{"id":10516,"date":"2012-08-21T09:16:54","date_gmt":"2012-08-21T09:16:54","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=10516"},"modified":"2012-08-21T09:16:54","modified_gmt":"2012-08-21T09:16:54","slug":"malawi-agonia-do-lago-chilwa-deriva-em-migraes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/08\/africa\/malawi-agonia-do-lago-chilwa-deriva-em-migraes\/","title":{"rendered":"MALAWI: Agonia do Lago Chilwa deriva em migra&ccedil;&otilde;es"},"content":{"rendered":"<p>Lago Chilwa, Malawi, 21\/08\/2012 &ndash; Pescadores e agricultores que vivem em torno do Lago Chilwa, segunda maior fonte h&iacute;drica de Malawi, se mudam em massa e buscam desesperadamente lugar na costa, pois a &aacute;gua diminuiu perigosamente. <!--more--> Sosten Chiotha, do Programa para a Adapta&ccedil;&atilde;o &agrave; mudan&ccedil;a clim&aacute;tica da Bacia do Lago Chilwa, disse que este poder&aacute; secar totalmente no pr&oacute;ximo ano se a falta de chuva na regi&atilde;o se prolongar.<\/p>\n<p>O Lago j&aacute; havia secado completamente em 1995, depois de uma seca, quando as precipita&ccedil;&otilde;es ficaram entre 775 e 748 mil&iacute;metros durante dois anos consecutivos. Segundo o Servi&ccedil;o Meteorol&oacute;gico de Malawi, as precipita&ccedil;&otilde;es na &aacute;rea do Chilwa foram inferiores a mil mil&iacute;metros nos &uacute;ltimos anos. Em 2011 e 2012, as chuvas chegaram a 1.048 e 655 mil&iacute;metros, respectivamente, detalhou Chiotha. &quot;Isto n&atilde;o &eacute; suficiente para manter o Lago&quot;, afirmou.<\/p>\n<p>Em mar&ccedil;o parecia que a situa&ccedil;&atilde;o n&atilde;o era t&atilde;o ruim, mas gradualmente os n&iacute;veis come&ccedil;aram a baixar, sobretudo nas praias de Mposa e Namanja, contou Chiotha &agrave; IPS. A popula&ccedil;&atilde;o dessas praias j&aacute; come&ccedil;ou a se assentar nas de Swangoma, Chisi e Kachulu em busca de melhores lugares para pescar e terra cultiv&aacute;vel, disse o especialista. Mas, n&atilde;o p&ocirc;de especificar quantas pessoas se mudaram at&eacute; agora. Chiotha, tamb&eacute;m diretor regional do centro de estudos ambientais e de desenvolvimento Lideran&ccedil;a em Meio Ambiente e Desenvolvimento na &Aacute;frica Austral e Oriental, alertou que a situa&ccedil;&atilde;o pode se agravar se o Lago continuar secando. O movimento de pessoas &quot;tamb&eacute;m est&aacute; causando congestionamento e potenciais conflitos&quot;, acrescentou.<\/p>\n<p>Mais de 1,5 milh&atilde;o de habitantes dos distritos de Machinga, Phalombe e Zomba se beneficiam do Lago, de 60 quil&ocirc;metros de comprimento por 40 de largura. A atividade na &aacute;rea gera cerca de US$ 21 milh&otilde;es ao ano. Desse total, US$ 18,7 milh&otilde;es entram com a pesca e o restante com agricultura, ca&ccedil;a de aves e uso de pastagens, e areia para produzir materiais de constru&ccedil;&atilde;o, informou o Programa. Cerca de 17 mil toneladas de pescado (20% de toda pesca desta na&ccedil;&atilde;o da &Aacute;frica austral) prov&ecirc;m do lago.<\/p>\n<p>Godwin Mussa, de 41 anos e que morou toda sua vida na praia de Namanja, foi obrigado a mudar-se para a de Chisi em julho em busca de melhores lugares para pescar. &quot;A pesca fica cada vez mais dif&iacute;cil, j&aacute; que a &aacute;gua se afasta da praia. Acabo de mudar para Chisi para poder manter minha mulher e meus seis filhos&quot;, disse Mussa &agrave; IPS. O pescador afirmou que agora s&oacute; captura, em m&eacute;dia, cem peixes por semana, contra 600 no ano passado. &quot;A pesca &eacute; meu &uacute;nico sustento, e &eacute; s&oacute; por isso que queria mudar. Simplesmente espero que tenhamos boas chuvas este ano para podermos regressar. Os pescadores daqui nos veem com receio porque viemos para seu territ&oacute;rio. Estamos buscando desesperadamente lugares para pescar&quot;, destacou.