{"id":10532,"date":"2012-08-23T09:01:23","date_gmt":"2012-08-23T09:01:23","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=10532"},"modified":"2012-08-23T09:01:23","modified_gmt":"2012-08-23T09:01:23","slug":"a-poca-da-fome-pode-ter-terminado-mas-para-ns-a-fome-no-acabou","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/08\/africa\/a-poca-da-fome-pode-ter-terminado-mas-para-ns-a-fome-no-acabou\/","title":{"rendered":"&quot;A &Eacute;poca da Fome Pode Ter Terminado, Mas Para N&oacute;s a Fome N&atilde;o Acabou&quot;"},"content":{"rendered":"<p>Mogad&iacute;scio, 23\/08\/2012 &ndash; Miriam Jama, com um ano de idade, &eacute; um s&iacute;mbolo de vida na Som&aacute;lia depois da &eacute;poca de fome. Miriam nasceu quando o Programa Alimentar Mundial das Na&ccedil;&otilde;es Unidas (PAM) declarou a exist&ecirc;ncia de fome neste pa&iacute;s do Corno de &Aacute;frica h&aacute; um ano, n&atilde;o conhecendo outro tipo de vida al&eacute;m daquele que existe no campo de refugiados de Badbaado, situado a 10 quil&oacute;metros fora da capital do pa&iacute;s, Mogad&iacute;scio. <!--more--> Fraca e visivelmente subnutrida, Miriam, como o resto da fam&iacute;lia, mal tem alimentos suficientes para comer. <\/p>\n<p>E, como quase a totalidade das 400.000 v&iacute;timas de fome que fugiram para a cidade no auge da crise para terem acesso a ajuda alimentar, os pais e quatro irm&atilde;os ainda vivem num dos muitos campos de refugiados fora de Mogad&iacute;scio. Aqui vivem na mis&eacute;ria numa min&uacute;scula barraca com apenas dois metros quadrados num campo dirigido por autoproclamados administradores, muitos dos quais s&atilde;o acusados pela comunidade de roubarem a ajuda disponibilizada. &quot;Quase n&atilde;o recebemos o suficiente para sobreviver. A &eacute;poca da fome pode ter terminado mas para n&oacute;s a fome n&atilde;o passou,&quot; diz &agrave; IPS a m&atilde;e de Miriam, Hawa Jama. Jama afirma que a fam&iacute;lia recebe s&oacute; 25 quilos de cereais, 25 quilos de farinha e 10 litros de &oacute;leo alimentar por m&ecirc;s, dificilmente suficiente para alimentar esta fam&iacute;lia de sete pessoas. Mas n&atilde;o s&atilde;o os &uacute;nicos com fome. Um ano depois de ter sido declarada a &eacute;poca da fome na Som&aacute;lia, centenas de milhares de refugiados que fugiram da fome e que vivem em campos fora da capital afirmam que ainda enfrentam a fome e o desespero. A fome, que causou a morte de dezenas de milhares de Somalis, foi declarada nesta na&ccedil;&atilde;o destro&ccedil;ada pela guerra em resultado de uma seca severa. A seca, que tem prevalecido em todo o Corno de &Aacute;frica, foi descrita como a pior em 60 anos. A situa&ccedil;&atilde;o piorou devido ao elevado pre&ccedil;o dos alimentos e &agrave; instabilidade na regi&atilde;o. O PAM afirmou no dia 18 de Julho que, apesar de nesta altura a Som&aacute;lia estar a passar por uma &eacute;poca de fome e dos n&iacute;veis de subnutri&ccedil;&atilde;o terem diminuido consideravelmente no &uacute;ltimo ano, a situa&ccedil;&atilde;o continua a ser fr&aacute;gil e o progresso atingido pode retroceder se n&atilde;o continuar a haver ajuda. A Ag&ecirc;ncia das Na&ccedil;&otilde;es Unidas para os Refugiados noticiou no dia 18 de Julho que a popula&ccedil;&atilde;o de refugiados somalis excedia um milh&atilde;o. S&oacute; no complexo de refugiados de Dadaab, no Qu&eacute;nia, est&atilde;o alojadas 570.000 pessoas. E 3.8 milh&otilde;es de pessoas na Som&aacute;lia continuam a ser afectadas por crises e carecem urgentemente de ajuda. enquanto que umas estimadas 325.000 crian&ccedil;as sofrem de subnutri&ccedil;&atilde;o aguda. Um ano depois da crise ter come&ccedil;ado, continua a haver abrigos cerrados que abarcam at&eacute; onde a vista alcan&ccedil;a nos arredores de Mogad&iacute;scio. Mas a vida nos campos de refugiados &eacute; dif&iacute;cil e os refugiados queixam-se que os administradores dos campos e funcion&aacute;rios locais roubam alimentos e recorrem ao nepotismo e favoritismo na distribui&ccedil;&atilde;o da ajuda. &quot;N&atilde;o gosto de me queixar mas, para n&oacute;s, trata-se de uma quest&atilde;o de vida ou de