{"id":10524,"date":"2012-08-22T11:34:04","date_gmt":"2012-08-22T11:34:04","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=10524"},"modified":"2012-08-22T11:34:04","modified_gmt":"2012-08-22T11:34:04","slug":"coluna-a-crise-econmica-impe-reduzir-os-gastos-militares","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/08\/mundo\/coluna-a-crise-econmica-impe-reduzir-os-gastos-militares\/","title":{"rendered":"COLUNA: A crise econ&ocirc;mica imp&otilde;e reduzir os gastos militares"},"content":{"rendered":"<p>Nova York, Estados Unidos, 22\/08\/2012 &ndash; A crise, iniciada h&aacute; poucos anos com o colapso de importantes institui&ccedil;&otilde;es financeiras nos Estados Unidos, agora est&aacute; centrada na Europa e amea&ccedil;a o resto do mundo. <!--more--> uitos pa&iacute;ses emergentes na &Aacute;sia e na Am&eacute;rica Latina, que at&eacute; agora evitaram o cont&aacute;gio, gra&ccedil;as &agrave;s suas s&oacute;lidas pol&iacute;ticas econ&ocirc;micas e fiscais e por sua oportuna ado&ccedil;&atilde;o de est&iacute;mulos para o consumo interno, come&ccedil;am a experimentar efeitos secund&aacute;rios dessa crise.<\/p>\n<p>No entanto, continuam consumindo a cada dia centenas de milh&otilde;es de d&oacute;lares em opera&ccedil;&otilde;es de guerra que somente agravam os problemas que, se supunha, deveriam resolver.<\/p>\n<p>H&aacute; outros inquietantes sinais. Embora as opera&ccedil;&otilde;es militares em algumas &aacute;reas conflitivas tenham sido suspensas, as causas primordiais da tens&atilde;o continuam desatendidas, com imprevis&iacute;veis consequ&ecirc;ncias.<\/p>\n<p>E embora a situa&ccedil;&atilde;o econ&ocirc;mica aflija algumas pot&ecirc;ncias com inclina&ccedil;&otilde;es belicistas e as leve a se recolherem em seus pr&oacute;prios territ&oacute;rios, estas colocam ao mesmo tempo em seus or&ccedil;amentos mais recursos para projetar, testar e eventualmente produzir e instalar novas gera&ccedil;&otilde;es de armas mort&iacute;feras em nome da manuten&ccedil;&atilde;o de sua seguran&ccedil;a nacional.<\/p>\n<p>Outras na&ccedil;&otilde;es parecem determinadas a gastar boa parte de seus escassos recursos em meios b&eacute;licos para com eles enfrentar reais ou imagin&aacute;rias amea&ccedil;as externas.<\/p>\n<p>A &quot;contagiosa doutrina da dissuas&atilde;o&quot;, segundo defini&ccedil;&atilde;o do secret&aacute;rio-geral da Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas (ONU), Ban Ki-moon, j&aacute; n&atilde;o &eacute; prerrogativa dos dois antagonistas da Guerra Fria. Se algumas na&ccedil;&otilde;es se sentem com o direito de se dotarem de um &quot;seguro nuclear&quot;, como descreveu um ex-primeiro-ministro a posse de armas at&ocirc;micas de seu pa&iacute;s, &eacute; de se esperar que outros sigam este exemplo.<\/p>\n<p>&Eacute; lament&aacute;vel que tenham passado os dias em que as confer&ecirc;ncias internacionais conseguiam forjar conjuntamente acordos bilaterais ou multilaterais de controle de armamentos.<\/p>\n<p>Embora aqueles acordos n&atilde;o tenham trazido um desarmamento efetivo, pelo menos preservaram certo grau de sensatez ao frear alguns dos mais perigosos aspectos da corrida armamentista e ao incentivar a possibilidade de posteriores progressos para o desarmamento.<\/p>\n<p>Nos &uacute;ltimos 15 anos, a m&aacute;quina multilateral da ONU foi incapaz de alcan&ccedil;ar o mais leve progresso em rela&ccedil;&atilde;o ao desarmamento e &agrave; n&atilde;o prolifera&ccedil;&atilde;o nuclear.<\/p>\n<p>A humanidade parece ter perdido a capacidade ou a vontade de seguir o progresso previamente alcan&ccedil;ado, ao proibir outros tipos de armas de destrui&ccedil;&atilde;o em massa, como as qu&iacute;micas e biol&oacute;gicas.<\/p>\n<p>Apesar de importantes redu&ccedil;&otilde;es num&eacute;ricas de armas nucleares a partir do ponto mais alto da Guerra Fria, houve pouco ou nenhum avan&ccedil;o para sua elimina&ccedil;&atilde;o ou para a redu&ccedil;&atilde;o de sua import&acirc;ncia nas doutrinas militares das pot&ecirc;ncias nucleares.