{"id":10533,"date":"2012-08-23T09:03:58","date_gmt":"2012-08-23T09:03:58","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=10533"},"modified":"2012-08-23T09:03:58","modified_gmt":"2012-08-23T09:03:58","slug":"tornar-obrigatrio-ter-mulheres-no-parlamento-do-gana","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/08\/africa\/tornar-obrigatrio-ter-mulheres-no-parlamento-do-gana\/","title":{"rendered":"Tornar Obrigat&oacute;rio Ter Mulheres no Parlamento do Gana"},"content":{"rendered":"<p>ACRA, 23\/08\/2012 &ndash; Beatrice Boateng, deputada do Novo Partido Patri&oacute;tico, partido da oposi&ccedil;&atilde;o oficial no Gana quando comparado ao Novo Congresso Democr&aacute;tico no poder, j&aacute; conquistou o seu lugar entre os legisladores do pa&iacute;s. <!--more--> Quando assume o seu lugar no parlamento, f&aacute;-lo ap&oacute;s ter ultrapassado os numerosos obst&aacute;culos que todas as mulheres na esfera pol&iacute;tica t&ecirc;m de enfrentar no Gana, incluindo difama&ccedil;&atilde;o e dificuldades financeiras. N&atilde;o admira, portanto, que quando os visitantes observam os legisladores do Gana em ac&ccedil;&atilde;o, uma coisa fica imediatamente clara -h&aacute; muito poucas poucas mulheres no parlamento deste pa&iacute;s da &Aacute;frica Ocidental. De facto, a Uni&atilde;o Interparlamentar atribui ao Gana a 120&ordf; posi&ccedil;&atilde;o de um total de 189 pa&iacute;ses no que diz respeito &agrave; representa&ccedil;&atilde;o feminina no governo. S&oacute; 19 dos 230 deputados do Gana s&atilde;o do sexo feminino, o que se traduz em 8.3 por cento de representa&ccedil;&atilde;o feminina. &quot;N&atilde;o foi f&aacute;cil,&quot; disse Boateng &agrave; IPA, referindo-se &agrave; sua segunda tentativa de entrar no parlamento em 2004. &quot;Na verdade, os homens juntaram-se todos contra mim. Nesse ano, os membros do seu pr&oacute;prio partido caluniaram-na na imprensa. &quot;Afirmaram que era uma professora sem dinheiro e que estava a namoriscar outros membros do partido para o obter,&quot; contou. &quot;Pensaram que, por ser mulher, podiam manipular-me no sentido de fazer tudo o que eles quisessem&quot;. Boateng instaurou uma ac&ccedil;&atilde;o em tribunal acerca das alega&ccedil;&otilde;es contra si e eventualmente ganhou o caso nesse mesmo ano. Obteve uma retra&ccedil;&atilde;o nos jornais, uma desculpa e alguma compensa&ccedil;&atilde;o financeira. Mas n&atilde;o antes de o seu caso ter sido adiado 11 vezes. N&atilde;o conquistou qualquer lugar no parlamento esse ano. Teve de esperar mais quatro anos antes de finalmente ter a oportunidade de representar no parlamento o c&iacute;rculo eleitoral de New Juaben, na Regi&atilde;o Leste. Em 2008, assumiu o lugar de deputada, cargo que ocupa nos &uacute;ltimos quatro anos. Apesar disso, n&atilde;o foi nomeada pelo seu partido no seu c&iacute;rculo eleitoral para as elei&ccedil;&otilde;es de 2012 e n&atilde;o vai concorrer a um segundo mandato. Mas o triunfo de Boateng na pol&iacute;tica &eacute; uma raridade neste pa&iacute;s. Uma ONG do Gana denominada Abantu para o Desenvolvimento juntou-se ao Minist&eacute;rio para as Mulheres do pa&iacute;s para elaborar uma lei de discrimina&ccedil;&atilde;o positiva pol&iacute;tica visando abrir portas para as mulheres que querem seguir as pisadas de Boateng. &quot;Se n&atilde;o criarmos medidas tempor&aacute;rias especiais, as mulheres nunca ter&atilde;o acesso a cargos p&uacute;blicos,&quot; disse Hilary