{"id":1063,"date":"2005-10-03T00:00:00","date_gmt":"2005-10-03T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=1063"},"modified":"2005-10-03T00:00:00","modified_gmt":"2005-10-03T00:00:00","slug":"direitos-humanos-assdio-sexual-uma-odissia-judicial-na-arglia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/10\/america-latina\/direitos-humanos-assdio-sexual-uma-odissia-judicial-na-arglia\/","title":{"rendered":"Direitos Humanos: Ass&eacute;dio sexual, uma odiss&eacute;ia judicial na Arg&eacute;lia"},"content":{"rendered":"<p>Argel, 03\/10\/2005 &ndash; Embarcar em um julgamento por ass&eacute;dio sexual pode arriscado para uma mulher na Arg&eacute;lia, onde o sexo &eacute; tabu e os homens dominam o mercado de trabalho. Entretanto, centenas delas utilizam o Centro Diurno de Assist&ecirc;ncia para V&iacute;timas Femininas de Ass&eacute;dio Sexual, criado h&aacute; dois anos em Argel. Os principais objetivos da institui&ccedil;&atilde;o, financiada pelo Sindicato Geral de Trabalhadores Argelinos, s&atilde;o &quot;romper o sil&ecirc;ncio&quot; em torno do ass&eacute;dio e criar uma organiza&ccedil;&atilde;o n&atilde;o-governamental que possa enfrentar com mais vigor este crime, explicou Soumia Souilah, fundadora do centro. Entretanto, relativamente poucas das que visitam a institui&ccedil;&atilde;o deram o importante passo de apresentar queixa contra seus agressores.<br \/> <!--more--> <br \/> &quot;Temos medo de perder nosso trabalho se os acusamos e assim ficar sem um meio de sustento&quot;, disse &agrave; IPS um grupo de v&iacute;timas de ass&eacute;dio sexual. Uma jornalista concorda com esse ponto ao assinalar que &quot;para uma mulher que trabalha e recebe sal&aacute;rio mensal para cobrir as necessidades de seus filhos fica muito dif&iacute;cil entregar os respons&aacute;veis por ass&eacute;dios se isso significa que podem ficar sem trabalho&quot;. Enquanto as puni&ccedil;&otilde;es aos respons&aacute;veis por esse crime est&atilde;o claramente estipuladas, as mulheres alegam que o crime em si mesmo pode ser dif&iacute;cil de ser provado. &quot;N&atilde;o s&oacute; n&atilde;o temos as provas materiais necess&aacute;rias para ganhar um processo, como tamb&eacute;m o conceito de ass&eacute;dio ainda &eacute; vago e isto dificulta o processo judicial&quot;, afirmaram as v&iacute;timas.<\/p>\n<p> A experi&ecirc;ncia daquelas que se submeteram a um julgamento n&atilde;o ajuda a aliviar essas preocupa&ccedil;&otilde;es: at&eacute; a data, nenhuma viu seus agressores serem considerados culpados. No caso dos processos feitos por um grupo de estudantes da Universidade de Dergana, em Argel, os interrogat&oacute;rios parecem intermin&aacute;veis. As estudantes pediram ao presidente argelino, Abdelaziz Blouteflika (no poder desde 1999), que tomasse medidas contra o diretor de seus alojamentos universit&aacute;rios, a quem acusaram de ass&eacute;dio sexual, agress&otilde;es f&iacute;sicas e chantagem. Em outubro do ano passado, o chefe de Estado ordenou ao ministro da Educa&ccedil;&atilde;o, Rachid Harraoubia, que iniciasse a investiga&ccedil;&atilde;o do caso. Quase um ano depois, entretanto, a investiga&ccedil;&atilde;o ainda n&atilde;o terminou. Este m&ecirc;s, as universit&aacute;rias voltaram a pedir puni&ccedil;&atilde;o para os respons&aacute;veis pelos ass&eacute;dios. <\/p>\n<p> Al&eacute;m do medo de perder o trabalho e das dificuldades de levar os casos de ass&eacute;dio aos tribunais, as normas culturais tamb&eacute;m s&atilde;o obst&aacute;culo no caminho para que as mulheres apresentem demandas contra os agressores: o sexo &eacute; considerado um tema tabu nesse pa&iacute;s isl&acirc;mico. Em resposta a estas dificuldades, o Comit&ecirc; Nacional de Mulheres Trabalhadoras e organiza&ccedil;&otilde;es defensoras dos direitos humanos realizaram uma campanha n&oacute;s &uacute;ltimos meses para convencer as mulheres a levarem os respons&aacute;veis por ass&eacute;dios aos tribunais.