{"id":10540,"date":"2012-08-23T09:56:26","date_gmt":"2012-08-23T09:56:26","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=10540"},"modified":"2012-08-23T09:56:26","modified_gmt":"2012-08-23T09:56:26","slug":"eslovquia-tenta-curar-a-corrupo-mdica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/08\/economia\/eslovquia-tenta-curar-a-corrupo-mdica\/","title":{"rendered":"Eslov&aacute;quia tenta curar a corrup&ccedil;&atilde;o m&eacute;dica"},"content":{"rendered":"<p>Bratislava, Eslov&aacute;quia, 23\/08\/2012 &ndash; Os m&eacute;dicos da Eslov&aacute;quia lan&ccedil;aram uma campanha sem precedentes neste pa&iacute;s da Europa oriental para se livrar de um estigma que pesa sobre sua profiss&atilde;o: a corrup&ccedil;&atilde;o m&eacute;dica. <!--more--> No lan&ccedil;amento da campanha &quot;Obrigado, n&atilde;o aceitamos subornos&quot;, os integrantes da Associa&ccedil;&atilde;o de Sindicatos M&eacute;dicos afirmaram que a medida reafirmaria a integridade destes profissionais junto ao p&uacute;blico e que aumentaria a transpar&ecirc;ncia no sistema de sa&uacute;de p&uacute;blica.<\/p>\n<p>Mas os especialistas acreditam que isso n&atilde;o ser&aacute; de grande ajuda na hora de frear a corrup&ccedil;&atilde;o no setor. &quot;&Eacute; uma medida interessante e at&iacute;pica, mas n&atilde;o reduzir&aacute; de modo significativo a corrup&ccedil;&atilde;o no sistema de sa&uacute;de. S&atilde;o necess&aacute;rias medidas mais efetivas&quot;, advertiu &agrave; IPS Roman Muzik, analista do instituto de Pol&iacute;ticas de Sa&uacute;de de Bratislava.<\/p>\n<p>Ao atender seus pacientes, os m&eacute;dicos que trabalham em hospitais p&uacute;blicos usar&atilde;o b&oacute;tons com o lema da campanha, e um site mostrar&aacute; quais profissionais participam dela. Isto acontece em meio a uma percep&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica generalizada segundo a qual o setor da sa&uacute;de neste pa&iacute;s, bem como em muitos outros da Europa oriental, tem um problema s&eacute;rio com os subornos.<\/p>\n<p>Segundo um estudo da Transpar&ecirc;ncia Internacional divulgado em 2010, o sistema de sa&uacute;de da Eslov&aacute;quia era visto desde ent&atilde;o como o 18&ordm; mais corrupto entre 88 pa&iacute;ses analisados. Outra pesquisa divulgada este ano mostra que uma em cada quatro fam&iacute;lias neste pa&iacute;s tem experi&ecirc;ncia pessoal de subornos a m&eacute;dicos.<\/p>\n<p>Frequentemente os pacientes dizem que, embora n&atilde;o pe&ccedil;a diretamente esse tipo de pagamento, eles mesmos sentem que devem oferecer um para, pelo menos, garantir um atendimento m&eacute;dico razo&aacute;vel. As entrevistas com pacientes mostraram que s&atilde;o feitos pagamentos que oscilam entre dezenas e milhares de euros em troca de ter prioridade nas listas de espera para cirurgias ou por um servi&ccedil;o de melhor qualidade.<\/p>\n<p>A situa&ccedil;&atilde;o &eacute; a mesma, ou pior, em outros pa&iacute;ses da Europa central e oriental. A aten&ccedil;&atilde;o &agrave; sa&uacute;de na Ucr&acirc;nia, Moldova, Rom&ecirc;nia e Hungria &eacute; vista como particularmente problem&aacute;tica quanto a funcion&aacute;rios da &aacute;rea m&eacute;dica aceitarem subornos. Em muitos pa&iacute;ses da regi&atilde;o, a sa&uacute;de p&uacute;blica carece de fundos suficientes, em compara&ccedil;&atilde;o com a m&eacute;dia europeia. A isto se soma o fato de os pagamentos serem muito baixos e as condi&ccedil;&otilde;es de trabalho ruins, o que costuma ser citado como motivos para que os m&eacute;dicos aceitem subornos.<\/p>\n<p>Tudo isto causou greves maci&ccedil;as de trabalhadores da medicina na Hungria, Rep&uacute;blica Checa e Eslov&aacute;quia nos &uacute;ltimos dois anos. Mas uma pesquisa do Instituto de Pol&iacute;ticas de Sa&uacute;de de Bratislava n&atilde;o considerou isto, sugerindo, por outro lado, que a cobi&ccedil;a dos m&eacute;dicos e o fato de &quot;as circunst&acirc;ncias permitirem&quot; cobrar subornos s&atilde;o motivos mais prov&aacute;veis para a florescente corrup&ccedil;&atilde;o. Tamb&eacute;m se acredita que a falta de clareza sobre quais s&atilde;o os direitos dos pacientes contribui para o problema.<\/p>\n<p>&quot;&Eacute; importante definir um pacote b&aacute;sico que mostre o que cabe a um paciente. Se isto n&atilde;o fica claro, cria espa&ccedil;o para negocia&ccedil;&otilde;es&quot; clandestinas, disse Gabriel Sipos, diretor do cap&iacute;tulo eslovaco da Transpar&ecirc;ncia Internacional, ao jornal local Sme. Por&eacute;m, para outros, as causas dos problemas envolvendo m&eacute;dicos corruptos s&atilde;o mais complexas e remontam aos regimes comunistas instalados na regi&atilde;o at&eacute; h&aacute; apenas 20 anos. Entregar dinheiro ou presente em troca de um tratamento preferencial ou por acesso a determinados produtos e servi&ccedil;os era comum e fazia parte do estilo de vida em todos os estratos da sociedade. Isto gerou uma cultura de aceita&ccedil;&atilde;o generalizada de subornos, que atualmente segue arraigada em alguns setores.