{"id":10548,"date":"2012-08-24T10:15:22","date_gmt":"2012-08-24T10:15:22","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=10548"},"modified":"2012-08-24T10:15:22","modified_gmt":"2012-08-24T10:15:22","slug":"o-medo-dos-imigrantes-se-sente-no-ar-no-arizona","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/08\/direitos-humanos\/o-medo-dos-imigrantes-se-sente-no-ar-no-arizona\/","title":{"rendered":"O medo dos imigrantes se sente no ar no Arizona"},"content":{"rendered":"<p>Tucson, Estados Unidos, 24\/08\/2012 &ndash; O medo caminha pelas cidades do Arizona. Matthiew, de sete anos, o sente quando sua m&atilde;e cruza a linha permitida pelos guardas da pris&atilde;o informal Tent City para ser fotografada com um cartaz contra o sequestro de imigrantes.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_10548\" style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/ativistas.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-10548\" class=\"size-medium wp-image-10548\" title=\"Ativistas da caravana diante do tanque que Joe Arpaio colocou na entrada da pris&atilde;o informal Tend City. - Daniela Pastrana\/IPS\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/ativistas.jpg\" alt=\"Ativistas da caravana diante do tanque que Joe Arpaio colocou na entrada da pris&atilde;o informal Tend City. - Daniela Pastrana\/IPS\" width=\"200\" height=\"150\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-10548\" class=\"wp-caption-text\">Ativistas da caravana diante do tanque que Joe Arpaio colocou na entrada da pris&atilde;o informal Tend City. - Daniela Pastrana\/IPS<\/p><\/div>  &quot;N&atilde;o, n&atilde;o, n&atilde;o&quot;, grita o garoto em p&acirc;nico. Depois se cala e nega-se a responder qualquer pergunta. &quot;Sente medo. &Eacute; o que todos sentimos aqui&quot;, disse &agrave; IPS sua m&atilde;e, Estela Jim&eacute;nez, de nacionalidade norte-americana e residente na cidade de San Diego, na Calif&oacute;rnia, h&aacute; 23 anos, que trabalha em uma casa para imigrantes deportados na fronteiri&ccedil;a cidade mexicana de Mexicali.<\/p>\n<p>Ela participou do protesto diante da pris&atilde;o de Maricopa que no dia 16 realizaram integrantes do Movimento pela Paz com Justi&ccedil;a e Dignidade, liderado pelo poeta mexicano Javier Sicilia, junto com ativistas dos direitos humanos das minorias dos Estados Unidos. Javier lidera uma caravana pelos Estados Unidos, de v&iacute;timas da viol&ecirc;ncia que produziu no M&eacute;xico a estrat&eacute;gia de seguran&ccedil;a militarizada durante o governo do conservador Felipe Calder&oacute;n, para pedir ao governo de Barack Obama o fim do contrabando de armas e uma mudan&ccedil;a na pol&iacute;tica b&eacute;lica contra as drogas.<\/p>\n<p>O grupo come&ccedil;ou sua marcha no dia 12 deste m&ecirc;s e chegar&aacute; a Washington em 10 de setembro, ap&oacute;s percorrer 9.400 quil&ocirc;metros. J&aacute; passou pela Calif&oacute;rnia, antes de entrar no Arizona, onde h&aacute; 460 mil imigrantes sem documentos e tamb&eacute;m leis draconianas contra a imigra&ccedil;&atilde;o ilegal. Aqui, qualquer funcion&aacute;rio estadual pode revistar quem parecer n&atilde;o ter documentos, e &eacute; ilegal procurar trabalho se n&atilde;o contar com esses pap&eacute;is, desde que em 2010 foi aprovada a lei SB1070, parcialmente revogada pela Suprema Corte de Justi&ccedil;a em junho deste ano.<\/p>\n<p>O racismo do Arizona se exacerba no condado de Maricopa, onde fica a cidade de Phoenix, e se materializa na figura do xerife Joe Arpaio, implac&aacute;vel perseguidor de sem documentos e criador da Tent City, uma extens&atilde;o da pris&atilde;o do condado na qual os prisioneiros vivem em tendas de campanha, a 50 graus &agrave; sombra no ver&atilde;o. Na Tent City (Cidade das Barracas) os presos vestem um uniforme com listras brancas e pretas, tirado dos velhos filmes norte-americanos, e a roupa de baixo deve ser cor-de-rosa. Trabalham em grupo limpando ruas ou pintando paredes, com grilh&otilde;es nos p&eacute;s e, a t&iacute;tulo de piada, no alto da torre de vigil&acirc;ncia o xerife mandou colocar o aviso &quot;Vacancy&quot; (h&aacute; vagas).<\/p>\n<p>Embora seja inveross&iacute;mil, &eacute; um centro para delitos menores e est&aacute; ocupado primordialmente por imigrantes. Em Maricopa vive-se um &quot;novo apartheid&quot;, dizem os ativistas, em refer&ecirc;ncia ao sistema segregacionista que existiu na &Aacute;frica do Sul at&eacute; 1994, e explicam que, apesar de 38% dos 3,5 milh&otilde;es de habitantes do condado serem latinos, especialmente mexicanos, o controle pol&iacute;tico est&aacute; totalmente nas m&atilde;os de anglo-sax&otilde;es.