exponencial no n&uacute;mero de desempregados. Al&eacute;m disso, outra nova medida, aprovada em julho, reduz o pagamento por desemprego a partir dos seis meses para os novos desempregados.<\/p>\n<p>O Instituto Nacional de Estat&iacute;stica indica que j&aacute; h&aacute; na Espanha 1,5 milh&atilde;o de fam&iacute;lias onde todos seus membros est&atilde;o sem trabalho e mais de 50% dos jovens est&atilde;o parados. Em consequ&ecirc;ncia, ocorrem situa&ccedil;&otilde;es como a de um em cada quatro crian&ccedil;as espanholas viverem agora abaixo da linha de pobreza, segundo o Fundo das Na&ccedil;&otilde;es Unidas para a Inf&acirc;ncia (Unicef). Apesar destes dados, o governo n&atilde;o est&aacute; disposto a voltar atr&aacute;s. Assegura que suas reformas e as dr&aacute;sticas redu&ccedil;&otilde;es s&atilde;o para que a economia cres&ccedil;a. No entanto, seu efeito foi que durante o segundo trimestre a economia diminuiu 1%, diante de igual per&iacute;odo do ano passado.<\/p>\n<p>A reforma trabalhista aparece, tamb&eacute;m, como condi&ccedil;&atilde;o dentro do Memorando de Entendimento, assinado em 20 de julho por Madri, para receber de Bruxelas US$ 123 bilh&otilde;es, para resgatar os bancos. Um tema que irrita amplos setores da popula&ccedil;&atilde;o, que criticam o fato de o governo se preocupar em ajudar o setor financeiro, com um empr&eacute;stimo cujos juros ser&atilde;o pagos por todos, e n&atilde;o em obter recursos para garantir os servi&ccedil;os b&aacute;sicos e promover a economia.<\/p>\n<p>&quot;Recebo 426 euros de subs&iacute;dio mas pago por minha hipoteca 1,5 mil euros (US$ 1,85 mil). Como posso ir em frente?&quot;, pergunta Mario G&oacute;mez, de 41 anos, morador em Riosa, na regi&atilde;o de Ast&uacute;rias. Durante anos dirigiu um neg&oacute;cio de turismo rural em uma zona montanhosa. Pediu um empr&eacute;stimo para seguir adiante. Mas a crise acabou com seu sonho e a empresa quebrou. &quot;Se n&atilde;o h&aacute; dinheiro n&atilde;o se fatura&quot;, lamentou &agrave; IPS.<\/p>\n<p>Agora, G&oacute;mez espera que a entidade financeira lhe permita adiar o pagamento e que os juros n&atilde;o acabem por afund&aacute;-lo mais e o levem a perder sua casa. &quot;Isto vai acabar mal. Aqui haver&aacute; mortos se ningu&eacute;m fizer nada&quot;, afirmou desesperado. Ele foi um dos milhares de desempregados de toda a Espanha que chegaram a Madri no dia 21 de julho, ap&oacute;s uma marcha que partiu de todos os pontos do pa&iacute;s, para exigir a revoga&ccedil;&atilde;o da reforma trabalhista e mais ajudas para os desempregados.<\/p>\n<p>&quot;Com tanta redu&ccedil;&atilde;o fiscal &eacute; imposs&iacute;vel criar emprego&quot;, disse Charo Dom&iacute;nguez, do munic&iacute;pio de Langreo, tamb&eacute;m nas Ast&uacute;rias, que em janeiro saiu de seu &uacute;ltimo emprego. J&aacute; esgotou sua cota da ajuda para desempregados e agora vive com o subs&iacute;dio de 400 euros. Gra&ccedil;as ao apoio familiar mant&eacute;m sua casa aluguada. &quot;Voltarei para a casa da minha m&atilde;e se isto n&atilde;o melhorar&quot;, disse &agrave; IPS. Seu dia a dia &eacute; um ir e vir oferecendo seu curr&iacute;culo, que ningu&eacute;m pega. Sente-se abandonada. &quot;Ningu&eacute;m se importa com os desempregados. Nem mesmos os sindicatos se preocupam com a gente&quot;, afirmou.<\/p>\n<p>As previs&otilde;es n&atilde;o s&atilde;o otimistas. O governo agora diz que o desemprego s&oacute; come&ccedil;ar&aacute; a baixar em 2014. Muito tempo para pessoas como Mart&iacute;nez, G&oacute;mez ou Dom&iacute;nguez, que s&atilde;o milhares neste pa&iacute;s. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Madri, Espanha, 21\/08\/2012 &ndash; O Sol brilha na Espanha como em cada m&ecirc;s de agosto, mas para milh&otilde;es de seus cidad&atilde;os a nuvem do desemprego o ofusca. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/08\/economia\/a-desesperana-do-desemprego-nubla-a-espanha\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1287,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[5,9],"tags":[18],"class_list":["post-10515","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-economia","category-globalizacao","tag-europa"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10515","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1287"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10515"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10515\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10515"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10515"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10515"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}