Gbedemah, advogada e reitora do Instituto de Direito em Acra, que trabalhou na prepara&ccedil;&atilde;o do projecto legislativo. H&aacute; oito anos, a ONG Lideran&ccedil;a e Defesa das Mulheres em &Aacute;frica, ou LAWA-Gana, apresentou recomenda&ccedil;&otilde;es para um projecto legislativo de discrimina&ccedil;&atilde;o positiva. O trabalho referente a esta legisla&ccedil;&atilde;o s&oacute; come&ccedil;ou h&aacute; quatro anos, quando o Minist&eacute;rio para as Mulheres criou o Comit&eacute; de Trabalho para a Legisla&ccedil;&atilde;o sobre a Discrimina&ccedil;&atilde;o Positiva em Maio de 2011, um comit&eacute; composto por quatro pessoas que ser&atilde;o respons&aacute;veis pela redac&ccedil;&atilde;o do projecto legislativo. Embora o sub-comit&eacute; ainda n&atilde;o tenha come&ccedil;ado a elaborar e examinar as diversas recomenda&ccedil;&otilde;es que foram recebidas, est&aacute; a trabalhar no sentido de criar uma zona de paridade do g&eacute;nero onde nenhum g&eacute;nero ocupe mais de 60 por cento dos cargos pol&iacute;ticos ou p&uacute;blicos. Em 1995, a Plataforma de Ac&ccedil;&atilde;o de Beijing para a Igualdade, Desenvolvimento e Paz no &acirc;mbito das Na&ccedil;&otilde;es Unidas, da qual o Gana &eacute; um dos signat&aacute;rios, recomendou um m&iacute;nimo de 30 por cento de representa&ccedil;&atilde;o feminina nas posi&ccedil;&otilde;es decis&oacute;rias. At&eacute; agora, 37 pa&iacute;ses em todo o mundo atingiram o alvo de 30 por cento da Plataforma de Beijing com respeito &agrave; representa&ccedil;&atilde;o feminina no parlamento. Destes pa&iacute;ses, s&oacute; tr&ecirc;s &eacute; que conseguiram atingir este objectivo sem iniciativas de discrimina&ccedil;&atilde;o positiva. &quot;Esperamos que, quando conseguirmos que a a lei de discrimina&ccedil;&atilde;o positiva apoie as pol&iacute;ticas que temos, teremos igualmente o apoio necess&aacute;rio para fazer com que os partidos se responsibilizem pelo apoio dado &agrave;s mulheres,&quot; afirmou Patience Opoku, funcion&aacute;ria principal de programas e directora interina do Minist&eacute;rio para as Mulheres do Gana. O Ruanda, a &Aacute;frica do Sul, a Tanz&acirc;nia e oUganda s&atilde;o alguns dos pa&iacute;ses africanos com leis de discrimina&ccedil;&atilde;o positiva. Cada um tem mais de 30 por cento de representa&ccedil;&atilde;o feminina no parlamento. O Ruanda &eacute; o l&iacute;der mundial, com uma representa&ccedil;&atilde;o de 56.3 por cento. Mas no Gana diversos factores ainda impedem as mulheres de chegarem a cargos decis&oacute;rios. Quando Boateng concorreu ao parlamento pela primeira vez em 1996, disse que o seu maior obst&aacute;culo foi o financiamento. &quot;Sabia que precisava de dinheiro e n&atilde;o o tinha,&quot; contou. Em 2004, durante a sua segunda tentativa de candidatura, encontrava-se em melhor posi&ccedil;&atilde;o financeira e conseguiu obter empr&eacute;stimos banc&aacute;rios. Mas, nessa altura, os filhos j&aacute; tinham conclu&iacute;do os seus estudos escolares e ela tinha mais dinheiro dispon&iacute;vel. Tradicionalmente, o Gana &eacute; uma sociedade patriarcal. &quot;Quando entramos em casa desempenhamos pap&eacute;is diferentes&quot; disse Hamida Harrison, directora de mobiliza&ccedil;&atilde;o da Abantu. &quot;Esses pap&eacute;is criaram esta rela&ccedil;&atilde;o de superioridade por oposi&ccedil;&atilde;o &agrave; inferioridade.