<\/p>\n<p>Segundo estimativas do Banco Mundial, apenas na Rom&ecirc;nia s&atilde;o recebidos ou oferecidos 750 mil euros (mais de US$ 925 mil) por dia sob a forma de subornos. Os meios de comunica&ccedil;&atilde;o locais informam que o pessoal dos hospitais reclama entre centenas e centenas de milhares de euros por favores como garantir a troca de len&ccedil;&oacute;is ou aprovar a realiza&ccedil;&atilde;o de cirurgias no exterior. O ministro da Sa&uacute;de da Rom&ecirc;nia, Ladislau Ritli, admitiu no come&ccedil;o do ano &agrave; imprensa que &quot;a corrup&ccedil;&atilde;o est&aacute; t&atilde;o profundamente arraigada em nosso sistema que &eacute; realmente dif&iacute;cil de eliminar&quot;.<\/p>\n<p>Muzik, do Instituto de Pol&iacute;ticas de Sa&uacute;de da Bratislava, declarou &agrave; IPS: &quot;Um dos motivos dos problemas com os subornos na sa&uacute;de &eacute; que a corrup&ccedil;&atilde;o em geral est&aacute; profundamente arraigada no comportamento das pessoas. Usavam subornos antes de 1989, sob o regime comunista, e continuam usando agora&quot;. Os pr&oacute;prios pacientes t&ecirc;m um papel a cumprir na erradica&ccedil;&atilde;o dos subornos, destacou. &quot;Os pacientes t&ecirc;m que deixar de se guiar pela ideia de que se todos fazem, tamb&eacute;m vou fazer&quot;, acrescentou.<\/p>\n<p>Tamb&eacute;m &eacute; solicitado aos pacientes que denunciem os m&eacute;dicos que solicitam subornos e, junto com sua nova campanha, a Associa&ccedil;&atilde;o de Sindicatos M&eacute;dicos pediu que o Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de crie uma linha telef&ocirc;nica especial para as v&iacute;timas dessa pr&aacute;tica registrarem esses casos. Embora alguns m&eacute;dicos tenham sido pegos cobrando subornos depois que os pacientes foram &agrave; pol&iacute;cia, os julgamentos por casos de corrup&ccedil;&atilde;o no setor s&atilde;o incomuns. Muitos doentes admitem ser reticentes em denunciar os profissionais que cobram pagamento ilegal, por medo do que a &quot;m&aacute;fia do avental branco&quot;, como alguns chamam, possa adotar repres&aacute;lias em uma mesa de cirurgia.<\/p>\n<p>Poucos m&eacute;dicos falam abertamente da corrup&ccedil;&atilde;o ou de colegas que aceitam subornos. Mas, em particular, alguns admitem que essa &eacute; uma pr&aacute;tica comum. Sylvia Kucharova (nome fict&iacute;cio), psiquiatra eslovaca da cidade de Zilina, disse &agrave; IPS que, embora n&atilde;o aceite subornos, est&aacute; consciente de que estes acontecem. &quot;h&aacute; muitas pessoas que buscam e oferecem esses pagamentos. Isso sempre existiu&quot;.<\/p>\n<p>H&aacute; poucas expectativas de que este problema seja resolvido no futuro imediato. Mas, apesar das d&uacute;vidas sobre a efetividade da campanha em geral, o fato de ter sido lan&ccedil;ada j&aacute; &eacute; um passo positivo. Segundo Muzik, &quot;embora seja improv&aacute;vel que a campanha tenha grande efeito sobre a corrup&ccedil;&atilde;o, &eacute; bom que os m&eacute;dicos eslovacos estejam admitindo que h&aacute; corrup&ccedil;&atilde;o no sistema, que sentem que &eacute; generalizada e que querem fazer algo a respeito&quot;. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Bratislava, Eslov&aacute;quia, 23\/08\/2012 &ndash; Os m&eacute;dicos da Eslov&aacute;quia lan&ccedil;aram uma campanha sem precedentes neste pa&iacute;s da Europa oriental para se livrar de um estigma que pesa sobre sua profiss&atilde;o: a corrup&ccedil;&atilde;o m&eacute;dica. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/08\/economia\/eslovquia-tenta-curar-a-corrupo-mdica\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":175,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6,5,7],"tags":[18],"class_list":["post-10540","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-direitos-humanos","category-economia","category-saude","tag-europa"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10540","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/175"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10540"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10540\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10540"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10540"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10540"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}