{"id":1061,"date":"2005-10-03T00:00:00","date_gmt":"2005-10-03T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=1061"},"modified":"2005-10-03T00:00:00","modified_gmt":"2005-10-03T00:00:00","slug":"china-falta-alerta-sobre-os-riscos-sob-o-sol","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/10\/america-latina\/china-falta-alerta-sobre-os-riscos-sob-o-sol\/","title":{"rendered":"China: Falta alerta sobre os riscos sob o Sol"},"content":{"rendered":"<p>BUENOS AIRES, 03\/10\/2005 &ndash; O buraco na camada de oz&ocirc;nio teve uma extens&atilde;o recorde sobre o territ&oacute;rio austral argentino em setembro. Por&eacute;m, n&atilde;o foram tomadas medidas especiais para alertar a popula&ccedil;&atilde;o sobre as perigosas radia&ccedil;&otilde;es ultravioleta.<br \/> <!--more--> A redu&ccedil;&atilde;o da camada de oz&ocirc;nio sobre o hemisf&eacute;rio Sul e a Ant&aacute;rtida atingiu novo recorde e revelou a passividade das autoridades argentinas para alertar a popula&ccedil;&atilde;o mais exposta &agrave; radia&ccedil;&atilde;o solar sobre o perigo. Segundo o Instituto Ant&aacute;rtico Argentino, que mede a concentra&ccedil;&atilde;o do g&aacute;s oz&ocirc;nio na estratosfera, a redu&ccedil;&atilde;o desse escudo que protege a Terra dos raios ultravioletas alcan&ccedil;ou, em setembro, uma extens&atilde;o de 28 milh&otilde;es de quil&ocirc;metros quadrados sobre a regi&atilde;o austral, 8% maior do que o m&aacute;ximo registrado em setembro do ano passado.<\/p>\n<p> A densidade da camada de oz&ocirc;nio, considerada no vermelho quando &eacute; menor que 220 unidades Dobson, caiu para 87 em meados de setembro. O registro mais baixo no ano passado foi de 95 unidades. &quot;S&atilde;o valores recordes para setembro&quot;, disse ao Terram&eacute;rica Jorge Ara&uacute;jo, diretor do Departamento de Ci&ecirc;ncias da Atmosfera do Instituto Ant&aacute;rtico. Por fatores clim&aacute;ticos, a redu&ccedil;&atilde;o da camada de oz&ocirc;nio sobre o p&oacute;lo sul se manifesta especialmente durante a primavera austral, que acaba de come&ccedil;ar. A aus&ecirc;ncia da camada protetora deixa a vida terrestre e aqu&aacute;tica sem defesa diante das radia&ccedil;&otilde;es solares mais nocivas, que podem causar nos seres humanos problemas de pele, vista e no sistema imunol&oacute;gico. As popula&ccedil;&otilde;es da Argentina e do Chile s&atilde;o as mais expostas &agrave; radia&ccedil;&atilde;o, devido &agrave; localiza&ccedil;&atilde;o austral de seus territ&oacute;rios.<\/p>\n<p> Por&eacute;m, o Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de parece n&atilde;o ter tomado nenhuma medida. A reportagem do Terram&eacute;rica tentou, sem &ecirc;xito e por v&aacute;rias vezes, obter material informativo sobre os perigos da exposi&ccedil;&atilde;o ao Sol, que essa pasta afirma ter. Tatiana Petcheneschsky, da Dire&ccedil;&atilde;o de Promo&ccedil;&atilde;o e Prote&ccedil;&atilde;o da Sa&uacute;de do Minist&eacute;rio, se desculpou v&aacute;rias vezes pela impossibilidade de fornecer esse material. A pediatra Mar&iacute;a Vaccaro, delegada da Sociedade Argentina de Pediatria na austral prov&iacute;ncia da Terra do Fogo, disse ao Terram&eacute;rica que ali s&oacute; s&atilde;o divulgados avisos pelo r&aacute;dio para lembrar a popula&ccedil;&atilde;o que deve se proteger do Sol.