&quot; Espera-se que as mulheres criem os filhos e tenham menos oportunidades para avan&ccedil;ar em termos profissionais e educa&ccedil;&atilde;o superior. &quot;Os homens t&ecirc;m o dinheiro&quot; disse Gbedemah. A n&iacute;vel prim&aacute;rio, rapazes e raparigas est&atilde;o igualmente representados nas escolas do Gana. &quot;Mas, a n&iacute;vel do ensino superior, os rapazes excedem em n&uacute;mero as raparigas quase tr&ecirc;s contra um,&quot; disse Gbedemah. Ela afirma que um estudo da ActionAid International constatou que, segundo a percep&ccedil;&atilde;o do p&uacute;blico sobre a educa&ccedil;&atilde;o das raparigas, tarefas caseiras e gravidez precoce, todos estes factores tinham contribu&iacute;do para esta disparidade. Para aumentar o n&uacute;mero das jovens nas institui&ccedil;&otilde;es do ensino superior no Gana, actualmente existe uma forma de discrimina&ccedil;&atilde;o positiva, visto que os requisitos para as mulheres entrarem nestas institui&ccedil;&otilde;es s&atilde;o mais baixos do que os usados para os homens. Isto &eacute; um ind&iacute;cio da longa hist&oacute;ria de discrimina&ccedil;&atilde;o positiva no Gana. Kwame Nkrumah, o primeiro presidente do Gana, reservou 10 lugares para as mulheres no parlamento do Gana no in&iacute;cio dos anos 60, embora essa pol&iacute;tica tenha perdido a sua popularidade depois de ter sido derrubado num golpe de estado em 1966. &quot;Na &Iacute;ndia e nos pa&iacute;ses n&oacute;rdicos verificamos que, quando se aumenta a representa&ccedil;&atilde;o das mulheres, elas tendem a centrar a sua aten&ccedil;&atilde;o em quest&otilde;es como a sa&uacute;de, saneamento, educa&ccedil;&atilde;o e servi&ccedil;os sociais&quot; disse Gbedemah. As quest&otilde;es que s&atilde;o espec&iacute;ficas das mulheres, como a mortalidade materna e a viol&ecirc;ncia dom&eacute;stica, tamb&eacute;m recebem mais aten&ccedil;&atilde;o quando um pa&iacute;s tem uma maior propor&ccedil;&atilde;o de mulheres em carhos decis&oacute;rios. O Minist&eacute;rio para as Mulheres e a Abantu querem debates em todo o pa&iacute;s sobre o projecto de lei sobre a discrimina&ccedil;&atilde;o positiva at&eacute; ao final do ano, antes de ser apresentado no parlamento. Apesar de n&atilde;o estar pronto antes das elei&ccedil;&otilde;es de Dezembro no Gana, eles esperam dispor da discrimina&ccedil;&atilde;o positiva antes das elei&ccedil;&otilde;es de 2016.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>ACRA, 23\/08\/2012 &ndash; Beatrice Boateng, deputada do Novo Partido Patri&oacute;tico, partido da oposi&ccedil;&atilde;o oficial no Gana quando comparado ao Novo Congresso Democr&aacute;tico no poder, j&aacute; conquistou o seu lugar entre os legisladores do pa&iacute;s. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/08\/africa\/tornar-obrigatrio-ter-mulheres-no-parlamento-do-gana\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1194,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[3],"tags":[],"class_list":["post-10533","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-africa"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10533","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1194"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10533"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10533\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10533"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10533"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10533"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}