<\/p>\n<p>O mundo dedica cada vez mais recursos para produzir armas convencionais que, em grande parte, v&atilde;o para m&atilde;os de traficantes que abastecem conflitos nos pa&iacute;ses menos desenvolvidos.<\/p>\n<p>Segundo os &uacute;ltimos dados, os gastos mundiais com armamentos chegaram a US$ 1,7 trilh&atilde;o, soma que talvez iguale a utilizada pelos pa&iacute;ses industrializados para enfrentar seus problemas financeiros.<\/p>\n<p>Por&eacute;m, nem tudo est&aacute; perdido. Os analistas afirmam que cada progresso real na intera&ccedil;&atilde;o entre as na&ccedil;&otilde;es foi precedido de algum tipo de crise profunda nas rela&ccedil;&otilde;es internacionais.<\/p>\n<p>Na hist&oacute;ria recente, ingentes conflitos e imensas destrui&ccedil;&otilde;es precederam as confer&ecirc;ncias de Haia, a cria&ccedil;&atilde;o da ef&ecirc;mera Sociedade das Na&ccedil;&otilde;es e o sucesso da cria&ccedil;&atilde;o da ONU.<\/p>\n<p>Mas, todos os progressos alcan&ccedil;ados nas &uacute;ltimas d&eacute;cadas foram o resultado da oportuna percep&ccedil;&atilde;o de que algo deveria ser feito antes que acontecesse um verdadeiro desastre.<\/p>\n<p>Esse foi o caso da compreens&atilde;o de que a insensata fabrica&ccedil;&atilde;o de armas nucleares cada vez mais mort&iacute;feras das duas superpot&ecirc;ncias advers&aacute;rias deveria acabar, de que a prolifera&ccedil;&atilde;o deveria ter um freio, de que pelo menos as armas mais daninhas convencionais deveriam ser proibidas e de que se deveria garantir que o poder do &aacute;tomo fosse usado apenas com fins pac&iacute;ficos.<\/p>\n<p>O efeito combinado da atual crise financeira e do ponto morto nas institui&ccedil;&otilde;es internacionais que se ocupam da seguran&ccedil;a, do desarmamento, do desenvolvimento e do meio ambiente, agora pode impulsionar a busca de novas realiza&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n<p>Os pa&iacute;ses mais fortemente armados deveriam entender que converter seus territ&oacute;rios em fortalezas e construir meios de destrui&ccedil;&atilde;o cada vez mais sofisticados n&atilde;o fortalece sua seguran&ccedil;a, mas a coloca em perigo.<\/p>\n<p>&Eacute; poss&iacute;vel que a crise econ&ocirc;mica imponha pol&iacute;ticas fiscais ainda mais severas do que as atuais e que isto propicie redu&ccedil;&otilde;es significativas nos or&ccedil;amentos militares.<\/p>\n<p>Talvez, o mais importante, todas as na&ccedil;&otilde;es, seja qual for sua riqueza ou poder pol&iacute;tico ou militar, deveriam finalmente entender que toda crise pode ser desativada quando se trabalha em conjunto em um sistema internacional que reconhe&ccedil;a que a Segunda Guerra Mundial e a Guerra Fria ficaram definitivamente no passado. Envolverde\/IPS<\/p>\n<p>* S&eacute;rgio Duarte &eacute; embaixador brasileiro e ex-alto representante das Na&ccedil;&otilde;es Unidas para Assuntos de Desarmamento.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nova York, Estados Unidos, 22\/08\/2012 &ndash; A crise, iniciada h&aacute; poucos anos com o colapso de importantes institui&ccedil;&otilde;es financeiras nos Estados Unidos, agora est&aacute; centrada na Europa e amea&ccedil;a o resto do mundo. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/08\/mundo\/coluna-a-crise-econmica-impe-reduzir-os-gastos-militares\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":421,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[13,4],"tags":[],"class_list":["post-10524","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-colunistas","category-mundo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10524","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/421"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10524"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10524\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10524"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10524"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10524"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}