{"id":10615,"date":"2012-09-06T06:25:55","date_gmt":"2012-09-06T06:25:55","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=10615"},"modified":"2012-09-06T06:25:55","modified_gmt":"2012-09-06T06:25:55","slug":"chegou-a-altura-de-rearmar-os-guardas-prisionais-da-costa-do-marfim","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/09\/africa\/chegou-a-altura-de-rearmar-os-guardas-prisionais-da-costa-do-marfim\/","title":{"rendered":"Chegou A Altura de Rearmar os Guardas Prisionais da Costa do Marfim"},"content":{"rendered":"<p>Abidjan, 06\/09\/2012 &ndash; Eliane Negui sabia o que fazer quando lhe disseram que um grupo de presos tinha escapado da principal pris&atilde;o de Abidjan no in&iacute;cio deste m&ecirc;s. Afinal de contas, esta jovem de 24 anos, que h&aacute; nove anos vive do outro lado de uma picada de terra batida em frente da pris&atilde;o, tinha testemunhado o mesmo cen&aacute;rio h&aacute; dois meses. <!--more--> &quot;Logo que sabemos que algu&eacute;m escapou corremos sempre para os nossos quartos e fechamos a porta,&quot; explicou durante uma recente entrevista &agrave; IPS na banca onde vende bananas fritas em frente da principal entrada da pris&atilde;o. &quot;Sempre que algu&eacute;m escapa os guardas come&ccedil;am aos tiros e, por isso, vamos para os quartos para n&atilde;o sermos feridos ou mortos. <\/p>\n<p>Dos doze presos que escaparam da pris&atilde;o naquele dia, foram imediatamente capturados oito. Este total n&atilde;o se pode comparar com a fuga que teve lugar no dia 4 de Maio, quando mais de 50 presos fugiram da pris&atilde;o, levando a miss&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas na Costa do Marfim a emitir um comunicado manifestando a sua preocupa&ccedil;&atilde;o. <\/p>\n<p>Esta na&ccedil;&atilde;o da &Aacute;frica Ocidental ainda est&aacute; ocupada com a sua reconstru&ccedil;&atilde;o ap&oacute;s seis meses de viol&ecirc;ncia p&oacute;s-eleitoral desencadeada pelas elei&ccedil;&otilde;es de Novembro de 2010, quando o antigo presidente Laurent Gbagbo se recusou a abandonar o poder depois de ter perdido as elei&ccedil;&otilde;es a favor do actual presidente, Alassane Ouattara. Durante a viol&ecirc;ncia, as 33 pris&otilde;es do pa&iacute;s ficaram vazias e infraestruturas e equipamentos foram largamente destru&iacute;das. <\/p>\n<p>As pris&otilde;es voltaram a abrir em Agosto de 2011, e 31 est&atilde;o agora operacionais. Mas a recupera&ccedil;&atilde;o tem sido perturbada por uma s&eacute;rie de fugas. Desde Agosto, houve 17 fugas separadas, envolvendo 250 prisioneiros, de acordo com Francoisa Simar, directora da sec&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas sobre o estado de direito. <\/p>\n<p>Os problemas que persistem nas pris&otilde;es do pa&iacute;s s&atilde;o um espelho dos problemas maiores existentes no sector de seguran&ccedil;a &#8211; especialmente no que diz respeito ao pessoal. As queixas sobre as condi&ccedil;&otilde;es nas pris&otilde;es tamb&eacute;m indicam que ainda h&aacute; melhorias a fazer na recupera&ccedil;&atilde;o p&oacute;s-conflito do pa&iacute;s.