{"id":10569,"date":"2012-08-29T10:17:49","date_gmt":"2012-08-29T10:17:49","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=10569"},"modified":"2012-08-29T10:17:49","modified_gmt":"2012-08-29T10:17:49","slug":"dados-conflitantes-sobre-persistente-mortalidade-materna-na-argentina","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/08\/america-latina\/dados-conflitantes-sobre-persistente-mortalidade-materna-na-argentina\/","title":{"rendered":"Dados conflitantes sobre persistente mortalidade materna na Argentina"},"content":{"rendered":"<p>Buenos Aires, Argentina, 29\/08\/2012 &ndash; Apesar dos avan&ccedil;os em mat&eacute;ria de direitos sexuais e reprodutivos na Argentina, a elevada mortalidade materna &eacute; dif&iacute;cil de reduzir. <!--more--> Al&eacute;m disso, aparecem fortes discrep&acirc;ncias entre os dados oficiais, mais otimistas, e de &oacute;rg&atilde;os multilaterais, que quase duplicam os casos. &quot;&Eacute; verdade que a taxa n&atilde;o se modifica muito h&aacute; 20 anos. N&atilde;o conseguimos uma tend&ecirc;ncia franca de queda, mas estamos trabalhando para isso&quot;, declarou &agrave; IPS a diretora nacional de Maternidade e Inf&acirc;ncia, Ana Speranza.<\/p>\n<p>Os dados do Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de indicam que a taxa foi de 52 mortes maternas para cada cem mil nascidos vivos, em 1990, e desde ent&atilde;o houve altos e baixos para chegar a uma leve melhora em 2010, &uacute;ltimos dados oficiais, com 44\/100 mil. Speranza admitiu que neste ritmo &quot;ser&aacute; dif&iacute;cil&quot; chegar a 2015 com 13 mortes para cem mil nascidos vivos, meta a ser alcan&ccedil;ada pela Argentina para cumprir o quinto dos oito Objetivos de Desenvolvimento do Mil&ecirc;nio (ODM), aprovados em 2000 pelos governos na Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas (ONU).<\/p>\n<p>As autoridades tamb&eacute;m propuseram reduzir a brecha entre prov&iacute;ncias. Contudo, dados de 2010 mostram que pouco ou nada se conseguiu, pois no distrito da cidade de Buenos Aires, um dos mais ricos do pa&iacute;s, s&atilde;o registradas 0,9% das mortes maternas do pa&iacute;s, enquanto na empobrecida prov&iacute;ncia de Formosa esse &iacute;ndice chega a 16,2%. Os ODM s&atilde;o compromissos assumidos para reduzir ou eliminar fortemente problemas como pobreza, indig&ecirc;ncia, analfabetismo ou mortalidade materna, entre outras d&iacute;vidas sociais, com metas at&eacute; 2015 e partindo dos indicadores registrados em 1990.<\/p>\n<p>Com as pol&iacute;ticas de assist&ecirc;ncia social e de sa&uacute;de que desenvolveram os governos de N&eacute;stor Kirchner (2003-2007) e de Cristina Fern&aacute;ndez, acredita-se que a mortalidade materna baixar&aacute; at&eacute; 20 ou 25 para cada cem mil em 2015, disse Speranza. Mas &eacute; claro que n&atilde;o atingir&aacute; a meta assumida. A Argentina iniciou em 2003 o Programa Nacional de Sa&uacute;de Sexual e Procria&ccedil;&atilde;o Respons&aacute;vel, que garantiu o acesso gratuito a m&eacute;todos anticoncepcionais a cerca de seis milh&otilde;es de mulheres. O plano funciona em todas as prov&iacute;ncias em que se divide este pa&iacute;s de 40 milh&otilde;es de habitantes.<\/p>\n<p>Na &uacute;ltima d&eacute;cada, tamb&eacute;m foi sancionada a lei de educa&ccedil;&atilde;o sexual integral, a de prote&ccedil;&atilde;o contra a viol&ecirc;ncia de g&ecirc;nero, incluindo viol&ecirc;ncia obst&eacute;trica, e foi decretada uma renda para as mulheres gr&aacute;vidas de setores vulner&aacute;veis. Apesar destes progressos, em 2010, foram registradas 331 mortes maternas por doen&ccedil;as pr&eacute;-existentes da mulher ou por complica&ccedil;&otilde;es do aborto provocado (que &eacute; penalizado), hipertens&atilde;o, hemorragias e infec&ccedil;&otilde;es, entre outras causas, a maioria evit&aacute;vel.<\/p>\n<p>Uma pesquisa conjunta do Fundo das Na&ccedil;&otilde;es Unidas para a Inf&acirc;ncia (Unicef), da Organiza&ccedil;&atilde;o Pan-Americana da Sa&uacute;de (OPS) e de outras organiza&ccedil;&otilde;es situou a Argentina no n&iacute;vel mais baixo da Am&eacute;rica do Sul na luta contra a mortalidade materna. Este &eacute; o &uacute;nico pa&iacute;s da regi&atilde;o sem redu&ccedil;&atilde;o desse problema em 20 anos, aponta o estudo. O informe Tend&ecirc;ncias em Mortalidade Materna: 1990-2010 afirma que, na Bol&iacute;via, Brasil, Chile, Uruguai e Paraguai houve uma redu&ccedil;&atilde;o do problema. J&aacute; a quantidade de mortes nesse per&iacute;odo na Argentina passou de 71 para 77 para cem mil nascidos vivos, quase o dobro do que mostram as estat&iacute;sticas do Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de.