<\/p>\n<p>Os agricultores tamb&eacute;m passam por situa&ccedil;&atilde;o semelhante. Debra Chalichi, do distrito de Phalombe, pratica a agricultura de irriga&ccedil;&atilde;o na bacia do Lago desde 2007. Mas este ano teve que esperar as chuvas para poder irrigar seus cultivos. &quot;Desde o ano passado, o Lago est&aacute; se afastando de onde fica minha planta&ccedil;&atilde;o. J&aacute; n&atilde;o posso canalizar a &aacute;gua para irrigar, porque esta continua retrocedendo&quot;, disse &agrave; IPS. Chalichi contou que costumava colher arroz duas vezes ao ano, mas em 2012 s&oacute; o fez uma vez. &quot;O cultivo de arroz &eacute; meu sustento, e agora sou mais pobre. Costumava realizar vendas no valor de US$ 2 mil, mas este ano s&oacute; consegui vender US$ 800&quot;, afirmou.<\/p>\n<p>O arroz &eacute; o segundo alimento b&aacute;sico de Malawi, depois do milho. Das estimadas cem mil toneladas de arroz colhidas neste pa&iacute;s, 50% prov&ecirc;m dos terrenos alagadi&ccedil;os do Chilwa, segundo estat&iacute;sticas do Minist&eacute;rio da Agricultura. N&atilde;o h&aacute; estimativas dispon&iacute;veis sobre a produ&ccedil;&atilde;o de arroz para este ano. Chiotha indicou &agrave; IPS que as baixas precipita&ccedil;&otilde;es est&atilde;o afetando o sustento e a alimenta&ccedil;&atilde;o dos que moram em volta do Lago.<\/p>\n<p>John Kabango, de 51 anos, origin&aacute;rio do distrito de Zomba, pesca no Lago desde 1981. Ele contou que em 2005, a &uacute;ltima vez em que o n&iacute;vel do Lago baixou, precisou se mudar para a capital comercial do pa&iacute;s, Blantyre. Ali trabalhava &agrave; noite como guarda de seguran&ccedil;a em uma f&aacute;brica, at&eacute; que a situa&ccedil;&atilde;o melhorou e p&ocirc;de voltar para sua casa. &quot;Nunca gostei do trabalho em Blantyre. Me criei como um pescador, e este &eacute; o trabalho que estou acostumado. Nunca consegui muito dinheiro como seguran&ccedil;a, de todo modo, e n&atilde;o quero voltar a essa vida&quot;, disse &agrave; IPS, acrescentando que ganhava mais de US$ 800 por semana com a pesca, mas como guarda recebia apenas US$ 100 por semana.<\/p>\n<p>&quot;Era muito dif&iacute;cil manter minha fam&iacute;lia quando era seguran&ccedil;a&quot;, recordou este pai de seis filhos. Mas sua captura est&aacute; diminuindo drasticamente desde 2011, quando o Lago come&ccedil;ou a secar novamente. &quot;Costumava pegar 500 peixes por noite, mas tenho sorte se agora consigo 150. N&atilde;o fa&ccedil;o tanto dinheiro e n&atilde;o sei se poderei manter minha fam&iacute;lia se o Lago secar&quot;, afirmou.<\/p>\n<p>Kabango uniu-se a uma iniciativa comunit&aacute;ria patrocinada pelo Programa para implantar medidas de adapta&ccedil;&atilde;o e ajudar os moradores a enfrentar a falta de chuva e a consequente redu&ccedil;&atilde;o do Lago. &quot;Cavamos tanques ao redor do Lago para permitir que os peixes encontrem prote&ccedil;&atilde;o e cri&aacute;-los ali quando o Lago secar&quot;, contou. Tamb&eacute;m disse que os agricultores est&atilde;o adotando m&eacute;todos modernos de irriga&ccedil;&atilde;o, e que come&ccedil;aram a usar bombas a pedal para extrair &aacute;gua. &quot;Minha mulher planta e agora participa do projeto de coleta de &aacute;gua, para que esta seja usada quando o Lago retroceder ainda mais&quot;, informou o pescador. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Lago Chilwa, Malawi, 21\/08\/2012 &ndash; Pescadores e agricultores que vivem em torno do Lago Chilwa, segunda maior fonte h&iacute;drica de Malawi, se mudam em massa e buscam desesperadamente lugar na costa, pois a &aacute;gua diminuiu perigosamente. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/08\/africa\/malawi-agonia-do-lago-chilwa-deriva-em-migraes\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":942,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[3,8,12,5],"tags":[],"class_list":["post-10516","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-africa","category-ambiente","category-desenvolvimento","category-economia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10516","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/942"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10516"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10516\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10516"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10516"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10516"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}