<\/p>\n<p>Antes da viol&ecirc;ncia, que ceifou 3.000 vidas, s&oacute; os guardas prisionais &eacute; que proporcionavam a seguran&ccedil;a necess&aacute;ria nas pris&otilde;es no pa&iacute;s. Os guardas estavam armados mas havia falta de armas e muitas n&atilde;o estavam funcionais, disse Simard &agrave; IPS. <\/p>\n<p>Quando as pris&otilde;es come&ccedil;aram a reabrir em Agosto, as For&ccedil;as Republicanas da Costa do Marfim (FRCI), o ex&eacute;rcito nacional, era a &uacute;nica for&ccedil;a autorizada a ter armas. Os soldados come&ccedil;aram a trabalhar ao lado dos guardas prisionais. <\/p>\n<p>Mais de um ano ap&oacute;s o conflito ter terminado, os guardas prisionais ainda est&atilde;o sem armas. &quot;O actual governo est&aacute; muito relutante em entregar armas aos guardas prisionais,&quot; disse Simard. <\/p>\n<p>Esta relut&acirc;ncia real&ccedil;a a falta de confian&ccedil;a nas diferentes for&ccedil;as de seguran&ccedil;a. Devido ao facto do n&uacute;mero de guardas prisionais em todo o pa&iacute;s ter quase duplicado durante o per&iacute;odo de 10 anos que Gbagbo esteve no poder, existe a percep&ccedil;&atilde;o -seja ela correcta ou n&atilde;o &#8211; que a maior parte dos guardas &eacute; fiel ao anterior regime. <\/p>\n<p>&quot;H&aacute; um ambiente de desconfian&ccedil;a na pris&atilde;o,&quot; disse Stephane Boko, supervisor na Pris&atilde;o de MACA, em Abidjan, &agrave; IPS. &quot;O poder j&aacute; n&atilde;o est&aacute; centrado nos guardas prisionais porque s&atilde;o considerados como sendo pro-Gbagbo.&quot;<\/p>\n<p>&Eacute; &oacute;bvia uma divis&atilde;o semelhante no sector de seguran&ccedil;a mais alargado. As FRCI s&atilde;o maioritariamente compostas por for&ccedil;as leais a Ouattara, incluindo os l&iacute;deres do grupo rebelde Forces Nouvelles, que controlou o norte da Costa do Marfim quando o pa&iacute;s ficou dividido entre 2002 e 2010. H&aacute; muito que o governo tem receio da pol&iacute;cia e dos gendarmes e , nalgumas partes do pa&iacute;s &#8211; nomeadamente a vol&aacute;til regi&atilde;o ocidental &#8211; as FRCI continuam a ser a &uacute;nica for&ccedil;a de seguran&ccedil;a que tem acesso a armas, o que significa que tomou uma posi&ccedil;&atilde;o de lideran&ccedil;a com respeito ao policiamento em geral. <\/p>\n<p>Contudo, recentemente a pol&iacute;cia e os gendarmes foram rearmados nalguns locais e agora t&ecirc;m uma presen&ccedil;a permanente nas pris&otilde;es. Ao abrigo de uma pol&iacute;tica elaborada ap&oacute;s a fuga de Maio, cinco agentes e cinco gendarmes devem ser colocados em cada pris&atilde;o, disse Simard &agrave; IPS. \t A presen&ccedil;a de m&uacute;ltiplas for&ccedil;as de seguran&ccedil;a em cada pris&atilde;o pode, &agrave;s vezes, levar a uma falta de coordena&ccedil;&atilde;o. No in&iacute;cio do ano, por exemplo, perto de 93 prisioneiros conseguiram fugir de uma pris&atilde;o em Agboville, cidade aproximadamente a 80 quil&oacute;metros a norte de Abidjan. Segundo Simard, nos tr&ecirc;s dias anteriores &agrave; fuga n&atilde;o havia nenhuma for&ccedil;a de seguran&ccedil;a a proteger a pris&atilde;o. <\/p>\n<p>Boko e outro pessoal na Pris&atilde;o de MACA afirmam que a responsabilidade de proteger as pris&otilde;es da Costa do Marfim devia ser devolvida aos guardas. Mas Serges Kouame, chefe de comunica&ccedil;&otilde;es do Minist&eacute;rio da Justi&ccedil;a, afirmou depois da fuga no in&iacute;cio do m&ecirc;s que se estava a criar um comando central para dar resposta &agrave;s fugas da pris&atilde;o e que isso iria envolver as FRCI, os guardas, os gendarmes e a pol&iacute;cia. <\/p>\n<p>Condi&ccedil;&otilde;es<\/p>\n<p>Entretanto, persistem