<\/p>\n<p>Speranza questionou a elabora&ccedil;&atilde;o desses indicadores, que agora a OPS revisa. Explicou que esse informe estabelece que houve 690 mil nascimentos em 2010 e n&atilde;o os 751 mil registrados pelas autoridades do pa&iacute;s, e afirmou que aplica um coeficiente que sup&otilde;e um sub-registro maior do que o existente. A m&eacute;dica Zulma Ortiz, do Unicef, reconheceu &agrave; IPS que &quot;o sub-registro pode estar exagerado, mas &eacute; o mesmo aplicado nos demais pa&iacute;ses. O que queremos destacar &eacute; a tend&ecirc;ncia, que a mortalidade n&atilde;o diminui na Argentina como deveria&quot;, afirmou.<\/p>\n<p>&quot;&Eacute; preciso tornar vis&iacute;vel o assunto, coloc&aacute;-lo na agenda p&uacute;blica, ver o que acontece com a qualidade dos servi&ccedil;os de aten&ccedil;&atilde;o, se s&atilde;o vulnerados direitos de mulheres rurais e ind&iacute;genas, ver o que ocorre para que essas taxas se mantenham&quot;, acrescentou a m&eacute;dica. Ortiz recordou que desde o final da d&eacute;cada de 1990 foram criados comit&ecirc;s com as prov&iacute;ncias para analisar as causas de cada morte, mas este mecanismo n&atilde;o funcionou bem. &quot;N&atilde;o basta notificar, &eacute; preciso buscar cada caso para ver o que falhou&quot;, ressaltou.<\/p>\n<p>Speranza disse que os dados de 2011 &#8211; ainda provis&oacute;rios &#8211; j&aacute; mostram uma baixa &quot;muito significativa&quot;, na prov&iacute;ncia de Buenos Aires, a mais populosa do pa&iacute;s e com grandes bols&otilde;es de pobreza, onde se teria passado de 130 para 90 mortes em um ano. S&oacute; em uma maternidade dessa prov&iacute;ncia, na localidade de San Moreno, o n&uacute;mero de mortes caiu de 12 para tr&ecirc;s em um ano. Para isto, &quot;quase foi preciso intervir no servi&ccedil;o&quot;, disse Speranza, revelando que os casos de viol&ecirc;ncia obst&eacute;trica s&atilde;o &quot;dram&aacute;ticos&quot;.<\/p>\n<p>O coordenador da &Aacute;rea de Obstetr&iacute;cia da Dire&ccedil;&atilde;o Nacional de Maternidade e Inf&acirc;ncia, Daniel Lipchak, disse &agrave; IPS que o Minist&eacute;rio adquiriu uma boneca que simula o momento do parto e todas as complica&ccedil;&otilde;es poss&iacute;veis. Com esta ferramenta s&atilde;o capacitados m&eacute;dicos, parteiras, enfermeiras e anestesistas que agem na urg&ecirc;ncia. Tamb&eacute;m s&atilde;o distribu&iacute;dos, a partir deste ano, equipamentos de emerg&ecirc;ncia com medica&ccedil;&atilde;o para hipertens&atilde;o e hemorragia. Em paralelo, se avan&ccedil;a para um plano de regionaliza&ccedil;&atilde;o da aten&ccedil;&atilde;o &agrave; sa&uacute;de.<\/p>\n<p>Speranza explicou que, na Argentina, 83% dos partos s&atilde;o feitos em maternidades que seguem as Condi&ccedil;&otilde;es Obst&eacute;tricas e Neonatais Essenciais, fixadas pela OPS em 1986, que exigem disponibilidade de aten&ccedil;&atilde;o cir&uacute;rgica, anestesistas, sangue seguro, tratamentos obst&eacute;tricos de emerg&ecirc;ncia e possibilidades de traslado oportuno em caso de complica&ccedil;&atilde;o. Nesse ponto as autoridades procuram regionalizar. Isto &eacute;, baixar o n&uacute;mero de locais onde se atende partos, e garantir que nos que permanecem se centralize a aten&ccedil;&atilde;o e sejam dadas todas as condi&ccedil;&otilde;es de seguran&ccedil;a necess&aacute;rias.<\/p>\n<p>Quanto &agrave;s complica&ccedil;&otilde;es por abortos clandestinos, o Minist&eacute;rio estabeleceu um programa de melhoria da qualidade da aten&ccedil;&atilde;o que consiste na capacita&ccedil;&atilde;o no uso de novas t&eacute;cnicas, assessoria e fornecimento de m&eacute;todos anticoncepcionais. Estas medidas permitiram que a mortalidade por causas relacionadas com a interrup&ccedil;&atilde;o volunt&aacute;ria da gravidez ca&iacute;sse de 30% para 20%, disse Lipchak. Por&eacute;m, ainda n&atilde;o basta para que esta vari&aacute;vel deixe de ser um motivo de morte. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Buenos Aires, Argentina, 29\/08\/2012 &ndash; Apesar dos avan&ccedil;os em mat&eacute;ria de direitos sexuais e reprodutivos na Argentina, a elevada mortalidade materna &eacute; dif&iacute;cil de reduzir. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/08\/america-latina\/dados-conflitantes-sobre-persistente-mortalidade-materna-na-argentina\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":129,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2,12,5,7],"tags":[21,24],"class_list":["post-10569","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-america-latina","category-desenvolvimento","category-economia","category-saude","tag-metas-do-milenio","tag-mulheres"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10569","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/129"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10569"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10569\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10569"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10569"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10569"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}