{"id":10570,"date":"2012-08-29T10:20:11","date_gmt":"2012-08-29T10:20:11","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=10570"},"modified":"2012-08-29T10:20:11","modified_gmt":"2012-08-29T10:20:11","slug":"soldados-israelenses-implacveis-com-crianas-palestinas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/08\/politica\/soldados-israelenses-implacveis-com-crianas-palestinas\/","title":{"rendered":"Soldados israelenses implac&aacute;veis com crian&ccedil;as palestinas"},"content":{"rendered":"<p>Jerusal&eacute;m, Israel, 29\/08\/2012 &ndash; Tropas israelenses perseguem um menino palestino em uma aldeia da Cisjord&acirc;nia ocupada.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_10570\" style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/soldado.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-10570\" class=\"size-medium wp-image-10570\" title=\"Hamza, de 17 anos, preso por atirar pedras contra soldados israelenses, esconde seu rosto da c&acirc;mera. - Jillian Kestler-D&#39;Amours\/IPS\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/soldado.jpg\" alt=\"Hamza, de 17 anos, preso por atirar pedras contra soldados israelenses, esconde seu rosto da c&acirc;mera. - Jillian Kestler-D&#39;Amours\/IPS\" width=\"200\" height=\"133\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-10570\" class=\"wp-caption-text\">Hamza, de 17 anos, preso por atirar pedras contra soldados israelenses, esconde seu rosto da c&acirc;mera. - Jillian Kestler-D&#39;Amours\/IPS<\/p><\/div>  &quot;Est&aacute; a dois metros de dist&acirc;ncia, e o chefe da companhia engatilha a arma e aponta para seu rosto&#8230; O menino se joga no ch&atilde;o chorando e implorando que n&atilde;o o matem&quot;, afirma um testemunho militar. &quot;&Eacute; este o tipo de incidente cinza. N&atilde;o t&atilde;o terr&iacute;vel&quot;, prossegue o depoimento de um sargento israelense. &quot;Por que essas crian&ccedil;as realmente jogam pedras e isso &eacute; perigoso; n&atilde;o quer dizer que vamos feri-las de verdade. Suponho que para eles seja uma experi&ecirc;ncia muito amedrontadora, mas a situa&ccedil;&atilde;o &eacute; complicada&quot;, acrescenta.<\/p>\n<p>O ano &eacute; 2007. O relato do sargento &eacute; um dos 47 depoimentos coletados entre mais de 30 militares de Israel que prestaram servi&ccedil;o nos territ&oacute;rios palestinos ocupados entre 2005 e 2011. Intitulado Children and Youth &#8211; Soldiers&#39; Testimonies 2005-2011 (Crian&ccedil;as e Jovens &#8211; Testemunhos de Soldados 2005-2011), a publica&ccedil;&atilde;o de 71 p&aacute;ginas acaba de ser apresentada pela organiza&ccedil;&atilde;o n&atilde;o governamental Breaking the Silence (Rompendo o Sil&ecirc;ncio). Este grupo, fundado em 2004 por veteranos israelenses que combateram na Segunda Intifada (levante palestino), ocorrida entre 2000 e 2005, dedica-se a documentar a vida cotidiana das zonas ocupadas e submetidas &agrave; militariza&ccedil;&atilde;o por meio das experi&ecirc;ncias que os pr&oacute;prios soldados t&ecirc;m em suas rondas di&aacute;rias.<\/p>\n<p>Com a inten&ccedil;&atilde;o de sensibilizar os estudantes do curso secund&aacute;rio que no pr&oacute;ximo ano se incorporar&atilde;o ao ex&eacute;rcito, a organiza&ccedil;&atilde;o pretende distribuir c&oacute;pias do informe nas portas das escolas de Jerusal&eacute;m e Tel Aviv. O ano escolar come&ccedil;ou este m&ecirc;s. &quot;A inf&acirc;ncia israelense goza da prote&ccedil;&atilde;o da Conven&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas sobre os Direitos da Crian&ccedil;a, da qual este pa&iacute;s &eacute; signat&aacute;rio, mas a inf&acirc;ncia palestina cresce sem essa