<\/p>\n<p>Arpaio, de 77 anos, descendente de italianos, busca este ano sua quinta reelei&ccedil;&atilde;o consecutiva, com a luta contra os imigrantes ilegais como sua bandeira. Jim&eacute;nez, como Mercedes Moreno e Micaela Saucedo, da Casa de Abrigo Elvira, na cidade fronteiri&ccedil;a mexicana de Tijuana, tamb&eacute;m se uniram &agrave; caravana, mostrando seus passaportes abertos. &quot;Viemos mostrar a Arpaio que somos t&atilde;o cidad&atilde;s norte-americanas como ele&#39;, disse Mercedes &agrave; IPS, enquanto mostrava a foto de seu filho Jos&eacute; Leonidas desaparecido desde 1991 em Ciudad Hidalgo, no Estado mexicano de Chiapas, quando come&ccedil;ava a cruzar o M&eacute;xico para chegar aos Estados Unidos.<\/p>\n<p>O protesto na pris&atilde;o de Maricopa n&atilde;o estava inclu&iacute;do no programa original da caravana e foi evidente a tens&atilde;o dos organizadores, diante da possibilidade de algum participante se ferido. &quot;Arpaio &eacute; capaz disso&quot;, confirmou &agrave; IPS Carlos Garc&iacute;a, morador no condado h&aacute; 26 anos, respons&aacute;vel pela organiza&ccedil;&atilde;o defensora de imigrantes Puente Arizona e v&aacute;rias vezes detido por se manifestar contra as leis migrat&oacute;rias.<\/p>\n<p>Mas Arpaio n&atilde;o deteve ningu&eacute;m e, pelo contr&aacute;rio, recebeu o poeta Sicilia e um grupo de ativistas que se apresentaram de surpresa em seus escrit&oacute;rios, no pr&eacute;dio do banco Wells Fargo. Antes da reuni&atilde;o, que durou uma hora e teve v&aacute;rios momentos de tens&atilde;o, o xerife se assegurou que chegasse a imprensa local. &quot;N&atilde;o vou faz&ecirc;-lo mudar de opini&atilde;o, mas pe&ccedil;o um tratamento mais humano para nossos imigrantes&quot;, disse o poeta. O xerife se segurou para n&atilde;o responder.<\/p>\n<p>Nos Estados Unidos h&aacute; 11 milh&otilde;es de pessoas sem resid&ecirc;ncia legal, 70% delas de origem latino-americana. O governo Obama deportou um milh&atilde;o de pessoas sem documentos. Segundo a organiza&ccedil;&atilde;o Anjos da Fronteira, desde 1994 morreram dez mil pessoas tentando cruzar o deserto do Arizona desde o M&eacute;xico. &quot;Anualmente morrem mil tentando cruzar a fronteira. O fluxo principal era na Calif&oacute;rnia, mas, depois de setembro de 2011, mudou para o Arizona, onde ocorrem as mortes mais brutais&quot;, disse &agrave; IPS o fundador dessa organiza&ccedil;&atilde;o, Enrique Morones. O ativista n&atilde;o participou dos protestos com a passagem da caravana porque sua organiza&ccedil;&atilde;o boicota o Estado, por suas leis migrat&oacute;rias.<\/p>\n<p>O movimento pela paz nasceu no M&eacute;xico ap&oacute;s o assassinato de Juan Francisco Sicilia, filho do poeta, em 28 de mar&ccedil;o de 2011. Esta caravana nos Estados Unidos &eacute; a terceira marcha de longo percurso de que participa, no que representa a busca por justi&ccedil;a da sociedade para as v&iacute;timas da viol&ecirc;ncia. O contraste entre os dois primeiros Estados que percorreu &eacute; enorme. Na Calif&oacute;rnia, onde Sicilia disse que a pol&iacute;tica de guerra contra as drogas humilha a segunda emenda da Constitui&ccedil;&atilde;o norte-americana, o grupo de v&iacute;timas foi ouvido na sess&atilde;o do conselho municipal de Los Angeles, e o conselheiro Jos&eacute; Hu&iacute;zar, nascido no M&eacute;xico, prop&ocirc;s uma resolu&ccedil;&atilde;o em favor da caravana.<\/p>\n<p>&quot;N&atilde;o &eacute; preciso ir ao Afeganist&atilde;o ou ao Iraque para ver a magnitude de uma trag&eacute;dia humana; basta ver al&eacute;m de nossa fronteira sul&quot;, indicou Hu&iacute;zar, antes de revelar que sua fam&iacute;lia tamb&eacute;m sofreu viol&ecirc;ncia no Estado mexicano de Zacatecas. A visita aconteceu um dia depois de os legisladores da Calif&oacute;rnia aprovarem uma resolu&ccedil;&atilde;o conjunta para pedir ao governo federal maior controle do tr&aacute;fico de armas.<\/p>\n<p>J&aacute; no Arizona, a caravana chegou no dia em que a governadora Jan Brewer descartou aplicar no Estado a A&ccedil;&atilde;o Diferida, medida anunciada em junho por Obama para adiar por dois anos a deporta&ccedil;&atilde;o de jovens sem documentos que tivessem chegado ainda crian&ccedil;as nos Estados Unidos. Com o lema de &quot;sonhadores&quot;, os jovens sem documentos est&atilde;o exigindo ter direitos plenos.<\/p>\n<p>Mas no Arizona nem mesmo se permite sala de aula &eacute;tnica. Em contraste com as autoridades, a caravana foi recebida com emo&ccedil;&atilde;o por integrantes de congrega&ccedil;&otilde;es crist&atilde;s, que denunciaram o endurecimento do racismo e da segrega&ccedil;&atilde;o. &quot;N&atilde;o tenhamos medo, porque o medo paralisa. O que v&atilde;o liquidar &eacute; o futuro de nossos filhos&quot;, disse Jonathan Peck, com seu filho pequeno nos bra&ccedil;os. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tucson, Estados Unidos, 24\/08\/2012 &ndash; O medo caminha pelas cidades do Arizona. 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