{"id":10603,"date":"2012-09-04T12:59:12","date_gmt":"2012-09-04T12:59:12","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=10603"},"modified":"2012-09-04T12:59:12","modified_gmt":"2012-09-04T12:59:12","slug":"destaques-uma-guerra-anunciada-no-mato-grosso-do-sul","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/09\/america-latina\/destaques-uma-guerra-anunciada-no-mato-grosso-do-sul\/","title":{"rendered":"DESTAQUES: Uma guerra anunciada no Mato Grosso do Sul"},"content":{"rendered":"<p>S&Atilde;O PAULO, Brasil, 04\/09\/2012 &ndash; (Tierram&eacute;rica).-Pelo Youtube, fazendeiros amea&ccedil;am com uma guerra os ind&iacute;genas guarani-kaiow&aacute;.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_10603\" style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/593_Foto_11_Alice.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-10603\" class=\"size-medium wp-image-10603\" title=\"Os guarani-kaiow&aacute; j&aacute; n&atilde;o esperam que o governo proteja suas terras - Cortesia do Cimi\/Cl&eacute;ber Buzatto\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/593_Foto_11_Alice.jpg\" alt=\"Os guarani-kaiow&aacute; j&aacute; n&atilde;o esperam que o governo proteja suas terras - Cortesia do Cimi\/Cl&eacute;ber Buzatto\" width=\"200\" height=\"150\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-10603\" class=\"wp-caption-text\">Os guarani-kaiow&aacute; j&aacute; n&atilde;o esperam que o governo proteja suas terras - Cortesia do Cimi\/Cl&eacute;ber Buzatto<\/p><\/div>  O conflito agr&aacute;rio entre ind&iacute;genas guarani-kaiow&aacute; e fazendeiros do Mato Grosso do Sul &eacute; um paiol prestes a explodir. N&iacute;sio Gomes, Genivaldo Vera, Rolindo Vera, Teodoro Ricardi, Ortiz Lopes e Xurete Lopes s&atilde;o apenas alguns nomes de uma longa lista de assassinados nos &uacute;ltimos anos nesse Estado, segundo o Conselho Indigenista Mission&aacute;rio (Cimi). As estat&iacute;sticas da entidade, vinculada &agrave; Confer&ecirc;ncia Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), registram 279 mortes de ind&iacute;genas desde 2003, cometidas no contexto de lutas agr&aacute;rias com propriet&aacute;rios e fazendeiros.<\/p>\n<p>O caso mais recente &eacute; o de Eduardo Pires, desaparecido em 10 de agosto quando homens armados atacaram um grupo do povo kaiow&aacute; no territ&oacute;rio de Arroio Kor&aacute;, no munic&iacute;pio de Paranhos, sul do Estado, perto da fronteira com o Paraguai. O Arroio Kor&aacute;, de aproximadamente sete mil hectares, foi oficialmente reconhecido como terra ind&iacute;gena em 21 de dezembro de 2009 pelo ent&atilde;o presidente Luiz In&aacute;cio Lula da Silva. Por&eacute;m, uma semana depois, uma decis&atilde;o do Supremo Tribunal Federal, em resposta ao pedido de um fazendeiro, exonerou dessa condi&ccedil;&atilde;o uma &aacute;rea de 184 hectares.<\/p>\n<p>&quot;Mesmo com esse embargo parcial, o governo n&atilde;o previu que o restante fosse entregue efetivamente aos guarani-kaiow&aacute;. Essa comunidade, de aproximadamente 600 integrantes, ocupa atualmente menos de 700 hectares. Quando resolveram retomar o resto das terras, houve uma rea&ccedil;&atilde;o violenta&quot; dos fazendeiros, explicou ao Terram&eacute;rica o coordenador regional do Cimi no Mato Grosso do Sul, Fl&aacute;vio Machado.