{"id":10556,"date":"2012-08-28T09:32:09","date_gmt":"2012-08-28T09:32:09","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=10556"},"modified":"2012-08-28T09:32:09","modified_gmt":"2012-08-28T09:32:09","slug":"coluna-escndalos-bancrios-uma-histria-de-nunca-acabar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/08\/mundo\/coluna-escndalos-bancrios-uma-histria-de-nunca-acabar\/","title":{"rendered":"COLUNA: Esc&acirc;ndalos banc&aacute;rios, uma hist&oacute;ria de nunca acabar"},"content":{"rendered":"<p>San Salvador, Bahamas, 28\/08\/2012 &ndash; N&atilde;o passa uma semana sem que surja um esc&acirc;ndalo relacionado com os bancos. <!--more--> O &uacute;ltimo foi o do banco brit&acirc;nico Standard Chartered, acusado pelo departamento de finan&ccedil;as do Estado de Nova York de lavagem de US$ 250 bilh&otilde;es para potencial apoio a atividades terroristas.<\/p>\n<p>At&eacute; agora, o Standard Chartered era considerado um dos bancos mais limpos, mas no dia 14 deste m&ecirc;s concordou em pagar uma gigantesca multa de US$ 340 milh&otilde;es para frear a a&ccedil;&atilde;o judicial.<\/p>\n<p>Estamos agora entrando em outro n&iacute;vel da s&eacute;rie incessante de esc&acirc;ndalos banc&aacute;rios, j&aacute; que come&ccedil;a a afetar diretamente alguns dos mais poderosos financistas do mundo, n&atilde;o apenas seus pr&oacute;prios bancos.<\/p>\n<p>O ex-ministro da Economia da Espanha e ex-diretor gerente do Fundo Monet&aacute;rio Internacional, Rodrigo Rato, foi responsabilizado pela desestabiliza&ccedil;&atilde;o do sistema banc&aacute;rio espanhol, foi inquirido em uma audi&ecirc;ncia parlamentar e se sucedem os apelos p&uacute;blicos para seu julgamento.<\/p>\n<p>E, algo impens&aacute;vel at&eacute; h&aacute; pouco, o escrit&oacute;rio do defensor do Povo Europeu (ombudsman) anunciou que iniciar&aacute; uma investiga&ccedil;&atilde;o sobre a afilia&ccedil;&atilde;o do presidente do Banco Central Europeu (BCE), Mario Draghi, ao chamado Grupo dos 30, por ser &quot;incompat&iacute;vel com a independ&ecirc;ncia, reputa&ccedil;&atilde;o e integridade do BCE&quot;.<\/p>\n<p>Draghi foi vice-presidente do Goldman Sachs, o maior banco de investimentos do mundo, e o Grupo dos 30 (organiza&ccedil;&atilde;o privada de altos funcion&aacute;rios, financistas, executivos de corpora&ccedil;&otilde;es e acad&ecirc;micos) &eacute; acusado de reunir personalidades influentes para orientar decis&otilde;es nas &aacute;reas de economia, finan&ccedil;as e pol&iacute;tica internacionais.<\/p>\n<p>Acusa&ccedil;&otilde;es semelhantes foram feitas durante anos contra a Comiss&atilde;o Trilateral, o Grupo Bilderberg e o F&oacute;rum Econ&ocirc;mico Mundial. A diferen&ccedil;a &eacute; que o Grupo dos 30 ocupa-se especificamente de finan&ccedil;as.<\/p>\n<p>Por sua vez, a organiza&ccedil;&atilde;o n&atilde;o governamental Corporate Europe Observatory, aponta o caso de outro executivo do Goldman Sachs: Mario Monti, primeiro-ministro da It&aacute;lia, conselheiro internacional desse banco de investimentos entre 2005 e 2011.<\/p>\n<p>Que tudo isto tenha algum resultado, &eacute; muito duvidoso. Os la&ccedil;os entre finan&ccedil;as, corpora&ccedil;&otilde;es e pol&iacute;tica s&atilde;o t&atilde;o estreitos que apenas uma verdadeira revolu&ccedil;&atilde;o poderia desfaz&ecirc;-los.<\/p>\n<p>O exemplo mais patente do caminho que est&aacute; sendo seguido vemos nos Estados Unidos, onde o custo da campanha presidencial provavelmente superar&aacute; a assombrosa quantia de US$ 2 bilh&otilde;es. Isto se deve em grande parte &agrave; decis&atilde;o de 2010 da Suprema Corte, que estendeu o direito &agrave; liberdade de express&atilde;o das pessoas &agrave;s empresas.<\/p>\n<p>Portanto, as corpora&ccedil;&otilde;es j&aacute; n&atilde;o est&atilde;o sujeitas a limita&ccedil;&otilde;es em suas doa&ccedil;&otilde;es para as campanhas eleitorais.<\/p>\n<p>O dinheiro procedente de doa&ccedil;&otilde;es secretas aumentou de 1%, em 2006, para 44%, em 2010. Este ano, 26 multimilion&aacute;rios doaram US$ 61 milh&otilde;es aos Comit&ecirc;s de A&ccedil;&atilde;o Pol&iacute;tica. O valor do patrim&ocirc;nio desses 26 magnatas &eacute; igual ao valor conjunto da renda m&eacute;dia de 50 milh&otilde;es de norte-americanos.