{"id":10557,"date":"2012-08-28T09:34:37","date_gmt":"2012-08-28T09:34:37","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=10557"},"modified":"2012-08-28T09:34:37","modified_gmt":"2012-08-28T09:34:37","slug":"argentina-terra-cada-vez-mais-prometida-para-os-vizinhos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/08\/america-latina\/argentina-terra-cada-vez-mais-prometida-para-os-vizinhos\/","title":{"rendered":"ARGENTINA: Terra cada vez mais prometida para os vizinhos"},"content":{"rendered":"<p>Buenos Aires, Argentina, 28\/08\/2012 &ndash; &quot;Os novos edif&iacute;cios da capital argentina foram constru&iacute;dos por paraguaios&quot;, assegurou com certo orgulho Isidro M&eacute;ndez, de 60 anos. <!--more--> Este imigrante, que dirige uma construtora, &eacute; um das centenas de milhares de estrangeiros que chegaram a este pa&iacute;s carregando na bagagem apenas a ilus&atilde;o de um futuro melhor. A constante recupera&ccedil;&atilde;o econ&ocirc;mica e o consequente aumento do emprego, desde meados da d&eacute;cada passada na Argentina, frearam a sa&iacute;da de argentinos e impulsionaram a imigra&ccedil;&atilde;o a partir da Am&eacute;rica do Sul, especialmente do Paraguai e da Bol&iacute;via. Embora n&atilde;o seja um fen&ocirc;meno novo, &eacute; not&aacute;vel o aumento registrado nesse per&iacute;odo.<\/p>\n<p>Um aspecto agregado e fundamental foi a facilidade para se radicar, disposta pelo governo de centro-esquerda do falecido N&eacute;stor Kirchner (2003-2007), que antecedeu o atual, exercido por sua mulher, Cristina Fern&aacute;ndez. &quot;N&oacute;s sabemos sofrer&quot;, resumiu para a IPS o paraguaio M&eacute;ndez, que se estabeleceu neste pa&iacute;s com apenas 17 anos. Primeiro aprendeu a trabalhar como oper&aacute;rio da constru&ccedil;&atilde;o e agora, como patr&atilde;o, tem dezenas de compatriotas sob seu comando levantando casas e pr&eacute;dios.<\/p>\n<p>O estudo O Impacto das Migra&ccedil;&otilde;es na Argentina, apresentado este m&ecirc;s pela Organiza&ccedil;&atilde;o Internacional das Migra&ccedil;&otilde;es (OIM), indica que 77% dos estrangeiros residentes na Argentina s&atilde;o origin&aacute;rios de outros pa&iacute;ses sul-americanos. Procedem, sobretudo, dos lim&iacute;trofes Brasil, Bol&iacute;via, Chile, Paraguai e Uruguai, bem como do Peru. Entre 2001 e 2010, a quantidade de estrangeiros cresceu de um milh&atilde;o para 1,4 milh&atilde;o, os quais foram &quot;quase plenamente absorvidos pelo mercado de trabalho&quot;, afirma a OIM.<\/p>\n<p>Os dados indicam que 39% dessas pessoas s&atilde;o do Paraguai, sendo que no Censo de 2001 somavam mais de 325 mil, e no de 2010 passavam de 550 mil. Os homens trabalham principalmente na constru&ccedil;&atilde;o civil e as mulheres no servi&ccedil;o dom&eacute;stico. &quot;Todos os que v&ecirc;m do Paraguai trabalham&quot;, assegurou M&eacute;ndez. &quot;Os argentinos t&ecirc;m nojo do p&oacute; e da p&aacute;. E se chove e &eacute; preciso descarregar caminh&otilde;es de sacos de cimento, como aconteceu hoje, certamente fariam greve&quot;, acrescentou, ironicamente. O estudo da OIM indica que, entre 2003 e 2010, a constru&ccedil;&atilde;o da Argentina teve crescimento anual de produtividade de 14%.<\/p>\n<p>A segunda comunidade de estrangeiros &eacute; a boliviana, que re&uacute;ne 25% da nova imigra&ccedil;&atilde;o em 2010. Em 2001, os bolivianos somavam 231 mil, enquanto em 2010 chegaram a mais de 345 mil e sua ocupa&ccedil;&atilde;o majorit&aacute;ria ocorre na produ&ccedil;&atilde;o hortifruti e no com&eacute;rcio. Numerosas fam&iacute;lias bolivianas arrendam terras nos distritos dos arredores das cidades para fornecer-lhes frutas e verduras, diz a OIM. Mas tamb&eacute;m s&atilde;o encontrados nas ind&uacute;strias t&ecirc;xtil e de cal&ccedil;ados.<\/p>\n<p>Estes dois coletivos nacionais procedem principalmente das camadas mais baixas das sociedades de origem e contam com escasso n&iacute;vel de instru&ccedil;&atilde;o. No caso dos paraguaios radicados na Argentina, 59% chegaram apenas com estudos prim&aacute;rios, enquanto 43% dos bolivianos apenas terminaram esse ciclo. A maioria (55%) se emprega de forma prec&aacute;ria, sem que possam contribuir com o sistema de seguro sa&uacute;de e aposentadoria. Mas t&ecirc;m acesso a servi&ccedil;os p&uacute;blicos de sa&uacute;de e educa&ccedil;&atilde;o e a transfer&ecirc;ncia de renda do Estado.