as preocupa&ccedil;&otilde;es sobre as condi&ccedil;&otilde;es que os presos na Costa do Marfim enfrentam. O sistema prisional nacional estava superlotado antes da viol&ecirc;ncia p&oacute;s-eleitoral, com mais de 12.000 prisioneiros encarcerados em pris&otilde;es com capacidade para cerca de 5.500, de acordo com as Na&ccedil;&otilde;es Unidas. <\/p>\n<p>A actual popula&ccedil;&atilde;o prisional &eacute; muito mais reduzida &#8211; 5.945 em 20 de Julho &#8211; mas recentemente ultrapassou a capacidade total e tem aumentado todas as semanas. Apesar de Simard referir que &quot;a situa&ccedil;&atilde;o n&atilde;o &eacute; t&atilde;o dram&aacute;tica como era antes do sistema estar superlotado,&quot; afirmou que certos aspectos das condi&ccedil;&otilde;es prisionais &#8211; entre eles o acesso a alimentos &#8211; continuavam a ser problem&aacute;ticos.<\/p>\n<p>O Departamento de Estado dos Estados Unidos mencionou as m&aacute;s condi&ccedil;&otilde;es prisionais no seu mais recente Relat&oacute;rio de Direitos Humanos relativamente &agrave; Costa do Marfim. Apesar do relat&oacute;rio ter referido algumas melhorias que ocorreram com Ouattara, tamb&eacute;m apontou que a distribui&ccedil;&atilde;o de alimentos continuava a ser &quot;inadequada&quot;. <\/p>\n<p>Foi esta a principal queixa de Emmanuel Biandjui Diffi, de 40 anos, que esteve detido na Pris&atilde;o de MACA durante seis meses desde Janeiro ap&oacute;s de ter vendido o mesmo terreno a duas pessoas diferentes. <\/p>\n<p>&quot;As condi&ccedil;&otilde;es n&atilde;o eram do pior, mas a qualidade da comida era muito m&aacute;,&quot; contou &agrave; IPS. &quot;N&atilde;o havia nada na sopa &#8211; nem carne nem peixe.&quot;<\/p>\n<p>Diffi tamb&eacute;m se quixou da pol&iacute;tica da pris&atilde;o de alimentar os presos apenas uma vez por dia, &agrave;s duas da tarde, algo que, segundo Simard, as Na&ccedil;&otilde;es Unidas j&aacute; tinha pedido ao governo que corrigisse. <\/p>\n<p>Diffi afirmou que o ambiente geral dentro da pris&atilde;o era toler&aacute;vel. &quot;Viv&iacute;amos normalmente,&quot; disse. &quot;Pod&iacute;amos jogar futebol. Alguns de n&oacute;s trabalhavam como alfaiates. A maior parte passava muito tempo a rezar.&quot;<\/p>\n<p>Mas apontou um problema que sublinha a dist&acirc;ncia que a Costa do Marfim tem de percorrer antes de colocar as suas institui&ccedil;&otilde;oes no caminho certo: a deten&ccedil;&atilde;o prolongada antes do julgamento, algo que o governo de Ouattara atribu&iacute;ra anteriormente &agrave; &quot;falta de capacidade judicial&quot;, de acordo com o Departamento de Estado.<\/p>\n<p>Acima de tudo, segungo Diffi, esta quest&atilde;o e a impress&atilde;o que proporcionava de um sistema n&atilde;o funcional, estava a causar desespero dentro das paredes da Pris&atilde;o deMACA.  &quot;A maioria das pessoas aqui n&atilde;o foi acusada judicialmente,&quot; disse Diffi &agrave; IPS. &quot;Alguns foram acusados mas muitos n&atilde;o foram. Querem sair. Querem ser libertados. E por isso pedem um julgamento.&quot;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Abidjan, 06\/09\/2012 &ndash; Eliane Negui sabia o que fazer quando lhe disseram que um grupo de presos tinha escapado da principal pris&atilde;o de Abidjan no in&iacute;cio deste m&ecirc;s. 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