<\/p>\n<p>&Eacute; democr&aacute;tica a propor&ccedil;&atilde;o entre a liberdade de palavra de 26 multimilion&aacute;rios e de 50 milh&otilde;es de cidad&atilde;os &quot;normais&quot;?<\/p>\n<p>Est&aacute; bastante claro que o candidato republicano Mitt Romney, que junto com seu companheiro de chapa, Paul Ryan, ocupa a direita do cen&aacute;rio pol&iacute;tico norte-americano, disp&otilde;e de mais fundos para sua campanha do que seu advers&aacute;rio, o presidente Barack Obama, gra&ccedil;as &agrave;s contribui&ccedil;&otilde;es das corpora&ccedil;&otilde;es e em especial dos bancos.<\/p>\n<p>Aparentemente, algumas pessoas come&ccedil;am a se dar conta da gravidade da situa&ccedil;&atilde;o e de sua insustentabilidade.<\/p>\n<p>Causou grande surpresa Sanford Weill (banqueiro, financista e filantropo norte-americano) declarar publicamente que &quot;o que provavelmente dever&iacute;amos fazer seria separa os bancos de investimento dos bancos de dep&oacute;sito. Os bancos n&atilde;o devem fazer opera&ccedil;&otilde;es que coloquem em risco o dinheiro dos contribuintes, nem deve haver bancos que sejam grandes demais para quebrar&quot;.<\/p>\n<p>Weill, ex-presidente do Citrigroup, manteve durante anos em seu escrit&oacute;rio uma placa onde se lia &quot;O destruidor de Glass-Steagall&quot;. A lei Glass-Steagall, aprovada pelo parlamento norte-americano em 1933 ap&oacute;s a grande Depress&atilde;o de 1929, estabeleceu uma r&iacute;gida separa&ccedil;&atilde;o entre os bancos de dep&oacute;sito (comerciais) e os bancos de investimentos.<\/p>\n<p>Dessa forma se protegeu o dinheiro dos clientes dos bancos comerciais, j&aacute; que a lei determinava que n&atilde;o podia voltar a ser utilizado para atividades especulativas, que ficaram reservadas para os bancos de investimentos, por sua conta e risco.<\/p>\n<p>A lei Glass-Steagall foi revogada pelo presidente Bill Clinton em 1999 para agradar Wall Street.<\/p>\n<p>Desde ent&atilde;o, John S. Reed, o cofundador do Citigroup, pediu perd&atilde;o por ter criado este gigante devastador que, para impedir sua quebra, teve que ser socorrido por milhares de milh&otilde;es de d&oacute;lares de empr&eacute;stimos governamentais, isto &eacute;, dinheiro dos contribuintes.<\/p>\n<p>Outros dois ex-diretores executivos de bancos de investimentos, Philip Purcell, do Morgan Stanley, e David Romansky, do Merrill Lynch, que tiveram pap&eacute;is de destaque na revoga&ccedil;&atilde;o da lei Glass-Steagall, expressaram semelhante arrependimento.<\/p>\n<p>&Eacute; uma pena que Weill e seus amigos j&aacute; n&atilde;o estejam no poder.<\/p>\n<p>At&eacute; uma m&oacute;dica medida, com um imposto simb&oacute;lico sobre as transa&ccedil;&otilde;es financeiras, chamada Taxa Tobin, &eacute; recha&ccedil;ada pelo mundo das finan&ccedil;as, embora tenha o apoio de personalidades t&atilde;o respeit&aacute;veis como a chanceler alem&atilde;, Angela Merkel. o ex-presidente franc&ecirc;s, Nicolas Sarkozy, e seu sucessor, Fran&ccedil;ois Hollande. Envolverde\/IPS<\/p>\n<p>* Roberto Savio &eacute; fundador e presidente em&eacute;rito da ag&ecirc;ncia de not&iacute;cias IPS (Inter Press Service) e editor do Other News.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>San Salvador, Bahamas, 28\/08\/2012 &ndash; N&atilde;o passa uma semana sem que surja um esc&acirc;ndalo relacionado com os bancos. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/08\/mundo\/coluna-escndalos-bancrios-uma-histria-de-nunca-acabar\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":375,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[13,5,4,11],"tags":[18],"class_list":["post-10556","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-colunistas","category-economia","category-mundo","category-politica","tag-europa"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10556","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/375"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10556"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10556\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10556"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10556"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10556"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}