<\/p>\n<p> &quot;N&atilde;o &eacute; apenas tempo de ouvir&quot;, disse Souilah, afirmando que as mulheres necessitam ir al&eacute;m da simples den&uacute;ncia. As pessoas acusadas por ass&eacute;dio sexual podem ser condenadas at&eacute; 12 meses de pris&atilde;o e multa entre US$ 600 e US$ 1.200. A aprova&ccedil;&atilde;o de penas de pris&atilde;o para esse crime aconteceu em outubro de 2004, a pedido do Comit&ecirc; Nacional de Mulheres Trabalhadoras e da Liga Argelina para os Direitos Humanos, e foi considerada um avan&ccedil;o significativo &agrave; luz da postura conservadora do pa&iacute;s em assuntos sexuais.<\/p>\n<p> Segundo o Comit&ecirc;, as idades das v&iacute;timas de ass&eacute;dio sexual variam entre 21 e 55 anos. Tanto mulheres solteiras quanto casadas s&atilde;o v&iacute;timas desse delito, que &eacute; cometido mais freq&uuml;entemente no setor p&uacute;blico do que no privado, principalmente em escolas e centros de sa&uacute;de. &quot;&Eacute; a deteriora&ccedil;&atilde;o dos valores morais de nossa sociedade, embora estejam baseados nos preceitos isl&acirc;micos&quot;, queixou-se uma trabalhadora. &quot;No passado, somente as solteiras eram assediadas, mas hoje eles pegam qualquer uma que esteja em sua linha de vis&atilde;o&quot;, afirmou.<\/p>\n<p> Enquanto alguns v&ecirc;em a religi&atilde;o como um baluarte contra o ass&eacute;dio, outros parecem us&aacute;-la para legitimar essa pr&aacute;tica. Um comunicado de imprensa divulgado este m&ecirc;s por uma organiza&ccedil;&atilde;o an&ocirc;nima de radicais isl&acirc;micos advertiu que as mulheres deveriam &quot;se vestir de acordo com as normas ou correr o risco de serem tratadas como objetos sem valor&quot;. A declara&ccedil;&atilde;o fez muitos lembrarem das matan&ccedil;as da d&eacute;cada de 90, quando mais de 150 pessoas foram assassinadas durante uma campanha de extremistas isl&acirc;micos. Muitas mulheres tamb&eacute;m foram violadas nessa onda de viol&ecirc;ncia, enquanto milhares de cidad&atilde;os desapareceram sem deixar rastro.<\/p>\n<p> A campanha come&ccedil;ou com a tomada militar da Arg&eacute;lia, em 1992, antes das elei&ccedil;&otilde;es gerais que provavelmente seria vencida pela Frente Isl&acirc;mica de Salva&ccedil;&atilde;o. O partido havia conseguido um resultado favor&aacute;vel no primeiro turno, em dezembro de 1991. No &uacute;ltimo dia 29, os argelinos realizaram um referendo onde uma esmagadora maioria se pronunciou a favor de uma proposta governamental de anistia para os respons&aacute;veis pelos assassinatos na d&eacute;cada de 90. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Argel, 03\/10\/2005 &ndash; Embarcar em um julgamento por ass&eacute;dio sexual pode arriscado para uma mulher na Arg&eacute;lia, onde o sexo &eacute; tabu e os homens dominam o mercado de trabalho. Entretanto, centenas delas utilizam o Centro Diurno de Assist&ecirc;ncia para V&iacute;timas Femininas de Ass&eacute;dio Sexual, criado h&aacute; dois anos em Argel. Os principais objetivos da institui&ccedil;&atilde;o, financiada pelo Sindicato Geral de Trabalhadores Argelinos, s&atilde;o &quot;romper o sil&ecirc;ncio&quot; em torno do ass&eacute;dio e criar uma organiza&ccedil;&atilde;o n&atilde;o-governamental que possa enfrentar com mais vigor este crime, explicou Soumia Souilah, fundadora do centro. 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