prote&ccedil;&atilde;o&quot;, afirma o pref&aacute;cio da publica&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>&quot;Essa crian&ccedil;a, especificamente, que realmente fica no ch&atilde;o implorando por sua vida, tem nove anos&quot;, afirma o mesmo sargento em seu depoimento. &quot;Penso em nossas crian&ccedil;as com nove anos (&#8230;) Uma crian&ccedil;a deve implorar por sua vida? Se tem uma arma carregada apontada contra si, deve suplicar piedade? Mas, se n&atilde;o tiv&eacute;ssemos entrado na aldeia, no dia seguinte teriam atirado pedras e algu&eacute;m poderia ser ferido ou morto&quot;, justifica o sargento. &quot;E pararam de atirar pedras?&quot;, pergunta o entrevistador da ONG. &quot;N&atilde;o&quot;, &eacute; a lac&ocirc;nica resposta.<\/p>\n<p>Os fatos descritos neste livreto ocorreram em circunst&acirc;ncias de tranquilidade, depois de ocorrida a Intifada. Mas, os testemunhos exp&otilde;em que o racismo, o abuso, a viol&ecirc;ncia, os assassinatos e os ferimentos de crian&ccedil;as e adolescentes palestinos, inclusive &quot;n&atilde;o intencionais&quot;, continuaram nas mesmas propor&ccedil;&otilde;es. A ONG debateu as d&uacute;vidas quanto a expor ou n&atilde;o os estudantes israelenses &agrave; realidade descrita t&atilde;o cruamente no informe, reconhece Avner Gvaryahu, ex-soldado transformado em ativista, cujo pr&oacute;prio testemunho consta da publica&ccedil;&atilde;o de forma an&ocirc;nima, como todos os demais. &quot;Se voc&ecirc; tem idade suficiente para incorporar-se e carregar uma arma, tem a idade suficiente para saber o que realmente acontece nos territ&oacute;rios&quot;, afirmou &agrave; IPS.<\/p>\n<p>E as crian&ccedil;as palestinas t&ecirc;m, ou parecem ter, idade suficiente para serem presas &agrave; ponta de pistola, assediadas e humilhadas, golpeadas &quot;at&eacute; deix&aacute;-las em frangalhos&quot;, e serem usadas como escudos humanos contra outros palestinos, isto apesar de uma decis&atilde;o contr&aacute;ria de 2002 do Supremo Tribunal de Justi&ccedil;a de Israel. &quot;No come&ccedil;o, a gente n&atilde;o se sente bem quando aponta a arma para um menino de cinco anos, e pensa que isso n&atilde;o &eacute; certo&quot;, afirma outro soldado. &quot;Mas isso muda quando se entra em um povoado e come&ccedil;am a chover pedras&quot;, acrescenta.<\/p>\n<p>Em outro incidente mencionado no informe, o comandante de uma companhia revista um menino de 12 anos, o obriga a ficar de joelhos, o amea&ccedil;a aos gritos &quot;feito louco&quot;, para intimidar outros adolescentes que jogam pedras nas tropas. &quot;Esse menino chorou e urinou nas cal&ccedil;as (&#8230;) Parecia cena de um filme sobre o Vietn&atilde;&quot;, descreve o soldado. &quot;Eu sabia que era uma amea&ccedil;a falsa; o homem &eacute; um oficial, afinal, e n&atilde;o creio que um oficial fizesse algo assim, mas&#8230;&quot;. Finalmente, um anci&atilde;o da aldeia convenceu o comandante a liberar o garoto. No dia seguinte, dois coquet&eacute;is Molotov foram lan&ccedil;ados contra ve&iacute;culos que passavam pela cercania. &quot;Portanto, n&atilde;o hav&iacute;amos feito nosso trabalho. E algu&eacute;m pergunta qual &eacute; esse trabalho&quot;, conclui o soldado.<\/p>\n<p>A maior parte da juventude israelense &eacute; educada em um sistema, tanto familiar quanto escolar, que elogia os valores morais intr&iacute;nsecos do ex&eacute;rcito e raramente questiona suas opera&ccedil;&otilde;es de rotina ou a deteriora&ccedil;&atilde;o &eacute;tica que esta causa nos soldados. A seguran&ccedil;a nacional quase sempre &eacute; priorit&aacute;ria. As escolas exaltam o patriotismo, a coragem o sacrif&iacute;cio. Os ativistas insistem que uma atitude de questionamento moral poderia preparar os futuros convocados para que combatam a indiferen&ccedil;a e a crueldade da parte de seus camaradas de armas.