morte. Aqueles que s&atilde;o respons&aacute;veis pela gest&atilde;o do campo n&atilde;o nos entregam toda a ajuda e al&eacute;m disso, favorecem outras pessoas. Transmitimos isso a todos os funcion&aacute;rios estrangeiros que nos visitam mas nada &eacute; feito acerca da nossa dif&iacute;cil situa&ccedil;&atilde;o,&quot; disse &agrave; IPS Mumino Ali, m&atilde;e de sete filhos no campo de Sayidka em Mogadishu. A &aacute;gua e saneamento tamb&eacute;m t&ecirc;m pouca qualidade nos campos visto que o n&uacute;mero de instala&ccedil;&otilde;es sanit&aacute;rias &eacute; inadequado e a &aacute;gua que &eacute; distribuida em cami&otilde;es n&atilde;o cumpre os requisitos internacionais em termos de qualidade e quantidade, segundo afirmou Mohamed Ali, um activista de direitos humanos local. &quot;Penso que o que conseguimos desde que a &eacute;poca da fome foi declarada em Julho do ano passado &eacute; que as pessoas j&aacute; n&atilde;o est&atilde;o a morrer de fome. Mas continua a haver fome e n&atilde;o h&aacute; programas sistem&aacute;ticos para ajudar os refugiados a sustentarem-se sozinhos atrav&eacute;s da cria&ccedil;&atilde;o de regimes de rendimentos e do regresso &agrave;s suas comunidades,&quot; acrescentou Ali. A situa&ccedil;&atilde;o alimentar piorou depois das ag&ecirc;ncias de ajuda internacional terem reduzido as suas opera&ccedil;&otilde;es humanit&aacute;rias e depois das Na&ccedil;&otilde;es Unidas terem declarado o fim da &eacute;poca da fome em Fevereiro. Al&eacute;m disso, a Ag&ecirc;ncia Nacional de Gest&atilde;o de Cat&aacute;strofes, que foi criada para lidar com a fome, tem sido acusada de ser ineficaz e corrupta. &quot;A ag&ecirc;ncia tem sido ineficaz no seu trabalho e &eacute; uma das ag&ecirc;ncias que falhou quanto &agrave; ajuda prestada &agrave;s pessoas que precisam de ajuda. A corrup&ccedil;&atilde;o &eacute; generalizada nos org&atilde;os governamentais e esta ag&ecirc;ncia tamb&eacute;m tem culpas no cart&oacute;rio a esse n&iacute;vel,&quot; afirmou &agrave; IPS um funcion&aacute;rio de ajuda local, que pediu anonimato. O funcion&aacute;rio referiu que a exist&ecirc;ncia de &quot;v&aacute;rias camadas de corrup&ccedil;&atilde;o&quot; nas ag&ecirc;ncias internacionais, parceiros locais, funcion&aacute;rios governamentais e administradores dos campos continua o ciclo de fome para os refugiados deslocados. Para poderem sobreviver, muitos dos refugiados que fugiram &agrave; fome procuram qualquer tipo de trabalho. Mas o desemprego j&aacute; &eacute; frequente na popula&ccedil;&atilde;o de Mogad&iacute;scio em geral, visto que 20 anos de guerra deixaram a infraestrutura econ&oacute;mica destruida. Por isso, v&ecirc;em-se crian&ccedil;as nos mercados locais a oferecerem os seus servi&ccedil;os para engraxar sapatos, trabalhar como criados de casa ou mesmo lavar carros, tentando ganhar a vida para ajudar a sustentar as fam&iacute;lias. O marido de Jama &eacute; um dos muitos que passa os dias a tentar encontrar qualquer tipo de trabalho na capital, onde n&atilde;o conhece ningu&eacute;m e onde &eacute; dif&iacute;cil arranjar trabalho. Jama conta que ela e o marido, antigos agricultores de subsist&ecirc;ncia da regi&atilde;o M&eacute;dia de Shabelle da Som&aacute;lia, localizada a norte de Mogad&iacute;scio, preferiam que as ag&ecirc;ncias de ajuda os ajudassem a encontrar uma forma sustent&aacute;vel de ganhar dinheiro em vez de lhes darem simplesmente ajuda. &quot;N&atilde;o quero estar dependente da ajuda das ag&ecirc;ncias, que nunca &eacute; o suficiente aqui. Mas ficaria feliz se me ajudassem a encontrar trabalho de forma a poder sustentar a minha fam&iacute;lia e regressar &agrave; minha aldeia,&quot; afirmou Jama enquanto carregava Miriam na anca. A menina nasceu um m&ecirc;s antes da fam&iacute;lia ter fugido da terra natal em Agosto de 2011, e Jama deseja que ela conhe&ccedil;a uma outra vida menos dura.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mogad&iacute;scio, 23\/08\/2012 &ndash; Miriam Jama, com um ano de idade, &eacute; um s&iacute;mbolo de vida na Som&aacute;lia depois da &eacute;poca de fome. 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