<\/p>\n<p>Entre os 1,4 milh&atilde;o de estrangeiros residentes na Argentina, tamb&eacute;m h&aacute; 14% de chilenos, 11% de peruanos, 8% de uruguaios e 3% de brasileiros. Juan Artola, representante regional da OIM para o Cone Sul da Am&eacute;rica, confirmou &agrave; IPS que os imigrantes chegam &agrave; Argentina &quot;porque h&aacute; trabalho e porque existe uma legisla&ccedil;&atilde;o que lhes permite ter acesso a resid&ecirc;ncia com relativa facilidade&quot;.<\/p>\n<p>A tradicional imigra&ccedil;&atilde;o de pa&iacute;ses lim&iacute;trofes sofreu uma acelera&ccedil;&atilde;o nos anos 1990 devido &agrave; Lei de Convertibilidade, um regime cambial imposto pelo governo de Carlos Menem (1989-1999), que manteve o peso em paridade com o d&oacute;lar por quase uma d&eacute;cada, facilitando a economia nessa moeda. Contudo, esse regime n&atilde;o tinha uma base s&oacute;lida e acabou naufragando no final de 2001. O peso sofreu profunda desvaloriza&ccedil;&atilde;o enquanto a economia sucumbia junto com o governo de Fernando de la R&uacute;a (1999-2001).<\/p>\n<p>A incontrol&aacute;vel perda de empregos e o consequente aumento da pobreza, que chegou a afetar mais de 50% dos ent&atilde;o 38 milh&otilde;es de argentinos, empurraram dezenas de milhares para o exterior e tamb&eacute;m milhares de imigrantes para seus pa&iacute;ses de origem. Da mesma forma, a maioria dos estrangeiros permaneceu no pa&iacute;s. Susana, que n&atilde;o quis dar o sobrenome, contou &agrave; IPS que &eacute; do Peru. Chegou &agrave; Argentina &quot;na &eacute;poca de Menem&quot;. Sem documentos, trabalhou no servi&ccedil;o dom&eacute;stico de forma prec&aacute;ria por v&aacute;rios anos e, com a crise e a desvaloriza&ccedil;&atilde;o de 2002, ficou dif&iacute;cil continuar enviando d&oacute;lares para o Peru para manter sua filha.<\/p>\n<p>No entanto, Susana conseguiu se radicar. Seus empregadores come&ccedil;aram a ajud&aacute;-la e, em 2008, trouxe sua filha para estudar na estatal Universidade de Buenos Aires. No seu caso, os tr&acirc;mites burocr&aacute;ticos para se estabelecer, realizados a partir da nova legisla&ccedil;&atilde;o, facilitaram muito sua estabilidade no emprego e o reagrupamento familiar. Em 2003, a Argentina revogou uma lei da ditadura (1976-1983) sobre o estabelecimento de estrangeiros e sancionou uma nova que reconhece a imigra&ccedil;&atilde;o como um direito humano.<\/p>\n<p>A lei facilita a burocracia, reconhece aos imigrantes o direito a servi&ccedil;os de sa&uacute;de e educa&ccedil;&atilde;o, pro&iacute;be que seja negada aten&ccedil;&atilde;o aos que n&atilde;o est&atilde;o estabelecidos e elimina a obriga&ccedil;&atilde;o dos funcion&aacute;rios de denunci&aacute;-los. Em 2006, foi lan&ccedil;ada a campanha P&aacute;tria Grande para o acesso de estrangeiros a resid&ecirc;ncia tempor&aacute;ria mesmo sem contrato de trabalho. Bastavam o documento nacional e o atestado de antecedentes criminais.<\/p>\n<p>&quot;Evidentemente, aqui muitos encontraram melhores possibilidades de trabalho. Ainda que inicialmente sua inser&ccedil;&atilde;o seja de forma prec&aacute;ria, podem formaliz&aacute;-lase tiverem os pap&eacute;is de estabelecimento&quot;, explicou Artola. Tamb&eacute;m destacou que &quot;nenhum outro pa&iacute;s da Am&eacute;rica do Sul recebe a propor&ccedil;&atilde;o de imigrantes que a recebe a Argentina. Este tamb&eacute;m &eacute; um pa&iacute;s que nunca deportou, sempre foi aberto, e onde o mercado de trabalho cresceu muito desde 2003&quot;. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Buenos Aires, Argentina, 28\/08\/2012 &ndash; &quot;Os novos edif&iacute;cios da capital argentina foram constru&iacute;dos por paraguaios&quot;, assegurou com certo orgulho Isidro M&eacute;ndez, de 60 anos. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/08\/america-latina\/argentina-terra-cada-vez-mais-prometida-para-os-vizinhos\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":129,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2,12,6,5,11],"tags":[21],"class_list":["post-10557","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-america-latina","category-desenvolvimento","category-direitos-humanos","category-economia","category-politica","tag-metas-do-milenio"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10557","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/129"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10557"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10557\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10557"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10557"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10557"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}