<\/p>\n<p>O ex&eacute;rcito afirma que este informe &eacute; tendencioso, e argumenta que a ONG n&atilde;o consultou seu conte&uacute;do com a institui&ccedil;&atilde;o e, portanto, fica imposs&iacute;vel uma investiga&ccedil;&atilde;o militar de potenciais abusos de direitos humanos ou mesmo de crimes. &quot;A negativa da organiza&ccedil;&atilde;o de entregar o conte&uacute;do &agrave;s autoridades indica seus verdadeiros motivos: gerar publicidade negativa contra o ex&eacute;rcito e seus efetivos&quot;, disse um porta-voz militar. Os ativistas recha&ccedil;am a acusa&ccedil;&atilde;o e garantem que apoiam o ex&eacute;rcito, mas, ao mesmo tempo, compartilham a convic&ccedil;&atilde;o de que os estudantes devem ser informados antes de entrar para o servi&ccedil;o militar.<\/p>\n<p>Desde sua funda&ccedil;&atilde;o, a Breaking the Silence reuniu testemunhos de mais de 800 militares. &quot;Somos uma sociedade que se nutre de valores familiares e educativos, mas o ex&eacute;rcito trata os meninos palestinos de outra forma&quot;, disse sua diretora-executiva, Dana Golan. &quot;Cada depoimento apresenta hist&oacute;rias de maus-tratos infantis; cada hist&oacute;ria &eacute; um soco no est&ocirc;mago&quot;, ressalta. A diretora sabe que alguns adolescentes v&atilde;o ignorar o livreto. Mas, desde que leiam apenas uma hist&oacute;ria, o objetivo da ONG estar&aacute; concretizado, disse &agrave; IPS.<\/p>\n<p>O pref&aacute;cio da publica&ccedil;&atilde;o diz que &quot;a inten&ccedil;&atilde;o fundamental &eacute; criar um debate p&uacute;blico sobre o custo moral que a sociedade israelense est&aacute; pagando por uma realidade em que soldados jovens enfrentam dia a dia uma popula&ccedil;&atilde;o civil e a dominam&quot;. As discuss&otilde;es morais s&atilde;o muitas entre os israelenses. H&aacute; dez dias, no centro de Jerusal&eacute;m, tr&ecirc;s adolescentes palestinos quase foram linchados por um grupo de jovens entre 13 e 19 anos. O incidente despertou in&uacute;meras condena&ccedil;&otilde;es e atos de contri&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Contudo, ningu&eacute;m abriga a ilus&atilde;o de que esta mea culpa coletiva por&aacute; fim aos abusos da ocupa&ccedil;&atilde;o. Afinal, a maioria dos israelenses ainda est&aacute; convencida de que t&ecirc;m ao seu lado a raz&atilde;o moral diante de seus vizinhos palestinos, mesmo quando, parafraseando o dito popular, suas boas inten&ccedil;&otilde;es acabem cimentando o caminho para o inferno, e n&atilde;o um futuro de paz. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jerusal&eacute;m, Israel, 29\/08\/2012 &ndash; Tropas israelenses perseguem um menino palestino em uma aldeia da Cisjord&acirc;nia ocupada. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/08\/politica\/soldados-israelenses-implacveis-com-crianas-palestinas\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":430,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[11],"tags":[16],"class_list":["post-10570","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-politica","tag-oriente-medio"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10570","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/430"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10570"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10570\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10570"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10570"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10570"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}