<\/p>\n<p> &quot;Aqui, na primavera ainda faz frio e as pessoas se exp&otilde;em menos. Mas as crian&ccedil;as s&atilde;o sempre as mais vulner&aacute;veis porque saem para brincar e porque quando nasceram o buraco na camada de oz&ocirc;nio j&aacute; existia, o que n&atilde;o aconteceu na inf&acirc;ncia de quem agora &eacute; adulto&quot;, ressaltou a m&eacute;dica. O alerta pela televis&atilde;o ser&aacute; transmitido em janeiro, quando a camada gasosa come&ccedil;a a se recuperar. Em uma pesquisa feita em Ushuaia, capital da Terra do Fogo, 81,6% dos consultados disseram conhecer o fen&ocirc;meno do buraco na camada de oz&ocirc;nio. No entanto, diante da pergunta sobre o per&iacute;odo de esgotamento, apenas 15% responderam que ocorre na primavera.<\/p>\n<p> A mesma pesquisa indica que apenas 34% dos moradores dessa cidade conhecem a exist&ecirc;ncia de filtros solares com gradua&ccedil;&otilde;es recomendados para prote&ccedil;&atilde;o da pele exposta ao Sol. Entre os males cut&acirc;neos provocados pela exposi&ccedil;&atilde;o ao Sol est&atilde;o eritema (inflama&ccedil;&atilde;o e enrijecimento superficial da pele), envelhecimento prematuro e c&acirc;ncer. A predisposi&ccedil;&atilde;o para contrair essas doen&ccedil;as &eacute; maior em pessoas ruivas, de pele branca e olhos claros, que se exp&otilde;em ao Sol sem prote&ccedil;&atilde;o. A radia&ccedil;&atilde;o tamb&eacute;m pode provocar catarata. Neste pa&iacute;s, uma pele bronzeada continua sendo vista como &quot;sinal de boa sa&uacute;de, imagem est&eacute;tica e status social alto&quot;, disse ao Terram&eacute;rica o presidente da Associa&ccedil;&atilde;o Argentina de Medicina Ambiental, Alberto Tolcachier.<\/p>\n<p> Este erro de percep&ccedil;&atilde;o se deve em parte ao fato de a correla&ccedil;&atilde;o entre a maior exposi&ccedil;&atilde;o ao Sol e seus efeitos mais graves nunca ser imediata. A catarata ou o c&acirc;ncer de pele t&ecirc;m um longo per&iacute;odo de incuba&ccedil;&atilde;o, disse Tolcachier. Al&eacute;m disso, a composi&ccedil;&atilde;o da popula&ccedil;&atilde;o que vive nas zonas mais vulner&aacute;veis da Argentina muda muito e os habitantes n&atilde;o est&atilde;o expostos &agrave; radia&ccedil;&atilde;o ao longo de toda sua vida. O maior risco est&aacute; nas bases ant&aacute;rticas e na Terra do Fogo. Na Ant&aacute;rtida, a popula&ccedil;&atilde;o (principalmente militares e cientistas) faz um rod&iacute;zio permanentemente, e na Terra do Fogo apenas 35% dos habitantes nasceram ali.<\/p>\n<p> Apesar destas atenuantes, Tolcachier assegurou que o buraco na camada de oz&ocirc;nio &quot;constitui um grave problema de sa&uacute;de p&uacute;blica. Como a exposi&ccedil;&atilde;o nos primeiros cinco anos de vida produz os maiores problemas, o risco &eacute; para as crian&ccedil;as&quot;, alertou. O agravamento do buraco na camada de oz&ocirc;nio surpreende se forem considerados os 16 anos de vig&ecirc;ncia do Protocolo de Montreal, ratificado por mais de 180 pa&iacute;ses. Esse tratado estabelece a obrigatoriedade de eliminar o consumo e a produ&ccedil;&atilde;o de subst&acirc;ncias que afetam a camada de oz&ocirc;nio, como os clorofluorcarbonos, os h&aacute;lons e o brometo de metilo. Embora os pa&iacute;ses tenham avan&ccedil;ado na substitui&ccedil;&atilde;o desses produtos contaminantes, estes permanecem muitos anos na atmosfera e continuam destruindo as mol&eacute;culas de oz&ocirc;nio.<\/p>\n<p> * A autora &eacute; correspondente da IPS.<\/p>\n<p>Artigo produzido para o Terram&eacute;rica, projeto de comunica&ccedil;&atilde;o dos Programas das Na&ccedil;&otilde;es Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) e para o Desenvolvimento (Pnud), realizado pela Inter Press Service (IPS) e distribu&iacute;do pela Ag&ecirc;ncia Envolverde.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>BUENOS AIRES, 03\/10\/2005 &ndash; O buraco na camada de oz&ocirc;nio teve uma extens&atilde;o recorde sobre o territ&oacute;rio austral argentino em setembro. 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