<\/p>\n<p>Segundo Eliseu, um dos l&iacute;deres kaiow&aacute; que estava no local quando houve o ataque, na manh&atilde; de 10 de agosto, cerca de 400 nativos montaram um acampamento em uma parte das terras homologadas onde est&aacute; instalada uma fazenda. Pouco depois, chegaram v&aacute;rios homens armados. &quot;Ouvi os tiros e sa&iacute; correndo. Somos um povo com cultura de paz, n&atilde;o temos armas, mas n&atilde;o deixaremos de lutar por nossas terras. Se vamos morrer, preferimos morrer em nossa terra&quot;, declarou ao Terram&eacute;rica. Depois disso, ningu&eacute;m voltou a ver Eduardo Pires. &quot;Creio que est&aacute; morto&quot;, afirmou o ind&iacute;gena.<\/p>\n<p>A Pol&iacute;cia Federal do Mato Grosso do Sul est&aacute; encarregada do caso. &quot;Os ind&iacute;genas dizem que um deles est&aacute; desaparecido. Estamos investigando, mas n&atilde;o temos nada de concreto. Devemos ser imparciais&quot;, disse ao Terram&eacute;rica o superintendente da PF, Edgar Paulo Marcon. Segundo o Cimi, na semana seguinte a pol&iacute;cia retirou da &aacute;rea alguns fazendeiros e o gado. Desde ent&atilde;o os kaiow&aacute; v&ecirc;m sofrendo amea&ccedil;as. A mais expl&iacute;cita &eacute; uma declara&ccedil;&atilde;o filmada de Luis Carlos da Silva Vieira, conhecido como Len&ccedil;o Preto, que circula no Youtube.<\/p>\n<p>&quot;Vamos nos organizar e nos preparar para o confronto. Eles querem a terra apenas para incomodar. N&oacute;s temos armas. Eles querem guerra, ent&atilde;o ter&atilde;o guerra&quot;, afirma Len&ccedil;o Preto mais de uma vez no v&iacute;deo. Em resposta a comunidade kaiow&aacute; divulgou uma carta pedindo aten&ccedil;&atilde;o urgente do governo. &quot;Diante da amea&ccedil;a de morte coletiva feita publicamente na imprensa pelos fazendeiros, solicitamos a investiga&ccedil;&atilde;o e o castigo rigoroso desses mentores do genoc&iacute;dio\/etnic&iacute;dio dos povos ind&iacute;genas&quot;.<\/p>\n<p>&quot;Todos sabem que eles t&ecirc;m armas de fogo sofisticadas e tem&iacute;veis, que t&ecirc;m dinheiro que produziram sobre o sangue ind&iacute;gena para comprar mais armas e contratar pistoleiros. N&oacute;s n&atilde;o temos armas e, sobretudo, n&atilde;o sabemos utiliz&aacute;-las&quot;, diz a carta. &quot;Queremos reiterar e evidenciar que nossa luta por nossos territ&oacute;rios ancestrais &eacute; apenas para garantir a vida humana, a fauna e a flora do planeta Terra, (que) nosso objetivo n&atilde;o &eacute; assassinar ningu&eacute;m&quot;, acrescenta.<\/p>\n<p>A Promotoria estadual tamb&eacute;m investiga o caso e visitou a &aacute;rea no dia 28 de agosto. Em nota divulgada em seu site, deixou claro que durante a visita foram ouvidos cinco disparos que, segundo os promotores, tiveram o objetivo de intimid&aacute;-los. Os guarani-kaiow&aacute; sempre viveram da agricultura de subsist&ecirc;ncia, cada vez mais dif&iacute;cil por n&atilde;o disporem de seus territ&oacute;rios ancestrais. Agora contam com apoio da Funda&ccedil;&atilde;o Nacional do &Iacute;ndio. Colonos e fazendeiros ocuparam essas terras h&aacute; d&eacute;cadas.<\/p>\n<p>No Cerrado, bioma de savana tropical t&iacute;pico do Mato Grosso do Sul, se estendem as planta&ccedil;&otilde;es de gr&atilde;os e a pecu&aacute;ria. Suas terras tamb&eacute;m s&atilde;o cobi&ccedil;adas para plantar cana-de-a&ccedil;&uacute;car destinada &agrave; produ&ccedil;&atilde;o de etanol. Alguns l&iacute;deres ind&iacute;genas estiveram em Bras&iacute;lia no dia 24 de agosto, se reuniram com autoridades da Secretaria de Direitos Humanos da Presid&ecirc;ncia da Rep&uacute;blica e conseguiram que o governo os inclu&iacute;sse no programa de prote&ccedil;&atilde;o de pessoas amea&ccedil;adas. Contudo, para o Cimi, a medida &eacute; insuficiente.<\/p>\n<p>&quot;Muitos ind&iacute;genas assassinados estavam nesse programa. Foram colocados na lista, mas isto n&atilde;o significa nenhuma prote&ccedil;&atilde;o efetiva. O que fazem &eacute; enviar gente para constatar o que j&aacute; aconteceu&quot;, lamentou Machado. Mas os kaiow&aacute; viram a prote&ccedil;&atilde;o com bons olhos. &quot;Pelo menos (as autoridades) sabem quem nos amea&ccedil;a, e, se nos acontecer alguma coisa, saber&atilde;o quem foi&quot;, opinou Eliseu.<\/p>\n<p>A decis&atilde;o de ocupar o territ&oacute;rio de Arroio Kor&aacute; foi tomada pelos chefes da comunidade em uma grande assembleia, a &quot;Aty Guas&uacute;&quot;. Apesar dos &uacute;ltimos ataques, os ind&iacute;genas j&aacute; n&atilde;o est&atilde;o dispostos a suportar a demora do governo e afirmam que v&atilde;o retomar todas as suas terras j&aacute; homologadas. &quot;&Eacute; que a demora tamb&eacute;m est&aacute; matando o povo. Ningu&eacute;m decide. Vamos ocupar todas as terras mesmo sabendo que n&atilde;o h&aacute; seguran&ccedil;a, que vamos morrer. O povo decidiu&quot;, explicou ao Terram&eacute;rica o guarani-kaiow&aacute; Tonico.<\/p>\n<p>Sobre as amea&ccedil;as dos propriet&aacute;rios, Tonico afirmou que &quot;est&atilde;o falando em p&uacute;blico que v&atilde;o fazer o que j&aacute; fazem. Aqui, no Mato Grosso do Sul, os direitos humanos dos ind&iacute;genas n&atilde;o existem. &Iacute;ndio n&atilde;o &eacute; gente&quot;, ressaltou. A decis&atilde;o foi refor&ccedil;ada com a indigna&ccedil;&atilde;o gerada pela Portaria 303 da Advocacia Geral da Uni&atilde;o (que exerce a defesa legal do Estado), publicada no dia 17 de julho, determinando que as terras ind&iacute;genas podem ser ocupadas por projetos hidrel&eacute;tricos, vias de comunica&ccedil;&atilde;o e de transporte e instala&ccedil;&otilde;es militares sem necessidade de consulta pr&eacute;via aos povos que as habitam. &quot;Isto &eacute; um retrocesso&quot;, ressaltou Tonico.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>S&Atilde;O PAULO, Brasil, 04\/09\/2012 &ndash; (Tierram&eacute;rica).-Pelo Youtube, fazendeiros amea&ccedil;am com uma guerra os ind&iacute;genas guarani-kaiow&aacute;. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/09\/america-latina\/destaques-uma-guerra-anunciada-no-mato-grosso-do-sul\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":994,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8,2,12,6,5],"tags":[21],"class_list":["post-10603","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ambiente","category-america-latina","category-desenvolvimento","category-direitos-humanos","category-economia","tag-metas-do-milenio"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10603","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/994"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10603"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10603\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10603"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10603"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10603"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}